Análise ao jogo Sporting 2 – 3 Marítimo (3º Jogo da Liga Portuguesa):
Ficha do Jogo:
Assistência: 27 965 Espectadores
Equipa de Arbitragem:
Árbitro Principal – Pedro Proença (Lisboa)
Assistentes – Tiago Trigo e André Campos
4º Árbitro – Bruno Esteves
Sporting:
1 Rui Patrício
47 João Pereira
4 Polga
3 Daniel Carriço (cap)
5 Evaldo
26 André Santos
8 Schaars
10 Izmailov
20 Yannick
23 Hélder Postiga
11 Capel
Marítimo:
1 Peçanha
21 Briguel (cap)
3 Robson
16 Roberge
41 Rúben
8 Roberto Sousa
25 Rafael Miranda
13 Olberdam
20 Heldon
17 Sami
30 Danilo Dias
[b]Aproveitando a vitória da Liga Europa, Domingos decide não mudar a equipa e apresenta o mesmo “onze”, em todos os sectores. Manteve o sistema táctico, o 4x3x3 que tem vindo a utilizar; manteve a mesma dupla de centrais – Daniel Carriço e Polga – premiando a excelente exibição de Polga e dando uma nova oportunidade a Daniel Carriço para se impor na equipa; A defesa foi completada com os já habituais João Pereira e Evaldo; o trio de meio-campo foi formado por André Santos, numa posição mais recuada, libertando Schaars e Izmailov; na frente manteve o veloz Yannick, o desequilibrador Capel e o trabalhador Postiga. Nenhuma alteração, visando o mesmo objectivo; a vitória.
Do lado do Marítimo, de relembrar que a equipa insular, tal como o Sporting, ainda não tinha conseguido vencer, nem tão pouco, tinha sequer conseguido alcançar um único golo, nos primeiros dois encontros da Liga. Para tentar pontuar em Alvalade, Pedro Martins decide fazer uma única alteração, relativamente ao encontro da semana anterior, em Braga, ao fazer sair Babá e colocando, a reforçar o meio campo, o brasileiro Olberdam. Esta alteração visou, claramente reforçar a região intermediária da equipa, abdicando de um elemento mais fixo na frente, apostando numa estrutura forte e dinâmica, que privilegia a qualidade na posse de bola, para tentar surpreender o Sporting.
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5’ – Livre para o Sporting, ligeiramente descaído para o lado esquerdo, com Schaars a bater para o interior da área, com a defensiva do Marítimo a cortar o lance, mas Polga recuperar a bola ainda na grande área e a colocar em Izmailov, na direita; este devolve a Polga, que remata de primeira, à entrada da área, contra Roberto Sousa. Pontapé de campo para o Sporting.
8’ – André Santos, ainda no meio campo defensivo do Sporting, solicita a desmarcação de Hélder Postiga, com um passe longo, mas o árbitro auxiliar André Campos interrompe a jogada, com um suposto fora-de-jogo do atacante do Sporting. Erro da equipa de arbitragem, já que Postiga se encontrava atrás do penúltimo defensor do Marítimo, no momento do passe.
9’ – Daniel Carriço avança com a bola controlada e aproveita a linha de passe oferecida por Izmailov, que de primeira, com um toque de calcanhar, deixa para Yannick; este com uma finta de corpo, tira o defesa do Marítimo do caminho e remata forte, de fora da área, com o guardião Peçanha a defender a dois tempos. Belo remate do atacante do Sporting.
17’ – Pontapé de canto para o Marítimo, apontado, do lado direito do ataque da equipa insular, por Heldon, para a zona da marca de grande penalidade, onde aparece Olberdam, mais alto que toda a defensiva do Sporting, a cabecear para o ângulo direito da baliza, com Rui Patrício a defender de forma soberba, aquilo que poderia ser o primeiro golo do Marítimo. Grande intervenção de Rui Patrício.
18’ – No minuto seguinte, livre para o Marítimo, em jeito de canto mais curto, descaído para o lado direito, apontado por Heldon, para a mesma zona da marca da grande penalidade, onde desta vez, aparece Robson, mais alto que toda a gente, a cabecear, sem marcação, com a bola a sair à figura de Rui Patrício. Muito perigo para o Marítimo.
21’ – Livre para o Sporting, apontado por Schaars, a mais de 30 metros da baliza, com Peçanha a defender para a frente; na recarga, aparece Evaldo a colocar a bola na baliza. No entanto, o auxiliar André Campos anula, mal, o golo por suposto fora-de-jogo do lateral esquerdo do Sporting. Erro grave do trio de arbitragem, que tira um golo limpo ao Sporting.
