Sempre foi e sempre será um negócio de baixo volume como se já te expliquei que pelo menos os grandes do retalho alimentar, já são muito mais que retalho alimentar?
Vocês têm noção das margens nos livros, produtos eletrônicos de marca branca, produtos agrícolas etc? Trabalham na área e falam com conhecimento de causa?
É que quando leio algumas coisas aqui, fico sempre com a sensação de que o clube partidário é a única fonte de verdade que vocês utilizam para debater grande parte dos temas sem nunca terem passado por experiências reais.
Podes colocar aqui as fontes que sustentam a tua opinião. Assim ficamos todos esclarecidos. Isso de clube partidário é-me desconhecido por completo e nem sei do que falas, dado estarmos a nos referir a um grupo empresarial privado.
Vamos a contas de 2024: 33.464M€ de vendas, 2.232M€ ebitda, 599M€ resultado líquido. Onde estão essas margens que falas?
Fiz as contas e se dividissemos o salário do CEO do Pingo Doce pelos funcionários todos, eles teriam um acréscimo de 16 euros anuais no seu salário. Claramente ia resolver os problemas deles. Já se parte dos lucros do Pingo Doce fossem para os funcionários a história é diferente…
Deve andar perto dos 50% de margem nos produtos de linha branca.
O “Pingo Doce” na Polónia, que se dá pelo nome de Biedronka, foi multado em 164 milhões de Euros por relações abusivas com os fornecedores (entre outras multas elevadas por diferentes motivos).
Foi para lá com as más práticas de Portugal, mas deparou-se com um regulador funcional.
Melhor ainda com uma ‘pitada’ daquilo que se passa nos US e nao tem qualquer ligacao em Portugal.
Isto e uma questao de matematica pura. Expropriar os bilionarios portugueses de toda a sua ‘riqueza’ pagava um ano de reformas. Discutir o tipo de impostos e como se aplicam e perfeitamente valido. O que nao e valido e atirar areia para os olhos das pessoas, fazendo-as acreditar que o problema e nao se taxar suficiente os ricos num pais que gasta 130 mil milhoes por ano.
Ai os ricos, esses papões!! Acho que devem todos pegar nos seus negócios e sair de Portugal! Assim, já não existia este problema.
Mais do que reclamarem sobre isso, queixem-se da TSU (se calhar a maior parte dos que estiveram na greve nem sabem do que se trata isto.)
Porque não se queixam eles de que 1/4 do valor do seu ordenado (sim porque é um custo associado ao ordenado pago) vai direito para o Estado sem que sequer o colaborador saiba que a empresa tem esse custo indexado diretamente ao que se paga ao colaborador? Que incentivo tem a empresa para pagar mais se o custo para a empresa vai ser MUITO superior ao beneficio retirado pelo colaborador?
Porque não se força para alterar o sistema a retirar a TSU caso esta revertesse, pelo menos em parte, para o ordenado do colaborador?
Esse é que é um dos reais problemas. E este não é um problema dos grandes grupos empresariais em Portugal mas sim das PME’s portuguesas que compõem mais de 90% do tecido empresarial português.
Portugal tem uma amostra muito menor, mas o imposto sobre o património são os mesmos 3,4% de media.
Já quem vive do salário pode chegar aos 48%.
Ainda que o número de super-ricos seja mais baixo em Portugal, não é assim tão indiferente. Apenas 0,5% de taxa ia gerar quase 7% do total da receita fiscal do Estado. O,5%…
Por acaso sou da opinião que temos poucos milionários em Portugal. Devíamos ter 3/4 vezes mais. Então empresas a facturar acima de mil milhões nem se fala, deviam ser 10 vezes mais. Mas é o que é.
Não podem pagar impostos justos, senão ficam pobres. Já quem vive do ordenado…
Um argumento tão simples e imediatamente conotado como sendo de extrema-esquerda, ou anti-capitalista.
Quando foi precisamente na era de ouro pos II Guerra em que o capitalismo e o progresso social caminharam juntos, quando a riqueza extrema era taxada de forma muito mais severa.
Essa (produtos essenciais) é só uma parte muito pequena das margens de 2 dígitos.
Os grandes jogadores além dos produtos essenciais começaram a vender produtos onde existem grandes margens. Já exemplifiquei alguns produtos à venda que tem margens brutais em dois ou três posts (tenho conhecimento de causa) mas insistem em repetir a conversa de relatórios que pouco ou nada leram.
