Referendo sobre o aborto

Mas essa deveria ser a primeira questão a ser respondida... quando começa a vida?

Depois então seria mais facil responder à questão agora referendada.

Se a vida começa antes das 10 semanas sou NÃO. Se a vida começa depois das 10 semanas sou SIM.

Para haver uma resposta única a essa questão era necessário que toda a gente concordasse com que definição de vida deveria ser considerada. Isso já não sendo nada fácil, é tornado impossível porque muitas (todas as?) definições de vida são elas próprias sujeitas a discussão - um ser humano em morte cerebral mas ligado às máquinas, ainda vive? Religiosos fanáticos defendem que sim, esquecendo-se que há décadas atrás já há muito ele teria sido “chamado por Deus”.

Como essa questão não é decidida por Referendo (e se pudesse ser dirimida de outro modo um Referendo seria desnecessário), referenda-se uma questão a jusante.

Basicamente a questão para mim é se ao fazer o aborto está-se a tirar a vida a um ser humano, ou se até às 10 semanas ainda não é considerado ser humano.

A única coisa que é clara é que da junção de um espermatozóide e de um óvulo irá desenvolver-se um ser único, que poderá ou não ser um ser humano viável. O que se segue dá azo a discussões morais profundas enformadas pelas convicções (não apenas religiosas) de cada um.

Mas essa deveria ser a primeira questão a ser respondida… quando começa a vida?

Depois então seria mais facil responder à questão agora referendada.

Se a vida começa antes das 10 semanas sou NÃO. Se a vida começa depois das 10 semanas sou SIM.

Rui a resposta a essa pergunta vai da consciencia de cada 1… para mim a vida começa a partir do dia em q a mulher engravida mas ja ouvi pessoas a dizer as maiores barbaridades como a vida so começar a partir do momento em q os bebes nascem… :evil:

abraços

http://www.cne.pt/index.cfm?sec=0306000000

Indo lá através da “home page” concluo que de facto a questão é a mesma:

“Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas 10 primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”

Não altera o sentido do meu raciocínio. Teria também quase certamente votado Sim em 1998.

Rui [b]a[/b] resposta a essa pergunta vai da consciencia de cada 1...

Não é a resposta, é uma resposta. :wink:

Mas essa deveria ser a primeira questão a ser respondida... quando começa a vida?

Depois então seria mais facil responder à questão agora referendada.

Se a vida começa antes das 10 semanas sou NÃO. Se a vida começa depois das 10 semanas sou SIM.

Para haver uma resposta única a essa questão era necessário que toda a gente concordasse com que definição de vida deveria ser considerada. Isso já não sendo nada fácil, é tornado impossível porque muitas (todas as?) definições de vida são elas próprias sujeitas a discussão - um ser humano em morte cerebral mas ligado às máquinas, ainda vive? Religiosos fanáticos defendem que sim, esquecendo-se que há décadas atrás já há muito ele teria sido “chamado por Deus”.

Como essa questão não é decidida por Referendo (e se pudesse ser dirimida de outro modo um Referendo seria desnecessário), referenda-se uma questão a jusante.

E no entanto está estipulado quando pode um ser humano considerar-se morto. Agora é estipular-se quando começa a viver.

Não é preciso (nem deve acontecer) envolver a sociedade numa discussão desse teor, quem deve responder a essa questão são os especialistas.

Agora defendo sim que enquanto existir essa dúvida não se devia avançar num referendo sobre aborto, sobretudo se, como por enquanto acho, a ideia subjacente é facilitar a irresponsabilidade generalizada, dos cidadãos individualmente e dos cidadãos como Estado, representados pela classe politica.

Não é preciso (nem deve acontecer) envolver a sociedade numa discussão desse teor, quem deve responder a essa questão são os especialistas.

Que especialistas? Alguma vez se chegaria a um consenso aí? E mesmo quanto à morte, não há consenso entre especialistas sobre a eutanásia.

O que está em discussão não se pode centrar no conceito de vida, no momento do seu início nem na sua inviolabilidade. A lei actual já prevê diversas causas de aborto não punível, em termos tão amplos que a tornam praticamente idêntica à lei espanhola.

Se a questão se cingir ao momento em que se considera existir vida humana, chegar-se-á a uma conclusão, mais semana, menos semana, e então acaba-se o aborto terapêutico, eugénico e motivado por violação.

O que está em discussão não se pode centrar no conceito de vida, no momento do seu início nem na sua inviolabilidade. A lei actual já prevê diversas causas de aborto não punível, em termos tão amplos que a tornam praticamente idêntica à lei espanhola.

Se a questão se cingir ao momento em que se considera existir vida humana, chegar-se-á a uma conclusão, mais semana, menos semana, e então acaba-se o aborto terapêutico, eugénico e motivado por violação.

Sobre o segundo ponto, nunca se chegará a uma conclusão. Quando muito chegar-se-á a uma definição legal.

Sobre o primeiro ponto, como é que se equalizaria a aplicação da Lei com o que é praticado em Espanha?

