Carta a Frank - ou a certeza de que se exige ganhar

O plantel é do melhor que há. Trata-se de uma expressão idiomática - e a concordância pode, e deve, ser feita no singular. Convém saber do que falamos quando corrigimos. Fica a dica.

Vemos o que nossos olhos vêem. E o que os nossos olhos vêem nunca (nunca mesmo) é a realidade: é sempre a realidade + o Eu que a olha. A minha realidade é esta: temos um plantel de topo, a quem nada falta para lutar com os melhores do país. Não entro na onda de criticar jogadores quando é a equipa, e não a individualidade, que merece críticas. A soma das nossas individualidades vale tanto ou mais do que a soma das individualidades dos nossos adversários. Mas o futebol, e ainda bem, não é matemática. E a grande equipa é aquela que vale muito mais do que a simples soma do valor das suas individualidades. Cabe a Frank Vercauteren mostrar que sabe fazer contas.

Para ti serve quem para o Sporting?

O CR7? O Messi? O Falcão?..

Ir á selecção Argentina não é para qualquer um seja como defesa-esquerdo adaptado ou guarda-redes. Vulgarizar a carreira de Boularhouz é de enorme displicência. Gelson e Pranjic são enormes jogadores para a nossa realidade Portuguesa. Um jogador não servir para o Bayern de Munique, não quer dizer que não sirva para nós…

Ps: A ilusão de ser campeão não depende só do plantel… mas também do comando técnico e da estrutura forte á volta de uma equipe, talvez a peça mais importante de um campeão.

Para 2012/2013 nunca tive ilusões, mas não foi por causa do valor do plantel. Mas sim porque as outras 2 peças (Comando técnico e estrutura) nunca me inspiraram confiança.

Tivéssemos nós a mesma qualidade que temos no plantel, mas no comando técnico e na estrutura directiva, e provavelmente o Sporting estaria no topo.

Não precisava do CR7 ou do Messi. Bastava-me ter um defesa como o Luisão, Garay ou Maicon. Bastava-me ter um box-to-box com a qualidade do Witsel ou do Moutinho. Bastava-me ter um extremo como o James. Bastava-me ter um criativo como o Lucho ou o Aimar. Bastava-me ter um avançado como o Jackson.

Não me parece que seja pedir muito. O problema é olhar para o plantel e não ver nenhum valor com qualidade igual ou superior aos que referi.

Ir à selecção argentina não é para qualquer um. Mas a questão é que se está a avaliar o Rojo como central, sendo que na selecção joga numa posição completamente diferente. E não vulgarizei a carreira do Boula. Não preciso. Basta ver que o próprio Estugarda não lhe renovou o contrato, esse colosso do futebol mundial. É como o Gelson, um jogador de qualidade tremenda mas que não foi sequer titular em clubes como o Leicester, o Saint-Etienne ou o Chievo. O Pranjic é o melhor deles todos, mas não acrescenta nada ao plantel que já tem um defesa-esquerdo de qualidade.

Muito honestamente, não percebo onde vem a ideia de que o plantel é fantástico em termos de qualidade. Se vamos pelo prisma do comando técnico, tivemos um treinador como o Paulo Sérgio a orientar um dos piores plantéis da nossa história. E, mesmo assim, conseguiu melhores resultados. Em que é que ficamos? Como é que se pode culpabilizar apenas os treinadores e continuar com a ideia que os jogadores são de topo? Não percebo.

Não é a realidade mais o Eu que a olha. É apenas o Eu que a olha. Na verdade, se formos por um prisma verdadeiramente teórico, não existe realidade. Nunca temos acesso a ela (o Kant chamou-lhe númen) e a única certeza que existe é a da nossa existência. É o famoso “penso, logo existo” de Descartes.