É difícil aceitarem que quem está por dentro os ajude a perceber quando estão errados nas “suas” ideias.
Foi nesse período que a sociedade conseguiu ser um pouco mais equilibrada e mais justa. Depois o resto é história e como foi dito aí mais em cima, enquanto não tiraram poder de reinvindicação aos sindicatos no UK e EUA (por exemplo) não ficavam descansados e desequilibraram as forças dando prioridade ao privado para fazerem aquilo que querem.
As políticas neo liberais estão novamente a levar-nos para o pior dos caminhos. A História já contou essa história com guerra e sangue e não contentes voltamos a repetir a receita.
Quem tem dinheiro domina os media; quem domina os media molda a opinião pública, mesmo quando vai contra os interesses das próprias pessoas.
A campanha anti-impostos para os super-ricos é tão eficaz que vês com cada vez mais frequência trabalhadores assalariados a defender essa ideia com toda a convicção.
E ainda a chamarem radicais aos outros…
Que raio de matematica e essa? O estado arrecada 130 mil milhoes de euros em impostos. 3.6 mil milhoes nao sao 7% disto. Alem de que essas contas assumem riqueza que nem me parece que exista.
E mais uma vez, qualquer pessoa com 2 dedos de testa sabe que 1) existe um motivo pelo qual se taxa a criacao e nao acumulacao de riqueza e 2) a contabilidade da riqueza dos ‘super ricos’ e no minimo… criativa. Porque para contabilizar a riqueza dos super ricos tudo conta, quando a esmagadora maioria dessa riqueza esta em acoes de empresas e nao em dinheiro. Em muitos casos, ou e rendimento que ou ja pagou imposto, ou nao pode pagar imposto ate se materializar numa operacao de criacao de riqueza (venda de acoes). Por outro lado, quando se considera a riqueza da pessoa comum, tende-se a subestima-la significativamente.
Nesta altura o que nao falta em Portugal sao pessoas a ganhar 1000e/mes ou menos com propriedades (casas) cujo valor comercial atual deve rondar quase meio milhao de euros.
Eu nao vejo problema numa discussao onde se fala em reduzir o imposto sobre o trabalho enquanto se ‘onera’ mais o patrimonio, por exemplo. Mas e absurdo achar que no contexto europeu atual existe aqui alguma solucao miraculosa em que o problema e os impostos que os super ricos supostamente nao pagam… como se fossem os ‘pobres’ a pagar os 130 mil milhoes de receita para as despesas anuais do estado.
E nao vamos ser ingenuos e nao achar que muita desta conversa das taxas sobre os super ricos nao sao simplesmente um primeiro passo para a nacionalizacao da propriedade privada, mas de forma mais palatavel e que ate apela facilmente as massas
Aqui o problema e a definicao de impostos justos. Na tua visao e de muitos, impostos justos era o suficiente para eles deixarem de ser ‘super ricos’. Uma receita que ja se provou mais que falhada mas que insistem em repetir.
Alem de que mais uma vez, nos tempos atuais existe um grave problema de contabilidade quando se fala dos super ricos. O Elon Musk, o super rico de referencia, tem literalmente um castelo de papel, construido sob propriedade de empresas que sao autenticas bolhas nos mercados de capitais. Todas estas discussoes partem do principio que estes super ricos sao mais ricos do que realmente sao… enquanto paralelalmente tambem fazem dos pobres mais pobres do que realmente sao.
Isto enquanto ignoram olimpicamente que perante o verdadeiro peso pesado que e o estado, tanto o pobre como o super rico nao passam de formigas. Mas ai de quem ‘ousar’ falar dos estados megalomanos…
“O encaixe de 3,6 mil milhões chegaria através da taxa sobre os 0,5% mais ricos do país que, neste momento, abrangeria quase 42 mil pessoas. Só o valor conseguido do imposto iria representar 6,6% do total da receita fiscal arrecada pelo Estado, uma vez que o grupo contabilizou exatamente 41.941 super-ricos em território nacional.”
Tu entendeste muito bem.
Há formas e já as escrevi aqui, são bem conhecidas. Não sou fiscalista, se tens dúvidas consulta um bot AI.
O que não há é vontade, pois é esse grupo que controla as políticas fiscais em alta instância.