Análise ao 2º jogo da Liga: Beira-Mar 0 – 0 Sporting:
Ficha do Jogo:
Assistência: cerca de 15 000 Espectadores
Equipa de Arbitragem:
Árbitro Principal – Fernando Martins
Assistentes – Fábio Silva e Nuno Simões
4º Árbitro – Nuno Soares
Beira-Mar:
24 Rui Rego
18 Pedro Moreira
4 Yohan
5 Hugo (cap.)
20 André Marques
6 Nuno Coelho
13 Rui Sampaio
16 Nildo
7 Artur
28 Zhang
10 Cristiano
Sporting:
1 Rui Patrício
47 João Pereira (cap)
4 Polga
2 Rodriguez
5 Evaldo
21 Rinaudo
8 Schaars
14 Matias Fernandez
20 Yannick
9 Wolfswinkel
11 Capel
[b]Primeiro que tudo, quero pedir desculpa a todos pelo início do meu texto de antevisão ao jogo Beira-Mar vs. Sporting. O que lá referi, relativamente ao problema que envolveu a arbitragem, não correspondeu minimamente à realidade. Pelo facto, peço desculpa. Procurarei explicar melhor, neste texto, o sucedido.
Na análise a esta partida, é incontornável falar da questão da arbitragem. O que se passou em redor da nomeação de João Ferreira, do seu pedido de escusa ao jogo e posteriores acontecimentos, é algo completamente inaceitável, inadmissível e intolerável, a uma Liga que se pretende profissional e que tem, primeiro que tudo, a obrigação de defender os seus membros e de salvaguardar a equidade entre os vários clubes envolvidos na competição. Ora, isso não foi feito e terão que ser apurados os responsáveis e punidos de forma exemplar, para que acontecimentos destes não se voltem a repetir.
Mas recuemos um pouco. Tudo começou após o jogo da primeira jornada, onde o Sporting foi manifestamente prejudicado por erros grosseiros de avaliação do árbitro Carlos Xistra.
Relativamente a esta situação, o Sporting reclamou em duas situações: primeiro, por intermédio do seu treinador, após o jogo, durante a “flash interview” da estação que televisiou o jogo e durante a conferência de imprensa: Domingos referiu, dentro dos limites permitidos, que o clube de Alvalade se sentia prejudicado pelo árbitro, sem nunca deixar de referir que sentia que o Sporting poderia ter feito mais para vencer a partida; depois, o Sporting exerceu o seu direito ao protesto, de acordo com o que está regulamentado pela Liga, pedindo o acesso ao relatório do observador do árbitro do referido jogo, junto das instâncias competentes. Esta atitude não pode ser considerada como um acto deliberado de pressão sobre o sistema da arbitragem, pois está devidamente autorizada e legitimada pelos referidos regulamentos que gerem o futebol profissional nacional.
Na quarta-feira seguinte, Vítor Pereira anuncia os árbitros nomeados para as partidas do fim-de-semana. Fica-se a saber que o árbitro escolhido para o jogo de Aveiro, foi o juiz de Setúbal, João Ferreira. Nesse mesmo dia, o jornal Record publica uma notícia que denuncia um possível mau estar dos responsáveis do Sporting, ao saberem da nomeação do árbitro de Setúbal, para fiscalizar a partida contra o Beira-Mar. O Sporting não emitiu nenhum comunicado oficial a denunciar a sua insatisfação, relativamente a esta nomeação.
Com o presidente da comissão da arbitragem da Liga fora de Portugal, aparentemente incontactável, o juiz João Ferreira, na sexta-feira de manhã, rói a corda e apresenta-se sem condições para apitar o jogo para o qual foi nomeado, sem que tenha quaisquer razões para o fazer. Nesse mesmo dia, Vítor Pereira regressa a Portugal para enfrentar o sucedido e, depois de não conseguir substituto para o jogo, pede ajuda ao Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, para nomear um árbitro para esta partida, algo que é liminarmente recusado pela referida instituição, por se achar sem competência para tal. Só depois, na noite dessa mesma sexta-feira é que o Sporting, pela voz do seu presidente, faz a tal conferência de imprensa, para falar do fenómeno da arbitragem, apresentando inclusive, um projecto para todo o sector.
