Nesse post está tudo dito.
Ainda ontem cá em casa, vimos a bola com outro casal amigo, e o meu amigo que é lampião tem mais ou menos a mesma opinião que eu. E comentávamos que longe vão os tempos de Scolari. Scolari representou uma viragem no futebol de seleção em Portugal e, coincidência ou não, foi o unico que vimos vir com poder suficiente e tomates para meter de fora as vacas sagradas (do qual o mais mediático foi o Baía) e os interesses instalados. Também criou o seu núcleo duro e não era fácil lá entrar mas teve os tomates para enfrentar os interesses instalados na FPF (na altura muito influenciados pelo Papa e sua entourage) e construiu uma equipa com uma alma gigante. Contagiou toda a gente, era um gajo com um carisma gigante, e embora não tenhamos ganho nada com ele, chegámos aquela final do Euro e pavimentou-se o que viria nos anos seguintes, que teve como corolário o EURO 2016 (no qual também já se via um fim de ciclo).
Depois de Scolari voltámos às fórmulas bizarras de antigamente, sendo que o Bentolas, que acabou por não ficar muito tempo no cargo, era um bocado um gajo em contraciclo pois pela sua personalidade também nunca foi muito de papar grupos. A diferença para com Scolari é que o Bento era pior treinador e tinha menos carisma para lidar com alguns egos.
Santolas foi mais do mesmo, e batemos no fundo com este Ruca espanhol… o expoente máximo de tudo o que de mais pernicioso e nefasto existe na FPF. Os compadrios, os afilhados, a meritocracia inversa, o parasitismo, a incompetência.
Nós olhamos para esta geração que muitos dizem ser “a melhor de sempre” e a verdade é que não vemos verdadeiros lideres nem figuras. O facto de gajos como Vitinha, Neves ou Bruno Fernandes serem os melhores da aldeia deles e depois na seleção parecerem banais, além do treinador mediocre também diz muito da personalidade dos jogadores e do facto de serem incapazes de assumirem a responsabilidade. O Bernardo a mesma merda. Até o Ruben Dias com aquele ar de xerife, não é referência para ninguém. Não há identidade porque as referências já não existem.
Nós olhamos para os anos pré-Scolari e sobretudo na era do Scolari e no pós-Scolari e viamos gajos como Figo, Rui Costa, Pauleta, Costinha, Maniche, Deco, Ricardo e depois Ronaldo, Quaresma, Nani, Pepe, Moutinho, etc, sendo que estes ultimos foram sendo pilares das seleções pós-Scolari, gajos que eram referências, alguns deles líderes dentro de campo. Admito que com outro treinador, alguns dos atuais possam conseguir outro papel e sobretudo sem o “expectro” de Ronaldo se assumam mais e melhor e consigam dar a esta seleção outra aura, mas o que vimos sobretudo desde o euro2016 tem sido uma perda de identidade da seleção muito à boleia daquilo que têm sido os interesses instalados` na FPF.
Enquanto insistirmos em ser uma seleção de “demonstração” (sendo que até a demonstração é fraca), uma espécie de circo onde o “palhaço principal” é Ronaldo, nunca iremos a lado nenhum. A FPF assumiu que, com Ronaldo. era para espremer a vaca até à ultima gota, e que se foda ganhar titulos. O pessoal vai ver os jogos de Portugal para ver Ronaldo, e essa tem sido de há vários anos a esta parte, a única permissa de quem manda naquela merda. Só que nós, enqunto portugueses estamos-nos a cagar para quem vai ao estádio gastar centenas ou milhares de dólares para ver Ronaldo, nós queremos uma equipa a jogar à bola, com ou sem Ronaldo.
Mas para isso seria preciso a FPF pensar de outra maneira. Veremos se a escolha vai recair em Jesus. Tenho alguma esperança que com Jesus as coisas melhorem a vários níveis, desde a qualidade de jogo, à limpeza que tem de ser feita. Acho que o Jesus já tem dinheiro suficiente nos bolsos e pouco ou nada a provar a ninguém para ir para a seleção ser mais um capacho de seja quem for, e essa é a minha esperança.