Mas…mas…isso era bullying bom, por uma boa causa…essa menina deve estar de má fé, deve ser uma reacionária de direita.
Que apareça o estoriador Fernando Rosas, a contar a versão “correta” ![]()
Apesar de tudo, já houve no plano político, em Portugal, diversos actos de reconhecimento do Holodomor com um acto de genocídio. Para além das moções aprovadas por diversas assembleias municipais (Águeda, Abrantes, Alcanena, Grândola, Lagos e Braga), destaca-se a condenação do genocídio pela Assembleia da República, em 3 de março de 2017…
Foi aprovada a moção apresentada pelo PSD, com os votos a favor do CDS, PAN e de um deputado do PS. Votaram contra o PCP, PEV, BE e três deputados do PS. A restante bancada do PS absteve-se…
Um dia destes deparei-me com um conjunto de interpretações/factos sobre o início dos Descobrimentos que me deixaram com a sensação: a minha professora de História aldrabou-me.
Então, a ideia que eu tinha:
D.João I consolida a independência de Portugal; de modo a manter a nobreza “valorizada” , cair nas graças do papa e assegurar algum controlo na entrada do Mediterrâneo oferecendo protecção aos navios mercantes (portugueses e não só) naquela região, resolve tomar Ceuta… depois disto, um dos filhos, D. Henrique, volta-se para o mar, e tomado por um espírito romântico resolve empreender um projecto de descobertas: descobrir o Mundo, enfrentar o desconhecido e tomar as suas riquezas…aliás, tenho ideia que na escola até aprendi que o objectivo era chegar à Índia e criar uma rota alternativa à dos aos mercadores venezianos e genoveses tendo acesso a produtos com menor número de intermediários e, por isso, mais baratos. O Infante d. Henrique funda então uma escola em Sagres onde reúne grandes especialistas nas mais diversas áreas que, juntos, revolucionam a navegação e permitem navegar por mares nunca antes navegados…
Surge então uma corrente encabeçada pela nobreza que promove o regresso dos ataques ao norte de África… esses ataques acabam por acontecer (sem sucesso no caso de Tanger) e serem reforçados com a chegada de d. Afonso V ao poder. Mas o Infante, com o seu chapeirão borgonhês não era partidário desse movimento… a “onda” dele eram as descobertas… esse conceito romântico, altruísta e de grande visão: dar novos mundos ao Mundo… e assim fiquei durante 30 anos até que apanhei algumas leituras/dados que parecem contrariar em parte esta ideia:
Então, parece que o Infante D. Henrique não era bem essa figura romântica, que por vezes se torna símbolo de paz (ou, pelo menos, como partidário de políticas menos belicistas que a maioria dos seus contemporâneos) e do conhecimento… O Infante D. Henrique era, de facto um guerreiro… Mestre da ordem de Cristo (Templários v 2.0), que procurava concretizar o objectivo máximo dessa ordem religiosa: realizar uma cruzada contra o Islão e reconquistar Jerusalém para a Cristandade… Não usava chapéu borgonhês, nem vestes negras, nem tinha bigode… Aquela figura que sempre conhecemos como sendo o Infante D. Henrique é, de facto, o seu irmão o rei D. Duarte. As “descobertas” tinham como objectivo contornar África ou encontrar uma ligação (penso que entrando pelo Rio Senegal) que atravessasse África e pudesse chegar à região este de Africa onde haveria um Reino cristão (o mítico reino do Preste João) mais ou menos desconhecido (digo mais ou menos porque há registos do contacto de emissários etíopes nas cortes europeias antes dos portugueses lá chegarem) e, aliando-se a este reino, pudesse atacar os domínios islâmicos pelo sul ou pelo este. D. Henrique era obcecado pelas cruzadas…
A própria escola de Sagres é de existência duvidosa… parece que o que havia era um ambiente propício em Lagos que estimulava o encontro entre conhecedores dos mares, da navegação e estudiosos de diversas áreas, não tanto numa óptica de escola enquanto instituição mas sim uma “escola” como sendo uma “corrente” de conhecimentos que se propagava e que ia sendo enriquecida… as próprias caravelas parece que vieram da Holanda (por encomenda port e são a junção da vela latina à estrutura dos barcos do Norte da Europa mais resistentes e preparados para navegar mais afastados da costa.
É com D. João II (que mata o Mestre da Ordem de Cristo que sucedeu ao Infante D. Henrique e toma ele próprio o lugar de Mestre, é que a política dos descobrimentos é alterada e surge como objectivo a chegada à India.
