Política de contratações

Eu quando falei em contradição falava apenas do Gauld porque para a posição do Wallyson parece-me obvio que há bastante concorrência.

Em relação ao Gauld entendo o que queres dizer mas não acho que tenhas razão. Se o Marco Silva quiser colocar o Gauld a jogar terá que alterar um pouco o esquema táctico para uma espécie de 4-2-3-1 como faz quando coloca o Mané a jogar. Quando o Mané está emcampo a equipa não joga da mesma forma que com André Martins. Ou seja, são posições ligeiramente diferentes que alteram a forma da equipa jogar. E para posição de criativo apenas tens Gauld e o Mané que também pode fazer a posição sem ser um criativo de raíz como o Gauld.

Concordo de uma forma geral com a politica de contratações. Quem não tem dinheiro tem de adaptar as suas necessidades. O principal e real objectivo do Sporting deveria ser continuar por muitos anos na maior mostra de jogadores e ai apenas a champions dá essa visibilidade. Um clube sem dinheiro terá forçosamente de promover os seus activos para uma futura venda mas com substitutos á altura já integrados na equipa. Vejo assim a contratação destas segundas escolhas (por enquanto) como acertadas. O Sporting por muito que nos custe é hoje um clube de salto. Salto para equipas com muito mais poderio financeiro do que nós. Não só o Sporting mas Benfica e Porto são equipas de salto. Os jogadores ambicionam todos chegar a uma equipa de topo (desportivamente ou financeiramente) e em Portugal não conseguem isso. Portugal é bom porque o grau de exigencia do campeonato é perfeito para jogadores desconhecidos tenham oportunidade de se mostrar e em pouco tempo fazerem o salto para outras equipas.

Neste ponto chega a verdadeira questão. Quando vender um jogador? William tinha mercado certamente mas será que foi suficientemente valorizado? Será que tinha-mos no plantel alguém que o substitui-se? Penso que não mas se Oriol mostrar que é capaz, se William fizer uma boa Champions e se continuar como titular na selecção, ai equipas com dinheiro vão bater a nota e sim ganhamos dinheiro e temos continuidade no plantel. Por muito que goste de William sei que não faltará muito para o ver partir. Deverá ser esta a real politica de gestão de activos. Valorizar o titular, ter um substituto no banco e formar na B uma alternativa.

A unica deficiencia encontrada na presente época foi a pouca oportunidade dada á equipa B. Estar na B do Sporting acareta um sonho. Chegar á equipa A. Alguns jogadores já mereciam ter cumprido esse sonho para não desmotivarem e partitrem para outras bandas. Acho que por época deveriamos apostar mais na nossa B. Uma regra que defendo é a imposição quotas anuais de jogadores a transitarem da B para a A. Dá incentivo aos jovens da B para serem melhores e agararem o seu sonho. Agora estar na B, 2 , 3 ou quatro anos sem dar o salto é matar o sonho a estes jovens.

O Marco Silva não coloca o Sporting a jogar com um 10, declarado, pela simples razão de não o ter. O que mais se assemelha a 10 é o Ryan Gauld que não está ainda maduro para assumir essa posição. Tudo o resto, André Martins e Carlos Mané, são adaptações que o treinador faz por não ter melhor, nem tão pouco o adequado. O JME jogou um jogo na posição do André Martins e é difícil dizer que tenha jogado bem, noutros jogos jogou no lugar do Adrien e aí esteve bem. É outro que cresce quando recua no terreno, procura uma posição que lhe é natural, mesmo que colocado na posição mais avançada do triângulo de meio-campo.

Assim que o Ryan Gauld esteja adaptado e bem rodado, ganhará o seu lugar a 10. Porque a equipa precisa de alguém distinto do que tem metido nessa posição, precisa de alguém do género do Ryan Gauld. Nem é preciso mudar o modelo para meter o escocês, o actual modelo ganhará bastante em tê-lo em campo, a confirmar as credenciais que chegou. JME não é de todo uma opção à frente de Ryan Gauld, o André Martins tem feito a posição, mas infelizmente - cheguei acreditar que era solução - não serve para fazer aquela posição, não aquilo que a equipa mais necessita. Diria que Ryan Gauld a estar completamente integrado na equipa A, não tem concorrência séria, tem alternativas que estão longe das suas características e do que a equipa realmente necessita.

A verdade é que se dispersou em demasia o investimento feito na equipa e não se contratou alguém já rotinado a 10 para ocupar essa posição. Já afirmei no tópico do Slavchev, gastou-se 3M€ no búlgaro e no Geraldes, quando existiam alternativas consistentes e de qualidade para essas posições, ao invés de investir num jogador de cariz ofensivo para a posição mais avançada do meio-campo.

