Full disclaimer : Este texto vai ser bastante extenso. Vou deixar um pequeno resumo na mensagem seguinte, a bold!
A motivação para a realização deste estudo surge das minhas inquietações com a política mais recente de mercado do Sporting.
Numa análise a 5-6 anos, o clube tem vivido o melhor período da sua história moderna, com 3 campeonatos ganhos e vários outros troféus conquistados. Também temos tido sucesso na Europa, particularmente nesta temporada com um apuramento para os quartos de final da Liga dos Campeões.
Acho importante referir tudo isto, porque muitas vezes vejo uma tendência para se ignorar o óbvio: o crescimento do clube tem sido evidente, e nada do que se seguirá pretende retirar o mérito a quem o tem. Salientar também que a) este estudo não é motivado pelo insucesso ou sucesso individual de cada uma das contratações feitas e b) também não tem nada que ver com a derrota chocante no final da Taça contra o Torreense, tanto que já estava a trabalhar nisto antes desse jogo.
Onde residem as minhas maiores dúvidas é mesmo no perfil de valorização dos ativos que temos no plantel, e no que isso pode significar para o nosso posicionamento no landscape competitivo Nacional e Europeu. A minha tese inicial está baseada nas seguintes premissas:
* i) Os clubes Portugueses, em particular os 3 Grandes, vivem num défice estrutural anual elevado, que tem aumentado ao longo do tempo;
* ii) Para combaterem esse défice, os 3 Grandes valem-se sobretudo de duas fontes de receita, tão elevadas como voláteis: mais-valias geradas com jogadores e receitas derivadas das competições europeias/internacionais;
* iii) Os jogadores que geram mais-valias mais acentuadas são, por regra, jogadores bastante jovens - 23 anos ou menos na idade da venda - e com um número elevado de minutos na época de venda.
* iv) O Sporting tem um número reduzido de ativos que se encaixem no ponto acima em relação a pelo menos um dos rivais.
Se as quatro premissas que indico forem verdadeiras, segue necessariamente que há um risco de prejuízos financeiros no médio-longo prazo. O contraponto a quem menciona a questão financeira tende a ser “Eu não quero saber das contas, quero é ter uma equipa que ganhe”… se me permitem a analogia, eu também não quero saber do motor, quero é que o carro ande bem. Só que se o motor tiver problemas, bem não vou andar certamente.. Dar lucro não é um fim em si mesmo, mas sim um meio de manter o clube sustentável e de, progressivamente, aumentar a capacidade de investimento. Que foi o que nos aconteceu nos últimos anos, aliás…
O estudo, no fundo, visa avaliar com algum rigor a verdade de cada uma das quatro premissas elencadas. Não pretendo simplesmente postular que é assim e pronto, até porque nesse caso o texto acabava já aqui. Sem mais demoras, vamos a isso!
Défice Estrutural dos 3 grandes na última Década
Os clubes de futebol tendem a apresentar nos seus relatórios e contas a designação de “resultado operacional sem transacções de jogadores”, e à primeira vista esse parece ser um proxy interessante para a saúde operacional do clube. São, no fundo, todos os rendimentos e custos da sociedade desportiva não relacionados com o que têm de mais volátil, que é a compra e venda de jogadores de futebol. Ou seja, não são rendimentos com que o clube possa contar à partida, ao contrário por exemplo das receitas televisivas nacionais contratualizadas para cada ano e dos lugares de época vendidos no início de cada temporada.
No entanto, os rendimentos provenientes da participação nas competições Europeias são tão relevantes (pela dimensão) e tão voláteis (pela dependência total dos resultados desportivos) como as transacções de jogadores. Por isso, parece-me importante que uma verdadeira análise ao défice estrutural do clube não conte com eles como “garantidos”, tal como não conta com a geração de mais-valias através da transacção dos passes de jogadores.
Tendo isto em conta, a fórmula utilizada para calcular o défice estrutural (ou Breakeven Point) foi a seguinte:
Receita Internacional + Rendimentos com a Transferência de Jogadores - Gastos com a Transferência de Jogadores - Resultado Líquido
O valor obtido com esta fórmula determina, no fundo, as receitas ditas “extraordinárias” que o clube tem de gerar por época para que o seu Resultado Líquido final não seja negativo.
Obviamente, não é um proxy perfeito. Há mais receitas e custos que também são dependentes de resultados desportivos, em medida parcial ou total, e coisas tão simples como os impostos pagos seriam sempre diferentes para resultados financeiros diferentes, algo que não é considerado nesta análise. Para além disso, os “Gastos com a Transferência de Jogadores” não representam os jogadores adquiridos pelo clube num dado período, mas sim os gastos incorridos em cada uma das vendas feitas - no pagamento de comissões de venda ou de percentagens de passe devidas a um 3º clube, por exemplo.
