Na sequência do que escrevi ontem, começo por referir que assumindo-me como leigo em cosmologia e temas similares, para escrever este post tive como referência uma grande dose de curiosidade e a leitura de livros e publicações, que abordam o assunto de uma forma muito clara e objectiva, isto é, na minha opinião.
Isto posto, vamos lá ver.
Denota-se muito a tendência de descartar a religião ou a Deus com base em filosofias de homens: Charles Darwin defendia que o conceito de “selecção natural” explicava melhor o mundo natural do que o da existência de um Criador. Para Sigmund Freud Deus era uma ilusão. E a noção de que ‘Deus está morto’ foi expressamente assumida por Friedrich Nietzsche.
Será totalmente justificável o cepticismo a respeito da existência de um Criador?
Embora não concorde em absoluto, compreendo que haja quem não aceite a existência de um criador, mas até o momento ainda não vi ninguém explicar, por exemplo, o complexo design biológico existente na Terra.
Para já vamos centrar-nos no universo.
O universo
Até os anos 20, a Via-Láctea parecia ser a única galáxia existente, contudo, observações posteriores, com telescópios maiores e mais potentes, concluiu-se que isso não é assim.
O Universo contém pelo menos 50 biliões de galáxias. Não são 50 biliões de estrelas, mas pelo menos 50 biliões de galáxias, cada qual com biliões de estrelas semelhantes ao Sol. Em bom rigor, estima-se que existam de 50 biliões a 125 biliões de galáxias, cada qual com centenas de biliões de estrelas!
Curioso que não foi a quantidade galáxias que abalou as crenças científicas nos anos 20, mas sim o facto destas estarem em movimento.
Já tive a oportunidade de ler (infelizmente não me lembro aonde) que numa experiência levada a cabo por alguns astrónomos, estes passaram luz galáctica através de um prisma e observaram um ‘esticamento’ nas ondas luminosas, indicando que estas se afastavam a grande velocidade. Quanto mais distante a galáxia, tanto mais rapidamente esta parecia afastar-se.
Os astrónomos determinam o ritmo do recuo de uma galáxia com um espectrógrafo, que mede o espectro da luz emitida por objectos estelares. A luz vinda de estrelas distantes é direccionada através de um prisma que dispersa a luz em seus vários componentes de cor.
A luz de um objecto que se afasta do observador é avermelhada, sendo chamada de desviada para o vermelho. Por outro lado, a luz de um objecto em aproximação é chamada de desviada para o azul. Significativamente, com excepção de poucas galáxias próximas, todas as galáxias conhecidas têm linhas espectrais desviadas para o vermelho.
Em conclusão: o universo está em expansão, mas em expansão de um modo ordeiro, sendo o ritmo desta expansão determinado por medir o grau em que as linhas no espectro estão desviadas para o vermelho.
Ora, se está em expansão é porque teve um início e alguma coisa forçosamente desencadeou esse processo — uma força suficientemente poderosa para vencer a imensa gravidade do universo inteiro. É, portanto, perfeitamente legítimo perguntar-nos: qual é afinal a fonte de uma energia tão poderosa?
Isso, porém, deve envolver mais do que apenas uma fonte de vasta energia. Requer também previsão e inteligência, pois o ritmo de expansão parece estar ajustado com grande precisão, senão vejamos as seguintes conclusões de Lovell: “Se o universo tivesse se expandido uma trilionésima parte mais rápido, toda a matéria no universo já estaria dispersa agora… e se tivesse sido uma trilionésima parte mais lento, as forças gravitacionais teriam arruinado o universo …”.
Para além disso, há ainda outras evidências, ou seja, evidências que incluem as dimensões precisas de outras três forças fundamentais, as quais, conjuntamente com a força gravitacional, que já abordei antes, são responsáveis por todas as propriedades e mudanças que afectam a matéria, a saber:
O Electromagnetismo
A Força nuclear forte
A Força nuclear fraca
Como já referi, a força gravitacional já foi abordada antes.
Já quanto à força electromagnética, se esta fosse bem mais fraca, os electrões não seriam mantidos ao redor do núcleo do átomo. E qual a gravidade disso? Bem, os átomos não poderiam ligar-se para formar moléculas. Mas, e se essa força fosse bem mais forte? Aí os electrões ficariam aprisionados no núcleo do átomo e não haveria reacções químicas entre os átomos, ou seja, não haveria vida.