Eu sempre fui defensora do Sim
Continuo a ser pelo Sim

Alias,eu nao vejo que alguem mande no corpo da mulher sem ser ela
propria,ela e que tem pleno direito se quer filhos ou nao.

A Igreja e todos os retrogados do Nao, se calhar as mulheres deles
e amantes ja estao fartas de os fazer,mas essas podem faze-los em boas
clinicas,porque tem dinheiro para isso.

Cambada de hipocritas!

Eu sempre fui defensora do Sim Continuo a ser pelo Sim

Alias,eu nao vejo que alguem mande no corpo da mulher sem ser ela
propria,ela e que tem pleno direito se quer filhos ou nao.

A Igreja e todos os retrogados do Nao, se calhar as mulheres deles
e amantes ja estao fartas de os fazer,mas essas podem faze-los em boas
clinicas,porque tem dinheiro para isso.

Cambada de hipocritas!

e desde quando é q a mulher n tem o direito de optar por ter filhos ou não?! agora o q mtos retrogados (como lhes chamas) defendem é q essa opção deve ser tomada antes de engravidar…

Eu sempre fui defensora do Sim Continuo a ser pelo Sim

Alias,eu nao vejo que alguem mande no corpo da mulher sem ser ela
propria,ela e que tem pleno direito se quer filhos ou nao.

A Igreja e todos os retrogados do Nao, se calhar as mulheres deles
e amantes ja estao fartas de os fazer,mas essas podem faze-los em boas
clinicas,porque tem dinheiro para isso.

Cambada de hipocritas!


Eu vou votar “Não”, com muitas dúvidas e sem maniqueísmos, como é próprio de uma questão tão complexa, e sinceramente dispenso esta sua (aliás habitual) postura de “grilo falante”, tentando impor a sua opinião a quem não a perfilha, e não se abstendo de utilizar qualificativos desmesurados e, neste caso, de mau gosto.

Muito obrigado.

Sobre o segundo ponto, nunca se chegará a uma conclusão. Quando muito chegar-se-á a uma definição legal.
A menos que estejas a discutir com bárbaros ou canibais, poderás não chegar a um acordo sobre o início, mas hás-de chegar pelo menos à conclusão de que às 20 semanas já existe vida, o que por si só, a admitir-se a inviolabilidade absoluta, já inviabilizaria o aborto eugénico tal como actualmente ele é permitido.
Sobre o primeiro ponto, como é que se equalizaria a aplicação da Lei com o que é praticado em Espanha?
Com uma prática médica e judicial mais consentânea com o espírito da Lei, ou quanto muito com uma intervenção legislativa minimal.

Não há consenso em relação ao início da vida, nem nunca haverá… definam “vida humana” e depois falamos. Definir processo biológico é muito mais fácil - a nova célula começa a partir do momento da fusão das duas células fecundadoras.

Quanto à questão de ser por “opção da mulher”, essa questão prende-se também com razões médicas. E isto porque a lei actual determina que no caso da gravidez poder a vir a ter perigo elevado de lesões permanentes para a saúde da mulher, de se prever que o feto venha a sofrer de doença incurável ou que a mulher tenha sofrido violação, a mulher pode abortar até às 12 semanas. Ou seja, em todos os outros casos ela não pode abortar por mais razões que apresente.

Seja como for, a resposta é SIM, a despenalização deve ser um facto. Há leis que se aplicam a situações práticas na sociedade e esta é uma delas. Os lirismos da sociedade que tem a obrigação de dar resposta e apoio a todas as mulheres que ficam grávidas e que querem abortar são muito giros e tal, mas também tem o seu espaço próprio e não penso que a alteração nesta lei vá beliscar isso.

“Descubra as diferenças”:

Em Portugal

Artigo 142º Interrupção da gravidez não punível

1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando, segundo o estado dos conhecimentos e da experiência da medicina:
a) Constituir o único meio de remover perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida;
b) Se mostrar indicada para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e for realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez;
c) Houver seguros motivos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, comprovadas ecograficamente ou por outro meio adequado de acordo com as leges artis, excepcionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;
d) A gravidez tenha resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas.

2 - A verificação das circunstâncias que tornam não punível a interrupção da gravidez é certificada em atestado médico, escrito e assinado antes da intervenção por médico diferente daquele por quem, ou sob cuja direcção, a interrupção é realizada.

3 - O consentimento é prestado:
a) Em documento assinado pela mulher grávida ou a seu rogo e, sempre que possível, com a antecedência mínima de 3 dias relativamente à data da intervenção; ou
b) No caso de a mulher grávida ser menor de 16 anos ou psiquicamente incapaz, respectiva e sucessivamente, conforme os casos, pelo representante legal, por ascendente ou descendente ou, na sua falta, por quaisquer parentes da linha colateral.

4 - Se não for possível obter o consentimento nos termos do número anterior e a efectivação da interrupção da gravidez se revestir de urgência, o médico decide em consciência face à situação, socorrendo-se, sempre que possível, do parecer de outro ou outros médicos.