As aquisições de jogadores entram na categoria “Amortizações e perdas por imparidade no plantel”, sendo que essa amortização é linear e feita em linha com o contrato do jogador. Ou seja, um jogador contratado por €20M em 1 de Julho de 2023, com contrato de 5 anos, vai representar um custo em Relatório e Contas de €4M por ano, nos 5 anos de contrato, a não ser que seja vendido antes - nessa circunstância, todo o valor contabilístico restante é deduzido à verba gerada pelo jogador. Sendo uma rúbrica que se deve maioritariamente a operações feitas noutros exercícios, não foi considerada para esta análise, mas também a compilei em separado porque permite perceber de certo modo o nível de investimento que o clube tem feito em jogadores no seu passado recente.
Posto isto, segue o gráfico. Os dados correspondem a 11 anos no total, do ano contabilístico terminado em 30 de Junho de 2015 ao terminado a 30 de Junho de 2025:
Notas:
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O valor anormalmente baixo do Sporting em 2015 deve-se à situação do clube nessa altura. Com o mandato de Godinho Lopes o Sporting correu um risco existencial assinalável, e o Bruno de Carvalho precisou de “apertar o cinto” a um patamar quase extremo, que se reflectiu nos dois exercícios seguintes. Os resultados desportivos nesse período foram bastante acima do que uma análise orçamental faria prever, muito pelo aproveitamento eficaz de uma geração de jogadores da formação de grande qualidade e que deram rendimento elevadíssimo a custo quase nulo, pelo menos nessa fase inicial. Não é, no entanto, sustentável competir por títulos em Portugal com orçamentos tão reduzidos, daí que o aumento subsequente seja natural.
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O Porto foi o primeiro dos três grandes a adotar níveis de risco particularmente elevados. Enquanto conseguiram aguentar-se na Champions e vender jogadores, a coisa foi subsistindo, mesmo com alguns anos de resultados financeiros negativos… mas o ano de 2020 representa o início de uma trajectória perigosa. De repente o apuramento para a Champions não surgiu, e apesar do título de campeão o clube não conseguiu vender jogadores até 30 de Junho, tendo somado perdas recorde de ~€113M. Esta factura viria a ser paga mais à frente, com o risco real de serem banidos das provas da UEFA e com as dificuldades financeiras que o Porto viria a enfrentar no fim do reinado do Pinto da Costa.
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O Benfica galopou claramente o seu nível de risco, sendo a partir de 2020 o clube que mais receitas extraordinárias precisa de gerar por ano. Isto é particularmente relevante tendo em consideração que, dos 3, são o clube que gera mais receitas “ordinárias” com alguma margem, pelo maior número de adeptos que depois se repercute em várias fontes de receita. Seria expectável que pudessem ser menos dependentes de receitas extraordinárias assumindo um nível de gastos similar entre os 3 clubes, ou que assumindo mais riscos a sua capacidade financeira fosse superior e lhes permitisse ganhar com regularidade. Nenhuma das duas se tem verificado.
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Neste momento, os 3 grandes estão a atingir máximos históricos na receita que têm de gerar. O Porto à partida será a excepção, olhando a 2025, mas coloco-os ainda assim aqui porque o exercício 24/25 foi claramente um de contenção financeira por parte do presidente André Villas-Boas, tendo em conta a situação do clube, e este ano já representou um investimento bastante maior. Da vista rápida que dei nos relatórios dos 3 clubes do primeiro semestre do exercício 25/26, estimo que os 3 vão alcançar o seu máximo histórico neste período.
Apresento também, abaixo, a evolução das amortizações com o plantel por ano. Saliento aqui o investimento assinalável do Sporting ao longo dos últimos anos que se reflectiu no exercício findo em 2025:
Sub-conclusão
A primeira premissa parece sobreviver ao teste dos factos, e por extensão também a segunda. Os 3 grandes precisam, de facto, de gerar cada vez mais receitas extraordinárias para evitarem resultados financeiros negativos, tendo atingido o seu défice estrutural máximo ou em 2024 (Porto) ou em 2025 (Sporting e Benfica). Isto não é por acaso, claro. As receitas internacionais são cada vez maiores, com o aumento das verbas provenientes da Champions e da criação do Mundial de Clubes de Futebol, no qual Porto e Benfica participaram em 2025. Para se participar na Champions, nas últimas 3 épocas desportivas, foi necessário que cada um dos 3 grandes tivesse de superar pelo menos um dos outros dois no respectivo campeonato, e até isso não traria um lugar 100% garantido na competição. Investir menos implica um défice estrutural inferior, sim, mas também aumenta a possibilidade de se perder o acesso aos muitos milhões da Champions em cada ano. Isto olhando apenas a consequências financeiras claro… porque, no final de contas, o objectivo principal de qualquer um dos clubes é ser o campeão nacional, e aí acaba por ser ainda mais necessário, pelo menos a certo ponto, “alcançar” os patamares de investimento dos rivais para se poder competir por esse objectivo último.
