Como podem ver pelo que aqui escrevo sou bastante crítico de algumas opções de Paulo Bento. E faço-o com à-vontade pois também não sou avarento na hora de o elogiar.
A decepção que se vive é grande porque a expectativa também o era. Afinal esta equipa foi preparada com tempo e pelo próprio treinador, mesmo com as limitações financeiras conhecidas. Este ano, depois do 2º lugar da época passada, a apenas 1 ponto do 1º, todos ansiávamos por mais e julgávamos possível. Ao invés, estamos a viver o pior momento em termos exibicionais desde que PBento tomou conta da equipa, há 2 anos. Muito do desapontamento tem origem num factor imprevisto e fora do nosso controle: o disparar do fcp. Porque, bem analisadas, as coisas estamos 1 ponto atrás do slb, depois de já termos jogado fora com os nossos principais competidores. No entanto o que mais parece preocupar os sportinguistas, eu incluído, é o terrível momento de forma da equipa, com uma desastrada produção.
Se entendo que PBento é o grande responsável pelas nossas vitórias recentes (Taça+Supertaça), que nos tirou de um jejum de 5 anos, e pela credibilização do nosso futebol junto de adversários e média, também o responsabilizo pelo momento actual, evidentemente. Só que, ao contrário de algumas vozes cada vez mais sonoras, eu acredito que PBento é o treinador indicado para o nosso clube. Não é o único evidentemente. Mas creio que todos teremos a ganhar com a sua presença por muitos mais anos. Ele incluído. Porquê? Entre muitas outras:
Porque Pbento conhece bem o clube e está identificado connosco.
Porque tem a coragem de assumir os objectivos exigidos pelo nosso historial, pesem os poucos recursos disponíveis, quando comparados com os dos adversários com tem que se confrontar.
Porque é um líder. Para bem e para o mal assume-se como tal e assume as suas decisões, técnicas e disciplinares.
Porque, como já vimos em diversas ocasiões, ele consegue aliar a capacidade de ganhar à de produzir bons espectáculos, mas quando tal não é possível tem presente que um clube vive é de resultados positivos.
Acho que verdadeiramente nenhum sportinguista equaciona a hipótese de uma chicotada psicológica, nem o actual cenário o justifica. Se é verdade que PBento tem crescido connosco o contrário também é verdade. Os resultados estão aí para o confirmar. Há quem diga que PBento é o melhor que o nosso dinheiro pode pagar. Eu pergunto: com os nossos recursos que Capellos, Lippis e outros seriam garante de melhor? Eu acredito que a solução está dentro de nós e começa em PBento. Como dizia há dias, basta que ele desate os nós que tem dado. Acredito que, com ele, seremos mais capazes do que agora aparentamos.
Além do nosso treinador muito têm falado os sportinguistas das aquisições para esta época. Carlos Freitas continua a ser o alvo mais fácil, um verdadeiro sitting-duck. Para mim a principal questão reside nos recursos financeiros. Como podemos comprar pouco temos que acertar em todos, não há o direito ao erro. É como um cliente rico que compra um cesto de maçãs e poderá dar-se ao luxo de desperdiçar algumas. Nós somos o cliente pobre que só pode comprar 5 e, por isso, todas têm que ser boas.
Eu continuo a dizer aquilo que afirmo desde o início de época: na generalidade compramos bem. Falta saber se todas as aquisições serão bem sucedidas. Mas aí entram imponderáveis que estão para lá do “valor facial” dos atletas, como a sorte, a adaptação, etc. A minha dúvida é se contratamos o suficiente. Não vejo um médio-esquerdo de raiz, quando um plantel deverá ter 2 jogadores para cada posição. Não vejo alternativa remota a Liedson se este estiver castigado, lesionado ou em má-forma. E claro que ficamos expostos do lado direito da defesa com a lesão de Pedro Silva e pelas mesmas razões na frente de ataque com a lesão de Derlei, curiosamente a aquisição que mais reacções extremadas havia suscitado.
Não consigo adivinhar se a vitória de ontem terá um efeito dissipador, mas não tenho dúvidas que, nós os adeptos também temos um papel nesta história. Não creio que, perante as fracas exibições, não possamos criticar e tenhamos que nos remeter a um silêncio conformista. Claro que ao criticar devemos fazê-lo fundamentadamente, sem adoptar discursos idênticos ou piores do que fariam os nossos adversários ou inimigos. Não tenho dúvidas que, desempenhando o papel que nos cabe, podemos começar (ou continuar) por receber calorosamente a equipa em Alvalade, com a Naval. Assobios não são admissíveis, pelo menos antes de o jogo terminar.
verdão
apesar de não concordar por inteiro, penso que o essencial está aqui…