Não sou hipócrita. Tanto é vida um ser(será que já o é?) gerado por uma violação como por uma relação consentida. Tanto é vida se não for "perfeito" como sendo.
Por isso mesmo é que eu, sendo pelo "não", não alicerço a minha convicção na inviolabilidade da vida. Admito que o estrito valor da vida ceda perante imperativos superiores, como são os casos de violação, risco de vida para a mulher ou malformações do feto.
Tanto é aborto aqui como é em Espanha, mas se forem para Badajoz tudo bem, a gente finge que não sabe.
Por deformação profissional, deixa-me dizer-te que, para além da questão de as duas leis serem muito semelhantes, o facto de não punirmos quem vai a Espanha abortar não significa que "finjamos que não sabemos", mas apenas que a lei penal portuguesa se aplica tendencialmente (com algumas excepções) aos factos que qualquer pessoa pratique no nosso espaço territorial, e não aos que os cidadãos portugueses pratiquem noutras jurisdições.
FLL, eu não pretendia dizer que se devesse punir quem vai a Espanha, mas queria frisar aquilo que EU, atenção que é uma opinião pessoal, acho uma hipocrísia muita gente votar admitir que se vá a Espanha, mas cá em Portugal é que não.
Eu tenho a minha opinião e este assunto é bastante delicado e subjectivo, e podemos ter opiniões diametralmente opostas e cada um estar coberto de razão, cada um na sua perspectiva.
Mas o que eu exijo é coerencia e seriedade que é o que muitas vezes, na maioria e quer para um lado e para o outro, falta nesta e noutras discussões por quem tem o dever de informar e esclarecer.
Eu sou claramente a favor da despenalização. Acho que o aborto devia ser livre até aos…12 anos. Isso. Até aos 12 anos do “feto” a mulher poderia decidir se quer ser mãe ou não.
Mais a sério: Não vou votar. Porque acho que os grilos falantes que abundam no “sim” e no “não” tornam o debate uma conversa de tasca da pior, e não me apetece incluir-me nesta questão.
À primeira tentiva que se faz de se discutir a questão de forma mais séria, aparece sempre alguém a começar o comício. Assim sendo, não contem comigo. Da outra vez não votei em consciência, porque não sabia o que havia de votar. Desta vez não voto porque quem tem obrigação de esclarecer os eleitores não o faz. E se há questão em que, para mim, todos os esclarecimentos são bem-vindos, é esta.
Tendencialmente votaria Não. POderia inverter a tendencia e votar Sim se me propusessem uma articulação entre educação sexual, planeamento familiar, e a IVG itself. Despenzalizar porque a mulher manda na sua vida, lá está, só se for até aos 12 anos.
A menos que estejas a discutir com bárbaros ou canibais, poderás não chegar a um acordo sobre o início, mas hás-de chegar pelo menos à conclusão de que às 20 semanas já existe vida
“hás-de” é muito vago. Eu, a sociedade, um conselho de especialistas?
Mesmo que fosse verdade, “so what?”. O Paracelsus de qualquer modo já explicou bem o problema.
Desta vez não voto porque quem tem obrigação de esclarecer os eleitores não o faz. E se há questão em que, para mim, todos os esclarecimentos são bem-vindos, é esta.
Deixa-me ser melga.
Estou em desacordo. Os esclarecimentos científicos que há a prestar sobre o assunto estão à disposição de quem os quiser ler nos mais variados meios. Depois há as deturpações que são feitas de um lado e doutro, e as opiniões misturadas com factos, essas sim contribuindo para a confusão dos eleitores menos esclarecidos.
Mas este é um ponto em que o esclarecimento vindo por parte dos promotores do “Sim” ou do “Não” pouco adianta. O voto deveria ser essencialmente ditado por refelexão e posições éticas formadas a partir de dados essencialmente científicos. Nas eleições legislativas, pelo menos no meu caso, uma análise pragmática e não ideológica é mais curial, pelo que quero explicações sobre o que pensam os partidos fazer quando e se chegarem ao Governo e como pensam fazê-lo. Não que essas sejam normalmente muito verdadeiras ou esclarecidas.
Pela minha parte, nada. Eu comecei por dizer que a discussão sobre o início da vida era deslocada, porque associada ao princípio da sua inviolabilidade significaria o fim absurdo dos vários casos de aborto plenamente justificados que hoje existem.
Os esclarecimentos estão disponíveis. Até neste tópico já me esclareci mais um pouco. Só que eu não voto por falta de esclarecimentos. Eu não voto porque quem tem obrigação de esclarecer, envereda pelo caminho habitual: a peixeirada.
Aceito melhor a peixeirada em campanhas presidenciais do que numa questão deste género…
A.A.
PS - Melga!
Desta vez não voto porque quem tem obrigação de esclarecer os eleitores não o faz. E se há questão em que, para mim, todos os esclarecimentos são bem-vindos, é esta.
Deixa-me ser melga.
Estou em desacordo. Os esclarecimentos científicos que há a prestar sobre o assunto estão à disposição de quem os quiser ler nos mais variados meios. Depois há as deturpações que são feitas de um lado e doutro, e as opiniões misturadas com factos, essas sim contribuindo para a confusão dos eleitores menos esclarecidos.