No entanto, apesar de existirem justificações para o aumento do risco estrutural, este não deixa de existir. E, existindo, tem de ser bem avaliado, gerido e, tanto quanto possível, mitigado. E a mitigação, neste panorama, consiste em maximizar a probabilidade de gerar receitas extraordinárias a cada ano. Isto implica o apuramento para a Champions, certo, mas implica também o clube fazer tudo o possível para gerar as receitas extraordinárias necessárias em cada ano através da geração de mais-valias com jogadores de futebol. Isso leva-nos ao ponto seguinte…
Análise às vendas de jogadores acima de €30M em Portugal
Num documento Excel que deixarei anexado neste espaço, compilei uma tabela com todas as 46 vendas de jogadores por parte de equipas Portuguesas para fora, por valores acima de €30M. Essa tabela tem muita da informação relevante sobre cada jogador vendido: os clubes em questão, os valores de venda e compra, a idade do jogador aquando da aquisição pelo clube e da sua venda, o número de minutos jogados na época em que a sua venda se realizou… entre outras.
A baliza foi colocada nos valores acima de €30M por dois motivos: a minha perspectiva de que é a partir daí que começamos a chegar às reais grandes vendas, e também porque, confesso, escolher valores mais pequenos ia fazer com que o processo de compilação de dados fosse ainda mais moroso. Se alguém o quiser fazer a partir de outro ponto, eu aplaudo a iniciativa! Podem contrapor que, na verdade, é possível um clube gerar muitas mais-valias com várias vendas mais pequenas. E com razão, embora isso também implique a saída de vários jogadores e coloque mais desafios no planeamento.
Para além disso, também sei que o valor de venda não é a mais-valia gerada. Um jogador vendido por €20M da formação geraria uma mais valia superior que, por exemplo, uma venda do Luis Suarez neste mercado de Verão por €32M. Seria um exercício com bastante valor alguém ir a cada um dos relatórios e compilar a mais-valia específica gerada por cada um destes jogadores… para efeitos de poupança de tempo preferi não fazer isso, e todos os valores presentes nesta tabela foram retirados da plataforma Transfermarkt, com alguns ajustes contextuais quando achei devido. Por exemplo, o Francisco Conceição rendeu ao Porto €9M de verba de empréstimo e €32M de verba de venda no mercado seguinte ao mesmo clube, pelo que para mim foi vendido por €41M, mesmo que isso não seja o que está expressamente indicado.
Comecemos, então, pela distribuição das 46 transacções en questão por valor de venda:
Como seria expectável, a maior fatia das transacções neste universo correspondem aos jogadores vendidos entre €30.01M e €50M, inclusive. No total, foram 21 jogadores vendidos por valores entre €30.01M a €40M e 13 vendidos por valores entre €40.01M a €50M. As restantes 12 vendas foram feitas por valores acima de €50M, com destaque claro para o João Félix (€127.2M), Enzo Fernández (€121M) e Darwin Nuñez (€85M), curiosamente todos vendidos pelo Benfica. Nenhuma das outras vendas feitas por um clube Português excedeu os €72M. Todas as vendas superiores a €35M para cima foram feitas por um dos três grandes. Das restantes, três vendas foram feitas pelo Braga e uma pelo Portimonense.
Isto com valores de venda. Mas e se a análise for feita com base no lucro obtido? Como disse acima não fiz a compilação das mais valias contabilísticas específicas para cada um dos jogadores, mas compilei os valores de aquisição referidos no Transfermarkt. A plataforma tende a considerar também no valor de aquisição todas as verbas de mais-valias que são devidas do Clube 2 (o Português, neste caso) ao Clube 1 no contexto da venda do jogador do Clube 2 ao Clube 3, o que aqui até nos é conveniente porque permite ter uma ideia mais precisa, ainda que não a 100% - não são aqui deduzidas comissões de compra/venda e outros gastos relevantes incorridos nestas operações - da receita gerada para o clube por cada uma destas 46 operações. O gráfico que espelha essa distribuição é o seguinte:
Nota: O universo total de jogadores neste gráfico é de 45, não de 46, visto não existir qualquer fonte sobre a verba despendida pelo Portimonense para adquirir o Nakajima.
Naturalmente, os valores são menos elevados, mas ainda assim substanciais. O peso não negligível de jogadores formados no clube (15 dos 45 totais), que para efeitos deste exercício dão lucro igual ao valor da venda, é um factor relevante aqui. Ainda assim, as margens de lucro dos jogadores adquiridos por clubes Portugueses e vendidos por valores são altas. Incluindo os jogadores formados nos clubes e adquiridos a custo 0 essa margem média, nas 45 transacções em questão, atinge os 83.57%. Se apenas forem consideradas as vendas acima de €30M de jogadores que implicaram algum tipo de custo de aquisição conforme o Transfermarkt, a dita margem atinge os 74.5%.
