Tácticas das camadas jovens na transição para o plantel principal

Criei este tópico com a ideia de discutirmos, espero que com a contribuição de foristas que tenham mais conhecimento de causa que eu, as tácticas utilizadas nas camadas jovens do nosso clube.

Lendo as vossas crónicas e comentários, se interpretei bem (e corrijam-me se estiver enganado), todas as camadas jovens (de futebol 11, entenda-se) alinham, invariavelmente, num 4-3-3. Ora, como sabemos, isso não acontece, de há muito tempo para cá, no plantel sénior, que tem optado entre um 4-4-2 com losango (Bento, Peseiro, Santos, Boloni…).

Já foi aqui postada no forum uma entrevista com o Jean Paul onde se colocava esta mesma questão. Se bem me lembro, ele defendeu-se dizendo que os jogadores estão a ser formados para jogar nos dois sistemas. Sendo ele um expert, só tenho de acreditar nele. No entanto, volto à primeira ideia: os miudos jogam sempre em 4-3-3. Será que este sistema prepara tacticamente os jogadores para outros modelos?

Por outro lado, vemos quais tem sido os melhores resultados recentes da nossa formação: avançados móveis, rápidos (Djaló, Varela, etc.), extremos (CR, Quaresma, Nani, Paim, Pereirinha, etc.) e médios box-to-box (Moutinho, Adrien, etc.). São jogadores claramente “especializados” em 4-3-3. Se, no caso dos médios a transição para o 4-4-2 parece ser pacífica, penso que no caso dos avançados já não acontece o mesmo. No entanto, continuamos a não formar (pelo menos para a primeira equipa) avançados “de área”, laterais ofensivos, etc.

O que acham disto?

[É a primeira vez que crio um tópico, peço compreensão aos moderadores caso vejam isto como “mais um prá confusão”… Estejam à vontade para apagá-lo]

Belo tópico de facto…
A verdade é que também já pensei nisso e sempre me interroguei se os jovens de quem se falam muito ( Caiado, Paim) terão lugar nesta equipa de Paulo Bento quando se nota claramente que ele é defensor acérrimo do 4-4-2 losango (não me recordo de alguma vez jogarmos em 4-3-3 a não ser nos ultimos minutos de jogos em que precisássemos de atacar pra empatar ou vencer)
Como dizes, e bem, a questão dos médios não se coloca muito visto hoje em dia estar em voga a questão da adaptação aos diversos postos dessa zona do terreno.
Mas no que respeita aos extremos eu tenho muita curiosidade (e receio, confesso) em ver como eles serão, se é que vão ser algum dia) colocados na equipa inicial.
Inclusivamente penso que com Paulo Bento, jogadores como Quaresma ou CR nem iriam conseguir demonstrar todas as suas capacidades em virtude deste treinador não ser muito apologista de extremos.
Vamos a ver se esses jogadores ( Caiado ou Paim) serão alguma vez considerados para jogarem sob as ordens de Bento. Aliás, note-se que Paulo Bento nunca se reforçou com extremos, tendo inclusive dispensado Wender ou Douala.
E como nota final deixo a seguinte questão: Será que esta estratégia de se jogar sob 2 esquemas ( segundo as pessoas do clube dizem, 4-3-3 ou 4-2-2) é para levar por muito tempo?? Imagine-se um Co Adrianse a vir treinar o SCP…acham que os responsáveis iriam impor o mesmo modelo de jogo ao treinador??
Parabéns pelo tópico, mais uma vez, Leão Vegetariano.

Obrigado Baldas.

De facto, é a grande incógnita, saber se jogadores como Caiado ou Paim encaixariam num onze do Paulo Bento. Por um lado, acho que o Nani, apesar de ter características de extremo, encaixou bem (na minha opinião) no losango… Em que posição jogava ele nos juniores? Na linha avançada ou no meio campo?