Se a direcção do Sporting pode ser acusada de ter errado no “timing” para esta conferência de imprensa, que poderá facilmente dar a entender que se pretende exercer pressão sobre o sector, nunca o clube colocou em causa o sr. João Ferreira e a sua capacidade para apitar o jogo para o qual foi nomeado. Se ouve alguém que exerceu pressão sobre a arbitragem foi o observador do sr. Carlos Xistra, ao ter classificado a sua exibição com a mais fraca nota que se conhece, no futebol profissional português. Mas mais uma vez, quem saiu prejudicado, foi o Sporting.
Para quem não sabe, João Ferreira é o senhor, cujo o nome apareceu nas escutas ao presidente do benfica, como sendo um árbitro capaz para os jogos desse clube. Ao ser confrontado com essas escutas, o sr. João Ferreira não se sentiu pressionado, nem diminuído para apitar os jogos dos vermelhos. Este sr. João Ferreira, foi o mesmo que foi 4º árbitro do tal jogo do túnel, entre o benfica e o porto e que relatou todos os acontecimentos, que levaram aos castigos dos jogadores do porto. Após estes acontecimentos, este sr. João Ferreira foi nomeado pela comissão de arbitragem da Liga para um tal académica vs. porto. Quando se soube dessa nomeação, os responsáveis do porto, na voz do seu treinador adjunto, João Pinto, não se coibiu de considerar esta nomeação como uma afronta ao porto e considerando que este árbitro não tinha condições para apitar o jogo. Nesta circunstância, o sr. João Ferreira não se sentiu pressionado nem diminuído para apitar os jogos dos azuis.
Isto tudo prova a diferença de tratamentos que o Sporting tem, junto da arbitragem, relativamente aos seus rivais. Digo mais: enquanto esta gente não for toda varrida, o Sporting não conseguirá ganhar nada, pois, se o consciente dos árbitros funciona assim, fora dos jogos, imagine-se como funcionam o inconsciente dos árbitros, no calor das partidas.
Entendo por isso, que este senhor auto-excluiu-se do sector da arbitragem, ao recusar-se, sem motivo aparente, a apitar um jogo de futebol profissional. Por este motivo, o Sporting deverá aproveitar esta oportunidade e lutar, até às últimas consequências, para que este senhor seja irradiado, de uma vez por todas, da arbitragem portuguesa.[/b]
[b]Analisando o jogo, Domingos decide manter o mesmo esquema táctico que tem vindo a utilizar nas últimas partidas e que tem demonstrado algumas dificuldades em manter níveis de intensidade ofensiva constantes, apresentando um futebol lento e pouco agressivo. Para contrapor estes factos indesmentíveis, o treinador do Sporting decide fazer algumas alterações, visando aumentar o dinamismo do futebol apresentado. Um das alterações processadas, foi a inclusão de Capel, no onze inicial, com a função de fazer esquecer o lesionado Jeffren, que tão boa impressão tinha deixado junto das hostes leoninas, depois das primeiras aparições na equipa. Por esse facto, a tarefa do ex-Sevilha afigurava-se, logo à partida, bastante complicada, mas perfeitamente ao seu alcance, dado o nível superior das suas capacidades individuais. Outra alteração, foi a utilização de Matias Fernandez, no vértice mais avançado do meio-campo, substituindo André Santos no onze e fazendo recuar Schaars. A terceira e última alteração efectuada visou a tentativa de melhorar os índices de finalização da equipa, colocando Wolfswinkel no lugar que tinha vindo a ser ocupado por Postiga, na frente de ataque.
Teoricamente poder-se-ia dizer que Domingos pensou bem, tendo mexido nos sectores que evidenciavam maiores lacunas. Na prática, não foi bem assim.
[/b]
1ª Parte:
3’ – Recuperação de bola de Fito Rinaudo, a colocar na esquerda em Capel, que vai à linha tirar o cruzamento, para o coração da área, onde apareceu atrasado Yannick e com André Marques a cortar para canto.
5’ – Fora de jogo mal tirado ao ataque do Sporting, pelo auxiliar Fábio Silva, com Wolfswinkel a aparecer isolado em frente à baliza, após solicitação perfeita de João Pereira. De notar que Wolfswinkel não conseguiu fazer a recepção da bola.
8’ – Nova recuperação de bola, desta feita de Evaldo, que coloca rápido na esquerda, em Capel, que tira mais um excelente cruzamento, onde aparece, no primeiro poste, Wolfswinkel que, muito adiantado, perde uma boa hipótese de finalização.
