Raramente faço este exercício do próximo 11 com este nível de detalhe, mas neste momento complicado e onde vamos ter mais um jogo de elevada dificuldade vou fazê-lo e explicar porquê.
A minha proposta é a que está abaixo e tem em consideração dois pontos que me parecem fundamentais.
1 - O Sporting neste momento não pode jogar em 4-4-2 puro. Os titulares do centro do meio campo não estão em condições de assegurar serviços mínimos, a equipa fica altamente fragilizada do ponto de vista defensivo e vamos mais uma vez para um jogo onde o adversário nos vai cair em cima da mesma forma que o Chaves (ou pior) e teve mais dias de descanso. Não é vergonha nenhuma jogar assumidamente em 4-3-3 ou 4-2-3-1 como forma de muscular o meio campo e espero que JJ tenha noção disso. Pese a comparação, um pouco como o que foi feito na equipa B para se começar a ganhar jogos ainda que essa alteração táctica tenha vindo também com a entrada no 11 do Matheus. Para se fazer um paralelo completo dado o nível das equipas e escalões tínhamos também que ter o Messi a deambular entre a esquerda e o centro, mas parece-me que a alteração táctica (no mínimo para este próximo jogo) é inevitável.
2 - A “renovação” ou a “preparação” da próxima temporada tem que começar já. Antes e neste jogo. Não podemos pensar que depois da eliminação da Taça as coisas não podem ficar piores. Podem e muito. O Sporting tem pela frente 3 jogos altamente complicados nos próximos 15 dias e a jogar o que jogou em Chaves não ganha nenhum. E isso sim pode resultar em algo impensável e lançar o caos completo, até para as eleições. É importante, para além dos ganhos que daí virão dado o momento psicológico dos que têm jogado, que a renovação comece e que essa imagem seja passada para dentro, mas principalmente para fora. Minimizará os danos caso as coisas corram mal (a pressão será bem menor caso já se esteja a investir em algo que possa ser útil na próxima época) e será uma aposta ganha caso corram bem dando aos adeptos motivos adicionais e até inesperados de satisfação.
Banco: Beto, Esgaio, Semedo, William, Elias, Matheus, Alan Ruiz.
Destaco destas opções:
1 - Meio campo a 3 como escrevi acima. Palhinha com uma missão muito mais defensiva, Adrien um pouco mais subido e encostado à esquerda para ajudar a fechar esse lado sem ter que fazer todo o vaivém do costume e Bruno César à frente destes dois ajudando nas lutas a meio campo, tentando tabelar com os alas e municiar Bas Dost. Tem que “rolar” alguma cabeça depois dos episódios recentes e para mim não há dúvidas que é a de William. Muito à frente da de Adrien. Palhinha está com ritmo e entrava no 11 de forma muito mais protegida num meio campo a 3.
2 - Empis titular na lateral esquerda. Marvin deixou de contar, Jefferson lesionou-se em Chaves e Bruno César neste momento é necessário no meio campo. Alguns podem torcer o nariz dizendo que isto não é mais do lançar um miúdo às feras, mas o que é facto é que devemos estar a falar do jogador da B que até por aqui é mais vezes referido como o mais preparado para subir aos AA. Ritmo não lhe falta dado que tem jogado quase sempre e psicologicamente tem um perfil aguerrido e combativo. Acredito que mais rapidamente faria tudo para ganhar o lugar reconhecendo a oportunidade do se amedrontaria com o contexto.
3 - Schelotto titular. Está finalmente recuperado e Esgaio por muito que o contexto seja complicado não consegue dar garantias e psicologicamente não vai ser ele a dar um “murro” na mesa. O italiano não estará totalmente sem ritmo dado que vinha jogando antes da lesão e com um meio campo mais povoado também acredito que não seja apanhado tantas vezes em dificuldades lá atrás. E com um Bas Dost um pouco mais “desacompanhado” como proponho, será fulcral a profundidade dos laterais e a sua capacidade de cruzamento.
Notas menores: Patrício é naturalmente o titular do campeonato, Paulo Oliveira mantém o lugar relegando Semedo para o banco, Gelson e Bas Dost neste momento são intocáveis. Resta Campbell, que para mim joga de inicio na ala esquerda embora não me opusesse ao Matheus nessa posição.
Notas finais: Com este esquema começávamos a “renovação” (Empis e Palhinha de início com Matheus a sair do banco seja qual for o rumo do jogo) ao mesmo tempo que nos protegíamos melhor das contrariedades não penalizando aqueles que têm sido os melhores jogadores desta época (Gelson, Coates e Dost). William ficaria no banco (não vejo vantagens numa ausência dos convocados) e Adrien no seu lugar habitual, mas protegido e apoiado, como capitão.
A complementar esta abordagem ao jogo o ideal era começar o mencionado emagrecimento ainda antes do jogo dado que neste momento tudo conta. A confirmação da saída de Meli e a saída de um Petrovic ou de um Markovic antes de sábado eram também elas excelentes notícias.
Mais um dia para sofrer. Já é sina do Sportinguista. O 11 em si não é o que me preocupa… seria a alteração do sistema táctica que está esgotado e não funciona neste momento.
Quase 100% de acordo, só trocava os extremos de lado. O campbell rende muito mais da direita para o meio e o gelson, apesar de o JJ ter posto na cabeça que à direita é que rende, torna-se penoso quando chega à linha e tem que cruzar. Sim, eu sei que ele já leva mais assistências que qualquer outro jogador da 1ª liga, mas parece-me que da esquerda para o meio, tirando cruzamentos mais a 3/4 do campo com o pé direito e a curva ao contrário a taxa de acerto ainda seria maior.
Sou apologista da aposta na formação, mas não tenho a menor dúvida que o Empis ia ser uma autoestrada para os adversários. na equipa B ainda ele deixa entrar n passes nas costas e a fechar por dentro e a dar cobertura ao central do seu lado é fraco.
No processo defensivo não esta minimamente preparado para ser titular na equipa A, ofensivamente é bom!
A questão aqui é que já nem se trata de mera opção. Parece-me uma inevitabilidade onde resta tentar juntar o útil ao agradável.
O Marvin não é opção há um mês e agora que se começa finalmente a vislumbrar uma saída não faz sentido nenhum voltar às opções. O Jefferson lesionou-se no último jogo. Ainda não se sabe se é grave mas com 4 dias de intervalo entre jogos e tendo em conta a sua condição física já de si miserável diria que não tem hipótese de jogar nos barreiros. Bruno César pelo que defendi é altamente necessário no meio campo e a defender tem sido tudo menos eficiente esta época.
Fazemos o quê? Pomos o Esgaio na esquerda com o Schelotto na direita? Rúben Semedo ou Paulo Oliveira a defesa esquerdo ficando o outro ao lado de Coates?
Acho que mesmo com o risco que isso acarreta era a oportunidade para o Empis. Pelo menos para este jogo, com este contexto.