Recordo ainda o que dizia o Jean Paul na tal entrevista: não se pode adaptar constantemente os sistemas de jogo das camadas jovens às “vontades” dos treinadores que passam pelos seniores (e, hoje em dia, um treinador “aguenta” cada vez menos tempo no banco… PB começa a ser excepção). No entanto, também é verdade que o Sporting tem uma certa tradição neste esquema 4-4-2, para além de que também devemos ter em conta (como diria o LFL) as “tradições tácticas” portuguesas, onde não costumam caber esquemas tipo 5-4-1 (catenaccio) nem tipo 3-5-2 (holandesa)… Parece-me que 4-3-3 tende a ser cada vez mais frequente no nosso país, por isso faz muito sentido trabalhá-lo nas camadas jovens… Mas voltamos à questão inicial…

Vi apenas três jogos do Nani nos juniores do Sporting mas em todos eles jogou no meio campo. Jogava preferencialmente sobre a direita, aparecendo esporadicamente no flanco esquerdo.

Quanto ao tema do tópico, é sabido, desde há muito tempo, que o 4-3-3 é o modelo utilizado em todos os escalões. Pessoalmente, é o meu modelo preferido, embora ache que actualmente corremos o risco de não aproveitar os extremos que formamos (como já foi aqui referido). Ainda cheguei a pensar que o Paulo Bento, em virtude de conhecer muito bem os jogadores nascidos em 86, 87 e 88, estivesse a ponderar o 4-3-3 na equipa principal, de modo a potenciar a nata dessas gerações.

Hoje parece-me evidente que o 4-4-2 losango está de pedra e cal (pessoalmente, não gosto) o que pode não ser o ideal para a aposta nos extremos. E é pena.

O problema, do meu ponto de vista, em adoptar para os escalões de formação um esquema de jogo que replique o da equipa sénior, é que o modelo que os A’s utilizam tem sempre a ver com o treinador. Neste momento temos o Paulo Bento que aposta quase sempre no losango, já tivemos treinadores que apostaram noutros sistemas e, concerteza, teremos outros mais no futuro que apostarão em sistemas diferentes. Conclusão: acho bem que a formação jogue sempre num sistema. Formar um jogador é um acto contínuo que atinge o seu climax na promoção para a equipa sénior, e não pode estar ao sabor dos ventos e das marés que sacodem o plantel principal.

Acho que a única hipótese viável de meter a formação a copiar o sistema de jogo dos séniores, passaria pela adopção de um sistema de jogo “Sporting”, que seria sempre para manter, viesse quem viesse, tal como fazem à muitos anos, e com sucesso, os do Ajax.

Em resumo, esta é a minha opinião sobre este assunto que, de resto, acho importantíssimo colocar em discussão. Parabéns pelo tópico.

Kylekatarn,

concordo contigo: a formação não pode ficar a depender das “marés” que se verificam nos A’s.

A minha pergunta aqui, então, é a seguinte: será que o Sporting, na sua equipa principal, não tem já uma certa tradição de sistema de jogo em 4-4-2? Há largos anos que muitos suspiramos pelo 4-3-3, mas a realidade é que, apesar de terem passado pelo plantel jogadores como Quaresma, Cris Ró, Douala e até mesmo De Franceschi (só para citar aqueles que me vieram à cabeça neste momento), este sistema nunca se impôs. Pelo menos, se a memória não me falha, de há uma década para cá que não jogamos consistentemente com esse modelo.

Por outro lado, continuo a perguntar: porque é que não se trabalham os dois modelos em simultâneo nas camadas jovens? Será que é demasiado “complicado” para os miúdos ( faço esta pergunta sem qualquer ponta de ironia)? Hoje em dia, é comum ouvir os treinadores, técnicos e especialistas a “recomendar” as equipas a se prepararem para jogar com mais de um sistema. O próprio PB fala no 4-4-2 como sistema preferencial, mas tem o “famoso” 3-4-3 na recâmara (o tal do jogo em casa com o Porco na época passada, também utilizado na taça contra equipas de escalões inferiores) - que, de resto, nunca me convenceu.

Seria interessante se algum dos foristas com “connections” na área da formação conseguisse obter mais comentários sobre este tema.

ola estou em franca por enquanto nao sei o que se passa na nossa academia,gostaria de saber qual ei o esquema de jogo dos nossos putos,saber se eles jogam com extremos.
se nao ensinam na academia,aos putos,a jogar em 4-4-2 losango porque chegando a equipa principal o paulo bento aplica isso nao tem jeito nenhum. :o

É uma questão interessante.