Idade
Feita a análise aos valores propriamente ditos, vamos agora ao ponto da premissa iii). Será que é mesmo verdade que são os jogadores jovens, leia-se com 23 anos ou menos, a constituir a maior parte destas transacções? Sempre me pareceu algo óbvio e até relativamente intuitivo, pelos incentivos de mercado e pelo posicionamento da nossa Liga em relação ao ecossistema Europeu - não sendo uma liga de Top 4 do Continente, é natural que as equipas de topo que cá venham comprar tendam a procurar mais potencial do que jogadores que já sejam dos melhores do mundo, embora também possa acontecer… Mas as percepções enganam, e nada como cruzá-las com os factos. O gráfico abaixo representa a distribuição etária, à data da venda, dos 46 jogadores em questão:
Aqui, os números são muito claros. Cerca de 74% dos jogadores nesta amostra foram vendidos com 23 anos de idade ou menos. A maior parte deles entre os 21 e os 23 anos, o que é natural visto ser a idade em que já atingiram algum ponto de maturidade, com aposta regular na sua equipa (este ponto será abordado em mais detalhe), mas ao mesmo tempo são ainda jovens o suficiente para um clube de uma das 5 principais ligas os ver como jogadores com um potencial de melhoria substancial.
Passada esta “barreira”, este tipo de vendas tornam-se significativamente menos comuns. Parece, de facto, quase surreal olhar para um jogador com 24 ou 25 anos e achar que ele pode ser “velho demais”. A explicação está no que referi acima quanto às características do nosso mercado: quando um clube da Premier League vai contratar um jogador a uma grande equipa Espanhola, Alemã, ou idealmente dentro da própria liga, esse jogador já tem outro tipo de provas dadas em jogos regulares contra grandes equipas, o que lhes permite ter outra confiança sobre o seu impacto imediato. Em Portugal, pelo contrário, há 3 equipas de grande qualidade, outra bastante boa (Braga), mas todas as restantes estão num nível muito inferior ao que um jogador encontraria semana sim semana sim numa das melhores ligas. Por isso têm presente que raramente vão comprar o produto final, e como consequência apenas adquirem jogadores de 24 anos para cima em casos excepcionais.
E que casos são esses? Uma análise às 12 “excepções” a esta regra tornam ainda mais claro o foco do mercado em jogadores jovens. Explico: todos os jogadores em questão encaixam completamente numa de três categorias, que elenco abaixo:
- Alguns dos melhores jogadores do século da Liga Portuguesa. Todos os jogadores nesta lista demonstraram grande qualidade, claro, mas nomes como Gyokeres, Bruno Fernandes, Hulk, Luis Diaz e Falcao estiveram a um nível particularmente soberbo em Portugal. Os três primeiros ganharam dois prémios cada um de melhor jogador do campeonato, o Luiz Diaz estava certamente a caminho de ganhar esse mesmo prémio em 21/22 (14 golos e 5 assistências em 18 jogos para um extremo) se não tem sido vendido para o Liverpool em Janeiro, e o Falcao creio requerer pouca explicação.
- Pontas-de Lança. É a posição mais valorizada pelo mercado, e isso tem efeitos a toda a linha. Um avançado jovem que marque muitos golos vai ser sempre incrivelmente valorizado pelo mercado, atingindo quantias quase absurdas - ver o Darwin, que é a 3ª maior venda de sempre do nosso campeonato, e até o próprio Félix que não sendo 9 jogava a segundo-avançado. Apesar disso, é uma posição em que muitas equipas procuram algum tipo de garantias, e uma em que os jogadores demoram a maturar pelas especificidades da posição. Assim, surgem exemplos como o Jiménez, o Evanilson, o Slimani e o Jackson (que podia também ter entrado na primeira categoria, até), somados aos já referidos Gyokeres e Falcao.
- Jogadores transaccionados para o Médio-Oriente. Otávio, Galeno e Nakajima entram aqui. São mercados com muito dinheiro mas, pelo menos à data das compras, com acesso algo limitado aos jogadores da 1ª linha Europeia e com perspectivas de valorização limitadas. Isso leva a que possam atacar de forma mais comum jogadores mais velhos de uma liga como a nossa, mesmo que a preços exorbitantes em comparação com o que o restante mercado daria.
E é isto. Ou és um dos jogadores de melhor impacto de sempre na liga (todos os nomes elencados entram no meu Top 20 do Século, e estou a pecar por defeito), ou jogas numa posição em particular, ou vais para um mercado específico fora da Europa. Para todos os jogadores que não entram aqui, que são a maioria, a realidade dos números é muito fria: nenhum jogador fora destas categorias, com idade de 24 anos ou mais, foi alguma vendido por valores superiores a €30M na Liga Portuguesa. Isto ao dia em que escrevo este texto, claro. O primeiro contra-exemplo a esta regra até pode chegar amanhã, quem sabe. Mas se um plano, para ter sucesso no médio-longo prazo, implica quebrar de forma continuada tendências históricas… eu vou logo torcer o nariz, confesso.
Esta análise tem em conta a idade que o jogador tem no dia em que é vendido. Como será se, em vez disso, analisarmos a idade de aquisição/chegada ao clube?
A maior categoria é mesmo a de jogadores formados nos respectivos clubes, correspondente a praticamente um terço do total. Mas, aqui, os números são ainda mais claros. Apenas 5 jogadores em Portugal depois vendidos acima dos 30M foram adquiridos com 24 anos ou mais. 4 deles são Pontas-de-Lança, e o outro é o Galeno, que foi vendido para a Arábia num dos melhores negócios de sempre de um clube Português, a meu ver. Até incluindo os jogadores de 23 anos temos apenas mais dois exemplos: o Falcao e o Nakajima, este último num dos poucos negócios que entra também na mesma categoria do do Galeno, embora este para o Qatar.
Trocado por miúdos, se o jogador que compraste não é ponta-de-lança e tem mais de 22 anos, o precente histórico diz-te que é altamente improvável que vá ser vendido por valores acima dos €30M. Se não tiveres uma benção do Médio Oriente, diz-te mesmo que seria algo sem precedentes.
Minutos Jogados
“Está bem, está bem, oh chato”, dirão certamente as 3 pessoas que por obra do acaso ainda estão a ler este testamento… “então temos de encher pelo menos as segundas linhas do plantel de putos, é isso?”
…mais ou menos.
Menos, porque obviamente tudo isto tem de obedecer a um equilíbrio. Não é preciso que todos os jogadores sejam activos com um elevado potencial de valorização, claro. Até porque parte da valorização vem de se ganhar jogos, e a entrada na Liga dos Campeões por si só corresponde a pelo menos uma destas vendas (se a performance for boa, corresponde a mais de duas). E, para isso, ter jogadores de qualidade assinalável e com mais experiência é sempre útil.
Mais, no entanto, porque ter uma série de miúdos no banco a entrar, ou só no banco a ver… não chega. E não chega porque, para além de o mercado valorizar muito a juventude, também valoriza bastante o facto desses jogadores serem opções regulares nas competições mais importantes - Liga e Competições Internacionais.
Apenas 4 dos jogadores neste universo foram vendidos com menos de 1.500 minutos jogados na época anterior à sua venda. Se subirmos a restrição para menos de 2.000 minutos o número não sobe muito, para apenas 6. As excepções ao patamar dos 1.500 minutos aqui são avançados suplentes e/ou jovens que tiveram impacto do banco (Jiménez, Marcos Leonardo), um avançado suplente que não teve grande impacto à data mas que tinha 18 anos e teve o Jorge Mendes (Fábio Silva), e o Anderson que foi vendido há quase 20 anos. Os jogadores que ficaram entre os 1.500 minutos e os 2.000 foram o Fábio Vieira, depois de uma época em que apesar de muitas vezes suplente teve um impacto enorme a partir do banco para o título do Porto, e o Trincão em Braga que ganhou o lugar a meio da época tornando-se titular indiscutível a partir daí.
Ou seja, 40 dos 46 jogadores em questão jogaram pelo menos 2.000 minutos na época anterior à da sua venda, apenas entre Liga e Competições Europeias. Excluí as Taças desta questão porque é onde muitas vezes os treinadores dão minutos a alguns jovens, contra equipas de menor nomeada. Isso tem a sua utilidade mas não mostra uma aposta real no jogador, e poderia confundir esta análise. Deixo também a nota de que fiz uma normalização dos minutos para os jogadores vendidos no mercado de Janeiro. Nesses casos, multipliquei os minutos jogados entre o início da época até à sua saída por 1.75. Esses jogadores tendem a jogar um pouco mais de metade dos minutos possíveis no clube caso ficassem a época toda, daí ter-me parecido o proxy mais adequado sem ter de me dar ao trabalho de ver caso a caso e arranjar multiplicadores específicos para cada um.
A questão dos minutos ajuda a perceber, também, por que motivo a maior parte dos jogadores que são vendidos por estes valores em Portugal têm entre 21 a 23 anos, e não menos. Se fosse só mesmo pela idade, seria natural que os jogadores com 20 anos ou menos fossem ainda mais concorridos pelo mercado. Só que é incomum um jogador com 20 anos ou menos ter minutos muito regulares num clube da dimensão dos 3 grandes Portugueses. Os poucos que conseguem atingir esse estatuto tendem a valorizar rapidamente, mas a raridade relativa desse fenómeno leva a que menos grandes vendas ocorram nessa fase.
Sub-conclusão
Após esta análise, parece-me inequívoco que, fora a qualidade dos jogadores claro, os dois factores mais comuns nos jogadores vendidos por verbas acima dos €30M em Portugal são a idade e os minutos jogados.