Em última análise, podíamos ter direccionado os 15M gastos ( mais coisa menos coisa ) unicamente para o tal 10. Pagando-lhe 4M ao ano. Ou 7,5M com salários até 2M em um “10” e um extremo. :mrgreen:

A dispersão parece-me perfeitamente intencional e assente numa estratégia de médio/longo prazo. A lacuna do 10 continua por preencher? Verdade. Não sei porquê. Talvez não se tenha conseguido chegar a quem se queria, talvez os recursos necessários para se chegar a quem se queria fossem demasiados, desvirtuando a opção pela diversificação de risco e profundidade do plantel, bem como impediria depois o Sporting de chegar a jovens que queria de facto contratar. Slavchev foi um desses jovens. Veremos como é que será a sua evolução e as futuras movimentações no mercado ( saídas de William e Adrien, por exemplo ).

Plantel para 2º/3º lugar. Em relação á epoca passada a defesa está pior, o único reforço em termos de qualidade foi Nani e só vêm por 1 ano e com uma ambição questionável do ponto de vista professional (opinião pessoal) e mais nada, enquanto o Porto deu um overhaul enorme ao plantel até em termos de suplentes e o Benfica perdeu em qualidade mas reforçou-se em quase todas as áreas (menos ataque).

O grande problema, pelo menos para mim, é a defesa. Maurício nunca vai ser um jogador de 1º linha, e perdemos Rojo que era consistente e dava mais segurança ao primeiro. Se o Willian tivesse sido vendido, não sei o que seria desta defesa comparativamente ao ano passado.

Só por curiosidade, o plantel da época passada era plantel para que lugar?

Compreendo e aceito a estratégia planeada para o médio / longo prazo. Sou até defensora da mesma. Mas não podemos apenas agarrar-nos a essa estratégia, como sendo a primordial para o clube porque há que trabalhar até a curto prazo, no agora. Ora, em Junho a equipa tinha duas lacunas graves a terem de ser corrigidas. A de médio ofensivo e a do extremo. A segunda apenas corrigiu-se em fins de Agosto - Tanaka conta aparentemente para avançado - quando se devia ter corrigido muito antes. A de médio ofensivo não foi corrigida de imediato, Ryan Gauld faz parte da estratégia a médio prazo.

IMO, tínhamos que ter atacado o mercado para colmatar as deficiências da equipa logo. Foi-se deixando andar, gastando fundos - que são escassos - em alternativas e em projectos de médios prazos, sem com isso corrigir as lacunas da equipa. Ora, por sorte, conseguiu-se fechar com Nani por uma época, senão eram dois graves problemas que tínhamos. Assim sendo, temos apenas um.

Corrigiu-se e bem logo, a alternativa ao William. Posição do meio-campo que não tínhamos nenhuma alternativa válida. Para a posição do Slavchev tínhamos e com qualidade, não era uma contratação prioritária, mas aceito que era uma oportunidade de negócio. Não acredito que não tenha existido médios ofensivos que dessem o mínimo de garantias para contratarmos, sem custar 2M / 3M por ano em ordenados, simplesmente não acredito. Antes que me peçam novos, não tenho nenhum apresentar porque não faço esse trabalho de observação.

Qual a opção que tem mais impacto? A contratação de um atleta que venha corrigir uma lacuna ou aproveitar uma oportunidade de negócio? Para mim, primeiro corrigir as lacunas urgentes e depois aproveitar oportunidades de negócio, isto para quem tem os trocos contados e pouca margem de manobra, temos que ser astutos a gerir o pouco que temos. Têm o feito razoavelmente bem, mas há este erro que se cometeu e com consequências para a equipa neste momento.

O que coloco a bold parece-me fundamental para perceber… ou melhor, tentar entender ou por outra… especular sobre uma explicação plausível sobre a opção do Sporting no mercado.

Sim, os meios são escassos. Sim, havia lacunas no 11 que a meu ver eram prioritárias. Mas também a nível da profundidade do plantel e da qualidade das alternativas.

Nani veio num negócio “alavancado” pela venda de Rojo. Que acontece a meados de Agosto, que são quando acontecem as vendas ( relativamente ) relevantes que o Sporting fez. Como os investimentos do benfica em Samaris e Cristante foram avalancadas pelas vendas anteriores, como o camião de jogadores do porto foi alavancado pelas vendas de Fernando, Mangala e Iturbe. Relembro que as primeiras contratações do porto foram Ricardo, Opare, Sami e Evandro…

Sem essa alavancagem por receitas extraordinárias, o investimento por parte do Sporting resultaria sempre num maior risco porque estaria a consumir recursos próprios. E havendo esse risco, optou-se por essa diversificação.

Erro? Os resultados desportivos, a evolução e o rendimento dos jogadores contratados, a sua valorização desportiva e financeira sim, ditarão se esta opção foi um erro.

Mesmas posições.

Excelente análise, @Lion, venham mais destas :great:

Antes de mais, queria dizer que esta é a minha primeira participação neste fórum e fiquei bastante agradado com as análises apresentadas. Vim parar ao sítio certo, aqui há quem pense o Sporting.