Quem acompanha mais de perto a formação, que se pronuncie.

Não acho que o sistema de jogo a implementar nos escalões da formação deva ser condicionado pelo esquema que é usado na equipa sénior. Neste momento joga-se em losango porque quando PB assumiu o comando técnico da equipa a equipa já trazia essa rotina do tempo do Peseiro e PB não quis (ou não soube) implementar outro sistema. Se um dia vier treinar a equipa principal outro treinador com outra filosofia de jogo, teria que se reformular o sistema de jogo dos escalões da formação, e entretanto todos os jogadores que haviam sido “formados” no losango, veriam desperdiçadas as rotinas adquiridas ao longo do seu trajecto nos juvenis, júniores, etc.

Já o contrário, isto é, fazer escola dum sistema de jogo para mais tarde aplicar na equipa principal, parece-me interessante. Aliás, se não estou em erro o Ajax fazia isso. No entanto isso implicaria uma grande articulação e coordenação entre o departamento de formação e a equipa técnica da equipa principal, e implicaria um planeamento a médio/longo prazo e um treinador com o perfil adequado e que desse garantias, de modo a evitar que uma saída prematura pusesse em causa todo o trabalho desenvolvido (lá está: um manager, um Alex Ferguson e não um ex-treinador de Júniores com 1 ou 2 anos de experiência e com meros conhecimentos de treino na óptica do utilizador).

Mais interessante, a meu ver, que ter o esquema que temos ou um esquema perto do que se pratica no Ajax, era realmente formar tacticamente os nossos jogadores e prepara-los para se saberem posicionar e darem resposta em vários esquemas.

Salvo os casos excepcionais não aprecio muito os “one trick ponys”. Parece-me razoável pedir que, no final da sua formação um central conheça as rotinas (pelo menos teóricas) dum medio-ala, ou um avançado as de um trinco.

Tal como especificamente deveriam saber os posicionamentos individualmente e entre sectores consoante o esquema utilizado e os esquemas adversários. Uma espécie de manual táctico. Obviamente faltar-lhes-iam as rotinas jogadas, mas com os conhecimentos estas seriam atingidas mais rapidamente.

Não digo com isto todos os jogadores fiquem aptos para jogar em qualquer posição e sistema. O correcto desenvolvimento das especificidades, características e aptidões de cada serão sempre a sua mais-valia fundamental

Mas com isto acho que conseguiríamos jogadores mais cultos e inteligentes e por força disso, melhores e mais adaptados (e adaptáveis) e potencialmente mais “desejaveis”

Tradicionalmente, a idade apontada para se iniciarem treinos tacticos exigentes sao os 16 anos e o esquema defendido é o 3-4-3 por ser anti-preguicoso e permitir detectar falhas num apice.

3-4-3 olha que nao pensava mesmo nessa,obrigado paracelsus.
de facto ate ei boa coisa o 3-4-3 sendo o esquema mais dificil ate ei bom os putos comecaram assim. :great:

O 3-4-3 é o esquema táctico tradicionalmente mais exigente, porque as falhas individuais têm repercussoes imediatas no colectivo… isso obriga a níveis de concentracao muito elevados e também a que os jogadores tenham de identificar os movimentos dos colegas para compensar falhas momentâneas. É um sistema de risco que nao aconselho para os séniores, mas que nos júniores e até juvenis onde o objectivo ganhar nao é tao prioritário, acho que seria o ideal para desenvolver ao máximo a cultura táctica de cada um.

Neste tópico existem umas boas opiniões sobre o assunto.

Tens razao ygor, vou tratar de fundir os tópicos.

EDIT/ Os dois tópicos sobre o sistema táctico das camadas jovens foram fundidos num único.

