O Bébé tem ali muitas arestas por limar. Mas, atenção, quando embala com a bola em velocidade faz lembrar uma locomotiva! Não é lá com 2 cantigas que se para um bicho daqueles! Em boa verdade, poucos jogadores no campeonato português que se lhe poderão igualar nesse capítulo.
Por vezes é um bocadito trapalhão, mas porque não? Vindo ao preço da uva mijona, não se perderia nada em tentar.
Verdadeiros craques, por norma, fazem-se pagar - e pagar bem. Exceptuando os excelentes produtos de Alcochete e seu aproveitamento, nós estamos mais para Dramés e Bébés do que propriamente para craques…
Viria com bons olhos o Bebé no Sporting. Tem imenso potencial e tem uma boa margem de evolução. Oferece ao jogo o que tem faltado aos extremos do Sporting: jogo interior, poder de fogo, rápido no drible. Tem grande capacidade física, forte no jogo aéreo, precisa é de ser um pouco “domesticado”, isto é, ganhar cultura táctica. O Bebé é dos extremos que resolvem jogos, que pode sacar um coelho da cartola de um momento para o outro. Numa equipa a nível táctico forte e coesa, o Bebé acabaria por ganhar consciência. Encaixava bem no Sporting porque não temos nenhum do género e precisamos imenso.
Carrillo podia ser melhor que o Bebé, mas não o é. Nem me parece que o queira ser. Neste momento, o português já é mais jogador. Nem os considero sequer jogadores iguais, são um pouco distintos. A única parecença é jogarem nos flancos, apenas e só.
Não nos podemos esquecer que a qualidade paga-se bem. O Bebé talvez seja para os nossos cofres. Talvez, nem sei bem.
Nem é questão de ser burro ou de ter mais ou menos potencial. É que o Bebé tem uma capacidade de decisão e uma leitura de jogo ao nível de um qualquer jogador da distrital. “Sentido colectivo” é uma definição estranha para ele. E se isso já se nota bastante numa equipa pequena (porque no Paços, para marcar 2 golos, tem de ter 15/20x a bola nos pés para tentar o lance individual, visto que ele estraga mais lances que aqueles em que toma a melhor opção), que fará no Sporting onde, além de ter menos vezes a bola no pé e de ter menos hipóteses para arriscar o lance individual, ainda tem menos espaço no meio-campo adversário para aproveitar a sua melhor característica, que é a velocidade.
Ao pé dele, o Carrillo parece o Xavi a ler o jogo e a decidir.
Bebé não obrigado!
Jogador limitado tecnicamente, que vive a cima de tudo do físico e da velocidade que tem. É um jogador que precisa de espaço para embalar e em espaços curtos tem muitas dificuldades, para não falar que em termos de decisão é bastante fraco.
Se formos falar em extremos a jogar no nosso campeonato, prefiro o Ceballos ou o Ricardo Horta.
O Bebé teria a sua utilidade dentro do plantel do Sporting. Já aqui defendi, em plantéis que idealizei para a próxima época, um jogador com as suas características. Um avançado móvel, a jogar a partir duma ala. O jogador que muito tenho falado é o Sebá, para mim ideal nesse contexto. Mas o Bebé também se enquadraria bem. Um jogador alto, poderoso fisicamente, com capacidade e “vontade” de aparecer na área, um jogador que chuta bem, está habituado a marcar golos. O Bebé jogaria idealmente pelo lado direito, fazendo, maioritariamente, movimentos interiores, procurando aparecer em zonas de finalização ou combinando com o PL e os médios, deixando espaço nas suas costas, na ala, para um lateral de grande qualidade e pendor ofensivo. Na outra banda, um extremo mais vertical, mais puro, que procure mais a linha e colocar a bola em cruzamento na área, onde teríamos o Bebé (1.90) e o Slimani (1.89).
Uma solução um pouco diferente do que temos actualmente. Acho importante ter alguma variedade de soluções, principalmente na frente.
Matchbox Twenty, outro jogador que se encaixa nesse perfil é o… J.Pedro Galvão! 8)
Vá, diz-me lá que depois deste bom momento de forma que ele tem apresentado, já estás mais convencido de que também poderia ser uma escolha interessante para integrar o plantel da próxima época.
Entre Galvão, Sebá e Bebé, escolhia claramente o primeiro. Se bem que, da nossa liga, quem me enche as medidas é o Ceballos. Também gosto muito do Ricardo Horta.