26’ – Pontapé livre para o Sporting, a meio do meio-campo do Marítimo, apontado por Schaars, para a zona da marca da grande penalidade, onde apareceu Polga a cabecear para a baliza, com a bola a sair à figura de Peçanha. Defesa fácil.
28’ – Cartão amarelo para Schaars, por protestar uma decisão de Pedro Proença. Não ouve falta do holandês. Erro do árbitro.
30’ – Pontapé de canto para o Sporting, do lado direito do ataque, apontado por Schaars, para o primeiro poste, onde aparece o desvio de Carriço, para a pequena área, com Postiga, a aparecer a encostar para a baliza e com o defesa do Marítimo, junto ao poste, a salvar, em cima da linha de golo. Grande oportunidade para o Sporting.
38’ – Golo do Sporting. Excelente trabalho de Yannick que, já no interior da área, fixa 3 defensores e deixa para a entrada da área para Izmailov. Este tira um adversário do caminho e remata rasteiro e colocado, para o primeiro golo do Sporting. Belo lance de futebol.
42’ – Mais um pontapé livre perigoso para o Marítimo, desta vez apontado sobre o lado esquerdo do ataque da equipa insular, com Heldon a levantar para o segundo poste, onde aparece Olberdam a cabecear, mas com Rui Patrício a proteger o 2º poste e a colocar a bola para canto.
45’ – Cartão amarelo para Olberdam, por entrada fora de tempo, sobre Carriço, ainda na zona defensiva do Sporting. Na marcação do livre, Rui Patrício coloca longo para perto da grande área insular, Izmailov domina a bola e deixa, para a entrada da área, para Postiga, que remata, para defesa complicada de Peçanha.
[b]As equipas iniciam a partida com esquemas tácticos bastante semelhantes, com o Marítimo dando, objectivamente de forma estratégica, a iniciativa de jogo ao Sporting, esperando o erro da equipa leonina, nunca abdicando da sua estrutura muito bem organizada. Por seu turno, o Sporting iniciou a partida de forma prometedora, oferecendo uns primeiros 15 minutos bastante interessantes, privilegiando o futebol apoiado, onde Izmailov teve um papel fundamental, no assumir da posse de bola e do papel de dinamizador de todo o futebol da equipa e sem nunca permitir que o Marítimo tivesse qualquer oportunidade de criar perigo junto da baliza de Rui Patrício. No entanto, o futebol do Sporting esbarrava num erro táctico grave: as movimentações constantes de Postiga, em busca do melhor apoio para os seus colegas, fazem com que o Sporting fique sem qualquer referência junto dos centrais maritimistas, já que, nem Yannick, demasiado encostado à linha, nem Capel ou Izmailov, sem rotinas nessas movimentações de compensação, preenchiam esses desposicionamentos do avançado leonino.
Mas o Marítimo vinha com a lição muito bem estudada e percebeu, desde logo, as principais limitações do Sporting que, se fossem correctamente exploradas, poderiam trazer muitos e bons frutos, para as pretensões da equipa insular. E foi isso que o Marítimo fez. Aproveitou as evidentes lacunas do Sporting, nos lances de bola parada defensivos. Bastaram dois lances de bola parada, para colocar toda a equipa leonina num sobressalto nervoso. Valeu Rui Patrício a salvar a equipa.
Percebeu-se, desde logo, que seria fundamental uma dose bastante elevada de concentração defensiva e de paciência ofensiva da parte da equipa do Sporting, já que o Marítimo, provou poder ser muito perigosa em lances de bola parada, mantendo sempre uma estrutura defensiva bastante organizada e compacta e apostando numa pressão muito dinâmica e solidária.
No entanto, apesar deste sufoco por que passou, o Sporting conseguiu manter a serenidade e o domínio na posse de bola e, aos 21 minutos desta etapa inicial, conseguiu mesmo chegar ao golo, por intermédio de Evaldo, a recarregar uma defesa incompleta de Peçanha a remate de Schaars, mas o lance foi, incorrectamente, invalidade pelo árbitro assistente, por suposto fora de jogo do lateral esquerdo leonino. Mais uma vez, o Sporting a ter razões fortíssimas de queixa do trio de arbitragem.