Agora vamos considerar isso numa escala cósmica: uma leve diferença na força electromagnética afectaria o Sol, alterando assim a luz que atinge a Terra, tornando difícil, ou impossível, a fotossíntese nas plantas. Poderia também roubar da água as suas propriedades ímpares, que são vitais para a vida. Em síntese: uma regulação perfeita da força electromagnética torna possível a nossa vida.
Igualmente vital é a intensidade da força electromagnética em relação às outras três: alguns físicos calculam que esta força seja 10.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 (10 elevado a 40) de vezes maior do que a da gravidade. Se acrescentarmos mais um zero a esse número (10 elevado a 41), a gravidade seria proporcionalmente mais fraca, e, segundo Reinhard Breuer, “Com gravidade mais baixa as estrelas seriam menores, e a pressão da gravidade nos seus interiores não elevaria a temperatura o suficiente para ocorrerem as reacções de fusão nuclear: o Sol não teria como brilhar.” Já imaginaram o que isso significaria para nós?
E se a gravidade fosse mais forte, de modo que o número tivesse apenas 39 zeros (10 elevado a 39)? “Com apenas esse pequeno ajuste”, continua Breuer, “uma estrela como o Sol teria a sua expectativa de vida drasticamente reduzida”.
Vejamos uma ilustração simples: para funcionar bem, o motor de um carro precisa de uma combinação perfeita de combustível e ar. Engenheiros projectam complexos sistemas mecânicos e computadorizados para aperfeiçoar o desempenho. Ora, se é assim com um simples motor, que dizer então das eficientes estrelas de “combustão” como o Sol? As forças principais envolvidas estão reguladas com precisão, viabilizando a vida. Será casual essa precisão?
Reparem agora o que Deus diz a Jó em Jó 38:33: “Você conhece as leis que governam o céu e sabe como devem ser aplicadas na terra?” Se nenhum homem as conhece, de onde acham que vem essa precisão?
Contudo, a estrutura do universo envolve muito mais do que apenas a regulação perfeita da gravidade e da força electromagnética, as outras duas outras forças físicas também se relacionam com a vida. Estas operam no núcleo de um átomo, e evidenciam um projecto inteligente.
Vejamos a força nuclear forte, que liga os prótons e neutrões entre si no núcleo do átomo. Graças a essa ligação podem-se formar vários elementos — os leves (como o hélio e o oxigénio) e os pesados (como o ouro e o chumbo). Se a força de ligação fosse apenas 2% mais fraca, existiria apenas o hidrogénio. Inversamente, se essa força fosse ligeiramente mais forte, haveria apenas elementos mais pesados, mas não hidrogénio. Se faltasse hidrogénio no universo, o Sol não teria o combustível necessário para irradiar energia vitalizadora. E também não teríamos água nem alimento, pois o hidrogénio é um ingrediente essencial de ambos.
Já quanto a força nuclear fraca, que controla a desintegração radioactiva e afecta também a actividade termonuclear no Sol, denotem o que diz o matemático e físico Freeman Dyson : “A [força] fraca é milhões de vezes mais fraca do que a força nuclear. É fraca justamente o necessário para que o hidrogénio no Sol queime num ritmo lento e constante. Se a [força] fraca fosse mais forte ou mais fraca, todas as formas de vida que dependem de estrelas do tipo do Sol também estariam em perigo.”, ou seja, o ritmo preciso de combustão do sol mantém a terra aquecida, mas não incinerada.
Com isso aconteceu? Surgiu do nada assim sem mais nem menos? Decorreu de uma explosão meramente casual/acidental? O que explica essa regulação perfeita? O que, ou melhor, quem é responsável por isso?
A Terra
Vejamos agora a Terra, atentemos às suas medidas e à sua posição em relação ao restante do sistema solar. Antes, porém, procurem no livro bíblico de Jó onde Deus fez as seguintes perguntas ao próprio Jó: “Onde [estavas] quando fundei a terra?.. Quem lhe pôs as medidas, caso tu o saibas?” (Jó 38:4, 5)
O tamanho da Terra é exactamente o certo para que possamos existir. Como? Se a Terra fosse um pouquinho maior, a sua gravidade seria mais forte e o hidrogénio (um gás leve) iria acumular-se por não poder escapar dessa gravidade. Com isso, a atmosfera seria inóspita para a vida. Por outro lado, se a Terra fosse um pouquinho menor, o essencial oxigénio escaparia e as águas do planeta se evaporariam.