Achei curioso partilhar isto porque foi algo que me “chocou”: tinha criado um personagem na minha cabeça que na realidade pode ter sido muito diferente
Isso parece-me um bocado duvidoso em alguns aspetos. Especialmente a parte em que o Infante Dom Henrique não é o homem do retrato e que os barcos das descobertas vieram da Holanda.
As Caravelas não têm nada a ver com o tipo de barcos do Norte da Europa, aliás acho que foram mais influências pelos Barcos Árabes.
Que o infante D. Henrique era partidário convicto das conquistas em Marrocos é indiscutível e esteve pessoalmente, assumindo papel muito relevante, em três incursões muito importantes: tomada de Ceuta; cerco fracassado de Tânger (que leva ao cativeiro do infante D. Fernando); conquista de Alcácer Ceguer.
Vejo o projeto de chegar à Índia por via marítima já como sendo de D. João II e não de D. Henrique (cujo real papel nos Descobrimentos terá sido empolado no reinado de D. Manuel enquanto o de D. João II algo esquecido). D. Henrique tinha mais a ideia de procurar aliados em África contra os mouros, além de objetivos económicos e científicos.
É mais provável é que D. Henrique fosse o “homem do chapéu” do que qualquer outro, até porque há uma gravura tal e qual do Infante D. Henrique numa “Crónica dos feitos da Guiné” de Gomes Eanes de Zurara que julgo que está em Paris… As imagens do Infante nos Jerónimos e na sua sepultura é são bem posteriores à sua morte.
A dita Escola não seria, efetivamente, uma instituição formal… A Holanda no tempo do Infante? Quanto muito se falassem da Flandres… Mas sempre li que as caravelas foram feitas cá e parece que a primeira menção a caravelas em Portugal data de 1255 (num foral de Vila Nova de Gaia) e estas terão sido melhoradas e adaptas ao longo dos tempos e não importadas.
D. João II nunca foi grão-mestre, administrador ou governador da Ordem de Cristo (era-o de Santiago e de Avis), assim que matou o incumbente que era D. Diogo, Duque de Viseu, passou o governo da Ordem para o irmão deste e novo Duque, que seria o futuro Rei D. Manuel.
Curiosamente, tal como no reinado de D.Manuel, o Infante D. Henrique seria a figura heróica venerada acima de qualquer outra pelo Estado Novo enquanto D. João II era relegado para um plano de quase esquecimento (nem está representado no padrão dos Descobrimentos), quando talvez tenha sido grande como nenhum outro na concepção da expansão…
Então e nenhum de vós quer contar como é que se passa de monarcas grão-mestres da Ordem de Cristo (aka Templários) para Presidentes da República? Tenho alguma curiosidade em saber, por acaso.
Assim muito rapidamente, e simplificadamente sem aprofundamento histórico, as ordens militares eram formadas por cavaleiros-monge que elegiam o seu grão-mestre, depois a Coroa acaba com isso e passam a ser nomeados, pelo Rei, membros da família real como administradores ou governadores das ordens, depois (com D. Manuel) o Rei passa a ser pessoalmente o administrador de Cristo, Santiago, Avis. Em 1834, os liberais ganham a guerra civil e extinguem as ordens militares e expropriam os respetivos bens. Com D. Maria II, as ordens passam a meras condecorações honoríficas de mérito, que também são eliminadas em 1910, mas a República restaura as condecorações em 1918 e o Chefe de Estados volta a ser central na respetiva atribuição.
Tive uma professora de historia e varias colegas, que juravam a pes juntos que o Infante D.Henrique foi o primeiro travesti de todos e que aqueles trajes que nos mostram eram os trajes das viuvas da altura, inclusivamente o chapeu… Vale o que vale…
Simples, os libtards da altura, ganharam uma guerra, e foderam tudo, como sempre ![]()
Pois, talvez… mas é aquilo que tenho lido. A parte das caravelas não sei onde foi (acho que foi numa entrevista a um historiador que escreveu um livro sobre o Infante D. Henrique). A ideia com que fiquei foi que o problema estava relacionado com a estrutura ou o casco que não aguentava grandes viagens em alto mar… assim recorreram a técnicas de construção naval do norte da Europa (fiquei com a Holanda na cabeça mas realmente naquela altura não havia um país com essa designação, no entanto havia uma união de vários estados designada por Países Baixos Burgundios, que fazia parte do domínio do do duque de Borgonha… que era casado com D. Isabel, irmã dos infantes), segundo o que li ou ouvi (gostava de recordar a fonte mas não me lembro mesmo) as “caravelas dos descobrimentos” que deviam ser muito idênticas às caravelas que existiam previamente mas com as tais modificações ao nível da estrutura ou dos cascos… na verdade as caravelas não foram “importadas”, elas são uma ideia portuguesa. A construção na “Holanda” é uma espécie de outsourcing. Pelo menos foi esta a ideia com que fiquei…
Quanto à imagem do Infante D. Henrique a situação coloca-se quando se confrontam algumas fontes:
- A Crónica de Gomes Eanes de Zurara
- Os painés de S. Vicente de Fora
- A estátua no túmulo do Infante D. Henrique
Aquilo que li foi que a imagem que está nesse livro está errada… ou seja, quem fez essa versão faz essa confusão… aliás, dizem que essa versão tem alguns erros. A imagem seria mais um.