Após este lance, o domínio do Sporting intensificou-se e dispôs de uma nova oportunidade de golo, por volta do minuto 30, por intermédio de um desvio de Postiga, em plena pequena área, com este a ver a bola a ser salva, sobre a linha de golo, pelo defesa maritimista, quando Peçanha já se encontrava fora do lance. O Sporting não desistiu e, à passagem do minuto 38, depois de um excelente trabalho de Yannick, Izmailov recebe a bola, em zona frontal à baliza do Marítimo, e remata colocado e rasteiro, para o interior da baliza insular, inaugurando o marcador para a equipa de Alvalade e colocando justiça no marcador. Apesar daqueles dois lances consecutivos por parte do Marítimo, que colocaram a descoberto todas as limitações da defensiva do Sporting, não mais a equipa da Madeira conseguiu criar perigo.
A partir desta altura, foi visível a liberdade que a equipa do Sporting começou a dar ao Maritimo para organizar os seus ataques, afrouxando claramente a pressão sobre os elementos mais criativos da equipa insular. Mas, o Marítimo só consegue criar perigo, nos lances de bola parada. Ainda antes do intervalo, Olberdam dispôs de mais uma oportunidade, ao corresponder, de cabeça, a um livre apontado por Heldon, ao qual Rui Patrício responde com uma defesa atenta.
Primeiro tempo, em grande parte dominado pelo Sporting, mas com o Marítimo a criar sempre muito perigo, através de lances de bola parada, sempre executados de forma perigosa. O resultado premiava a maior superioridade do Sporting, mas com o Marítimo sempre há espreita das suas oportunidades.
A segunda parte inicia-se sem nenhuma alteração, em ambas as equipas.
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48’ – Pontapé livre para o Marítimo, ainda muito longe da baliza do Sporting, com Briguel a colocar a bola na grande área, onde aparece Robson, mais alto que toda a gente a rematar para a baliza, com uma defesa espectacular de Rui Patrício, por cima da barra.
49’ – Golo do Marítimo. No seguimento do pontapé de canto, apontado por Ruben, a bola é colocada ao primeiro poste, onde aparece Rafael Miranda, mais rápido que toda a gente, a atacar o espaço vazio, completamente livre de marcação e, com o ombro, a colocar a bola no interior da baliza, para o empate do Marítimo.
50’ – Cartão amarelo para Izmailov a castigar uma entrada ríspida, à saída do ataque do Sporting, sobre Roberge.
52’ – Golo do Marítimo. Tudo começa com uma perda de bola completamente inacreditável por parte de João Pereira, a colocar a bola no meio-campo, em Heldon, que rapidamente, coloca na esquerda do ataque do Marítimo, no solto Sami, que aproveita o desnorte do lateral do Sporting, tira-o, facilmente do caminho, com uma diagonal fortíssima e remata colocado, para a baliza leonina, sem que Rui Patrício pudesse esboçar qualquer defesa.
54’ – Dupla substituição para o Sporting: Entram Jeffren e Bojinov para as saídas de Yannick e Capel.
55’ – Cartão amarelo para Polga, após ter dado a lei da vantagem, por entrada perigosa, a meio campo, sobre Danilo Dias.
61’ – Combinação na direita do ataque do Sporting, entre João Pereira e Izmailov; este, com um lance de calcanhar genial, isola Postiga que, com caminho aberto para progredir, decide rematar de primeira, à figura de Peçanha, que defende para canto.
62’ – Lançamento de linha lateral a ser rapidamente executado por Postiga, que coloca a bola a pingar, no interior da área do Marítimo, com Carriço a deixar para Schaars, que domina e é carregado em plena grande área, com Pedro Proença a deixar seguir. Erro do árbitro da partida, tendo ficado uma clara grande penalidade para marcar.
64’ – Terceira substituição para o Sporting: sai Postiga e entra Wolfswinkel.
65’ – Primeira substituição no Marítimo: sai Heldon e entra Babá.
71’ – Lance algo atabalhoado do Sporting, em zona frontal à baliza, com Jeffren a tentar o lance individual e com isso a fixar 3 adversários, decide abrir em André Santos, que depois de dominar, chuta à baliza, com a bola a sair muito ao lado do poste direito.
71’ – Cartão amarelo para Roberto Sousa, após ter dado a lei da vantagem, por entrada perigosa sobre André Santos, num lance ocorrido aos 69’.