Mas este é um ponto em que o esclarecimento vindo por parte dos promotores do “Sim” ou do “Não” pouco adianta. O voto deveria ser essencialmente ditado por refelexão e posições éticas formadas a partir de dados essencialmente científicos. Nas eleições legislativas, pelo menos no meu caso, uma análise pragmática e não ideológica é mais curial, pelo que quero explicações sobre o que pensam os partidos fazer quando e se chegarem ao Governo e como pensam fazê-lo. Não que essas sejam normalmente muito verdadeiras ou esclarecidas.
Eu sou pelo SIM, embora ache que o NÃO esteja a fazer muito mais barulho.
Apenas algumas notas:
-Caso se saiba quem é o pai, a questão deixa de ser um assunto exclusivo da mulher. Daí ser um caso de saúde pública.
-Penso que a situação assim não pode continuar, é atrasar mais 10 anos a mentalidade deste país.
-Não estou a dizer que toda a gente que vai votar NÃO é hipócrita, e sei perfeitamente aceitar os argumentos de cada um, mesmo que não concorde com eles. A mim muito sinceramente choca-me que a besta do Papa compare o aborto ao terrorismo! A hipocrisia recai, na minha óptica, muito sobretudo na igreja que rejeita o uso do preservativo enquanto há MILHÕES de pessoas a morrer no mundo (aqui já me estou a desviar do tópico, embora esteja algo relacionado)
-Um dos cartazes da campanha do “NÃO OBRIGADO” dizia “Gastar milhões em clínicas especializadas?” Ao que eu pergunto: E os milhões que se gastão para curar mulheres que recorreram a serviços ilegais? O dinheir que se gasta nos processos que chegam a tribunal? O dinheiro que se gasta, caso a criança nasça, em orfanatos, centros de acolhimento, adopção?
Por agora é o que me lembro, pode ser que me ocorram mais “argumentos” ao longo deste tópico.
Vou votar Não. A lei tal qual como está prevê todas as circunstâncias em que um aborto é aceitável. Hoje em dia só engravida quem quer. E se querem têm que ser responsáveis por isso, tendo os filhos. Estejam em que situação estiverem. :arrow:
Não vou votar, principalmente porque já votei nisto uma vez e não tenho vocação para papagaio. Se o Não voltar a vencer, em 2015 cá estaremos todos para voltar às urnas…
Mais a sério, se fosse votar teria de ser Sim. Pela simples razão de eu não ser ninguém para dizer o que as outras pessoas podem ou não fazer. Sou a favor da liberdade de escolha. Votar Sim não é obrigar ninguém a abortar. É, caso precisem de o fazer, dar-lhes a legalidade para tal.
Voto sim, porque sei que o aborto é já uma realidade em Portugal.
Voto sim, porque sei que o aborto vai continuar a ser uma realidade em Portugal, quer o façam legal ou ilegalmente. É portanto uma questão que se prende com o facto de as pessoas o fazerem em condições adequadas e com pessoal qualificado para tal, ou não.
Este problema é muito mais vocacionado para os pobres. Os ricos metem-se no avião fazem o aborto em Espanha e tão cá outra vez na boa vida a apontar o dedo aos outros.
Para além disto, pensem para vós:
É preferível o aborto ou que se abandone/mate à pancada um recém-nascido? Eu não tenho dúvidas do que é menos mau…
Parto do princípio que as crianças que nascem devem ser desejadas. Obrigar alguém que quer abortar a dar à luz apenas porque está na lei parece-me um mau princípio. E como estou longe de considerar um crime o que está na proposta de lei que vai a referendar, irei votar sim sem qualquer hesitação.
Isso é uma questão de SAÚDE PÚBLICA, e não de qualquer liberalização. Quem pretende abortar, irá sempre fazê-lo.
Há quem tem dinheiro e irá a Londres ou Madrid. Há outras, que na sua triste sina, vão sujeitar-se nas mãos de “talhantes”. A diferença é essa: dar condições dignas, dentro de prazos balizados, para que se possa fazer uma IVG em condições de salubridade e mais segurança, ou continuarmos passivos ao sofrimento, inutilização e morte de centenas de mulheres.
Nenhuma mulher aborta por prazer, gosto ou gozo. Nenhuma mulher gosta que alguém estranho lhe toque.
Engraçado que só nessas alturas os ditos Movimentos “pró” vida se lembrem de angariar fundos em campanhas para apoiar mães necessitadas. Curioso que só agora falem em planeamento familiar e educação sexual. Só em campanha, porque depois, é uma imoralidade: surgem logo pais esbaforidos, a dizer que não quer a filha a ver essas “pornografias” e a ter “aulas práticas” na escola. Afinal, desde 1998, o que foi feito por essas organizações!?
É sempre melhor os recém nascidos serem abandonados em descampados… Morrerem à fome, ao frio. Ou crianças maltratadas de todas as maneiras, porque simplesmente não foram desejadas…
Tem um filho não é só a queca, e pô-lo cá fora.
Sobre a opção recair sobre a mulher, quem é que deveria pedir autorização? Claro que deve ser a mulher a decidir.
Há 4 métodos infalíveis: no sex, eunucos, vasecotomia/laqueação e infertilidade. Tudo o resto é falível…
Isto para não falar na falta de EDUCAÇÃO sexual…
Vou votar Não. A lei tal qual como está prevê todas as circunstâncias em que um aborto é aceitável. [b]Hoje em dia só engravida quem quer[/b]. E se querem têm que ser responsáveis por isso, tendo os filhos. Estejam em que situação estiverem. :arrow: