
Cavaco Silva e as armadilhas do neoliberalismo
Cavaco Silva e Ronald Reagan (24 de fevereiro de 1988) Cavaco Silva regressou ao debate público com um artigo de opinião em que visa a expre...
O JPP não é centro-esquerda?
Opinião pessoal. Tu e todos os madeirenses, deveriam votar JPP. Aí saberias mesmo que és representantado. Os deputados da AD, PS, Chega, IL, colocarão sempre os interesses do país, à frente do arquipélago. Agora, entre IL e Chega, pensa em quem apesar de tudo possa ter um projeto ou outros que navegam ao sabor das bocas do povo.
Andam por aí. É complicado definir bem onde se posicionam, o AJJ até os apelida de comunas. São sobretudo um partido de oposição, de protesto. Gerem uma Câmara Municipal e sou forte crítico da gestão deles.
A JPP seria para lhes dar um voto de confiança pela oposição que têm feito, apenas isso. A IL por aproximação às ideias que defendo serem as melhores para o País. O Chega é pelo protesto, apenas e só isso.
Nenhum partido é feito à medida, mas no geral parece-me bastante equilibrado, e é importante ter uma alternativa ao PS no centro/centro-esquerda.
É exactamente o que eu sinto e desejo.
Esperemos uma boa votação!
Continuo sem perceber como é que só se analisam numa sondagem as respostas concretas. Não temos aqui indecisos.
Olha. Foi feita pela mesma empresa que deu empate técnico a 3.
Ainda chegou a pior:
#gostasdeAVENTURAessporting
#gostasdeRGSILVAessporting
#votasCHEGAessporting
Admito que possa ser eu que estou errado mas tenho a sensação que o livre é uma espécie de BE disfarçado de menos radical.
A eleição da Joacine deu-me a sensação que foi apenas pela parte do politicamente correto por ser negra e principalmente gaga.
Considero o livre o partido mais woke cá do burgo mais ainda que o BE e eu abomino e desprezo por completo a cultura woke.
O Livre é apenas um projeto para o tacho do Rui Tavares e nada mais que isso. Posto isso, tendo em conta o discurso, as propostas e o facto do PS estar afundado em casos de corrupção devido aos últimos governos é a melhor opção que existe à esquerda.
Eu nem desgosto do livre e acho até que uma coisa como Ad + IL + Livre seria boa para o país. O problema é o nosso país inculto não conseguia encaixar isto na cabeça. Só há esquerda e direita, é absurdo
Vou muito provavelmente votar IL e já voto para IL em todas as eleições desde 2019. Ainda ponderei votar AD porque até há muita coisa que me agrada mais no programa da AD do que no da IL mas acho que precisamos de uma política diferente e verdadeiramente de direita economicamente. Além de que gosto do discurso dos liberais e eles nas questões sociais encontram-se no centro como eu.
Percebemos que estas sondagens de pouco vão valer, quando na mesma tem a indicação que 87,4% votam sempre, quando isso não podia estar mais longe da realidade.
E Domingo com a chuva que está prevista…
Essa parte não concordo, o Rui Tavares facilmente era eleito no lugar da Joacine caso tivesse mesmo interesse nisso.
Eu não concordo com as visões políticas dele mas considero que o Rui Tavares é boa pessoa e tenta fazer o que acha ser melhor para o país.
O problema de votar em partidos com menor dimensão é que são votos inúteis! Isto nos círculos eleitorais mais pequenos claro, como Leiria que é o meu. Votar na IL, Livre, etc é quase certo que é um voto para o lixo. Dificilmente elegem deputados por esses círculos…
Acho que faria sentido pensamos num sistema eleitoral com círculos se compensação como têm outros países… Mas também não parece haver grande interesse do lado dos partidos…
Não tem interesse especialmente do lado dos grandes partidos, podiam perder mais votos fora dos grandes centros urbanos se estes contassem para alguma coisa.
Não haveria nada mais democrático do que um círculo de compensação.
Vamos ver uma coisa. Entre ter Golden Shares, ter PPP’s ou ter empresas totalmente nacionalizadas, o que é que é tendencialmente mais liberal?