8’ – No mesmo minuto, novamente Wolfswinkel responde a um lançamento longo de Capel, com um boa domínio de bola, mas o Beira-Mar é salvo por um excelente corte de Hugo, quando o avançado holandês preparava-se para ganhar espaço dento da área.
10’ – Nova boa jogada do Sporting, com Yannick a dominar bem e a descobrir João Pereira isolado na direita, este tira um bom cruzamento para a grande área, onde já aparecia, solto, Wolfswinkel para finalizar, mas Yohan a aparecer a salvar a equipa de Aveiro.
23’ – Livre perigoso para o Beira-Mar, apontado por Artur, para a zona da marca da grande penalidade, com Rodriguez a enviar a bola para canto.
26’ – Jogada pelo meio, do Sporting, com Yannick a combinar com Matias, este tenta desmarcar Yannick, que chega mais uma vez atrasado e com Pedro Moreira a despachar a bola para longe.
29’ – Yannick tenta a jogada individual e depois de passar por Nuno Coelho, remata, ainda de fora da área, com a bola a sair ao lado da baliza de Rui Rego. Note-se que foi o primeiro remate do Sporting, em toda a partida.
33’ – Novo fora-de-jogo mal tirado, agora pelo assistente Nuno Simões e ao ataque do Beira-Mar.
35’ – Mais um erro do árbitro. João Pereira é tocado no pé esquerdo, já dentro da área. Falta para grande penalidade, que ficou por marcar. No entanto, o lance é de julgamento difícil por parte do árbitro, do local onde este se encontra.
36’ – Dupla substituição para o Sporting. Matias dá o seu lugar a Postiga e Izmailov entra para o lugar de Yannick.
38’ – Boa combinação do ataque do Sporting, com João Pereira a descobrir Wolfswinkel na área, que deixa para trás, para a entrada de Schaars, que remata por cima da barra.
45+2’ – Nildo, na esquerda, descobre no meio, com espaço, Rui Sampaio, que remata na direcção da baliza, mas Rui Patrício, atento, a defender com facilidade a bola.
[b]
O Sporting até não começou mal, esta partida, apresentando um futebol agressivo, a meio-campo, buscando uma rápida recuperação de bola. Nos primeiros 10 minutos, o Sporting remeteu o Beira-Mar à sua defensiva, tendo criado algumas situações de perigo, principalmente através de cruzamentos bem tirados, com a defensiva aveirense a estar à altura das circunstâncias. Apesar deste domínio claro, no início da partida, a equipa do Sporting não conseguiu, durante esse período, visar, por uma única vez, a baliza adversária, demonstrando uma falta de objectividade ofensiva verdadeiramente inacreditável, para um clube com as pretensões do clube de Alvalade.
Mas o pior ainda estava para vir. Se no período inicial da partida, o Sporting, apesar da incapacidade para rematar à baliza, demonstrou alguma agressividade na busca pela bola e até alguns momentos de qualidade futebolística, com a bola a aparecer nas alas, com movimentações interessantes, no resto da 1ª parte, o futebol apresentado pelos Leões, foi completamente inoperante. Neste período, faltou agressividade, intensidade, organização e sobretudo, vontade de ganhar. De notar, que a primeiro remate que o Sporting conseguiu fazer à baliza do Beira-Mar, surgiu apenas à passagem do minuto 29’, de longa distância, por Yannick, sem perigo para a baliza adversária.
Este marasmo generalizado, obrigou Domingos Paciência a dar “um murro na mesa” e a fazer duas substituições de uma assentada, retirando de campo, o pouco inspirado Matias e o esforçado, mas pouco objectivo Yannick, para fazer entrar Izmailov e Postiga. Com estas substituições, Domingos não só muda as pedras, mas como altera completamente o esquema de jogo, do inicial 4x3x3, pra um 4x1x3x2, colocando Postiga bem ao lado do, até então muito sozinho, Wolfswinkel, com Izmailov a ocupar o lugar que até então era de Yannick, bem encostado à direita.
Até ao final da primeira parte, o Sporting apenas conseguiu rematar mais uma única vez, por Schaars, novamente sem qualquer perigo para a baliza do Beira-Mar. Mau demais, para quem precisava de ganhar a partida.
