Contas muito complicadas. Curiosamente, a equipa portuguesa até esteve bem melhor do que tem sido hábito - ainda que a exibição não tenha sido a maravilha que já vi aí pintada. Muitos remates, é certo, mas a esmagadora maioria de longe e sem grande perigo, o que indicia claros problemas no último terço do campo. Nada de novo, portanto.
Também muita posse de bola, mas o domínio foi bastante consentido pela equipa sueca, que apostou claramente no 0-0. Excelentes a defender - Mellberg e Majestrovic deviam partilhar o prémio de melhor em campo - e a manterem à distância os desinspirados portugueses, os suecos foram muito tímidos na frente, não explorando os problemas óbvios dos portugueses nas laterais (o porquê de Wilhelmsson não jogar de início frente ao adaptado Duda é um mistério para mim…). Pepe desempenhou um papel importante na ineficácia atacante sueca - talvez o melhor jogador português da noite e aí mérito a Queirós pela aposta.
Mas na conferência de imprensa, lá tivemos outra vez Queirós at his very best. Depois de muita “falta de sorte” (três vezes seguidas? ele acredita mesmo nisso?) e “temos de continuar a jogar e a rematar assim” (preocupante, porque indicia que não há reflexão sobre o que está errado…), não se conteve e lá começou a disparatar sobre penalties que só ele viu. Decididamente, a sua incapacidade para assumir responsabilidades roça o patológico…
E agora, que contas? A forma mais fácil nesta coisas é contar o máximo de pontos possível que cada equipa pode fazer.
Dinamarca: 28 pts
Hungria: 25 pts
Suécia: 24 pts
Portugal: 21 pts
Visto assim, precisamos basicamente:
a) que Portugal ganhe todos os jogos que lhe restam, fazendo os tais 21 pontos.
b) que a Dinamarca, além de perder com Portugal, perca outro jogo e pelo menos empate ainda outro, ficando com 20 pontos.
c) que a Suécia perca um jogo e pelo menos empate outro - assumindo que vão ganhar vantagem sobre Portugal na diferença de golos porque têm ainda os dois jogos com Malta por realizar - ficando com 20 pontos.
Assim à primeira vista, não parece missão impossível. A Dinamarca e a Suécia jogam entre elas e não é descabido que ganhem um jogo cada uma. Além disso, os dinamarqueses ainda têm de visitar a Albânia, onde é perfeitamente possível empatarem. Quanto aos suecos, têm o calendário mais favorável de todos, mas que ainda inclui uma visita à Hungria, onde podem deixar pontos. Claro que se os dinamarqueses ganharem na Albânia e os suecos na Hungria, é game over para Portugal; mas acredito que pelo menos um deles escorregue, já que estão longe de ser equipas regulares. Assim, as condições b) e c), se bem que não estando garantidas, podem facilmente realizar-se.
O problema é outro: é que nem eu, nem mais ninguém a não ser os fanáticos queirosianos acreditam que esta selecção consiga de repente encontrar a fórmula mágica e vencer os cinco jogos que lhe faltam. Tem de visitar a Albânia, a Dinamarca e a Hungria; e, independentemente de cada vitória, vai jogar todos os jogo sobre brasas, sabendo que qualquer empate que seja significa o fim das hipóteses de qualificação. É que salvo uma improvável combinação de resultados, 20 pontos será mesmo o limiar mínimo de apuramento para o play-off…