Em Espanha

Artículo 417 bis
  1. No será punible el aborto practicado por un médico o médica bajo su dirección, en centros o establecimientos sanitarios público o privado, acreditado y con consentimiento expreso de la mujer embarazada, cuando concurran alguna de las circunstancias siguientes:
    1.1. Que sea necesario para evitar un grave peligro para la vida o la salud o física o psíquica de la embarazada y así conste en un un dictamen emitido con anterioridad a la intervención por un médico o médica de la especialidad correspondiente, distinto de aquel por quien o bajo cuya dirección se practique el aborto. En caso de urgencia por riesgo vital para la gestante, podrá prescindirse del dictamen y del consentimiento expreso.
    1.2. Que el embarazo sea consecuencia de un hecho constitutivo de delito de violación del artículo 429, siempre que el aborto se practique dentro de las 12 primeras semanas de gestación y que el mencionado hecho hubiese sido denunciado.
    1.3. Que se presuma que el feto habrá de nacer con graves taras físicas o psíquicas, siempre que el aborto se practique dentro de las 22 semanas de gestación y que el dictamen, expresado con anterioridad a la práctica del aborto, sea emitido por dos especialistas de centro o establecimientos sanlitarios, públicos o privados, acreditados al efecto, y distintos de aquel por quien o bajo cuya dirección se practique el aborto.

  2. En los casos previstos en el número anterior, no será punible la conducta de la embarazada aún cuando la práctica del aborto no se realice en un centro o establecimiento público o privado acreditado o no se hayan emitidos los dictámenes médicos exigidos.

FLL:
Se a questão se cingir ao momento em que se considera existir vida humana, chegar-se-á a uma conclusão, mais semana, menos semana, e então acaba-se o aborto terapêutico, eugénico e motivado por violação.

Vou votar SIM.
Não sou hipócrita. Tanto é vida um ser(será que já o é?) gerado por uma violação como por uma relação consentida. Tanto é vida se não for “perfeito” como sendo.
Tanto é aborto aqui como é em Espanha, mas se forem para Badajoz tudo bem, a gente finge que não sabe.

Há razões e motivos que podem levar as pessoas a votar NÃO, respeito por completo, mas há muita gente a votar NÃO por completa hipocrísia e incoerencia pois se a houvesse lutavam tanto contra este referendo como para a alteração da lei para que passasse a penalizar também os casos que hoje não são penalizados.

Senhor FLL eu digo aquilo que penso e nao imponho nada a ninguem

Se te ofendeste tens dois remedios.
E pena seres ainda tao novo e teres essa mentalidade.

Nao aceito que alguem diga que eu estou a impor alguma coisa, nem votar eu posso,porque vivo muito longe.

Nem nunca votei assim como nunca em toda a minha vida fiz algum aborto,tive dois filhos com muito amor e nasceram quando eu quis.

Tu ainda has-de nascer outra vez para me vires dar sermoes!

Não sou hipócrita. Tanto é vida um ser(será que já o é?) gerado por uma violação como por uma relação consentida. Tanto é vida se não for "perfeito" como sendo.
Por isso mesmo é que eu, sendo pelo "não", não alicerço a minha convicção na inviolabilidade da vida. Admito que o estrito valor da vida ceda perante imperativos superiores, como são os casos de violação, risco de vida para a mulher ou malformações do feto.
Tanto é aborto aqui como é em Espanha, mas se forem para Badajoz tudo bem, a gente finge que não sabe.
Por deformação profissional, deixa-me dizer-te que, para além da questão de as duas leis serem muito semelhantes, o facto de não punirmos quem vai a Espanha abortar não significa que "finjamos que não sabemos", mas apenas que a lei penal portuguesa se aplica tendencialmente (com algumas excepções) aos factos que qualquer pessoa pratique no nosso espaço territorial, e não aos que os cidadãos portugueses pratiquem noutras jurisdições.

FLL:

A diferença está na punição, porque de facto, estamos todos contra o aborto. Mas é a diferença na punição que, passe o pleonasmo, faz toda a diferença.

Senhor FLL eu digo aquilo que penso e nao imponho nada a ninguem

Se te ofendeste tens dois remedios.
E pena seres ainda tao novo e teres essa mentalidade.

Nao aceito que alguem diga que eu estou a impor alguma coisa, nem votar eu posso,porque vivo muito longe.

Nem nunca votei assim como nunca em toda a minha vida fiz algum aborto,tive dois filhos com muito amor e nasceram quando eu quis.

Tu ainda has-de nascer outra vez para me vires dar sermoes!


Eu também digo o que penso e não admito ser insultado de retrógrado ou hipócrita. E já agora também agradeço que se abstenha de invocar o argumento da minha idade, que em boa verdade até desconhece qual é.

Quanto a sermões, estão aí os posts para se perceber quem os quis dar.

A diferença está na punição, porque de facto, estamos todos contra o aborto. Mas é a diferença na punição que, passe o pleonasmo, faz toda a diferença.
Ambos os artigos que citei dizem respeito aos casos de aborto não punível. A lei espanhola também prevê penas de prisão para os realizados fora daqueles casos.