Mas é engraçado como eles te chamam “doutrinado” porque supostamente vês televisão (wow) e és doutrinado no processo.
No entanto, chega aqui um e outro e outro e outro e nem precisas de ler o que escrevem, todos repetem a mesmíssima porcaria sem qualquer sentido - TODOS.
Pedem exemplos de onde Trump foi racista (a sério?..), dizem que só lhe sabem apontar defeitos à indumentária, dizem que a cena de ingerir desinfectante era na paródia, chamam demente e pedófilo a Biden, alinham em toda e qualquer teoria da conspiração que alguém plante na internet e seguem, de modo assustador e sem cepticismos, qualquer bacorada que Trump meta na net.
O que me faz mais espécie é perceber que nenhum deles, ou muito poucos, sequer avalia a plausibilidade das suas afirmações, exerce uma espécie de contraditório interior sobre a possível veracidade daquilo que vêem, que lêem, que ouvem. Não têm qualquer tipo de cepticismo, não rebatem interiormente qualquer prisma mais dúbio, servem apenas de caixas de ressonância.
E eu posso aqui dizer que uma das coisas mais importantes que tenho ensinado a uma pequenota que cá tenho em casa é mesmo essa, tantas “petas” lhe vou contando, mais ou menos verosímeis, que ela própria é que tem que chegar a uma conclusão, se tal é possível, sobre aquilo que eu lhe digo. E tanto conto mentiras espatafúrdias com cara séria, como lhe conto as maiores mas mais inversímeis verdades exactamente com cara do maior gozo, e apraz-me saber que ela, com os mecanismos lá dela, a maioria das vezes consegue chegar à verdade.
E é engraçado como consigo ver isto numa criança de primária e, ao mesmo tempo, não o vejo em adultos funcionais. Aquilo que começou por ser uma brincadeira com a pequena, não sei se sim ou se não, mas parece-me que aos dias de hoje acaba por ser um dos melhores ensinamentos que lhe podia dar - duvidar sempre do que lhe dizem e exercer o seu próprio contraditório interior, seja com a tv, seja com colegas, seja com redes sociais.
Eu não acho que as pessoas fossem fanáticas quando entraram neste processo, mas a ausência desse contraditório provocou a sua formatação/doutrinação. E por mais é começar, com o decorrer do tempo cada vez ficas mais refém da porta onde entraste.