75’ – Golo do Sporting. Pontapé livre para o Sporting, em zona central, ligeiramente descaído para a esquerda; Jeffren bate forte, para a baliza, a bola desvia em Olberdam e trai Peçanha. Infelizmente, na sequência do lance, Jeffren ressente-se da lesão e é obrigado a abandonar o relvado, deixando o Sporting a jogar com 10 elementos, nos últimos 15 minutos da partida. Grande golo do Sporting, a empatar a partida e grande revés para os seus objectivos, tudo no mesmo minuto.
77’ – Cartão amarelo para Bojinov, por reclamar uma decisão de Pedro Proença.
79’ – Cartão amarelo para André Santos, a castigar uma falta sobre Roberto Sousa, para parar o contra-ataque do Marítimo.
82’ – Segunda substituição para o Marítimo: sai Olberdam e entra Marquinho.
87’ – Expulsão a Roberto Sousa claramente perdoada por Pedro Proença, numa entrada perigosa às pernas de Wolfswinkel, completamente fora de tempo.
89’ – Terceira substituição para o Marítimo: sai Sami e entra Adilson
90’+1 – Golo do Marítimo. Pontapé de canto do lado direito do ataque da equipa insular, apontado por Danilo Dias, para o coração da área onde, mais alto que toda a tente, livre de marcação, aparece Babá, a cabecear para o interior da baliza.
[b]A segunda parte começa com um Marítimo a todo o gás, em busca do golo, utilizando uma pressão ainda mais agressiva e empurrando a equipa do Sporting para trás, forçando-a a fazer faltas em zonas perigosas. Nos primeiros 5 minutos da segunda parte, o Marítimo, sempre em lances de bola parada, obriga primeiro Rui Patrício a uma grande defesa para canto e, na sequência do lance, acaba por chegar ao golo do empate, por intermédio de Rafael Miranda, que aparece completamente livre de qualquer marcação.
Péssima entrada do Sporting, na segunda parte, visivelmente nervoso e com os sectores claramente desunidos. A prova disso mesmo foi, pouco tempo depois, à passagem do minuto 52, a tremenda falha de João Pereira, que coloca no centro do terreno, em Heldon e, na tentativa de emendar o seu erro, desposiciona-se completamente e liberta Sami na esquerda do ataque maritimista que, com uma diagonal fortíssima, flecte para o meio e disfere um remate forte e colocado, para o golo da vantagem da equipa insular.
Esta terrível entrada obriga uma intervenção imediada por parte de Domingos, que procede a duas alterações em simultâneo, retirando o inconsequente Yannick e o desinspirado Capel, para fazer entrar Jeffren, que regressa aos disponíveis, após 2 jogos de paragem, devido a lesão e de Bojinov, que tão importante tinha sido no jogo da Liga Europa. Com isto, Domingos pretendia colocar mais presença na área, colocando Bojinov mais fixo na frente, directamente apoiado por Postiga, num 4x1x3x2 bastante ofensivo, com apenas André Santos a jogar mais recuado.
Apesar disso, a confiança do Marítimo era por demais evidente, e foi a equipa que mais perigo criou, no minutos que se seguiram ao segundo golo da equipa insular e das duas alterações processadas por Domingos.
Assim que a equipa do Sporting estabilizou, foi capaz, desde logo, de criar perigo para a baliza maritimista. Postiga teve nos pés, uma excelente oportunidade para empatar novamente a partida, mas rematou à figura de Peçanha. Seria substituído, pouco tempo depois, por Wolfswinkel, sem que tivesse, mais uma vez, correspondido ao que se pretendia. Se, por um lado, a entrega que coloca em campo foi assinalável, Postiga pecou muito pelas suas opções tácticas, fugindo sempre das marcações, para terrenos mais recuados, deixando a equipa completamente sem referências no ataque. A entrada do holandês visava, sem dúvida, a fixação de um membro bem junto aos centrais da equipa da Madeira, de forma a criar espaços para as penetrações dos colegas que vêm de trás.
Durante esta fase, o Sporting sentiu bastantes dificuldades para construir futebol ofensivo, já que a organização defensiva do Marítimo se mostrou bastante eficaz, principalmente na cobertura ao jogador mais criativo da equipa leonina - Izmailov – não o deixando ter o protagonismo que a equipa de Alvalade necessitaria.
Com o Sporting sem soluções e quase encontrado às cordas, eis que surge um livre directo, em zona frontal, com Jeffren a assumir a marcação do referido castigo e a colocar a bola na baliza, para fazer o golo do empate para o Sporting. Mas nem tudo foram coisas positivas neste lance. Na sequência do remate que desferiu, Jeffren ressente-se da sua lesão e é obrigado a sair do terreno de jogo de forma definitiva, deixando o Sporting a jogar os últimos 15 minutos, com menos um elemento. Como resposta a isto, Domingos ordena imediatamente que Schaars recue no terreno e jogue bem ao lado de André Santos.