De referir que a equipa do Beira-Mar remeteu-se apenas à sua defensiva, não tendo causado qualquer perigo para a baliza do Sporting, o que compromete, ainda mais, a atitude dos jogadores do Sporting, na abordagem feita a esta partida. Não se podem desperdiçar 45 minutos, em jogos de alta competição. Mas, o treinador do Sporting também tem algumas responsabilidades. Claramente que Matias, ainda não tem condições para jogar e isso deveria ter sido detectado por Domingos, para evitar ter que queimar uma substituição. Também já deu para perceber que os avançados do Sporting não têm ainda índices de concretização suficientes para que se opte por um 4x3x3, na linha do que tinha vindo a ser utilizado. Neste tipo de partidas, é notória a falta de presença na área.[/b]
2ª Parte:
Domingos é forçado a fazer a 3ª substituição ao intervalo, devido à lesão de Rodriguez, que sai para a entrada de Daniel Carriço. Isto deixa o treinador do Sporting sem qualquer hipótese de poder alterar o rumo dos acontecimentos, na 2ª parte.
46’ – Pontapé de canto para o Sporting, marcado por Schaars, para o primeiro poste, com Daniel Carriço a aparecer de rompante, à entrada da pequena área, a desviar, com a bola a sair à figura de Rui Rego. Grande Oportunidade para o Sporting.
51’ – Grande abertura de Carriço para Izmailov, que da direita, entra na área, deixa para Postiga que, da meia-lua, completamente isolado, remata muito por cima. Podia ter feito muito melhor.
53’ – João Pereira, da direita, cruza para a área, onde apareceu Wolfswinkel a cabecear, mas é, na minha opinião, claramente carregado nas costas, por Pedro Moreira, quando se preparava para finalizar. Grande penalidade para o Sporting que ficou por marcar.
59’ – Capel, na esquerda, tira um cruzamento açucarado, para a área, onde aparece Wolfswinkel, completamente isolado, a cabecear por cima. Grande oportunidade para o Sporting.
62’ – Primeira substituição para o Beira-Mar. Sai Cristiano e entra Joãozinho.
65’ – Cartão amarelo para Pedro Moreira, por entrada por trás sob Capel.
69’ – Livre sobre a esquerda do ataque do Sporting, apontado por Schaars, com Postiga a aparecer ao segundo poste, completamente livre de marcação, mas a rematar à figura de Rui Rego. Mais uma grande oportunidade para o Sporting.
71’ – Mais um grande cruzamento de Capel, para a entrada ao segundo poste de Hélder Postiga, que cabeceia contra Hugo. Seria pontapé de canto, mas o árbitro assinala pontapé de baliza para o Beira-Mar.
76’ – Cruzamento da direita de Izmailov, com a bola a passar à frente da baliza, e com Diego Capel a aparecer ao segundo poste, completamente solto, com tudo para fazer golo, mas a rematar contra o calcanhar de Pedro Moreira, que sob a linha de golo, salva o Beira-Mar de um golo certo. Grande oportunidade para o Sporting.
78’ – Na direita, Izmailov lança Postiga, que cruza de primeira, onde apareciam Wolfswinkel e Capel, prontos para finalizar, com Rui Rego a socar para longe.
80’ – Segunda substituição no Beira-Mar: saiu Zhang e entra para o seu lugar, Balboa.
81’ – Cartão amarelo para André Marques, por entrada por trás sob Rinaudo.
85’ – Substituição para o Beira-Mar: sai Artur e entra Dominic. Na sequência, cartão amarelo para Artur, por queimar tempo.
90’ – André Marques sobe no corredor esquerdo e ensaia um remate forte, à entrada da área, para defesa fácil de Rui Patrício.
[b]Para a segunda parte, apareceu um Sporting de cara lavada, ou melhor, de banho tomado, pois pior que o que tinha feito na primeira metade, era muito complicado.
A 2ª parte inicia-se com uma bela oportunidade de golo, com o recém-entrado Daniel Carriço, a desviar, ao primeiro poste, um canto bem marcado por Schaars, mas com a bola a ir à figura do guardião Rui Rego. Começaria aqui mais um festival de golos falhados pela equipa do Sporting. Depois foram os avançados do Sporting, Postiga e Wolfswinkel que, num par de situações cada, poderiam ter aberto o marcador para os Leões, mas na hora de visar a baliza, não tiveram a frieza suficiente para finalizar os lances de forma objectiva.