De resto, não sei mais que te possa dizer. Portugal desde a entrada na União Europeia submeteu-se ao Tratado de Maastricht, bem como mais tarde com a entrada no Euro aos desígnios do BCE (perdeu soberania monetária e submeteu-se aos ditames dos economistas chefes do BCE), e ainda mais tarde ao Tratado de Lisboa. Estes tratados têm um condão fortemente liberal (quando não neoliberal), nomeadamente ao nível da politica monetária e orçamental. A legislação europeia vai fortemente contra o investimento público, sobretudo se o mesmo colocar em causa a estabilidade orçamental, vai de encontro a uma liberalização enorme da economia e do mercado de trabalho. Há fatores chave na identificação do que são politicas neoliberais e todas elas estão presentes no espirito legislativo europeu:
Portugal desde os anos 80, em especial no anos de Cavaco e Guterres, aplicaram grande parte deste ditames à economia e sociedade portugesas. Cavaco no que diz respeito às “contas certas”, à liberalização de vários sectores da economia, liberalização do mercado de trabalho (retirada de força aos acordos coletivos, aos sindicados e promoção da externalização quer no privado quer no sector público, contratação individual, etc). Guterres na medida em que nos colocou no euro, que tendo sido um marco importante de integração europeia e que facilitou muito a mobilidade dentro da UE, foi também trágico para a economia portuguesa em dois aspetos fundamentais:
E mais tarde com a Paf e com os governos de Costa. Também aí a receita neoliberal se fez sentir sobretudo na submissão cega aos dogmas da troika - liberalizar tudo, cortar prestações sociais, e reduzir um défice de 11% para 2% em 3 anos (algo impossível) e reduzir uma divida pública que cresceu exponencialmente em 2008 por força da crise do sub-prime para níveis que a CE entende como prioritários de 60% do PIB. As contas certas tornaram-se um mantra inquestionável. Curiosamente os governos PS, mesmo em geringonça não se desviaram desses objetivos - contas certas - e tiveram o primeiro excedente orçamental da democracia (desde 1973) em 2019 numa trajetória de redução de défice que vinha da Paf. Aconteceu o mesmo com a divida pública que tem sido reduzida com exceção (tal como o défice) nos anos do Covid.
De resto, desde 2000 que os seguros de saúde dispararam enquanto principais financiadores nas despesas de saúde, isto significa muito claramente que o sector privado da saúde em Portugal tem aumentado e muito. Onde é que num regime socialista isto acontecia?
A REN é privada, a Galp é privada, a EDP é privada. Existem cada vez mais concessões privadas de abastecimento e sanemaento de água bem como de valorização de resíduos. Onde é que qualquer commodity num regime socialista seria privado?
Se desde 1975 esta tragetória toda não é liberalizar é o quê?
Vês como tens um problema? Tu ignoras o contexto.
O Bismark criou o primeiro esboço de Estado Social moderno porque tinha reais receios de que se não o fizesse, teria o comunismo e o anarquismo a bater-lhe à porta. Não foi por convicção, foi por pressão popular.
A direita, por definição, não acredita no Estado Social nem em nenhum tipo de assistencialismo do Estado. A direita acredita na meritocracia e na capacidade individual como únicos motores do progresso, sem se preocupar minimamente com a externalidades e os que ficam à margem.
Sempre que a direita aceita politicas de assistencialismo social, de bem estar social, ou o papel redistribuidor do Estado, é porque teme os impactos políticos e sociais de não o fazer.
E isso só prova uma coisa: que as politicas de direita, por si só, não garantem vem estar social nem uma sociedade próspera.
Isto so pode ser para rir… quando voces e que tentam constantemente reescrever a historia.
Como por exemplo quando se fala dos nordicos e como a Suecia teve que cortar a grande no estado social nos anos 90, quando era evidente que o estado social serve para redistribuir a riqueza e nao para a criar, como defende por exemplo a esquerda portuguesa.
O que é que a Suécia teve mesmo de fazer? Podes ser mais especifico?
De um modo geral, os escandinavos têm mais elevados níveis de impostos, têm igualmente mais elevados salários, têm níveis de sindicalização que em alguns países atingem os 80%, têm representação sindical em conselhos de administração de empresas, têm sistemas de assistencialismo que contrabalançam um mercado de trabalho mais liberal (ajuda terem também pleno emprego); têm participação estatal em muitas empresas, têm o controlo estatal sobre recursos naturais importantes (caso da Noruega), têm níveis de administração pública bem superiores a Portugal, etc.
Ninguém diz que vivem no socialismo. Mas estão muito longe do modelo neoliberal. O que os escandinavos nos mostram, e por isso são tão “disputados” entre a direita e a esquerda como bons modelos, é como se pode ser bem sucedido misturando o capitalismo de livre mercado com o socialismo.
Tanto assim é que os republicanos nos EUA os consideram socialistas.
Sinto-me muito confortavel para falar do Krugman e das suas visoes pois nessa altura eu era leitor assiduo do seu blog… alias tu ate metes um artigo onde ele diz precisamente o que eu disse:
Krugman e Stiglitz defendem que gregos votem “Não” no referendo
Paul Krugman escreve que “a Grécia deve votar ‘Não’ e o Governo grego deve estar preparado, se necessário, para sair do euro”, argumentando que é verdade que o executivo grego "estava a gastar acima das suas possibilidades no final dos anos 2000" mas que, “desde então, cortou repetidamente a despesa e aumentou impostos”.“O emprego público caiu mais de 25% e as pensões (que eram de facto demasiado generosas) têm sido cortadas abruptamente. Se a isto se somarem todas as medidas de austeridade, fizeram mais do que o suficiente para eliminar o défice e passarem a ter um amplo excedente”, nota Krugman.
A opiniao dele sempre foi relativamente estavel. Ele nunca acreditou no fenomeno de ‘austeridade expansionista’ nem que uma receita de ‘harsh austerity’ como foi implementado em Portugal, Grecia ou Irlanda era a melhor receita. Mas ele nunca disse que a austeridade nesses paises nao era necessaria. Se tiver tempo vou ao blog dele pesquisar os varios artigos onde ele diz precisamente isso. O que ele sempre defendeu e que numa uniao monetaria onde a politica monetaria nao e controlado com base naquilo que um pais individual necessita, tinha de existir solidariedade e paises como a Alemanha deviam aumentar o gasto publico para compensar a austeridade que paises como Grecia e Portugal tinham de aplicar. Alias, so um louco podia acreditar que um pais com um defice publico de 11% e em falencia nao precisava de alguma forma de austeridade. O que era completamente absurdo era achar que em 3 anos podiamos reduzir um defice de 11 para 3% do PIB sem isso ter consequencias recessivas enormes. Tanto foi que Portugal todos os anos falhou os limites do defice.
E atencao que quando falamos de austeridade falamos de apenas da parte financeira (contas publicas). O memorando era muito mais que defice e divida e muitas das reformas feitas na altura permitiu a nossa economia ficar um bocadinho melhor nos anos que se seguiram.
Lapso meu que li que tinhas referido que o Krugman e o Stiglitz tinham tido opiniões favoráveis à troika. Aliás parece-me que aquilo que escreveste foi mesmo nesse sentido.
De resto, não deixa de ser verdade que quer um quer outro sempre foram muito críticos acerca da troika e da receita de Austeridade aplicada. Que era contraproducente e que poderia levar a maiores problemas do que aqueles que resolvia. E não é a constatação de que havia despesismo nas contas públicas gregas que altera esse facto.
E tinham razão. Como tu dizes e bem, reduzir o défice de 11% para 3% em 3 anos era impossível. Provou-se no tempo da geringonça que era possível continuar a reduzir o défice, chegar-se a excedente orçamental, reduzir-se igualmente divida pública sem tanta austeridade, e ao mesmo tempo devolvendo rendimentos às famílias.
Não deixa de ser curioso que o que o PS quando entra no governo em 2015 o que faz precisamente, tem como objetivo exatamente o que a Paf tinha: contas certas - reduzir défice e divida pública. Os níveis de investimento público nesse período e até agora estiveram historicamente baixos, e isso foi uma das razões para o fim da geringonça. De tal modo que a deterioração dos serviços públicos acentuou-se, com especial enfase no SNS.
O PS governou como a direita governaria. Governou como qualquer liberal tecnocrata do BCE governaria: a obsessão com as contas públicas e menosprezo total para com o investimento público. Não fosse a influência da esquerda nesse governo e se calhar nem os rendimentos teriam sido devolvidos às famílias.
A propósito disto e das contradições da direita e do PS, tens este artigo:

Cavaco Silva e Ronald Reagan (24 de fevereiro de 1988) Cavaco Silva regressou ao debate público com um artigo de opinião em que visa a expre...
Enquanto nao se alterar a CRP, nao da para nao ter. Nao percebo esse alegado receio
Alias… desde os anos 80 ate 2024 a nossa deriva liberal foi tao acentuada que temos mais escola publica e mais saude publica… e muito mais servicos publicos que na altura.
Não precisas de alterar constituição nenhuma. Basta a Lei de Bases da saúde. E o que dizes está errado mais uma vez e não é consubstanciado nos dados. Desde 2000 que os seguros privados cresceram exponencialmente e o peso do financiamento público em gastos de saúde tem caído.
