Presidência de Sousa Cintra 1989-1995

Independentemente do que o Sousa Cintra tenha vindo a fazer desde os últimos ano e de ter participado no golpe de 2018, queria fazer aqui uma retrospetiva histórica com pessoal mais velho ou mais sabedor da história do Sporting do que foi o mandato dele como presidente do Sporting Clube de Portugal, efetivamente o último antes da 1ª Dinastia Croquette.

Homem de origens humildes do Algarve, tornou-se presidente do Sporting em 1989 quando o Sporting estava em cacos advindo ainda da saída de um líder como João Rocha em 1986, em que lhe sucederam presidentes que nunca conseguiram cobrir o vazio de liderança deixada por ele. O Sousa Cintra aparece numas eleições muito concorridas onde ganha por alguma margem e a partir daí diria que foi uma das presidências mais esquizofrenicas do clube.

Se é verdade que devolveu alguma competitividade ao clube que estava completamente numa onda de terceiros e quartos lugares desde 85 ao ter pela primeira vez em alguns anos, alcançar umas Meias Finais de uma competição Europeia (1990-91 Meias Finas da Taça Uefa perdida contra o eventual vencedor da competição, Inter), grandes planteis a partir de 1992 ou de 1993 alegadamente dos melhores planteis que se viu em Alvalade com uma excelente competitividade, também foi responsável por decisões dúbias como a saída de Robson no inverno de 1993, a sua saída que levou à ascensão dos croquettes também nunca foi muito bem explicada, o Sporting naquela altura apesar de bons planteis não tinha influência nenhuma junto dos bastidores do futebol, o que pode ter custado um ou dois campeonatos, a sua ingenuidade no negócio nunca realizado de JVP em 1993…

Será que Sousa Cintra conseguiu recuperar um bocadinho um Sporting que estava lá em cima e que conseguia lutar por títulos e que estabilizou financeiramente o clube? Ou foi ele demasiado casmurro e cometeu demasiados erros históricos como os que se mencionaram aqui, que levaram à ascensão dos croquettes e da sua política de desmonte da identidade do Sporting logo em 95 quando extinguiram 2 modalidades do clube.

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Um bocadinho das duas.
Parabéns pelo enquadramento!

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Ter mandado embora Robson…!!

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Era criança quando ele foi presidente, mas tenho para mim que ele tinha boas intenções, não obstante alguns erros (Robson).

Até digo que, dos presidentes que me lembro ver no SCP, foi o melhor apenas atrás de BDC:
Reconstruiu o clube vindo do caos absoluto, tinha equipas competitivas, contratações com ambição (bibota Gomes e Robson à cabeça), associativismo e modalidades fortes.

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O Sousa Cintra teve mérito em dar a mão (ou as duas) a um Clube que estava muito pior de tesouraria que hoje. Sim, hoje a dívida é muito superior, mas também são as receitas. Não havia dinheiro da NOS, as receitas de publicidade eram irrisórias. Havia muita dificuldade em pagar as despesas correntes e não estou a falar de salários, era mais grave que isso.

Sim, o homem bancou o que tinha de bancar.

Ele não devolveu alguma competitividade, isso é um brutal understatement. Ele deu a competitividade que o Sporting deixara de ter nos sete anos antes. Quando ele entrou o Sporting era quase tão pouco competitivo como é hoje em dia, não brinquemos. Aliás, o plano de haver apenas dois grandes em portugal, logicamente um a Norte e outro a Sul, baseados nas duas grandes cidades e com isso garantir a sua grandeza e competitividade europeias não veio do nada. veio das amizades presidenciais e do estado absoluto de letargia do Sporting.

É verdade que não percebia nada de futebol, nada de sistema, é verdade que foi comido de cebolada pelo pinto da costa. Nunca teve hipótese. Era um presidente de pancadas, a do Carlos Queiroz foi apenas mais uma e que não saiu apenas da sua cabeça. Mas foram essas pancas que trouxeram jogadores de top nacional naquele tempo e construíram dois plantéis que deveriam, não fosse a fruta e o chocolate, completamente rebentado o campeonato português. Mesmo com o Queiroz a fazer merda.

Outra coisa: nesses tempos entrava-se no Sporting, fosse no estádio ou num campo de treinos e vivia-se Sporting. O sentimento de Sportinguismo era completamente diferente.

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Concordo contigo em quase tudo. Se ele não tem despedido o Robson, por causa da obsessão queiroz, quase de certeza seríamos campeões, não foi tanto a fruta e o chocolate.

Não, nunca serias campeão. Esquece lá isso. Eu vi o porto-Sporting de 94 e nunca serias campeão. Com Robson, sem Robson, com Queiroz, com o Cruyff, era igual.

Não tinhas hipótese alguma.

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Também não teremos hipótese de saber… Eu também vi o jogo, se não me engano, o golo do Porto foi uma oferta do Costinha ao Domingos.

