Vi o documentário e achei arrepiante…há que admitir que depois de ver aquilo torna-se bastante sedutora a ideia de que se tratou de um"inside job" (nome de uma música do novo álbum de Pearl Jam :))…mas também estou consciente de que esta atracção pela teoria da conspiração pode não ser mais do que um reflexo da força que tem a tendência para adaptar os factos e moldar as interpretações a uma teoria em que se quer acreditar à força, chegando a torná-la quase indubitável.
O documentário é exímio na recolha de argumentos, dá exemplos exaustivos e faz uma boa selecção de testemunhos, mas a falta de humildade na apresentação das provas e a falta de contra-argumentação, retiram-lhe um pouco de seriedade, na minha opinião. Confesso que houve fases do filme em que quase me abstraí de procurar ou pensar numa hipótese alternativa para o que estava a ser aventado, tal era a intensidade e a violência com que os argumentos desfilavam no écrã.
Apesar de aparentemente tudo bater certo, a minha posição continuará a ser de incredulidade, ou pelo menos desconfiança em relação a esta teoria. Mas como, se está tudo explicado no filme? Bom, na verdade não sou especialista em armamento nem em engenharia, não conheço os procedimentos de evacuação dos aviões em caso de aterragem forçada, não sei que tipo de comportamento terá um arranha-céus se for atingido por um avião, não conheço suficientemente bem o Bin-Laden para o reconhecer numa filmagem de má qualidade, etc. Como tal, apenas posso contar com a palavra dos que montaram o documentário, confiando que o fizeram de forma isenta e com o objectivo de descobrir a verdade, mais do que com o objectivo de defender um ponto de vista com unhas e dentes. E isso para mim não chega.
Quando queremos acreditar numa coisa, somos capazes de mover montanhas para a justificar e tornar credível. Como disse lá atrás, podemos sempre adaptar os factos à nossa interpretação. Por vezes basta imaginação. E outras vezes o entusiasmo na demanda de argumentos é tal, que acabamos por distorcer parte dos factos e sonegar informações que iriam contra a nossa teoria, como aliás ficou bem patente no Código da Vinci, em que afinal Vénus não descreve um pentáculo perfeito no céu e em que a Linha da Rosa afinal não coincide bem com o meridiano, ou como ficou patente no Farehneit 9/11, em que o próprio Michael Moore foi apanhado a mostrar imagens com descrições que não correspondiam à realidade.
Além disso, para quem está a par do básico das Teorias da Conspiração, sabe bem onde íriamos chegar se levássemos este documentário até aos limites. Se me parece credível a conspiração no assassinato de Kennedy, a estranheza que deve advir da morte de todos os membros masculinos da sua família até hoje, a teoria do Complexo Militar-Industrial, etc, já não posso ter a mesma posição perante a suposta ascendência reptilínea/extra-terrestre de grande parte dos governantes de todo o Mundo, desde o início da civilização.
Veracidade ou não à parte, penso que o documentário tem o mérito de conseguir arranjar inimigos e antipatia contra a administração Bush. Se a única maneira de combater mentirosos é com mentiras, então que seja…