[Moonlight]
É uma história simples recheada de complexidade emocional, uma beleza narrativa que se conquistou nos olhos* de quem os utiliza como principal forma de discursar. :mais:
:mais: E é curioso - ou nem por isso, para quem viu! - que o olhar tenha sido o principal atributo|requisito que o Barry Jenkins procurou na escolha pelas 3 personagens que interpretam Chiron: “If I could find actors that had the same feeling in their eyes, there would be a continuity.”

Moonlight [2016] é uma produção crua, real, emocional, verdadeira, que em três actos (nos) conta todas as pequenas particularidades que constroem a nossa personalidade, que nos moldam enquanto seres humanos, uma história “ficticia” baseada num texto autobiográfico de Tarell Alvin McCraney, um escritor que enquanto produtor da peça permitiu que a mesma se encontrasse recheada de autenticidade em toda a sua construção** e que exigiu, a par do seu realizador e colega de escola (?), várias edições para que a película absorvesse toda a genuinidade da história. Há uma aura poética no texto, cada acção apresenta repercussões na fundação da identidade de cada pessoa, nada do que nos é apresentado tem menos importância que a cena anterior. Tal como na vida real, Moonlight dá vida|sentimento a pequenos objectos, a meros adereços, a simples brisas, esta capacidade de atribuir significado a um objecto, uma música, transforma tudo aquilo que nos é apresentado pelo cinematógrafo James Laxton em algo especial.
É uma história cheia de coração, audaz, a filmagem à mão tão perto das personagens, a ausência de maquilhagem, cria uma visão quase digna de um documentário e o elenco é sublime [Mahershala Ali, Alex R. Hibbert, Naomie Harris, Ashton Sanders], aliás, não só é sublime como delicia qualquer pessoa que queira deliciar-se com a beleza da Janelle Monáe. Que gata. Fdx. :mrgreen: É um sucesso, com o orçamento que teve, a galopada pelos cinemas nacionais|internacionais que teve, e a história que conta é espectacular. É uma película que não se esquece. Gostei muito. 3 películas vistas [La La Land, Manchester By The Sea] e estou a adorar todas, ao contrário de 2016 onde gostei de umas quantas mas só consegui adorar uma [Room].
“I remember specifically that these kids were chasing me,” said McCraney. “They were beating me up and throwing rocks at me, and I was running for my life. Then they stopped throwing the rocks. I looked around and there were a bunch of cars, and I realized that they were trying not to hit the cars, but were still trying to hit me. As I was standing there, the sun was setting, and there was this beautiful blush. There was a breeze through the palm trees on 62nd. There was poinsettia growing. That’s the world I grew up in. To make that real for people—and myself again—is kind of destabilizing. I’m still processing. I could describe these things to you, but when you feel them, it’s different. That’s something that you can keep thinking about on the subway. If Moonlight is doing this to me, there is someone else out there that needs this, too.”