Antes de mais, dizer que a nossa segunda linha é, efectivamente, muito fraca. Até se pode falar em falta de ritmo e em falta de entrosamento, mas não se pode deixar de falar também de falta de talento. Aquela primeira parte foi abaixo dos níveis exigíveis para uma equipa como o Sporting. E não se pode ilibar Paulo Bento desse fracasso absoluto. O treinador do Sporting é o primeiro a conhecer a forma e real valor dos jogadores que orienta, não podendo ser uma surpresa para ele a exibição da equipa na primeira parte.
Na segunda parte lá fez por emendar a mão, aparecendo o Sporting como equipa pela primeira vez, mas não se pode dizer que tenha durado muito. Cedo voltámos a ver uma confusão táctica em campo que na segunda parte já não podia ser justificada pela presença de jogadores habitualmente suplentes. Esta ausência de futebol de qualidade tem sido regra esta época, sendo normalmente uma excepção vermos um Sporting dominador e a praticar um futebol de qualidade superior. Desta vez nem o resultado atenuou esse facto.
Voltando a falar dos habituais suplentes, penso que seja muito por aí que não podemos sonhar com grandes conquistas esta época. Salvo raras excepções, os jogadores que deveriam ser uma alternativa ao primeiro onze demonstraram mais uma vez não o ser. Logo na posição mais recuada do terreno, Tiago fez questão de lembrar os adeptos qual o seu real valor, não ficando livre de responsabilidades em nenhum dos golos sofridos. Até por se saber que é um jogador que já não irá evoluir mais, gostaria de ver Rui Patrício nesta competição.
Mas a situação mais flagrante será mesmo Farnerud. Se na época passada ainda se podia dar algum benefício de dúvida, este ano isso já não é possível. Se a falta de qualidade é desde logo bastante óbvia, o que salta ainda mais à vista e que exaspera o mais calmo dos adeptos é a falta de atitude. Comporta-se em campo como uma autêntica vedeta em final de carreira. Vendam, doem, façam o que quiser ao sueco, mas não o deixem voltar a envergar a camisola do Sporting.
De Paredes já não vale a pena falar. Também não se pode contar com ele para melhorar seja o que for na equipa, bem pelo contrário.
Há depois Purovic que parece ter tudo para se juntar à galeria de avançados de fraca qualidade que têm passado pelo Sporting nos últimos anos. Ainda para mais com um Liedson a mostrar-se em bom plano, o que só veio agravar ainda mais as diferenças, foi confrangedor ver Purovic os 90 minutos. Não me lembro de um lance em que tenha estado bem.
O único dos habituais suplentes que ainda demonstrou alguma qualidade foi Had. Terá sido decisivo em diversos lances perigosos na nossa área, mostrando que poderá ser uma boa alternativa a Ronny, ainda que continue a achar que a táctica que o Sporting usa pede laterais ofensivos, algo que Had não será. Ainda esta noite se viu que foi Abel uma das nossas unidades mais perigosas no ataque, tendo sido na altura em que o treinador do Fátima colocou um jogador do lado de Abel que deixámos de atacar com tanto perigo. É que Abel tem vindo a colmatar uma das carências da famosa táctica do losango: a ausência de extremos.
Mas o que fica no final disto tudo é uma derrota frente a uma equipa do segundo escalão, ficando mais difícil a nossa manutenção na prova. Penso que uma competição como a Taça da Liga poderia servir para atenuar eventuais frustrações nas outras provas. É uma prova menor, mas este Sporting também não se mostra à altura para grandes voos. É uma questão de sermos realistas.