A partida entrou, nesta fase, numa toada mais calma, com o Marítimo a ter quase sempre a iniciativa do jogo. Nesta altura, Pedro Martins demonstrou que queria ganhar o jogo. Já tinha colocado, anteriormente, o avançado Babá em campo, numa posição mais fixa na frente de ataque e, a 10 minutos do fim, decide tirar um dos médios de cobertura – Olberdam – para fazer entrar um extremo rapidíssimo – Marquinho – denotando uma clara ambição de tentar ganhar a partida.
E viria a colher os seus frutos, já no período de compensação, num lance que foi o espelho de toda a partida: lance de bola parada, com a defensiva do Sporting a ficar a olhar e Babá, completamente solto de marcação, a subir mais alto que toda a gente e a cabecear para o fundo da baliza do desamparado Rui Patrício.
O Sporting, nesta partida, denotou uma enorme ingenuidade, ao não ter conseguido estabilizar o seu jogo e a não se ter acautelado, relativamente aos lances de bola parada defensivos, para não fazer faltas em zonas complicadas. Quem aproveitou foi a equipa do Marítimo, que nunca se desorganizou e que aproveitou os erros adversários, para construir o resultado a seu favor.
Relembre-se que o Marítimo vinha de 2 jogos onde não consegui marcar e sem criar muitas situações de futebol atacante, consegue vencer a partida, fruto da especial apetência e eficácia nos lances de bola parada, aproveitando, obviamente, a completa inabilidade do Sporting neste dado específico.
Defender lances de bola parada, com um sistema à zona, onde se tem um Polga sem velocidade e um Carriço sem talento e agressividade, resulta em tiros nos próprios pés e golos na própria baliza. Espero que Domingos tenha aprendido a lição.
Estatísticas do Jogo:
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Sporting Marítimo
Remates 11 16
Cantos 5 11
Foras-de-jogo 6 1
Faltas cometidas 21 17
Cartões amarelos 4 2
Cartões vermelhos 0 0
Posse de bola 57% 43%
Análise Individual (Notas de 0 a 20 val.):
Rui Patrício:
Jogos: 5 (3LP+2LE); Minutos: 450’; Golos sofridos: 5 (4LP+1LE); Disciplina: - ; Nota: 11 val.
Como considerar um jogo em que sofre três golos, como sendo positivo? Por outro lado, como considerar um jogo em que fez 4 defesas incríveis, como sendo negativo? A verdade é que sofreu três golos, sem que nada pudesse fazer para os evitar. A falta de solidariedade defensiva da sua dupla de centrais foi algo de inenarrável e só a sua assertividade em algumas defesas, impediu um resultado mais desequilibrado. Na minha opinião, leva nota positiva, por aquilo que conseguiu evitar.
João Pereira:
Jogos: 5 (3LP+2LE); Minutos: 450’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 6 val.
Começou o jogo com a sua habitual propensão para atacar, auxiliando directamente Izmailov, na hora de causar desequilíbrios ao flanco esquerdo da equipa do Marítimo. No entanto, a sua exibição fica manchada de forma irreversível, pela terrível falha que teve, no segundo golo do Marítimo. Não só colocou a bola no adversário, como o seu desposicionamento, em busca de remediar o erro feito, possibilitou a libertação do avançado maritimista, que remataria para o fundo das redes. Por esse momento de pura desatenção, merece nota positiva, já que teve influencia directa no resultado da partida.
Polga:
Jogos: 5 (3LP+2LE); Minutos: 450’; Golos: - ; Disciplina: 1CA LP ; Nota: 6 val.
O internacional brasileiro vinha de um jogo contra o Nordsjælland francamente bem conseguido mas, rapidamente o fez esquecer. A falta de coordenação defensiva com o seu parceiro de sector, foi por demais evidente. Polga teria o papel de conferir experiência e serenidade a toda a defensiva. No entanto, à medida que os lances de perigo, junto à baliza do Sporting, iam surgindo, a intranquilidade e o sentimento de impotência aumentavam de forma exponencial. A péssima entrada na segunda parte marcou todo o sector e aquele último lance da partida, que daria o golo da vitória ao Marítimo, foi a conclusão óbvia, para um jogo onde, simplesmente, não se defendeu. Se não tem qualquer responsabilidade individual nos lances de golo sofridos, é dele o papel de coordenar a defesa e, aí, falhou redondamente.