Não. Estou a falar do jogo nas antas, a 3 de maio de 1994, perdemos 2-0, um dos golos foi do Drulovic, o Lemajic meteu uns frangos, mas não foi por causa de teres um frangueiro na baliza que perdeste esse jogo ou perdeste dois títulos de campeão nesse tempo.

Esse foi o dia em que eu percebi realmente como eram as coisas e que, mesmo com o Maratona na equipa a fazer jogadas como aquela do Mundial, ias lá. Nesse dia, pelo que aconteceu no jogo e pelas expulsões e castigos cirúrgicos para um outro jogo… não tinhas hipótese.

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Não foi nesse jogo que ficámos reduzidos a 9?

ficámos reduzidos a 8

o resumo desse jogo está no youtube…ou teve durante muito tempo…

lembro-me de o rever com amigos sportinguistas…foi daquelas arbitragens hiper mega escandalosas…vergonha autentica…feita por carlos valente, lampião ferrenho… Deus me perdoe mas esse gajo já está a dever uns valentes anos à terra!

No ano a seguir recebeste o Porto em que tiveste de ir no meio da semana jogar a chaves 3 minutos… Fizeste quase Mil quilómetros para jogares 3 minutos, voltares e e dois dias depois jogaste com o porto e perdeste.

Tudo situações muito «clarinhas»

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Excelente tópico!

Sousa cintra foi presidente do sporting CP entre junho de 1989 e junho de 1995. 6 anos completos.

Enquanto ele foi presidente eu tive entre 9 e 15 anos de idade.

Os comentários e observações que vou fazer a seguir baseiam-se essencialmente em opiniões formuladas e vividas durante a sua presidência e nos julgamentos e factos observados e feitos à posteriori, com base na maior maturidade que inevitavelmente uma pessoa vai tendo e no maior conhecimento obtido – acho eu - sobre o mundo do futebol e do desporto.

Sousa Cintra (SC) foi sempre um presidente ambicioso, que sempre tentou construir plantéis para formar um Sporting campeão, em particular logo na 1ªépoca (89/90, com a aquisição de ivkovic, o internacional brasileiro luisinho e o bibota fernando gomes), e nas últimas 3 épocas (92/93 com a chegada de Robson e juskowiak), 93/94 com o assalto ao benfica) e 94/95 com um naipe de bons reforços, a grande maioria indicados por Carlos queiroz é verdade, e nos quais se destacaram naybet, marco Aurélio, amuneke, sá pinto, oceano e Carlos xavier)

Hoje olho para trás e comparo os planteis dos 3 grandes nessas épocas. Para mim, o Sporting só nas épocas 91/92 e 92/93 tinha equipas globalmente inferiores às dos adversários, sendo que em 89/90, 90/91 e 93/94, o Sporting teria um 11 ela por ela com os adversários, mas que perdia ao nível do banco de suplentes com pelo menos 1 dos rivais. Na época 94/95, o Sporting, tinha, para mim, o melhor 11 e plantel do campeonato, o que valeu o único titulo conquistado em 6 anos por Sousa Cintra – e na final já nem era ele o presidente -, a Taça de Portugal.

De acordo com alguns jogadores que conheceram as realidades dos outros grandes entre os anos 80 e 90, sabe-se que a “estrutura” do Sporting estava um bocado atrás da dos rivais, o que tb, além da questão das arbitragens que falaremos adiante, pode explicar que em 6 anos, SC tenha conseguido 4 3os lugares, 1 4º lugar e 1 2º lugar, tendo verdadeiramente lutado pelo título até poucas jornadas no fim em 2 campeonatos (93-94 e 94-95).

Foi um presidente precipitado, que “comia” muito pelos ouvidos, e que adorava aparecer nas tv’s e nas rádios, o que o terá levado a ter decisões aparentemente absurdas e ingénuas (despedimento de Manuel José em 89 e Robson em 93, falhanço em muitas contratações, processo da renovação do figo, futre a fugir para o benfica qd já estaria certo, etc). Na altura contava-se que se lhe pusessem uma banana á frente e lhe dissessem que era para uma rádio que ele acreditava e falava na mesma….

Foi um presidente que apostou muito na juventude e nas camadas jovens do Sporting. Quando deixou a presidência do Sporting, o Sporting tinha praticamente no seu plantel a seleção de sub21 de Portugal (capucho, dani, costinha, porfirio, sá pinto, etc), fora os Figos, Peixes e Oceanos do costume da seleção A.

Mas deveria ter percebido que apostar na juventude é mt bonito, mas que, já na altura como agora, a mesma aposta se não é completada com experiência em campo, domínio/influência nas principais estruturas do futebol português e uma boa comunicação, então a aposta na juventude não vale de nada!