Até Capel, que foi dos mais inconformados, na hora de municiar o ataque do Sporting, teve uma oportunidade de ouro, para abrir o marcador quando, com a baliza completamente escancarada, aceita no defesa que cobria a baliza. São daqueles lances inacreditáveis, que constarão nos bloopers de final de temporada. Depois disso, nos últimos 15 minutos, a equipa estava visivelmente sem pernas e sem cabeça para ir em busca do golo da vitória.
Apesar das oportunidades de golo construídas, mais que suficientes para ter alcançado a vitória, o Sporting não mostrou um futebol atractivo e agressivo, jogando quase sempre com o coração, numa busca desorganizada e intranquila pelo golo, que acabou por não aparecer. E do outro lado, esteve um Beira-Mar, completamente remetido à sua defensiva, não por pressão do Sporting, mas por clara estratégia do treinador Rui Bento, que preferiu, claramente fechar o seu sector recuado, sem fazer algo que suscitasse a vontade de chegar ao golo.
Este resultado castiga a inoperância e a falta de eficácia do Sporting e premeia, injustamente, uma equipa que nada mais fez, do que defender o nulo.[/b]
Estatísticas do Jogo:
Beira-Mar Sporting
Remates 7 12
Cantos 6 6
Foras-de-jogo 5 4
Faltas cometidas 18 15
Cartões amarelos 3 0
Cartões vermelhos 0 0
Posse de bola 39% 61%
Análise Individual (Notas de 0 a 20 val.):
Rui Patrício:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 270’; Golos sofridos: 1; Disciplina: - ; Nota: 13 val.
Jogo absolutamente descansado, sem ter sido posto à prova uma única vez. O meio-campo do Sporting poderia ter sido alugado, tal foi a pouca veia atacante da equipa do Beira-Mar. As vezes que tocou na bola, respondeu de forma positiva. Fez o que tinha a fazer.
João Pereira:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 270’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 12 val.
Aproveitando o pouco trabalho defensivo que teve, subiu algumas vezes, com objectividade. Numa dessas arrancadas, entrou na área e foi carregado, tendo ficado uma grande penalidade por assinalar. Nunca voltou a cara à luta, como habitual e demonstra muito mais sangue frio, na hora de reclamar. Está a crescer e a subir de forma.
Polga:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 270’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 13 val.
É a personificação da segurança da defensiva do Sporting, ora a compensar Rodriguez, ora a dobrar João Pereira. Na luta com Zhang, foi imperial, não dando quaisquer hipóteses ao jogador chinês do Beira-Mar. Pouco trabalho, mas cumpriu sempre na integra o que lhe foi pedido.
Rodriguez:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 225’; Golos: - ; Disciplina: CA – 1 LE; Nota: 13 val.
Há imagem do que aconteceu com Polga, não teve muito trabalho, mas esteve sempre à altura das circunstâncias. Foi sempre o central mais afoito, na hora de subir no terreno. No entanto, uma nova lesão muscular afastou-o da partida ao intervalo. De lamentar, pois estava a formar uma dupla muito coesa e complementar com Polga.
Evaldo:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 270’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 10 val.
Não comprometeu defensivamente e procurou apoiar Capel, sempre que lhe foi possível. No entanto, a qualidade que coloca nos lances, deixa muito a desejar. Mas uma coisa não o podem apontar: que não luta e que não se entrega totalmente. É um colosso do ponto de vista físico.
Rinaudo:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 270’; Golos: - ; Disciplina: CA – 2 (1LP+1LE); Nota: 10 val.
Como lhe é apanágio, jogou recuado, bem à frente dos centrais. Mas, neste jogo, a sua importância teria sido maior, em terrenos mais avançados. Pouco trabalho defensivo e na hora de colocar as bolas nos companheiros, fê-lo de forma precipitada, num par de vezes. De qualquer das formas, a garra que coloca em campo é impar. Mas, sem dúvida, este foi o seu jogo menos conseguido.
Schaars:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 270’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 10 val.
O estilo de jogo que o Domingos pretende implementar no Sporting, obriga, para além de uma qualidade de passe superior, uma velocidade de execução sempre nos limites. Se no primeiro aspecto, o holandês tem cumprido de forma irrepreensível, no segundo parâmetro, tem deixado muito a desejar. Nesta partida, não foi o motor do futebol ofensivo que o Sporting precisa. Arrisca muito pouco nos passes e a sua objectividade tem vindo a diminuir gradualmente, bem como a sua influência dentro de campo. Outra nota para os pontapés livres que tem apontando: precisa-se de bolas mais tensas e menos bombeadas.