A principal fonte é a descrição de Gomes Eanes de Zurara que descreve o rei D. Duarte como tendo bigode… parece que o bigode era coisa rara nessa altura (se olharmos para o painel reparamos que mais ninguém usa bigode)… ora, se D. Henrique também usasse bigode isso seria abordado pelo autor já que era uma característica rara. Mais, Gomes Eanes de Zurara descreve o Infante D. Henrique como tendo cabelo branco e usando armadura (a armadura não sei se é na descrição de Gomes Eanes de Zurara ou de Rui de Pina)
Ora, a interpretação dada é que no painel que é designado como sendo o “do Infante” na verdade, não está lá nenhum Infante mas apenas reis: D. Afonso V a ser coroado, o futuro rei D. João II, e o, já falecido, rei D. Duarte… a representação de D. Henrique estaria no painel designado como o “dos cavaleiros” onde estaria acompanhado pelos restantes Infantes (Pedro, João e Fernando)… é o que está de joelhos (e tem cabelo branco)
A estátua que está no túmulo do Infante D. Henrique foi feita ainda durante a vida do Infante (segundo o que li) e tem características similares à imagem do tal “cavaleiro” que está de joelhos (queixo e zona entre a boca e o nariz).
A estátua do Infante D. Henrique no mosteiro do Jerónimos foi mandada fazer por D. Manuel e mostra-o não só com bigode mas também com barba. É algumas décadas posteriores à morte daquele, mas seria a imagem que se tinha então dele… Provavelmente terá usado e deixado de usar, bigode e barba, ou longo da vida, não terá tido sempre o mesmo aspeto.
A estátua no túmulo do Infante D. Henrique é a original? Lembrar que “Quanto aos túmulos vandalizados pelos franceses, tiveram de ser restaurados, intervenções que continuaram no último quartel do século XIX, até sobretudo cerca de 1930, sendo substituídos os seus frontais por cópias novas”. Tenho quase a certa de que o Hermano Saraiva referiu que a imagem atual poderia ter sido alterada… Sem barbas ou bigode perto da hora da morte?
A questão não tem solução definitiva, apenas se considerou a imagem do “homem do chapéu borgonhês” como a mais provável e assim ficou consagrada na memória coletiva… e estamos assim.
A célebre divisa do Infante D. Henrique “Talant de bien faire” (vontade de bem fazer) está sob a gravura, o que é um indício forte de que a gravura é do próprio… Faz mais sentido pensar que o espaço estava em branco no original e alguém colocou uma gravura precisamente à medida doutra personagem “por engano”?.. Não será algo forçado para permitir especulações alternativas?.. Ou se prova de modo claro que não é ele ou deve-se aceitar que é (ou seja como tendo probabilidades mais altas).
Eu não quero estar a “ateimar” porque não era essa a minha intenção inicial… O meu objectivo era apenas expôr o meu espanto por coisas que li ultimamente e que contrariam factos que eu tinha como certos… e agora tenho dúvidas… e no meio disto tudo tentar perceber se alguém tinha conhecimento de outros factos ou suposições sobre o assunto…
Essa imagem é “espelhada” da imagem que está nos painéis de S. Vicente de Fora (ou seja é uma imagem baseada noutra imagem…) e essa divisa tem uma característica: o “talant” está escrito com 2 “a”'s diferentes - o primeiro minusculo e o segundo maiúsculo… segundo aquilo que li isso poderia indiciar que se aproveitou parte de uma outra divisa e depois alteraram a parte seguinte… curiosamente a divisa de D. Duarte era: tayas serey… mas posso deixar os links onde recolhi parte desta informação
[https://www.youtube.com/watch?v=9SMRcMXdQ44](http
mas até na wikipedia (sei que não é fável) é assumido que D. Henrique não é o senhor do chapeu mas sim o cavaleiro ajoelhado
As certezas em História são muito menos do que se pensa e, inevitavelmente, toma-se por verdadeiro aquilo que se consegue apurar como verossímil, após análise dos documentos ainda disponíveis que muitas vezes são poucos e suscetíveis de mais do que uma interpretação. Doutra forma nem se conseguiria escrever ou ensinar História, a cada afirmação sucedia-se toda uma divagação sobre as diversas teorias ou hipóteses que a envolviam…
No caso concreto, ninguém tem a certeza, apenas predominou uma tendência para considerar verossímil a imagem que ficou consagrada. O que é recorrente em tantas e tantas imagens em escultura, quadros, gravuras, ao longos dos séculos… cuja identificação apenas assenta em suposições razoáveis. (estou a lembrar-me por exemplo no quadro mais famoso de Vasco da Gama).