Jogadores com 23 anos ou menos na idade da venda, ou com 22 anos ou menos na idade da compra, e com pelo menos 2.000 minutos jogados na época entre Liga e Competições Internacionais!
Para um clube aumentar a probabilidade de fazer grandes vendas, que lhe permitam gerar mais-valias e superar o défice estrutural demonstrado neste estudo, é fundamental que tenha um número de jogadores suficiente que entre nestas condições. Podem-me dizer que, na verdade, às vezes até basta um, desde que corra muito bem e seja essa grande venda. Ou até nenhum, e fazer-se as vendas ou em maior número por montantes abaixo dos €30M, ou com jogadores que não se encaixem no parágrafo acima a bold mas que estejam nas 3 condições de exclusão… Em último caso, falhando tudo o resto, até pode ser que se consiga a primeira venda que fuja a todas as condições elencadas!
Tudo pode ser, claro. Mas, a meu ver, isso aumenta o perfil de risco. Porque nenhum clube acerta nas contratações todas, e factores como quebras de rendimento repentinas ou lesões graves podem estar sempre ao virar da esquina. Um clube que consiga conciliar rendimento desportivo com um número elevado de ativos que se encaixem nos ciclos de mercado do Futebol Português vai estar sempre mais perto de resistir a essas questões e a continuar a crescer. No fundo é como a diversificação de um portefólio de um investidor. Se apostar tudo em duas ou três acções, até posso acertar em cheio e ganhar mais que todos os outros com um leque mais vasto. Mas uma gestão desportiva a médio-longo prazo não pode simplesmente assumir que vai correr tudo bem. Provavelmente não vai, e temos de aumentar as probabilidades não só de subsistência mas de sucesso em todos os cenários.
Jogadores dos 3 Grandes - Plantel 25/26 e o Futuro
Posto tudo isto, como estão os três grandes neste panorama? Terão números similares de activos nos parâmetros que historicamente os aproximam de grandes vendas? Vamos descobrir!
Porto
Parece-me ser, dos 3, a equipa que está melhor preparada para o futuro neste quesito. Pelo menos 4 deste lote dos que têm 23 anos ou menos serão titulares para o ano (Oskar, Froholdt, Samu e Martim/Alberto), e 3 que poderão ser dos principais jogadores a ter minutos a partir do banco como no ano passado, se não conseguirem até ganhar o lugar (Mora, William e Alberto/Martim). O Veiga fez os 24 muito recentemente, se não era outro a estar aqui. O Gul teve um número de minutos relevante pelas lesões mas acredito que perca espaço e o Prpic mal jogou, não conto com eles aqui. Todos estes jogadores apresentados estão numa boa situação contratual, também, e mais do que o simples número, diria que a “qualidade” dos activos em questão com base nas tendências estudadas de mercado é especialmente elevada.
O Oskar e o Froholdt, em particular, são do melhor que há na nossa liga nos respectivos escalões etários. O primeiro é titular claro e com impacto com 18 anos acabados de fazer num grande, e sem o Quenda é o único jogador dessa idade que parte para o campeonato com esse estatuto; e o segundo aos 20 anos entra já no lote dos jogadores de maior impacto do campeonato. Salvo algo de extraordinário, têm tudo para entrar confortavelmente neste lote de vendas. O próprio Samu, se não tem sido a lesão grave contraída a meio do ano, tinha tudo para ter sido já a grande venda do Porto no verão, por valores que poderiam surpreender muita gente. Não sou o maior fã do jogador, mas tem um perfil altamente procurado por quem tem dinheiro, e a idade adequada. Foi bastante caro, sendo ao dia de hoje a compra mais cara de sempre em Portugal, mas mesmo com a lesão que teve acho provável que façam uma mais valia alta com ele.
Não que adore fazê-lo, mas acho que o trabalho do Porto aqui foi mesmo de salutar. Estavam numa situação bastante complicada, e conseguiram construir um plantel capaz de lutar por e vencer títulos nacionais ao mesmo tempo que, partindo de um ponto complicado, estão neste momento com o melhor outlook futuro na geração de mais-valias através de vendas, tendo em conta todas as tendências de mercado históricas que foram analisadas. Mostra que não é por se apostar - leia-se, contratar e colocar no 11 - vários jogadores com 22 anos ou menos que não se pode ser campeão em Portugal.
Benfica
À primeira vista, o Benfica parece estar numa situação ainda melhor que o Porto. Mas não é, de todo, o caso. Os jogadores que realmente encaixaram nas tendências de mercado referidas na época passada foram o Prestianni, o Schjelderup, o António Silva, o Dahl, o Sudakov e o Dedic. Mas para o ano os três últimos deixarão de encaixar, e não fizeram épocas que lhes permitissem uma grande valorização e venda já este ano. Para além disso, tanto o Schjelderup como especialmente o António Silva estão em situações contratuais precárias, o que diminui substancialmente a força negocial do clube. É provável que sejam ambos vendidos este verão, o Schjelderup por valores ainda assim dentro desta lista, o António Silva por valores abaixo.