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Continua a ser keynesianismo, simplesmente nao e o tipo de keynesianismo que tu gostas. E eu tambem nao sou particularmente fa. Nao ha nada de liberal em socializar prejuizos. Deixar o mercado funcionar, implica deixar falir quem tem de falir. Socializar prejuizos e mesmo uma receita muito a socialista.
Não não é. Socializar prejuízos tem sido algo que todos os governos têm feito, seja à direita ou à esquerda no quadro da UE. O meu problema com isso é que no business as usual, os lucros privados são intocáveis. Não se podem aumentar impostos sobre estes lucros sob pena de comprometermos a competitividade das empresas. No final o que vemos é muitas dessas empresas a usarem esses lucros em investimentos absurdos e a financiar amigos e amigalhaços, e no final o prejuízo fica para ser pago pelo Estado (todos nós). Não podemos defender as duas coisas.
Se o Estado pode salvar bancos e seguradores, então esses bancos e seguradoras não se podem excluir de pagar os impostos devidos.
Eu nao sei se estas a falar de politica nacional ou interna
Nao me podes dizer que concordas com uma taxa nominal de IRC de 31% quando na pratica temos uma taxa efetiva de 20%. Da mesma forma que nao me podes dizer que achas ‘trickle down economics’ baixar substancialmente o IRS para rendimentos de 3/4 mil euros mensais.
Não estamos a falar de baixar impostos em sede de IRS para rendimentos de 3 ou 4mil euros. Estamos a falar de baixar impostos aos mais ricos, de baixar impostos a empresas com lucros astronómicos. Há muita variabilidade no sector empresarial, e mais ainda na nossa economia com pequenas e médias empresas.
As empresas não vão fazer fluir poupanças fiscais para baixo, seja em salários seja investimento (é o que mostram os dados empíricos). Portanto essa ideia de cortar no IRC por si só é uma falácia. Se me disserem: tens um beneficio fiscal em sede de IRC se aumetnares x% os teus colaboradores e alocares x% dessa poupança em investimento em aumento de capacidade instalada, novas tecnologias, etc? Para mim tudo bem. Agora cortar impostos em IRC para aumentar os dividendos dos shareholders? Para aumentar os salários dos administradores? Para pagar o colégio em Londres ao filho do dono? Não.
É verdade o que dizes. Os partidos grandes não tem interesse obviamente. Mas dos pequenos também vejo pouca vontade de mudança!
Por exemplo aqui em Leiria a campanha dos partidos mais pequenos, ex. IL, Livre, Pan, etc, foi muito fraca. Umas pequenas incursões e alguns nem cá puseram os pés! Estão acomodados ao sistema e focam-se nos círculos onde podem eleger.
O tema dos círculos de compensação raramente é abordado por quem quer que seja e isso leva-me a pensar que é algo que não acontecerá nos próximos largos anos!
Mas em minha opinião esse era uma caminho que devia ser traçado, porque como dizes, tornava o processo bem mais democrático!
A única merda de jeito que te vi escrever aqui… mesmo não concordando com essa ideia de geringonça IL+AD+Livre.
A única forma dos partidos pequenos ganharem expressão é fazerem campanha nos círculos maiores, ganharem peso na AR (grupo parlamentar), ganharem subvenção e depois serem capazes de se fazer ouvir e chegar aos portugueses.
Foi assim que fez o chega e a IL, aproveitando o vazio do CDS e do PSD. O PAN em sido incapaz de o fazer com sucessivos tiros no pé, por exemplo. Não ajuda que sejam de esquerda mas insistam em dizer que não são nem de esquerda nem de direita.
O quadro atual vai começar a favorecer o crescimento de alternativas à esquerda do PS do mesmo modo que cresceu o chega e a IL no esvaziamento do PSD e CDS.
Em todo o caso, eu concordo sempre com maior representatividade. Quanto mais melhor, e sou totalmente favorável a uma mudança na lei eleitoral que refletisse isso mesmo.
Eu nem desgosto do livre e acho até que uma coisa como Ad + IL + Livre seria boa para o país.
Já vi umas quantas pessoas falar nisso… infelizmente o Rui Tavares é demasiado dogmático para isso (esquerda bom, direita má). Mas não seria inédito, na Alemanha os verdes (do mesmo grupo europeu do livre), os liberais e os sociais-democratas (PS em vez de AD neste caso) governam juntos.