Carriço:
Jogos: 2(1) (1(1)LP+1LE); Minutos: 225’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 4 val.
Se, até este jogo, ainda não tinha justificado o porquê de ser titular, Carriço, depois da partida, provou por que razão, daqui em diante, terá que ficar na bancada. Exibição completamente desastrosa; simplesmente, não esteve em campo. Entradas à queima dignas de um iniciado, completa descoordenação com o seu companheiro do centro da defesa, não acertou uma única dobra ao seu lateral e, para complicar ainda mais o cenário, uma completa inabilidade para atacar as bolas, nos lances de bola parada. Bem sei que os sistemas defensivos pretendem ser estruturas organizadas, onde o colectivo tem papel fundamental, para um bom desempenho. Mas se esse colectivo tiver um elemento completamente inábil, facilmente desmorona. Lamento dizer isto, mas Carriço, a jogar assim, dificilmente terá qualidade para jogar no Sporting. Capitão? A culpa não é dele, nem de Domingos.
Evaldo:
Jogos: 5 (3LP+2LE); Minutos: 450’; Golos: 1 LE ; Disciplina: - ; Nota: 8 val.
Aquele que costuma ser o principal problema da defesa do Sporting, foi neste jogo a sua unidade mais objectiva. Defensivamente, foi quase irrepreensível, impondo o físico e não permitindo veleidades a Heldon, que entrava no seu raio de acção. Ofensivamente, apontou um golo, mal anulado pelo árbitro Pedro Proença e tentou subir sempre que possível e combinou melhor com Jeffren, do que com Capel. Foi sobre ele, a falta que viria a dar o livre que resultou no empate a duas bolas, apontado por Jeffren. Apensar disso, a nota negativa é inevitável, pois os erros do sector, nos lances de bola parada foram claros e Evaldo partilha as responsabilidades do insucesso.
André Santos:
Jogos: 4 (2LP+2LE); Minutos: 285’; Golos: 1 LE ; Disciplina: 1 CA LP ; Nota: 9 val.
O jovem português é sempre de uma entrega constante, nunca voltando a cara à luta, e neste jogo não foi excepção. Se Danilo Dias não teve mais oportunidades para criar desequilíbrios, o responsável foi André Santos. Mas, neste jogo, esteve muito nervoso na posse de bola: falhou muitos passes e perdeu algumas bolas, o que não é muito habitual. Ofensivamente, foi sendo prejudicado, à medida que o jogo ia avançando e iam entrando colegas de características mais atacantes. Teve que ser o homem das compensações e não se sente muito à vontade com isso.
Schaars:
Jogos: 5 (3LP+2LE); Minutos: 430’; Golos: - ; Disciplina: 1 CA LP; Nota: 8 val.
Continua a ser o senhor das bolas paradas e, nesse aspecto, melhorou, relativamente às partidas anteriores. No entanto, ainda evidencia uma clara falta de profundidade: no passe, insistiu muito nas lateralizações e nos passes para trás; em termos posicionais, ofereceu pouca objectividade ofensiva, permanecendo em zonas muito recuadas, apoiando pouco o ataque. Nos lances de bola parada defensivos, teve muitas dificuldades nas coberturas aos jogadores adversários. Sofreu uma carga clara, passível de grande penalidade, que foi ignorada pela equipa de arbitragem. Mas, ainda está muito longe do Schaars da pré-época.
Izmailov:
Jogos: 2(3) (1(2)LP+1(1)LE); Minutos: 300’; Golos: 2 LP; Disciplina: 1 CA LP ; Nota: 13 val.
O internacional russo foi, de longe, o melhor elemento do Sporting. Sempre disponível para ter a bola e para imprimir velocidade à partida, foram dele alguns lances geniais, que só foram pouco produtivos, devido à pouca ligação que ainda existe na equipa e ao menor esclarecimento de alguns colegas de equipa. Mas na hora de se ser objectivo, lá apareceu o russo para resolver: em zona frontal, coloca um remate mortífero, que só acaba no interior da baliza de Peçanha, abrindo o marcador para o Sporting, numa altura em que as dúvidas começavam a crescer. Não lhe podem pedir mais. Enquanto teve folgo e força física, nunca voltou a cara à luta. Foi a alma da equipa. Pena ter sido traído pelos seus companheiros mais defensivos, que praticamente entregaram a vitória ao adversário.