No caso vertente, nota que a descoberta da gravura e da crónica da Guiné em Paris foi anterior à descoberta dos painéis, foi a crónica que serviu para identificar os painéis e não o contrário… Alteração da divisa sem provas indiscutíveis… Será que a ciência atual não está em condições de provar uma eventual alteração dessas? Parece-me uma ideia algo forçada que seria relativamente fácil de confirmar ou de infirmar.
Ontem, a 19 de abril, no programa “Portugal Secreto T1EP1”, do canalQ, o Professor Mário Barroca mostra e lê uma inscrição na capela de Santa Luzia de Campos, perto de Vila Nova de Cerveira, dividida por duas pedras do antigo mosteiro de Santa Maria da Balboa, extinto no séc XV., que foram reutilizadas na capela posterior de Santa Luzia:
- Este (mosteiro) foi feito na era de 1176 reinando o rei Afonso.
O que, convertendo a era Hispânica ou de César (então em uso) na atual era de Cristo, se retira 38 anos e dá 1138.
Relembrei-me de ter lido sobre isso no nº 100 da National Geographic portuguesa, de julho 2009, que tem como tema central D. Afonso Henriques. Aí se refere uma inscrição na capela de Santa Luzia de Campos, perto de Vila Nova de Cerveira, datada de 1138 e publicada por Mário Barroca, em que D. Afonso Hentiques é tratado como rei e se diz que já reinava… Então, não soube mais nada e terei esquecido o assunto.
É um documento que coloca em causa que D. Afonso Henriques apenas tenha sido alçado como rei na batalha de Ourique em 1139 e usado o título só após a mesma. Já se intitularia rei antes.
A inscrição na capela de Santa Luzia que referi antes, se não for até tardia, foi presumivelmente colocada pelos clérigos num ano em que D. Afonso Henriques já se intitulava rei, e o mosteiro de Santa Maria de Balboa começava a funcionar, e não logo no ano de 1138.
Julgo que se desconhece documentos assinados em nome de D. Afonso Henriques entre 1137 e 1140. A inscrição tanto poderá indicar um facto verdadeiro quanto ser a projeção para trás do que ocorria no ano em que foi gravada. Parece seguro que, pelo menos em 1137, D. Afonso ainda não se intitularia rei.
Eis o que consegui apurar:
No caso do Tratado de Tui celebrado entre Afonso Henriques e Afonso VII de Leão, em 1137, o rei português é apenas mencionado como infans Portugalensis.
Da análise da documentação emanada da chancelaria de Afonso Henriques, no que respeita à análise da intitulação régia, conclui-se que até 1140 D. Afonso Henriques ainda se intitula de infans ou princeps.
Em documento datado de 1132 : "Ego infans Adefonsus Portugalensium patrie princeps et dominus.”
Em documento de Março de 1133, a carta a favor do Mosteiro de Lorvão: “Ego egregius infans Alfonsus dei vero providencia tocius Portugalensis provincie princeps gloriosissimi Ispanie imperatoris nepos et consulis domni Enrrici et regine Tarasie filius …»
O título de rex é atribuído pela primeira vez em 10 de Abril de 1140, na carta de couto de Santa Maria de Vilarinho na intitulação, “Ego egregius rex Alphonsus dei vero providentia totius provincie Portugalensium princeps gloriosissimi Yspanie imperatoris nepos consulis domni Henrici et Tarasie regine filius…”
A utilização de princeps pelo chanceler régio Pedro Roxo nos documentos concentra-se no período de 1135 a 1137.
O termo princeps ainda aparece isoladamente numa doação de Fevereiro de 1141 ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, “…Ego Alfonsus princeps Portugalensis patrie…”.
A mesma designação igualmente num documento de doação em Novembro de 1143, “Ego Alfonsus Portugalensis patrie princeps…”.
@Sérgio_Sodré vale a pena?
Sinceramente não faço ideia, o autor não é de história e trata-se de um romance, não sei como utiliza o material histórico que consultou… Li pouquíssimo romance histórico da nossa idade medieval… Um dos poucos que li e gostei, foi:
Recomendo Fernando Campos:
A esmeralda partida (Prémio Eça de Queirós)
O cavaleiro e a águia