Matias Fernandez:
Jogos: 1 (1) (1LP +(1)LE); Minutos: 66’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 4 val.
A estreia de Matias a titular não poderia ter sido mais desastrosa. Claramente que o chileno ainda não tem os índices físicos que lhe permitem colocar em campo todo o seu futebol. Foi colocado numa zona densamente povoada de adversários e isso só lhe prejudicou. Andou sempre escondido dos lances e foi presa fácil, sempre que tentava mexer com o jogo. Este não é o verdadeiro Matias.
Yannick:
Jogos: 3 (2LP+1LE); Minutos: 189’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 8 val.
O facto de ser constantemente assobiado, fá-lo querer mostrar coisas positivas a todos. Isso levou-o a derivar, constantemente, para zonas centrais, onde se sente mais confortável e onde sente que pode ser mais efectivo. Isso foi contra as estipulações do treinador, que o queria bem encostado ao lado direito. Esta é a minha explicação para a sua saída tão precoce. Não foi por causa dele que o Sporting não conseguia desenvolver futebol ofensivo, na primeira parte. Até foi dele, a primeira iniciativa de visar a baliza, pouco antes de ser substituído. Continuo a dizer que, Yannick seria muito mais útil a jogar como 2º avançado.
Wolfswinkel:
Jogos: 1 LP; Minutos: 90’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 7 val.
Estreia do holandês na equipa do Sporting, em jogos oficiais, e logo a titular. A sua inclusão no onze visava tentar uma maior eficácia, na hora de rematar à baliza, mas Wolfswinkel demonstrou que sofre da mesma síndrome que os colegas. Não cumpriu, na hora de colocar a bola na baliza. E teve oportunidades para tal. Uma nota para as movimentações do holandês: este jogador, nas suas movimentações, é completamente diferente do que estamos habituados nos últimos anos. É um jogador, claramente de último toque, evidenciando ainda muitas dificuldades em jogar de costas para a baliza. Jogar com Wolfswinkel, na frente, obrigará o Sporting a ter um futebol mais objectivo e menos rendilhado, na busca de espaços.
Diego Capel:
Jogos: 1 (1) LP; Minutos: 117’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 14 val.
Claramente, o jogador mais inconformado do Sporting. Capel foi sempre o primeiro na hora de procurar alternativas para furar a defensiva do Beira-Mar. Colocou uma bola direitinha na cabeça de Wolfswinkel, que daria golo, não fosse a pouca assertividade do holandês. Colocou outra bola na cabeça de Postiga, que este cabeceou contra Hugo. Mas a qualidade da sua exibição ficou beliscada apenas por ter falhado, à boca da baliza, aquilo que seria um golo certo; teve nos pés a melhor oportunidade de golo do Sporting, que infelizmente não conseguiu finalizar. Teria sido um justo prémio para a boa exibição do espanhol. Uma última nota para as movimentações de Capel: o espanhol não é apenas um jogador de linha, que corre e cruza. Gosta de fazer diagonais para a área, procurando a finalização. Temos reforço.
Izmailov:
Jogos: (3) (2)LP+(1)LE; Minutos: 126’; Golos: 1; Disciplina: - ; Nota: 10 val.
Na hora de alterar o rumo das coisas, o internacional russo tem sido a primeira arma a ser lançada por Domingos. A sua influência junto da equipa é por demais evidente e a sua utilização só não é maior, devido a sua ainda débil condição física. De qualquer das formas, quando está em campo, acrescenta objectividade ao jogo da equipa e foi dele a iniciativa que iria resultar na maior oportunidade de golo da equipa, desperdiçada por Capel. Assim que esteja bem, será um dos jogadores mais influentes.
Hélder Postiga:
Jogos: 2(1) (1(1)LP+1LE); Minutos: 212’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 7 val.
É um facto que nunca vira a cara à luta. É um facto que é sempre o primeiro a defender, quando a equipa não tem a posse de bola. Mas também é um facto que continua a ser muito perdulário, na hora de visar a baliza. E, na posição de campo que ocupa, este último parâmetro é decisivo na hora de qualificar as suas exibições. Em duas oportunidades para facturar, Postiga respondeu da mesma forma de sempre: falhanços. Numa equipa a viver sobre brasas, precisamos de uma finalizador frio e calculista. E Postiga não tem, seguramente, estas características.