A meu ver, a política de contratações foi adequada e está em sintonia com a relação de três aspectos: as necessidades da equipa, a restruturação financeira e a questão dos fundos.
Era evidente que o plantel da época passada precisava de profundidade, mais do que jogadores que pegassem de estaca. A equipa mostrou-se competente, criou-se uma boa base para os próximos anos, pelo que seria um erro “encostar” quem quer que seja para dar lugar a reforços caros que poderiam até não ser tão mais valias quanto isso. Tivemos uma perda no eixo da defesa (Rojo) e do natural sucessor (Eric), mas os que vieram (Sarr e Rabia) têm qualidade para não comprometer no imediato e têm bastante margem de progressão. Paulo Oliveira para mim será o quarto central, a passagem de Rabia pela equipa B justifica-se com aspectos tácticos e de adaptação a uma realidade diferente. Quanto à profundidade que foi dada ao plantel, gostei de quase todas as contratações, salvo Geraldes que parece ter sentido o peso da camisola. Ainda assim, Esgaio finalmente tem tido os minutos que confirmam que é uma alternativa válida a Cédric, além de ser um polivalente (a meu ver, um must have no banco). Temos um plantel com uma segunda linha credível para cada posição, mais alguns valores para quando é preciso uma nuance tática (como por exemplo jogar com o tal desejado “número dez”, cujo modelo de jogo que o Sporting entra em campo não prevê) ou agitar o jogo, como são os casos de Carlos Mané ou Tanaka.
Assim, compreendo o projecto desta direção: lançar as bases (feito), dar a profundidade necessária para épocas mais desgastantes (feito), recuperar a totalidade dos passes dos activos que interessam ou, nos casos inevitáveis, aproveitar o rendimento desportivo e depois fazer o melhor negócio possível. Apesar de não podermos fazer mais por não termos petróleo, eu até prefiro esta política de mais trabalho e menos capital… E a satisfação será muito maior, porque o que teremos será nosso, sustentado, e quando formos campeões não teremos pressões externas para desmantelar a equipa só para dar lucro a terceiros. Se somos candidatos ao título? Claro, somos um dos três candidatos mas só um será o campeão. Se no ano passado terminamos em segundo, este ano, com as rotinas cada vez mais enraizadas na equipa e com o suporte que agora temos no banco, pelo menos candidatos temos de ser, não fazia sentido outro discurso. Agora há que trabalhar bem e ser paciente, que os resultados vão aparecer.

Não foi preciso muito tempo para perceber que a política de contratações foi um erro. Esta mentalidade de que é só comprar putos promissores para valorizar e vender por milhões tem de acabar porque está completamente errada. A valorização deve ser uma consequência secundária e não o objectivo principal, a meta principal deve ser o rendimento e o sucesso desportivo que leva inevitavelmente à valorização de activos. Mas pronto!

Descoberta da pólvora? :inde:

“Rendimento desportivo” imediato paga-se bem. Muito. E não há condições para isso.

Muito nervosismo no Sporting. Muito. Mas é indiferente, desde que quem manda tenha a cabeça fria e continue no rumo traçado. O que não implica que não haja correcções. De erros próprios, inclusive.

Desde que não se cedam a histerismos, o clube aguenta bem que os adeptos disparem para todos os lados. Faz parte da coisa.

Uma auditoria para descobrir quem anda a mamar comissões! Sarr? Sacko? Gauld para ter este por exemplo preferia Tobias, Iuri, Chaby pelo menos são português formados por nos e pior que estes não faziam…
Geraldes? 800 mil
Presidente começou bem mas este ano já está a ser igual ao dos antecessores

Entao não lês o jornal do Sporting?
Queres Direcçao mais transparente que esta?

SL

Sabe lá o que diz, esse user.

Custa-me ver certos jogadores a chupar o rico dinheiro que faz falta ao Sporting :inde:

Tu ou és croquette ou és infiltrado.

Só pode.

Uma coisa é a bola não entrar e estarmos insatisfeitos, outra coisa é a bola não entrar e dizer disparates desses.

Não estás atento à realidade do Clube, é a conclusão mais simpática que encontro.

Não entendo a política de contratações!

  1. Das 12 contratações tenho opinião que só duas eram imprescindíveis P.Oliveira e J.Siva.
  2. Temos uma formação de luxo pronta a entrar na equipa A Esgaio, J.Mário, I.Medeiros, Chaby, Betinho, Tobias Figueiredo
  3. Temos estrangeiros na B adquiridos ao abrigo da mesma justificação deste ano Cissé, Enoh, Drame, Wallyson + Fokobo
  4. Temos jogadores de qualidade encostados Nuno Reis, Wilson Eduardo, Miguel Lopes
  5. E no fim de tudo isto ainda sobram 11M€ para comprar jogadores a sério!

portanto… não entendo a politica de contratações!