Sporting vai propor alteração dos quadros competitivos no râguebi
O Sporting vai avançar com uma proposta de alteração dos quadros competitivos das divisões secundárias do râguebi português. Os “leões”, que garantiram no último fim-de-semana a subida à I Divisão, o segundo escalão da modalidade, defendem a existência de apenas uma divisão secundária. O objectivo, afirma Rafael Lucas Pereira, responsável máximo pelo râguebi “leonino”, é evitar que a modalidade em Portugal “deixe de ser sustentável”.
Porque o “país atravessa uma grave crise” e “o râguebi deve antecipar-se e adaptar-se”, o Sporting vai apresentar, “em breve”, à Federação Portuguesa de Râguebi (FPR), uma proposta de alteração dos quadros competitivos.
Garantida a subida de divisão, condição essencial para que os “leões” avançassem com a ideia, para não serem acusados de quererem “subir administrativamente”, será entregue um projecto de fusão das divisões secundárias.
Se a FPR der provimento à proposta, os quadros competitivos passariam a ser compostos por duas divisões: um primeiro escalão, com 10 equipas, e um secundário com sete clubes na Zona Norte, seis na Centro e 13 na Lisboa/Sul.
Tal como acontece actualmente na II Divisão, haveria uma segunda fase entre os dois melhores do Norte e Centro para definir a dupla que, num play-off, defrontaria os primeiros classificados da Zona Lisboa/Sul. O vencedor garantiria a subida à Divisão de Honra.
Rafael Lucas Pereira justificou ao PÚBLICO a defesa desta alteração pela inexistência de “receitas regulares nos clubes da I Divisão”, que gastam cerca de “3/4 do orçamento em viagens” com o actual modelo, em que oito clubes, independentemente da localização geográfica, se defrontam entre si em duas fases.
O dirigente adverte que “os próximos tempos vão ser difíceis”, por isso, é “preferível salvaguardar a sustentabilidade” das equipas. Confrontado com a possibilidade de, com esta alteração, surgir um desnível acentuado entre alguns clubes, Rafael Lucas Pereira refere que “a este nível não deve haver diferenciação” e afirma que haverá sempre resultados desnivelados, qualquer que seja o campeonato. “Temos que desvalorizar um pouco a vertente desportiva. Só a Divisão de Honra faz selecção e as selecções [nacionais]. Deve-se privilegiar um modelo que defenda os clubes.”
Para além da proposta de alteração dos quadros competitivos, o Sporting vai também sugerir a alteração do nome da actual Divisão de Honra. Rafael Lucas Pereira explica que “a actual nomenclatura provoca alguma confusão” e confessa ter recebido felicitações de pessoas que pensavam que o Sporting, ao garantir a promoção à I Divisão, estava no principal escalão do râguebi português. Dessa forma, os “leões” sugerem que a actual Divisão de Honra se passe a chamar Divisão de Elite.