Já quanto à distância que a Terra está do Sol, reparem nas conclusões dos cálculos efectuados por David L. Block : “Os cálculos mostram que se a Terra ficasse só 5% mais perto do Sol, uns 4 biliões de anos atrás teria ocorrido um descontrolado efeito estufa. Por outro lado, se a Terra ficasse só 1% mais longe do Sol, uns 2 biliões de anos atrás teria ocorrido uma descontrolada glaciação” — Our Universe: Accident or Design?
E mais uma vez pergunto: Com isso aconteceu? Surgiu do nada assim sem mais nem menos? O que explica esse dimensionamento perfeito? O que, ou melhor, quem é responsável por isso?
Quanto ao big-bang
“Hoje, praticamente todos os astrofísicos concluem”, disse a revista U.S.News & World Report em 1997, que “o Universo começou com uma big-bang (grande explosão) que impeliu matéria para todos os lados”.
Sobre essa conclusão quase unânime, Robert Jastrow, professor de astronomia e geologia na Universidade de Colúmbia, escreveu: “Poucos astrónomos poderiam ter previsto que esse evento — o nascimento súbito do Universo — se tornaria um fato científico comprovado, mas a observação dos céus por meio de telescópios obrigou-os a chegar a essa conclusão.”
Agora, de uma forma muito simples, e sem colocar em causa o big-bang como uma hipótese perfeitamente plausível para a origem do universo, o mesmo não poderia ter sido despoletado por um Criador?
Pensem nisso: a conversão descontrolada de matéria em energia na explosão de uma bomba nuclear causa o caos, como se viu, por exemplo, em 1945 no Japão, na destruição total de Hiroshima e boa parte de Nagasaki. No entanto, longe de ser caótico, o universo é harmonioso e equilibrado.
Denotem ainda a Terra, com as suas dimensões exactas e a sua surpreendente variedade de vida. Custa um bocado acreditar que isso tenha surgido sem alguma direcção e controle inteligentes.
A revista Newsweek, de 9 de Novembro de 1998, apurou as implicações das descobertas a respeito da criação do universo, referindo que os factos “sugerem que a matéria e o movimento se originaram como Gênesis sugere, ex nihilo, ou seja, a partir do nada, numa estupenda explosão de luz e de energia”.
Notem só as razões que a revista deu para comparar o começo do Universo com a descrição bíblica desse evento: “As forças liberadas eram — são — notavelmente (milagrosamente?) equilibradas: se o big-bang tivesse sido um pouquinho menos violento, a expansão do universo teria sido menos rápida, e logo (em alguns milhões de anos, ou em alguns minutos — de qualquer maneira, logo) teria entrado em colapso sobre si mesma. Se a explosão tivesse sido um pouquinho mais violenta, o universo poderia ter-se dispersado num “caldo” fino demais para se agregar e formar estrelas. As probabilidades contra nós [de que o Universo e a vida surgiram por acaso] são – este é o termo exacto – astronómicas. A proporção de matéria e de energia em relação ao volume de espaço no momento do big-bang não deve ter passado mais do que um quadringentésimo de 1% da ideal.”
A mesma revista sugeriu que havia, por assim dizer, um “Regulador” do universo, observando: “Eliminem apenas essa variação (o acima mencionado quadringentésimo de 1% de margem de erro) …e o resultado não será apenas desarmonia mas eterna entropia e gelo. Assim, o que – ou quem – foi o grande Regulador?”
Para terminar que isto já vai longo…
Quando percorremos um lugar desconhecido e nos deparamos com uma bela casa cercada por um relvado bem cuidado e um magnífico jardim florido, com certeza não concluímos que isso surgiu por acaso. Um excelente construtor e um habilidoso jardineiro obviamente são os responsáveis por isso, ou não?
Similarmente, não acho custoso ponderar que o universo, tão mais complexo, deve ou pode ter tido alguém que o projectou e concebeu, ou seja, que o criou. Muito antes pelo contrário, acho perfeitamente admissível.
Não deixa de ser curioso que pessoas que têm a mentalidade aberta para aceitarem a possibilidade de existência de vida em outros planetas e galáxias, nem sequer se permitem questionar, ou como referi antes, ponderar, a possibilidade da existência de um criador do universo e de tudo o que nele existe. Porquê razão recusam essa possibilidade assim de uma forma tão liminar?
Uma resposta em jeito de provocação: Não será por razão de fé? Afinal, o ateísmo é uma fé como outra qualquer, ou não?