Daniel Carriço:
Jogos: (1) LP; Minutos: 45’; Golos: - ; Disciplina: - ; Nota: 11 val.
O nosso capitão entrou em campo, a frio, com o objectivo de manter a serenidade na defensiva do Sporting, substituindo Rodriguez que, até à data, tinha papel fundamental nessa tranquilidade conquistada. Mas, defensivamente, não poderia ter sido cumprido melhor. É certo que não foi posto à prova, mas é difícil entrar em campo, nestas condições, numa altura em que a equipa demonstrava muita intranquilidade. E foi dele a primeira iniciativa, digna de registo, ao desviar ao primeiro posto, um canto de Schaars. Infelizmente, a bola saiu à figura de Rui Rego. Mas este lance foi o grito de revolta, do capitão, pelo rumo das coisas, fazendo mostrar aos colegas que o caminho teria que ser diferente. Tem voz no plantel e usou-a para mudar as coisas.
Domingos Paciência:
Jogos: 3; Saldo de golos: 0 (1 – 1); Nota: 8 val.
Voltou a colocar a equipa em 4x3x3, fazendo alterações que considerei, no início desta análise, como cirúrgicas e teoricamente bem pensadas. Mas, a prática demonstrou que estava errado.
Matias demonstrou-se ainda sem capacidade para mexer com a equipa e Domingos deveria ter percebido isso nos treinos semanais. Não se coloca em campo, um jogador, nestas condições. Só serve para o queimar e para queimar substituições.
Da falta de organização e intensidade dos primeiros minutos, resultou outro dano colateral, de nome Yannick. Domingos decidiu castigar o jogador, pela sua pouca cultura táctica, no cumprimento daquilo que lhe exigiu e a consequência foi a sua saída de campo. O que Domingos tem que perceber é que Yannick poderá render muito mais, junto ao avançado, com entradas vindas de trás, onde as suas mudanças de velocidade podem ser fatais para os adversários.
De qualquer das formas, mostrou rapidez e assertividade na alteração do rumo dos acontecimentos, através das alterações processadas. Contudo, esgotar as substituições logo na primeira parte, não só faz transparecer muito nervosismo que, de facto, existiu, como deixa a equipa órfã do seu treinador, se for necessário fazer alguma alteração na segunda parte.
Terá que corrigir a sua postura no banco. É mais que natural que tem que mostrar serviço. Mas se demonstrar nervosismo e ansiedade em demasia, isso irá contagiar a equipa. Foi isso que aconteceu neste jogo contra o Beira-Mar.
Relativamente aos problemas na finalização, Domingos tem que fazer mais. É inadmissível para uma equipa como o Sporting ter o rendimento miserável que tem demonstrado nestas últimas partidas. Postiga já provou não ser solução; Wolfswinkel necessita de muito trabalho; Rubio provou faro pelo golo, mas nas oportunidades que teve, em jogos oficiais, a equipa não lhe ajudou; Bojinov ainda não está disponível. Enfim, Domingos tem um problema que urge encontrar soluções pra a resolver. É esse o papel do treinador.
Análise à equipa de arbitragem:
O que dizer desta equipa de arbitragem de recurso? Nada se pode exigir deste trio, pelo facto de não estarem minimamente preparados para uma partida desta intensidade. Principalmente na leitura dos foras de jogo, os assistentes demonstraram visíveis dificuldades, principalmente Nuno Simões, que erros em 5 dos 6 foras-de-jogo mal assinalados pela equipa de arbitragem. Mas, o árbitro principal Fernando Martins, demonstrou boa condição física, tendo acompanhado os lances de perto, com um ou outro erro de posicionamento. Único erro no lance sobre João Pereira, que foi carregado dentro da área, que obrigaria à marcação de uma grande penalidade. No entanto, o lance é de difícil julgamento e o toque só é visível, num ângulo de visão vindo da linha de fundo.
De qualquer das formas, há a realçar a enorme coragem de Fernando Martins e dos seus assistentes de se disponibilizarem para apitar esta partida, demonstrando uma real paixão pelo jogo e pela arbitragem, algo que não é partilhado pelos nossos árbitros “ditos” de elite, que mais não fazem do que se aproveitarem de uma indústria milionária, para terem um nível de vida de classe média-alta. Nota: um muitíssimo obrigado.
ZeQueira