Isso sim, seria uma verdadeira Academia. Aliar a formação física e técnica à formação teórica e táctica dos jovens jogadores: Mens sana in corpore sano. Não sei até que ponto se dá importância à formação teórica dos jogadores actualmente. Suponho que os jovens também assistam a palestras e slides dos treinadores onde são cobertos esses aspectos, mas o ideal seria mesmo introduzir isso como um factor extra de avaliação dos jogadores.

Alguém sabe se isso é feito?

Isso já acontece actualmente.
A maior parte dos jogadores já desempenharam, nos jogos, várias posições.
A parte táctica é muito trabalhada na Academia e não me parece que seja aí que a formação falhe.

Lamento mas não é! Pelo menos ao nível que para mim seria desejável. Um médio pode-se adaptar dentro do seu sector, tal como o defesa ou o atacante.

Mas o automatismo do redesenho táctico automatizado (com conhecimentos de posições e funções) e o conhecimento, mesmo que não excessivamente aprofundado, da funções, posicionamentos e movimentações de cada um dos postos de jogo por todos não acontece.

Teoricamente nao acho que um sistema de formacao deva ter consequencias no esquema da equipa principal mas no nosso caso e principalmente das equipas latinas , acho que o 4-3-3 é a unica tactica que consegue explorar totalmente as nossas virtudes , e isso para mim é inegavel. Nós vivemos do talento , somos uma equipa de momentos , tecnicamente evoluidos e que decidimos jogos em pequenos momentos de genialidade…quando temos uma Academia que forma com muita regularidade jogadores do género , jogar num outro sistema que nao o 4-3-3 é nao saber potenciar os nossos valores. Nao podemos continuar a jogar num sistema tao estatico , tao exigente fisica e mentalmente e de grande exigencia tactica , ainda para mais quando o nosso plantel é constituido por tantos jovens jogadores. E nao podemos continuar a suster o talento puro dos jogadores num sistema deste género…nao entendo como Bento apos 3 anos nao vê isto. E a desculpa de Liedson para mim tambem nao convence , numa liga tao fraca como a nossa , uma alternativa seria o 4-4-2 classico com uma dupla no meio (veloso e moutinho) e 2 extremos mais enconstados á linha , e 2 avancados (liedson e o parceiro).

Jogar em losango asfixia a equipa e nao potencia aquilo que as tipicas equipas latinas têm…talento , capacidade de romper e de ocupar espacos que nao sao seus , coisa que nesta tactica do losango é dificl de fazer. O Sporting nao pode pensar que vai vencer todos os jogos atraves de um rigor tactico excessivo que submeta o adversario a mudar (acontecia muito o ano passado , o nosso losango era condicionante para toda a gente) .

Com o estilo de jogador que a nossa Academia procura , o 4-3-3 é a resposta normal para as condicoes de jogadores que dispomos. Nao ver isso no plantel principal custa-me a entender…

Desculpa mas acontece.
Já vi vários jogadores dos mais diversos escalões desempenhar funções bastantes distintas dentro de campo.
Não estejas à espera de ver um guarda-redes jogar a central nem um central a ponta-de-lança mas já presenciei várias alternativas tácticas e várias funções desempenhadas pelo mesmo jogador dentro de campo.

Correndo o risco de parecermos os velhos dos marretas;

Desculpa mas não acontece!

Pelo menos o que eu referi acima e nos moldes que eu tentei expor.

É óbvio que um trinco conseguirá jogara a médio mais avançado e vice versa, que um central jogará a lateral e vice-versa mas o conhecimento das restantes posições de jogo, de forma generalizada não acontece. Tal como não acontece o conhecimento mais aprofundado das transições entre tácticas.

Atenção que não estou a afirmar liminarmente que o esquema implementado na formação do Sporting esteja errado, até porque os resultados me contradiriam alto e bom som felizmente. É apenas uma opinião pessoal, que sei de muito difícil implementação.

Até já falei com pessoas que estão e estiveram nos quadros da academia que me disseram que o aprofundamento do conhecimento táctico seria bom mas que seria moroso, provavelmente não traria resultados (possivelmente seriam melhores seniores, mas com a aprendizagem correria o risco de perder a supremacia nos juniores, com todos os problemas em termos de valor e confiança que isso acarretaria) sendo que as prioridades são outras.