Agora, que interessa isto para a actual discussão? Nada. Se seguíssemos esta via, não existiriam computadores. Não tomarias Brufen para aliviar uma inflamação. Não tomarias Aspirina para curar uma dor de cabeça. Porque não existindo realidade, é impossível comprovar que uma determinada substância provoca uma determinada reacção. Contudo, criámos aproximações à realidade derivadas dos nossos sentidos. Portanto vamos arrumar a conversa para nos centrarmos nessa aproximação que, de facto, funciona.

Portanto, e baseando-me nessa aproximação, olho para uma tabela e vejo um 10º lugar. Vejo o pior início de época da história do Sporting. Vejo jogadores que não sabem executar adequadamente as suas funções. E isto não é uma crítica: é uma constatação que a tabela classificativa e os olhos de quem vê os jogos demonstra inequivocamente. O actual plantel não serve para sermos campeões. Falta muita coisa.

E, para finalizar, o futebol não é matemática. Mas há probabilidades. E quais são? São estas: quem tem os melhores jogadores tem mais probabilidades de ganhar. Quem não tem bons jogadores tem mais probabilidades de perder. E nós, época após época, continuamos a acreditar numa probabilidade equivalente ao Euromilhões. Somos especialistas do pensamento mágico.

São perspectivas. Eu, quando vou no meu carro e está a chover torrencialmente, fico feliz e valorizo o facto de não ter de andar a pé. Outros, porventura, ficarão tristes - e pensarão como seria melhor estar no Havai a apanhar sol. São perspectivas.

Se Maicon, Garay e Luisão estivessem cá no Sporting, a esta hora estarias a dizer o mesmo deles que dizes agora de Rojo, Pranjic, Gelson, Labyad e Boularhouz.

Acredita naquilo que te digo.

Porque a esta hora estes “grandes jogadores” estariam reduzidos á vulgaridade pelo corpo técnico e pela estrutura.

Ps: Paulo Sérgio Vs Sá7Pinto… Gostava de ouvir a tua opinião acerca da diferença de valor deles.

E continuo sem perceber os teus argumentos para classificar esta equipa como sendo de topo. Pelos vistos baseias-te apenas na perspectiva e numa vontade muito grande de acreditar.

Lamento, mas isso não é suficiente. E não é compatível, também, com o grau de inteligência patente na tua escrita. E sei que sabes isso.

@GTony

Não te sei dizer qual é o pior. São ambos igualmente maus. A questão é que o Paulo Sérgio tinha jogadores como Tonel, João Pereira, Liedson e Miguel Veloso, completamente adaptados ao futebol português. É isso que explica a aproximação de resultados, mesmo sendo o plantel de agora superior a esse. E é por isso que também não se pode dizer que este plantel é de topo. A avaliação de um conjunto de jogadores faz-se sempre no presente: o que não falta no futebol são casos de inadaptação e de potencial não cumprido.

Os meus argumentos são os que estão na abertura deste tópico. Está lá plasmada, limpidamente e posição a posição, a minha perspectiva. Não será a tua. Mas é isso uma perspectiva: passível de ser contrariada.

É passível de ser contrariada. Mas não é só por mim. É pela tabela classificativa.

Em relação às perspectivas, algumas são mais acertadas que outras. Posso apresentar a perspectiva que o Pongolle é melhor que o Falcão por já ter jogado no Liverpool. Não me parece é que seja uma perspectiva muito sustentada. E não me parece que o Atlético Madrid, caso recompre o jogador e o coloque no lugar do colombiano, vá ter melhores resultados.

É que no futebol as perspectivas esbarram nos resultados. Os bons médios acertam passes. Os bons avançados marcam golos. Os bons defesas tiram sistematicamente a bola aos adversários e cometem poucos erros. E as equipas com jogadores de topo não apresentam os piores números da história de um clube.

Há qualquer coisa de “não sei quê” neste “caloiro” bem-falante que aproveitou o tempo livre do feriado de “Todos os Santos” para nos enriquecer com as suas opiniões.

Primeiro “post” de “20Ensinar”

Concentra-se em dois tópicos (um expressamente criado por ele).
Parece dar a GL uma última oportunidade, como se tivesse já apostado nele e sido desiludido.
Trata Vercauteren por Frank, como se privasse diária e familiarmente com ele.

Segundo “post” de “20Ensinar”

Terceiro “post” de “20Ensinar”

Até o Wiston elogiou a forma …

Depois do Mauras e do PCF ainda não tinha lido coisas tão bem escritas.

O Frank tem todos os argumentos para ganhar o quê ?
10 jogos ? A taça da liga ? O Campeonato ? Chegar ao 3º lugar ?
Fiquei com dúvidas acerca disso, é importante para se definir o que é “ganhar” e o que é “fracassar”.

De resto, gostei de ver que ao menos existe a consciência que, em caso de fracasso, quem trouxe o treinador terá que ir embora também (sem esperar pelo final do mandato, na minha opinião). Só resta é saber o que, nesta altura e neste contexto, significa ganhar e fracassar.

Tinha uns 13… 14 anos e comecei a fazer colagens de artigos do jornal em pequenos caderninhos, principalmente aqueles que falavam de novos jogadores contratados pelo Sporting. Entusiasmava-me com qualquer elogio que por lá fosse debitado… era o “novo Eusébio”, o “Maradona de Buenos Aires”, o “furacão do Ceará” e coisas assim do género. Todos os anos a esperança reacendia-se, os jogadores do Sporting eram todos fantásticos, principalmente aqueles que não conhecia a não ser pela propaganda à volta de de cada nova contratação. Já há 20 anos era assim.

As coisas mudaram, temos acesso a muito mais informação do que havia na altura, é possível acompanhar os campeonatos de outros países, mesmo dos que têm menos visibilidade e estão fora das principais ligas mundiais. O historial de um jogador, as opiniões sobre o mesmo, estão disponíveis à distância de um clique e o efeito propaganda é bem menos eficaz do que era. Mas ainda vai funcionando, porque as expectativas de um futuro melhor, para o clube que gostamos, a paixão inerente ao Sportinguista, assim o permite.

O que escreves, vai em linha com a opinião de muitos, há uns meses atrás… mas a tua levada ao extremo, de tal forma que de racional tem pouco. Se aquela opinião generalizada via como pouco fundamentada, a tua parece extraída de um conto de fadas. Com muito pouco de aderência à realidade.

Isto não invalida que considere que existe plantel para estar nos 3 primeiros lugares. Penso mesmo haver matéria primeira para incomodar os outros 2 maiores rivais, após um deles ter perdido o mais decisivo jogador do campeonato e o outro 2 pilares do meio campo. Mas esta coisa de olhar para o valor facial dos jogadores e daí tentar prever resultados, tem muito que se lhe diga. Nunca na vida o Braga tinha plantel para fazer 71 pontos numa liga com 90 pontos em disputa, mas fizeram-no. Nunca na vida tinha equipa para chegar à final da Uefa, mas chegaram. Nunca na vida o plantel de Vila Boas tinha qualidade para fazer 84 pontos em 90, mas fizeram-no. O Sporting em 2010 e 2011, por fraco plantel que tivesse, tinha qualidade para fazer mais uns 10 pontos do que os míseros 48 que fez. O desta época, só num filme de terror vale 7 pontos em 7 jogos, 2 vitórias em 13 possíveis.

O Sporting não tem condições para extrair dos jogadores que tem, o seu real valor. Para formar uma equipa e em como dizes, levar a que o todo valha mais do que a soma das partes. Não tem recursos humanos, a nível directivo, a nível da sua estrutura, que consiga alterar uma realidade que passa pela falta de conhecimentos do core business ( outro conceito teu que aproveito ) do Sporting. O líder é fraco e sabe pouco e como sabe pouco, não tem capacidade de discernir quem sabe muito, de forma a que a delegação seja bem feita.

Seja como for e mais uma vez, apesar de achar que o plantel do Sporting é profundo em várias posições e está cheio de jogadores com qualidade, tem insuficiências graves e é pouco complementar.

