Rui Pinto

Nélio Lucas, diretor-geral Doyen Sports entre 2011 e 2017, reconheceu esta quarta-feira, ao testemunhar no julgamento de Rui Pinto, que aquele fundo não perdia dinheiro com o investimento que fazia em “ativos” no mundo do futebol. E garantiu que a licitude dos milhões disponibilizados pelo seu então sócio, o turco Malik Ali, foi atestada por instituições bancárias.

Num depoimento em que chegou a ser chamado à atenção pelo coletivo de juízes para dar “respostas diretas e sem considerações pessoais”, Lucas explicou que a ação da Doyen Sports passava, sobretudo, por identificar jovens jogadores com talento e fazer um “investimento especulativo” para lucrar com a sua valorização no futuro.

Na prática, o fundo avançaria, em vez dos clubes, com uma parte do valor de um jogador cujo passe estes pretenderiam comprar. Nessa altura, ficaria com o direito a essa percentagem dos direitos económicos do atleta. Numa futura transferência, à partida por montantes mais elevados, ganharia essa proporção daquela parcela. Se o futebolista não chegasse a ser transferido, o clube tinha de restituir à Doyen Sports a quantia investida inicialmente, mais 10% de juros.

“Com este tipo de negócio, não perdemos dinheiro”, reconheceu, esta quarta-feira, Nélio Lucas, de 41 anos. Em Portugal, o fundo negociou, pelo menos, com F. C. Porto, Benfica e Sporting. Alguns desses contratos foram divulgados, a partir de setembro de 2015, no Football Leaks, alegadamente por Rui Pinto, criador assumido do site.

O Ministério Público acredita que o hacker, autointitulado denunciante, terá obtido parte dessa informação acedendo ilicitamente, de forma remota, ao servidor do fundo de investimento.

O gaiense, de 32 anos, está acusado, no total, de 89 crimes informáticos contra cinco entidades e uma tentativa de extorsão por e-mail, em 2015, à Doyen Sports, para evitar a publicação de documentação ligada ao fundo. O arguido alega que fez tudo por “um bem maior”.

Esta quarta-feira, Lucas garantiu que “nada no conteúdo na posse” de Rui Pinto - que, na altura, se apresentou como Artem Lubozov e a quem o empresário se referiu em tribunal como “artista” - o “preocupava” em termos criminais. Reconheceu, ainda assim, que, quando abriu o primeiro e-mail, sentiu “estupefação” e “medo”. “Foi um turbilhão de emoções”, resumiu.


Octávio Machado, diretor desportivo do Sporting à data do alegado ataque de Rui Pinto aos e-mails do clube, desabafou esta quarta-feira, em tribunal, que ficou “magoado” com as suspeitas sobre si do hacker autointitulado denunciante.
“Senti-me magoado quando tive a sensação de que alguém poderia suspeitar de que eu poderia fazer algo ilegal”, afirmou, na 12.ª sessão do julgamento de Rui Pinto, em Lisboa, Octávio Machado.
O ex-dirigente foi um dos 19 elementos da estrutura leonina que terão tido, segundo o Ministério Público, a sua caixa de correio eletrónico invadida, em 2015, pelo gaiense, de 31 anos. O ataque terá visado a obtenção de documentos publicados, a partir de setembro do mesmo ano, no Football Leaks, site do qual Rui Pinto é o criador assumido.
Esta quarta-feira, Octávio Machado reconheceu apenas um documento que admite que possa ter passado pelo seu e-mail. Em causa está um acordo de compromisso para que o futebolista peruano Andre Carrillo aceitasse não jogar em mais nenhum clube em Portugal além do Sporting e que foi redigido no computador do ex-dirigente.
Octávio Machado não consegue, porém, precisar se o documento chegou a circular pela sua caixa de correio eletrónico. “Percebo pouco dessas coisas”, justificou, adiantando que soube somente pela Polícia Judiciária (PJ) que o seu e-mail fora espiado.
Na sessão da manhã desta quarta-feira, testemunharam ainda Paulo Antunes da Silva, ex-administrador executivo da SAD leonina (2013-2015), e Rui Caeiro, administrador da mesma estrutura para as áreas comerciais entre 2013 e 2018.
Este último identificou apenas um dos quatro documentos, publicados no Football Leaks, com que foi confrontado, e apenas por ter a sua assinatura. Questionado pela procuradora Marta Viegas, admitiu que é “muito provável” e “muito plausível” que esse contrato, relativo à transferência de um jogador para o clube inglês Southampton, tenha circulado pelo seu e-mail.


A Polícia Judiciária (PJ) não tentou abrir alguns ficheiros encriptados que estavam no disco desbloqueado de Rui Pinto - identificado como RP3 - devido ao grande “volume de trabalho” na investigação, admitiu esta terça-feira o especialista José São Bento.

Na audição desta manhã, na nona sessão do julgamento, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, abreviada por uma falha inicial no sistema eletrónico e pelo rápido testemunho, o especialista da Judiciária que se dedicou à análise deste disco rígido revelou que, apesar de ter sido apreendido sem encriptação, continha alguns ficheiros que não eram de livre acesso e sobre os quais a PJ não tomou a iniciativa de abrir, mesmo após se iniciar a colaboração com o arguido.

“Com o volume de trabalho que tínhamos, nem os tentámos abrir. Continuamos sem saber [o que tinham]. Eram alguns ficheiros espalhados, não eram muitos e não os tivemos em conta”, frisou José São Bento.

Questionado pela defesa de Rui Pinto sobre a localização original do computador, a partir do qual foi feita a cópia para o disco RP3, o especialista reconheceu que “não é possível aferir” o local.

O tema foi alvo de insistência por parte do coletivo de juízes, que quis perceber se era viável determinar com precisão a geolocalização dos dispositivos, mas o especialista da PJ apenas explicou que era possível estar tanto em Budapeste, como noutro lugar.

O classico: uishhhhh isso dá muito trabalho…

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Os franceses estão a fazer espeleologia aos varios discos que conseguirem copiar antes do Rui Pinto ser preso.

Não deve demorar muito que vamos ter umas noticias de investigações do lado deles.

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PM- primeiro-ministro António Costa

PR- presidente da república Marcelo Rebelo de Sousa

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estas sempre a fazer serviço publico , parabens setaverde.

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Boa Negociata o Lumor…

Por acaso não compraria um carro em segunda mão a este Geraldes. Tem conversa de vendedor de banha da cobra.

Calma. Évora e a Carregueira tem muito espaço para dirigentes e aprendizes de dirigente. Um dia o Mendes será entalado lá fora. E cai tudo. Até croquetes irão ser ensacados. E eu irei comprar pipocas para assistir no sofá… :grin:

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