
Para começar, devo dizer que não sou dos que acreditam que a equipa poderia jogar bem melhor num 4-4-2. Para mim, a disposição tática da equipa não é o mais importante. Contudo, deve ser adaptada aos recursos que temos e, aí, torna-se evidente que a falta de pontas-de-lança torna complicada a opção de utilizar dois. A parte que realmente interessa são as ideias de jogo e a forma como a equipa se apresenta nos diversos momentos de jogo. A meu ver, é isso que personaliza uma equipa e que permite o seu sucesso, ou pelo contrário.
Antes de voltar a abordar essa tal filosofia colectiva, vou justificar a minha escolha do onze e discutir um pouco sobre as nossas individualidades.
Patrício: O nosso guarda-redes é uma escolha consensual para a esmagadora maioria dos nossos adeptos. Evoluiu muito e hoje dá-nos segurança e tranquilidade à frente das redes. Apenas perde para Boeck no jogo de pés.
Cédric: Para mim, é bem melhor que Pereirinha (o tal que, por alguma razão, nunca chegou a Pereira). Apesar de jovem, não me parece que possa comprometer o nosso jogo. Ataca bem e terá de o fazer chegando lá à frente na ala, que pode muitas vezes deixar de ser ocupada pelo Carrillo (ou Labyad, ou Jeffren) devido ao apoio que este deve fazer ao Wolfswinkel ou devido às incursões naturais do peruano pelo meio. Nessas ocasiões, Cédric poderá valer-se dos seus bons cruzamentos. Por fim, as minhas maiores dúvidas acerca do seu rendimento recaem nas suas qualidades a defender que não me parece que sejam superiores ou semlehnates às suas virtudes atacantes. Por isso mesmo, recebe o apoio de Elias como médio interior do seu lado neste tipo de tarefas.
Bouhlarouz / Onyewu: O lugar de defesa central destro está ainda a suscitar-me dúvidas. Onyewu foi uma peça importante na nossa equipa do ano passado e acrescenta muitos pontos ao nosso jogo aéreo. Todavia, parece-me menos capaz de jogar numa linha defensiva subida do que o Boulahrouz, por ser mais lento (???). O holandês, além disso, parece-me que seria mais capaz de ajudar a tapar também as subidas do Cédric.
Rojo: A aposta no argentino ainda não me tranquiliza a 100%, devido ao pouco que vi dele. Ainda assim, parece-me que as suas maiores qualidades são a antecipação e a rapidez. Deste modo, poderá ser uma peça essencial nesta linha defensiva, que se quer subida para enfrentar a maioria das equipas do nosso campeonato. A acrescentar a estas características temos também o facto deste ser esquerdino, único nos centrais que temos.
Insua: Continuo a não compreender porque é que o Sá Pinto está com dúvidas em colocá-lo a titular. Insua é rápido, forte, tem pulmão, bom remate, atitude e sobe bem, para além de não defender mal. Depois do que fez no ano passado, é uma injustiça se começar a temporada no banco.
Rinaudo: O nosso trinco que muita falta que ele fez no ano passado. É ridículo jogarmos só com 8s quando há este e mesmo o Gelson no plantel. O argentino terá de adequar a sua agressividade ao nosso campeonato e terá que voltar ao seu melhor nível. Se isso acontecer, terá de ser um dos elementos fulcrais do nosso plantel. Para além de ter um bom desarme, joga bem com bola, não tem medo de tê-la e prosseguir com ela (muito importante no primeiro momento de construção!!!) e passa bem, sem medo de arriscar.
Elias: O 8 brasileiro tem uma coisa que não é muito própria dos seus compatriotas: é melhor sem bola do que com ela. Contudo, esta característica pode muito bem ser aproveitada por nós. A sua resistência e a sua velocidade são essencias para uma boa pressão alta, para o equilíbrio nas transições defensivas e para a fluidez das transições ofensivas. Ainda assim, pode ceder o seu lugar a André Martins, Schaars ou Adrien em alturas em o Sporting necessite de maior criatividade no meio.
Pranjic/Labyad: Tanto o croata com o marroquino podem assumir esta posição que se quer de maior irreverência e fantasia no meio. É aqui que é obrigatório surgirem rasgos no último terço, últimos passes e mesmo remates. À partida será o Labyad que acabará por ficar a titular e, com ele, pode-se contar com um apoio ao ponta-de-lança. No entanto, pelo facto de estar mais ambientado à equipa, o Pranjic pode começar a época. Com ele, ganha-se um apoio forte e mais central a Capel e Insua.
Carrillo: Parece-me evidente que o peruano cresceu. Este ano, penso que pode assumir-se como uma peça fulcral na nossa equipa. Na direita, mas sempre a disposto a surgir na área (como aconteceu com o St. Ettiene), tem qualidade para espalhar magia sob a forma de dribles, arrancadas, tabelas, sei lá! Eu acredito nele, mas, caso não consiga triunfar, este lugar também pode ser de Jeffren (o seu pé esquerdo a derivar para o meio faria maravilhas se ele tivesse em condições).
Capel: Na esquerda e só na esquerda. A meu ver, o seu jogo perde muita qualidade na direita. O espanhol é jogador de linha e tem obviamente espaço na equipa a executar essa tarefa, apesar de não ser fabuloso (levantasses a cabeça!) como o Carrillo pode vir a ser. Terá também de ajudar a fazer a passagem do meio-campo defensivo para o ofensivo, já que segura muito bem a bola e permite à equipa que suba.
Wolfswinkel: Não é ainda uma figura consensual no nosso universo, mas, actualmente não tem concorrência a seu nível para a sua posição. Não é jogador de criar oportunidades por si só e não resolve sozinho, mas ajudado pode resolver muito. Precisa de mais jogadores próximo de si para explanar o seu jogo, que não é só golos. A sua boa movimentação aliada ao aparecimento de outras figuras na área pode fazer coisas interessantes.
Voltando então às ideias de jogo que referi no início, tenho a dizer que gostava de ver um Sporting a jogar com passes curtos, em futebol apoiado, principalmente nos primeiros momentos da criação do seu jogo, com Rinaudo a assumir a primeira fase, sem medo de levar a bola para o ataque. Lá à frente, a rapidez dos nossos extremos pode aliar-se a um jogo mais em profundidade, não feito cá do fundo, por um central.Depois é preciso aparecer mais gente para finalizar (como o jasus defende contra as equipas mais fracas). Sem bola, temos de pressionar alto frente às equipas que vêm em Alvalade para conquistar um ponto. Aqui, será essencial uma linha subida e proximidade entre os nossos jogadores (que também é fulcral no tal jogo apoiado).
Para finalizar, resta-me dizer que nada disto faz sentido se não houver uma atitude vencedora e uma preparação técnica adequada. técninc aconveniente. Rotinas, jogadas, combinações não nascem de um dia para o outro, mas criam-se.