As mais notórias, passam por um meio campo cheio de médios de transição, sem criatividade e poder de fogo.
Por extremos inconsequentes e com pouco critério e discernimento.
Pela falta de alternativas a um PL, que tem características muito próprias.

Podia ter-me citado, por já escrevi isto várias vezes. A equipa do Sporting apresenta claras dificuldades quando em posse, falta de ideias,falta de inteligência, porque temos pouca gente que saiba o que fazer e quando fazer, perto da área contrária. Haverá foristas que estarão a pensar “bem, lá vai este tipo a falar de Matias outra vez “… mas não tem a ver com a figura de um jogador, mas de lacunas evidentes na posse de bola, no talento, na experiência, na capacidade de definição. No meio de tanta miséria e em que é consensual que toda a gente joga abaixo do que vale, parece evidente que Izmailov, por exemplo, continua a mostrar que o talento e classe, não se reduzem a um zero, porque a equipa não funciona… essas valências do russo lá continuam, são visíveis, sempre que pega na bola. Nada a ver com o filme de terror que é ver quase todos estes jogadores a falhar passes fáceis, a fazer movimentações estúpidas, param quando deviam correr, correm quando deviam parar, parecendo que todos os principios básicos do futebol estão ausentes. Acima de tudo é a ausência de principios de jogo colectivos que explica muito do que se passa, mas não é só.

E depois, há erros de casting claros. E muito wishful thinking. Mas o pessoal ainda vai insistindo no “pode ser” e no “pode fazer”. “Adrien pode fazer e pode ser o segundo avançado”, “Pranjic é 10, “Labyad pode ser o motor de ataque”, “Jeffren pode ser o melhor da liga”, “Carrillo o novo Nani”, “Boula o novo André Cruz”, “ Elias como Ramires”, “Schaars, o patrão” e por aí fora.

Há anos, achava piada às expectativas desmesuradas dos Sportinguistas. Na actual conjuntura, em que a sustentabilidade do Sporting está em risco, bem como a sua própria identidade, quando a cultura de exigência e de vitória estão ausentes e o universo Sporting parece estar perto de uma guerra civil, não. Acho tal postura até perigosa. Porque intoxicadora.

Não falo de expectativas. Falo de factos.

Estes são os meus factos. Esta é a minha análise do grupo de atletas que Vercauteren tem ao seu dispor. E não: nunca será intoxicante aquele que diz o que pensa de forma construtiva. Intoxicante é, isso sim, calar pensamentos em prol de uma qualquer onda a favor ou contra uma posição estabelecida. Para isso, para simplesmente ir com a corrente, não contam comigo.

Portanto, este é o lado B da mesma música: Rambo deu a Frank um avião. Vamos ver como Frank o pilota
Se Frank falhar, Frank não presta. Se Frank enfrentar a tempestade, Rambo é o máximo.

Faltou, nessa belíssima construção mental, uma outra conclusão: se Frank falhar, Rambo e Frank têm de ir embora. Simples, não é?

Desculpa, mas estás enganado. Porque os factos (de que não falas) são estes: temos uma equipa em 10º lugar do campeonato, mais próxima do último do que do primeiro, e com diferença de golos negativa.

Falas da tua opinião acerca do valor da equipa. A tua análise não é um facto - é uma opinião. Tal como o @Lion73 referiu.

Repito: são os meus factos. Não os seus ou, ao que parece, os de muitos outros. Mas são os meus. E é por eles que me deixo conduzir. Sempre.

Parafraseando o stor: não gosto de repetir ad eternum o que penso, logo aconselho-te a ler o que já foi dito nos 2 tópicos desta brincadeira de hollywood

?

Não existe isso de “teus factos” ou “meus factos”. A factualidade requer objectividade e mensuração. Guias-te pelo que pensas, é o que queres dizer. Quer dizer, digo eu.

Factos não serão, quando muito convicções (que mesmo quando são muito fortes não ascendem ainda assim à categoria factual). Mas a mensagem foi perceptível.