Acredito que o Ivanovic possa ter mais minutos. Se engatar e fizer uma grande época está na condição ideal, com a vantagem de ser Ponta-de-Lança. E claro, há a formação. Não sei quais os planos do Benfica para o ano, mas jogadores como o José Neto e o Banjaqui, se tiverem espaço real no plantel e agarrarem o lugar, serão rapidamente vistos como extremamente apetecíveis pelo mercado. Existe uma tendência histórica clara (não analisada aqui, porque não temos tempo!) de os clubes apostarem mais no talento da formação nas fases mais difíceis em termos financeiros, e o Benfica por tudo o que se diz pode estar num desses momentos. A coisa boa para eles é que este período deles coincide com uma altura em que têm na formação vários jogadores de potencial interessante para explorar.
Sporting
Quanto ao Sporting, apenas um jogador com 23 anos ou menos fez mais de 2.000 minutos na Liga e Competições internacionais. O Fresneda! As lesões não ajudaram, claro. O Diomande certamente tê-los ia feito se estivesse saudável, e no contexto das lesões dele o Debast poderia ter lá chegado mas também teve duas lesões complicadas.
Mesmo o Luis Guilherme - com normalização de minutos por ter chegado em Janeiro - e o Simões poderiam ter-se aproximado desse patamar sem lesões. Mas a verdade é que apenas o Fresneda e o Diomande são titulares declarados. E no caso do primeiro, apesar de ter um perfil com procura na Europa, já será uma grande vitória se for vendido no limiar mais baixo deste exercício (€30.01M).
Conclusão - Qual o Futuro?
Após a buzina da época 25/26, parece-me claro que o Sporting está numa situação claramente abaixo da do Porto neste âmbito, e algo similar à do Benfica. Entretanto, o Sporting tem estado bastante activo no mercado e já fechou quatro contratações. Uma a uma:
Zalazar: Obviamente, não encaixa em nada disto. Com 26 anos ao dia de hoje, 27 no início da temporada, e um custo de €30M, teria de ser um outlier histórico (ou de ir para o Médio Oriente) para sequer se lucrar 1 cêntimo. É claramente uma contratação pensada para o plano desportivo, que não é o âmbito desta análise. Também aí haveria muito para dizer sobre o que aparenta ser o planeamento do Sporting, mas fica para outra altura. Digo apenas que as expectativas para este jogador por parte dos adeptos terão obviamente de estar bem lá em cima. O rendimento desportivo que tem de ter para justificar este investimento, tendo esta idade e jogando na posição em que joga terá de ser mesmo muito alto!
Pedro Lima: Claramente um jogador contratado para fazer plantel, e com 23 anos (acima dos “22 anos ou menos na idade de compra"). Poderá ser útil, mas digamos que seria surpresa assinalável alguma vez entrar neste lote. Não foi para isso que foi pensado, e tudo bem aí. Até porque o custo do jogador não foi muito elevado.
Doumbia: Este sim, parece-me um jogador em quem o Sporting deposita grandes esperanças para realizar mais-valias futuras. Joga a seu favor aparentar ter características muito apetecíveis no mercado - eu sei que disse que isto não era uma análise no plano desportivo, as minhas desculpas! - e ser um jogador que, neste momento, encaixa em todas as condições elencadas. Até aí, tudo bem. Mas não encaixa por muito. Chegando aos 22 anos e fazendo 23 este ano, para não ser um outlier histórico terá de fazer uma grande época este ano e ser logo vendido por valores assinaláveis. É possível, aliás o caso do Axel Witsel no Benfica foi exactamente igual. Mas não só é bastante raro um jogador ser vendido apenas 1 ano depois da sua chegada ao clube por valores deste nível (apenas 6 casos registados) como a margem é claramente menor do que foi para um Froholdt, que é um jogador de custo e posição semelhantes, mas que era mais de 3 anos mais novo quando assinou pelo Porto do que o Doumbia quando assinou pelo Sporting.
Silas: Quebrando outra vez a minha regra, confesso que gostei bastante do que vi deste jogador. Mas vai cá chegar com 22 anos acabados de fazer, e ao que tudo indica para ser suplente declarado de um titular. Acredito que a ideia seja, no melhor cenário, que o trajecto do Silas no Sporting seja como o do Ugarte, mas mais uma vez tenho de referir que o Ugarte era 2 anos mais novo quando assinou pelo Sporting. Foi suplente com algum impacto no 1º ano, agarrou o lugar com uma grande época no segundo e foi vendido por um valor assinalável aos 22 anos. O Silas, seguindo o mesmo trajecto, terá 24 e… acho que já escrevi o termo outlier vezes suficientes!
