Tácticas das camadas jovens na transição para o plantel principal

Que há trabalhos em mais que uma posição nos diversos jogadores, é um facto. Que há treino sem ser especifico por posição, como trabalho de técnica, trabalho defensivo e ofensivo sem olhar a posições de cada um é também outro facto. Há variadissimos jogadores nas camadas jovens que quando são chamados como solução para outra posição totalmente diferente, desempenham-na exemplarmente.

João Gonçalves
Cedric Soares

São 2 excelentes exemplos disso mesmo.

Depois temos muitos outros como centrais para laterais, extremos para avançados e avançados para extremos, ou extremos para nº 10 ou mesmo interiores. Durante vários jogos ao longo da época podemos ver esse “exercicio” de trocas de funções a ser desempenhado.

Em relação ao 3-4-3 … para formar laterais modernos é excelente e nós até à pouco temos/tinhamos poucos laterais onde nos agarrar, por isso foi com naturalidade ver vários jogadores mais ofensivos a jogar a lateral, por isso os 2 que citei na posição de lateral direito e pegam muito bem.

Afinal parece que não sou só eu que ando a ter visões … :stuck_out_tongue:

Acontece sim. :wink:

Eu acho que essas adaptações tem sucesso também porque quer queiramos quer não, temos que admitir que o campeonato de Juniores é de um nível fraco em termos de competitivade, o que faz com que quando apareça um adversário mais puxadote notem-se mais as limitações dos jogadores adaptados (falo do caso do João Gonçalves, foi onde notei mais isso).

O que não é mau, pois vai lhes dando tempo e calo para corrigir essas limitações e ganhar rotinas; para haver adaptações como deve ser, tem que ser mesmo de raiz, não no plantel principal para tapar buracos.

Continuo na minha!

Aliás o que eu escrevi não invalida de todo o que tu ou o Crazy afirmam. O que voces escrevem também eu sei que acontece.

O que eu escrevi, e pode ser dificuldade minha de explanar o meu pensamento, é um degrau acima.

Trabalho generalizado para todos os jogadores de conhecimento de movimentos e posicionamentos de todas as posições de jogo e em vários sistemas e respectivas transições tácticas entre sistemas e em oposição a diferentes sistemas adversários.

A este nível, não é feito! Tal como volto a afirmar que tenho dúvidas sobre a aplicabilidade deste tipo de abordagem e seus resultados. É uma mera opinião teórica.

Até porque se a Academia está a funcionar com os resultados que se observam é porque o sistema de aprendizagem está a funcionar bem e quem o planeia e põe em prática sabe infinitamente mais disto do que eu!

Acho que o que o psilva está tentar dizer é que os jogadores deveriam passar para os séniores com muito mais cultura táctica que a actual. Nós vemos isso em escolas de formacão como a do Ajax, Barcelona e algumas francesas. Os jogadores aos 21-22 anos parece que sabem exactamente o que fazer em campo, que estilo de jogo adoptar, que tipo de rotinas lhe são exigidas, independentemente do treinador ou das indicacões específicas para aquele jogo… são, em suma, mais completos a nível táctico.

O futebol português é tradicionalmente uma bandalheira a nível táctico e a verdade é que os jogadores mais jovens parecem por vezes um bocado perdidos dentro do campo, sendo que compensam isso com o enorme instinto que têm para o futebol. Eu acho que isso se deve, em certa medida, a uma lacuna no treino táctico e penso que uma formacão mais rígida nesse aspecto poderia melhorar e muito os jogadores (ou seja, jogadores mais “Bino” e menos “Paim”, para usar uma analogia um bocado exagerada)

E assim vem um gajo lá das Escandinávias escrever em dois parágrafos o que eu falhei em explicar! :wink:

:lol:

Percebo aquilo a que se referem mas não acho que os jogadores oriundos da formação do Sporting sejam maus a nível táctico.
Veja-se os casos de Nani, Veloso, Moutinho e Pereirinha que são os nossos jogadores de 21 e 22 anos (e até menos) que não me parece que percam em nada para os seus homólogos oriundos das formações de outros países.
São jogadores que me parece que tem uma boa cultura táctica e são capazes de desempenhar diversas posições dentro de campo.
Djaló já me parece que tenha um pouco menos dessa cultura mas também deve-se um pouco ao estilo de jogador além de me parecer ser o jogador mais atrasado na sua etapa de formação.

Os jogador tipo Bino são importantes e nesses revejo Moutinho como um exemplo prático mais recente desse modelo de jogador.

Em relação aos jogadores tipo Paím é mais complicado terem tanta cultura táctica porque é um bocado contra-natura.
Todo o valor deste tipo de jogadores está inerente à sua fantasia que muitas vezes assenta na sua liberdade táctica e criativa dentro de campo.
Reconheço que neste tipo de jogadores poderia ser trabalhada melhor a componente táctica que poderá ser muito importante até para facilitar a sua adaptação às exigências do futebol sénior.

Aquilo que me parece que falta na transição para o futebol sénior, nomeadamente nos primeiros anos no plantel principal, é treino específico para cada jogador tendo em conta as suas características e as características específicas da posição que pretende desempenhar.

Acho que não deveria ser encarado, por parte dos jovens jogadores, como uma vergonha ficar mais algum tempo no final dos treinos a treinar situações específicas para suprir lacunas.
No que respeita à equipa técnica da formação principal deveria ter elementos especializados em formação em determinadas sectores do campo tal como existe para os guarda-redes. Estes elementos seriam coordenados pelo treinador principal.

Por exemplo um jogador como Djaló só teria a ganhar a ficar mais uma hora no final do treino a treinar a recepção de bola, primeiro toque e passe que são muito importantes para um jogador que joga na sua posição e nas quais ele ainda precisa muito de melhorar.
Este tipo de correcções têm de ser feitas enquanto o jogador ainda é jovem caso contrário será muito difícil.
Se este tipo de treino não ocorrer corre-se o risco de estarmos na presença de um jogador com bastante potencial que poderá tonar-se num novo Lourenço. :frowning: