É de jogos como este que se faz a história de um clube. Feliz de mim por ter lá estado. O ambiente foi indescritível.
É claro que o objectivo é que este desafio tenha sido apenas uma etapa e não o ponto mais alto desta excelente campanha europeia, mas assim como o FCP teve há dois anos aquele jogo épico com a Lázio, o Sporting teve agora este não menos emocionante jogo com o Newcastle. Que seja um bom prenúncio para a conquista da ambicionada taça.
Este jogo veio a confirmar aquilo que já havia ficado claro na primeira mão, ou seja, que o Sporting não era em nada inferior ao seu opositor. Sem termos feito um dos melhores jogos da época, mostrámos uma clara superioridade.
Mesmo a sensação que me foi dando durante o jogo foi a de que as jogadas de maior perigo do Newcastle nasciam de erros próprios do Sporting. É bom que Enakarhire regresse rapidamente, porque aquela dupla de centrais já se sabe que não funciona. A bola quando chegava à área do Sporting demorava a sair de lá, não havendo quem pusesse termo àquele sofrimento.
Valeu que o golo cedido precocemente não afectou muito a equipa e ainda se conseguiu chegar a um golo fundamental na primeira parte. Golo esse que acabou por fazer esquecer uma exibição menos conseguida de Niculae. O romeno até corre bastante e dá algum trabalho aos centrais, mas parece-me excessivamente trapalhão em diversas situações. A falta de ritmo justificará alguma coisa, mas não tudo.
Na primeira parte destaco sobretudo o bom jogo de Rogério. Foi dos que melhor ajudaram o ataque, assumindo por vezes tarefas que seriam de outros. As melhores jogadas do Sporting nasceram quase sempre do seu flanco.
Na segunda parte entrou-se com vontade mas sem muita cabeça. Teve de entrar Barbosa para que a equipa ganha-se serenidade e para que alguém começasse a pensar o jogo. Foi impressionante a forma como o Sporting mudou com a entrada do Capitão. E aqui tem de se dar mérito a Peseiro, que muitas vezes falha na altura de mexer na equipa. Ontem fez sempre alterações acertadas, fazendo entrar e sair os jogadores certos na altura certa.
Àquele meio-campo faltava alguém mais calmo do que Martins, um jogador que quer fazer tudo muito depressa, acabando por transmitir alguma ansiedade aos colegas. No plano oposto, o jovem Moutinho que de “inho” tem mesmo muito pouco. Será o meu MVP da partida, até pela regularidade da sua exibição. Nota-se que é um jogador com uma boa preparação física, apesar da sua baixa estatura.
Rochemback, sem ter estado brilhante, foi importante no aspecto mais defensivo. Aliás, até terá estado brilhante na forma como marcou o quarto golo do Sporting. Foi um lance ao alcance de poucos.
Gostei também da entrada de Pinilla. Na luta pelo lugar de avançado alternativo, acho que ganhou alguma vantagem a Mota e Niculae.
Espero agora que esta vitória traga uma motivação-extra à equipa para enfrentar o resto da época. É claro que as exigências físicas serão bem maiores, mas nesta altura só há que enfrentar cada desafio como se fosse o mais importante de uma carreira.