Ainda há muito mercado. A prioridade do Sporting para o lugar do Hjulmand é o Palhinha, que seria outro passo no sentido oposto ao indicado aqui. Acredito que o Diomande possa ser vendido e que venha outro central com um perfil semelhante. Portanto, acima dos 2.000 minutos, acredito que tenhamos o Fresneda, o central direito que vier ou o Debast (eu iria pelo Debast) e o Doumbia, se a contratação correr bem. Também gostava que se desse espaço ao Luis Guilherme, que a meu ver representa o perfil de contratação que o Sporting tem obrigatoriamente de procurar com mais frequência. Estou confiante que vai acabar por ter sucesso aqui, mas isso é como já disse mais para trás: nem sempre corre bem. O meu ponto aqui é mais sobre o perfil de contratação… esse é um que precisamos urgentemente de replicar mais: jogador de 18/19 anos, com qualidade para ter algum impacto desde já com “tempo” para cá estar 2 ou 3 anos e mesmo assim estar na idade certa para gerar uma grande mais-valia.
Só que para além destes nomes… o Simões parece destinado a perder espaço com as opções atuais de plantel. O Travassos, que também podia ganhar espaço como opção para lateral dos 2 lados, foi vendido por €5.5M.
Já que estamos neste tópico, este estudo também demonstra que a formação é um caminho determinante neste tipo de exercícios. Quase um terço do total de vendas neste universo vêm daí. Os clubes Portugueses formam com qualidade, o nosso produto é reconhecido lá fora e são jogadores que dão margens de lucro ainda superiores aos clubes em caso de sucesso.
Acredito, como já mencionei, que vá ser essa a solução do Benfica. Mas no nosso caso, sinceramente, não me parece que haja a intenção de se apostar em nenhum jovem que não tenha já estado no plantel inicial da época passada como sequer segunda opção. O Rui Borges tem uma predilecção clara por plantéis muito extensos e por jogadores mais experientes, o que vai acabar por limitar sempre os caminhos à subida de jogadores, e também não acho que tenhamos algum jovem neste momento que, pela sua qualidade e preparação, vá conseguir “forçar” o treinador a colocá-lo no plantel desde já como opção relevante.
Não que a resposta a este problema tenha que vir da formação. Nunca concordei com os adeptos que a veem como um fim em si mesmo, e que durante tempos idos quase faziam questão de ter jogadores da formação a jogar independentemente da sua qualidade. A formação é um meio fantástico para se chegar a um fim, mas há outros, e todo este texto está mais focado nesses mesmos “outros”: a contratação de um determinado perfil de jogadores.
Com isto, a quarta e última premissa da tese inicial, de que o Sporting tem um número reduzido de ativos com boa probabilidade de se encaixarem nas condições de mercado, parece-me amplamente demonstrada. Ao dia de hoje, pelo menos, o Porto é claramente o clube em melhor posição neste plano de análise. Não só pelo número, mas pela qualidade e potencial de valorização. O Fresneda encaixa aqui tanto como o Froholdt e o Oskar, por exemplo, mas parece-me evidente que o potencial de valorização dele é claramente inferior. O Samu, sendo ponta-de-lança e recuperando da lesão, tem também um potencial de valorização que poucos ou nenhum ativo atual do Sporting terão.
Ainda há todo um mercado pela frente, e outros mercados a seguir. O Sporting está numa boa situação financeira atualmente, com lucro garantido para este exercício e perspectivas positivas para o seguinte. A partir daí é que a tendência já me parece mais preocupante, e a altura ideal para se atacar essa questão e construir um plantel mais em linha com os ciclos de valorização do Futebol Português é agora, quando temos bastante capacidade financeira para o fazer da melhor forma.
Entendo que o Mercado de Transferências é a altura em que os ânimos andam sempre lá em cima, e que muita gente queira acima de tudo ter brinquedos novos e brilhantes. Como alguém que também gosta de brinquedos, mas que gosta mais de títulos, o que mais quero é que eles venham, que o clube ganhe e que daqui a 5 anos o Sporting possa continuar a ser o clube com mais poder de investimento em Portugal para poder estar mais perto de ganhar. Mas após toda esta análise, a minha conclusão é que se não tomarmos os passos adequados para ajustar o rumo da situação, o mais provável é que passados esses 5 anos esse já não seja o caso. E aí, sendo sempre possível ajustar (as coisas mudam rápido em Portugal), o panorama já será mais complicado, e corremos o risco de ser ultrapassados. Como adepto e sócio do Sporting, espero que se não fizerem o que eu indiquei, que seja eu a estar errado. Que a bola entre em vez de bater no poste (títulos, Champions), e que consigamos quebrar tendências históricas para fazer face ao nosso défice estrutural.
O meu enorme agradecimento a quem leu isto tudo. Feedback sobre qualquer um dos pontos levantados é mais do que bem-vindo! Numa mensagem abaixo segue o prometido tl,dr, a bold, para aqueles de vocês que tiverem vida, bem como o Excel com a tabela anexada.









