Antevisão do Sporting vs. Vitória de Setúbal do dia 24 de Setembro de 2011 – 6º Jogo da Liga Portuguesa.
O jogo de hoje, frente ao Vitória de Setúbal tem um papel decisivo.
Primeiro que tudo, é preciso aproveitar o elan positivo que toda a equipa está a viver neste momento, depois de três vitórias consecutivas, todas elas fora de casa. A equipa mostrou que é lutadora e que é capaz de se unir, contra as adversidades. Foi capaz de completar uma reviravolta, em apenas 10 minutos, depois de ter estado a perder por 2-0 (contra Paços de Ferreira); numa competição europeia, foi capaz de jogar, de forma personalizada, decidindo o jogo, de forma fria e conseguindo estancar o poder ofensivo do adversário, sem sofrer qualquer tento (contra Zurique); depois de ter estado a ganhar por 2-0, com o jogo praticamente decidido, permitiu o empate, mas teve sangue frio para se reunificar e conseguir chegar ao golo da vitória. Isto só é possível em equipas com personalidade. É certo que, futebolisticamente, ainda falta fazer muita coisa, mas a entrega destes jogadores é impressionante e a ambição parece ser desmedida.
Um segundo ponto que me parece importante, é a necessidade que esta equipa sente em fazer as pazes com a sua massa associativa e uma vitória frente ao seu exigente público será a pedra de toque que parece faltar, para catapultar esta estrutura para mais altos voos. Uma equipa que conquista três vitórias, longe de portas, nas condições que as alcançou, tem obrigações de, num jogo no seu terreno, assumir as suas responsabilidades e construir uma exibição sólida e convincente, capaz de intimidar o adversário e toda a concorrência directa. Algo deste género, elevará o Sporting para patamares mais condizentes com a sua história.
Em terceiro lugar, é incontornável referir que, é imprescindível aproveitar o empate do clássico, que forçou os nossos dois adversários directos na luta pelo título, a perderem dois pontos e permitindo assim o encurtar das distâncias, para uns absolutamente recuperáveis, três pontos. Para quem, à apenas 2 jornadas atrás, tinha 7 pontos de atraso, trata-se de um feito bastante assinalável, para uma equipa que era apelidada de desequilibrada, inconsequente e sem agressividade. Atenção, meus senhores! O Sporting vem aí!
No entanto, para que tal aconteça, é necessário ultrapassar uma das boas equipas do campeonato, o histórico Vitória de Setúbal, que apresenta um conjunto que mescla a irreverência da juventude, com a estabilidade e o conhecimento de jogadores mais experientes, orientado por um treinador jovem e personalizado, que já deu provas de gostar de que a sua equipa tenha uma estrutura forte e organizada, que gosta de privilegiar a posse de bola a meio-campo, com jogadores muito experientes e bons tecnicamente, deixando na frente, um trio muito rápido e imprevisível. Destaque para o guardião Diego, que costuma arrancar para grandes exibições, contra o Sporting (a época passada foi prova disso mesmo), para o lateral/ala Ney Santos, que faz da sua rapidez e da sua força, armas suficientes para colocar qualquer flanco esquerdo defensivo em sentido (atenção para Insúa) e para Pitbull, que é daqueles jogadores que decide partidas, através de lances individuais. Nota para a dupla de centrais, muito forte e experiente, que pode causar algumas dificuldades, nos lances de bola parada defensivos. Jogadores como José Pedro, Hugo Leal, Neca e o próprio Pitbull, podem causar muitos problemas ao Sporting, quer pela qualidade técnica que possuem, quer em lances de bola parada. No entanto, a veterania de alguns desses elementos da equipa do Setúbal poderá ser aproveitada pela equipa do Sporting, se jogar em velocidade e com agressividade na luta pela posse de bola. Nota ainda para o jovem ponta-de-lance João Silva, que perfila-se como uma das maiores esperanças do futebol português da actualidade, pela sua rapidez de execução e pelo seu instinto matador.
Para ultrapassar estas dificuldades, o Sporting terá que manter os índices de concentração no máximo e não se deixar surpreender pelo estilo de futebol rendilhado, a meio-campo, que esta equipa de Setúbal gosta de apresentar. Os passes de ruptura são frequentes nesta equipa e há que estar atentos a eles, principalmente às costas da defensiva. A velocidade de execução a meio-campo será fundamental para cansar a equipa forasteira, de preferência com futebol apoiado, utilizando a velocidade nas alas, para criar desequilíbrios.
Esta é a lista de convocados de Domingos, para o jogo contra o Vitória de Setúbal.
Guarda-redes: Rui Patrício e Marcelo;
Defesas: Rodríguez, Polga, Onyewu, Evaldo, João Pereira e Insúa;
Médios: Schaars, Capel, Matías Fernández, Rinaudo, André Santos e Elias;
Avançados: Wolfswinkel, Carrillo, Diego Rubio e Bojinov.
Nota para a ausência na convocatória para Pereirinha, que tinha vindo a ser utilizado nas três partidas anteriores, de forma constante, ora no onze titular (quer como ala, quer como médio), ora como suplente utilizado.
Nesta lista de convocados, destaque para a presença de apenas dois jogadores de características ofensivas, com propensão para alinharem nos flancos – Capel e Carrillo – que deverão assumir a titularidade, podendo igualmente Insúa desempenhar tais funções, numa altura mais avançada da partida, se o resultado estiver a correr de feição. Historicamente, Bojinov também seria uma opção para essa posição, mas a opinião contrária que Domingos parece ter, em relação a essa hipótese, aliado ao facto do internacional búlgaro evidenciar ainda uma deficiente condição física, limita, ainda mais, as opções para as alas.
Contrariamente, para a zona de meio-campo, a abundância é por demais evidente: Rinaudo, André Santos, Schaars, Elias e Matias oferecem soluções para todos os gostos, permitindo uma grande versatilidade de opções, consoante o desenrolar dos acontecimentos.
Para o ataque, três opções disponíveis, uma delas que parece talhada para este 4x3x3 que tem vindo a ser utilizado – van Wolfwinkel – que vem de 3 jogos consecutivos a marcar. As restantes duas opções, parecem mais vocacionadas para alinhar num sistema de dois avançados – Rubio e Bojinov.
Na defensiva, nota para a ausência, uma vez mais, do capitão Daniel Carriço, que parece ter caído em desgraça, aos olhos do treinador. No centro da defesa, Domingos aproveitará para continuar a consolidar o bloco Onyewu-Rodriguez, com João Pereira na direita e Insúa na esquerda.
Na baliza, apesar das intranquilidades vividas, Rui Patrício já provou que merece a titularidade, por tudo o que representa e por tudo o que é capaz de fazer.
O meu onze para este jogo é o seguinte:
Rui Patrício
João Pereira Onyewu Rodriguez Insúa
Rinaudo
Schaars Elias
Carrillo Capel
van Wolfswinkel
Ass. ZeQueira