Yannick:
Jogos: 5 (3LP+2LE); Minutos: 305’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 7 val.
Mais uma vez foi aposta de Domingos e mais uma vez foi o alvo preferencial dos adeptos, na hora de descarregarem as suas frustrações. Foi o primeiro a rematar à baliza, sem grande perigo e depressa começou a acusar a pressão vinda da bancada, ora com maus domínios, ora com perdas de bola. No entanto, foi dele a jogada, que libertou Izmailov abrir o marcador; o seu trabalho individual fixou três adversários e permitiu ao russo ter todo o espaço para trabalhar a bola e rematar. Tirando isto, uma ou outra arrancada sem grande objectividade. Falhou principalmente pelo facto de não conseguir compensar as movimentações de Postiga. Seria mais útil se aparecesse mais junto da área, do que deixar-se prender à linha. Fica à dúvida se este facto resulta de falta de cultura táctica, ou se são as ordens que tem. A sua substituição só pecou por tardia.
Hélder Postiga:
Jogos: 4(1) (2(1)LP+2LE); Minutos: 366’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 4 val.
De facto, Postiga não nasceu para ser ponta-de-lança! As suas movimentações não só demonstram a sede que o internacional português tem pela posse de bola, como essa prejudica incrivelmente a estratégia da equipa, a jogar em 4x3x3. Neste jogo, isto ainda foi mais evidente, pois fugiu claramente ao confronto com os dois fortíssimos defesas centrais do Marítimo e ando constantemente em zonas recuadas e laterais, em busca da bola. Estas movimentações do Postiga nunca foram compensadas por ninguém, o que demostra total responsabilidade do avançado nestas decisões. Corre muito, luta muito, é verdade, mas sempre sem nexo e sem qualquer benefício para a equipa. Imaginem um corredor de 100 metros, que parte da pista 8 e que, ao ouvir o tiro de partida, corre na direcção da pista 1… Assim é Postiga a jogar futebol. Nada é feito com objectividade. E na hora de cumprir as suas funções de ponta-de-lança, a eficácia é confrangedora. E teve algumas excelentes oportunidades para marcar, que matariam o jogo a favor do Sporting. Em resumo: 5 jogos, quatro deles a titular, zero golos. Tudo dito.
Diego Capel:
Jogos: 3(1) (2(1)LP+1LE); Minutos: 261’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 5 val.
O espanhol não conseguiu manter o nível exibicional das anteriores partidas, nem tão pouco conseguiu desequilibrar, com as suas mudanças de velocidade. Ainda trocou de lugar com Yannick, mas a inoperância foi constante. Na esquerda, raramente teve apoio, tanto de Evaldo como de Schaars, tenho ficado, quase sempre, preso na teia maritimista. Saiu naturalmente, no inicio da segunda parte, quando foi necessário mudar, radicalmente, o rumo dos acontecimentos. Parece ainda não ter condição física para fazer dois jogos de grande nível, num espaço de quatro dias.
Bojinov:
Jogos: (2) ((1)LP+(1)LE); Minutos: 64’; Golos: - ; Disciplina: 1CA LE; Nota: 3 val.
Muitas falhas na recepção de bola e um remate completamente fora do alvo. Este foi o que Bojinov conseguiu fazer no jogo contra o Marítimo, o que, para quem entrou aos dez minutos da primeira parte, é manifestamente pouco. Não foi o jogador decisivo, que tinha sido no jogo contra o Nordsjælland e que Domingos esperava que fosse. O resto do tempo que esteve em campo, andou, quase sempre, perdido. Não tem movimentações de ponta-de-lança. Depois da lesão de Jeffren, poderia ter sido colocando no flanco esquerdo e talvez aí, pudesse ter criado alguns problemas ao adversário. Na área, junto dos centrais, foi presa fácil.
Jeffren:
Jogos: 2(1) (1(1)LP+1LE); Minutos: 121’; Golos: 1 LP ; Disciplina: 1 CA LP; Nota: 12 val.
Entrou para mexer com a partida, substituindo o compatriota Capel e nunca se escondeu, oferecendo constantes linhas de passe aos seus companheiros e denotando sempre muita objectividade. Aos 75 minutos, decidiu assumir a marcação do livre directo e apontou o golo do empate. No entanto, na sequência do remate, lesiona-se mais uma vez no adutor da perna esquerda, e é obrigado a sair, deixando o Sporting a jogar com menos um elemento, pois Domingos já tinha esgotado as substituições. Foi um rude golpe nas aspirações do Sporting para conseguir completar a reviravolta, pois recaíam muitas esperanças na intensidade que o espanhol poderia colocar em campo. E o pior aconteceu. O Marítimo aproveitou a superioridade numérica para controlar e dominar a partida até final, tendo conseguido chegar à vitória muito perto do fim. Tremenda infelicidade.
Wolfswinkel:
Jogos: 1(1) LP; Minutos: 116’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 3 val.
Entrou aos 20 minutos da segunda parte, para dar maior objectividade e presença na área à equipa, mas foi sempre presa fácil para os centrais adversários. Não teve uma única oportunidade para se isolar. Depois do Sporting ter ficado reduzido a dez unidades, ficou ainda mais isolado.
Domingos Paciência:
Jogos: 5 (3LP + 2LE); Saldo de golos: 0 (5 – 5) (LP: -1 (3 – 4); LE: 1(2 – 1)); Nota: 7 val.
Domingos tem demonstrado ter coluna vertebral, na defesa dos seus princípios de jogo. E daí, virá a sua insistência em alguns jogadores e na utilização do esquema táctico que tem sido a base da equipa do Sporting. No entanto, uma coisa é defender princípios de jogo, outra é insistir em apostas que já se provaram ser de pouca produtividade.
Continuar a apostar em Postiga, jogando em 4x3x3, é colocar a equipa em campo, sem qualquer referência atacante, digna desse nome, pelas movimentações demasiado lateralizadas e pela pouca eficácia do jogador. Continuar a insistir em Yannick, principalmente em jogos em casa, onde o ambiente em torno do atleta é completamente inaceitável, coloca demasiada pressão sobre o jogador, que este já provou não saber lidar.
Mas o pior dos erros foi a utilização da dupla de centrais. Já no último jogo contra o Nordsjælland, tinha ficado à vista as limitações desta defensiva, em lances de bola parada. A apatia é generalizada, a agressividade é nula, a força física que impõem é semelhante à do Popeye, antes de comer espinafres. Aliás, tinha sido por esse mesmo facto, que permitimos o golo da equipa dinamarquesa, mesmo a terminar a partida. Contra o Marítimo, estas fragilidades não poderiam ter sido mais evidentes. Para se defender bolas paradas, é necessário conjugar três factores: tipo de marcação a utilizar, que resulta da escolha do treinador, de acordo com o trabalho semanal, da coordenação que tem que existir entre os vários jogadores, com especial incidência, para a dupla de centrais, e da qualidade dos atletas, principalmente na abordagem aos lances e no ataque à bola. A escolha de Domingos, praticamente entregou o jogo: defender bolas paradas, num sistema zonal, utilizando uma defensiva pouco coordenada e com jogadores pouco agressivos, só poderia resultar em dissabores. Foram dois e poderiam ter sido muitos mais.
Ponto positivo, apenas um: o facto da equipa continuar a pressionar alto, sempre em busca da posse de bola. Mas jogar sem Rinaudo, retira grande parte da agressividade na zona central.
Domingos terá que radicalizar os seus actos e as suas opções, se não quiser entregar já a sua cabeça, numa bandeja de prata.
Análise à equipa de arbitragem:
Mais uma vez, o Sporting tem claras razões de queixas da arbitragem. Agora daquele que a maioria aponta como sendo o melhor valor da arbitragem nacional: Pedro Proença. O árbitro de Lisboa foi quase sempre sereno na condução da partida, mas erro clamorosamente em 3 lances que, a meu ver, tiveram clara influência no resultado final da partida. Primeiro, aceitou a decisão do seu auxiliar, André Campos, e anulou o golo de Evaldo, por pretenso fora-de-jogo, quando este parte, claramente, em posição legal, na altura do remate de Schaars. Na segunda parte, dois lances decisivos. Primeiro, não assinalou uma grande penalidade claríssima a favor do Sporting, por carga sobre Schaars. Poderia resultar no empate a duas bolas, numa fase bastante mais precoce, ainda antes do Sporting queimar a terceira substituição. O outro lance decisivo foi quando Pedro Proença poupou o segundo cartão amarelo a Roberto Sousa, ainda antes do 2-3, que colocaria as duas equipas a jogar os últimos 5 minutos em igualdade numérica. Nota bastante negativa para o árbitro de Lisboa. Nota: 6 val.
ZeQueira