O campeonato de 93/94 foi disso exemplo. A partir do momento em que se vê que o duelo vai ser entre lamps e sporting, começa uma propaganda miserável nos diversos órgãos de comunicação social da época (jornais, no seu auge) a que a direção do Sporting só soube responder com um…blackout…e pouco mais… que veio culminar em 2 jogos decisivos em q fomos completamente atropelados pelas arbitragens (Un. Madeira 0 – Sporting 0, aos 70 minutos estavam com 9, e o já mencionado Porto 2 – Sporting 0, com uma arbitragem execrável do fdp Carlos valente).

Era presidente da FPF à altura Vitor Vasques, lampião dos 7 costados, que jurou defender o benfica do ataque perpetrado pelo Sporting ao ir buscar paulo sousa e Pacheco. O facto de não termos podido inscrever jogadores numa fase decisiva da época devido ao caso luis manuel (falava-se na altura q yekini e sá pinto já tinham contrato com o Sporting), fez com que fossemos para a parte final da época sem cherbakov e com um banco onde pontuavam jogadores como amaral, marinho, leal, poejo e porfirio, por exemplo).

Neste campo, concluo o que alguém disse acima…. Á época, nem com Maradona, van basten, baggio e matheus éramos campeões em Portugal!

Apesar de ter sido um presidente voluntarioso que ajudou muito um Sporting que se encontrava depauperado financeiramente, de ter resgatado alguns jovens da formação que se diziam já tinham contrato com os lamps e de um ou outro jogador bem sacado (balakov, amuneke, marco Aurélio, sá pinto, etc), esteve longe de ser um negociador exímio, com uma razoável taxa de acerto nas contratações que fez e uma baixa taxa nas contratações que tentou fazer e acabou por não conseguir, tendo sido “comido de cebolada” em diversas negociações de jogadores – pelo benfica foram imensos os casos, e até por jogadores estrangeiros, lembro-me dos avançados pancev e rodax, por exemplo, - não tendo tb sido engenhoso nos finais de contrato de figo e peixe que saíram por tuta e meia no final da época de 1995. Para a história ficam as contratações de careca – designado por sousa cintra como o novo Eusébio, não tendo ele nunca o visto jogar, e, sabe-se hoje, que contratou balakov julgando que estava a contratar um ponta de lança……situações inimagináveis, uma vez que já estávamos no inicio dos anos 90!

Aceitou ir muitas vezes à boleia de Pinto da Costa….erradamente, pois nada ganhou. Aqui Roquette, anos depois, foi + esperto e + inteligente.

No campo das modalidades, foi fraco, e a queda do ecletismo começou consigo. Não reativou o ciclismo, à época ainda imensamente popular e só apostou verdadeiramente no voleibol em que fomos campeões vários anos seguidos já com o grande Miguel maia. Nas outras modalidades, ainda ganhou uma taça cers de hóquei em patins, mas a seguir a equipa chegou a andar pela 2ª divisão. Andebol e basket as equipas andavam sempre na mó de baixo da tabela classificativa.

Por outro lado, incentivou e acarinhou muito os núcleos mantendo-se esse incentivo e interesse, até com + força, pela Isabel Trigo Mira nas direções seguintes.

Era um presidente do povo, carismático, popular, o que lhe fez sempre ter o carinho e o apoio da larga franja de adeptos do Sporting. Era um Sporting diferente. Um Sporting popular, que todos os anos rejuvenescia das cinzas. Era um Sporting que acreditava e nunca perdia a esperança….eram adeptos, digo eu hoje, que desconheciam profundamente os meandros do futebol português no geral e do nosso Sporting em particular.

Entre o deve e o haver…. Não sei como o definir como presidente…se bom, mau ou assim assim…. Globalmente penso que falhou mais do que acertou. Mas os tempos eram muito difíceis… Por outro lado, os números não enganam, e só tem um troféu na bagagem….Por outro lado teve lá 6 anos, teve tempo para aprender e reaprender, ficando sempre mt longe da perfeição… por outro lado o seu melhor ano foi o último….enfim…que outros se pronunciem….

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Muito do que houve de bom na presidência do Sousa Cintra deve-se ao Abílio Fernandes que era um excelente director desportivo até ser minado pela estratégia croquete que o despediu e meteu lá a dupla maravilha Norton de Matos/José Couceiro. Mas não tenho a certeza quando isso aconteceu, se foi logo em 1995.

De um modo geral, houve boas contratações e uma aposta em jovens valores que deu frutos. O Sporting em 1994 e 1995 era a melhor equipa portuguesa, e também por isso foi roubada à força toda pelo porto. A saída do Bobby Robson foi para mim a maior asneira do Cintra e que se calhar custou dois campeonatos. Aquele 6-3 com o benfica aconteceu por causa do Carlos Queiroz. É certo que o João Vieira Pinto fez o jogo da década nesse dia, mas se estivesse ali o Robson, na segunda parte dávamos a volta. O Robson nunca se lembraria de meter o Capucho a defesa-esquerdo, entre outras invenções queirosianas.

E aquela grande equipa de 1994 e 1995 já estava sem o Cherbakov que poderia ter sido uma das grandes figuras do futebol russo dos anos 90.

Lembro-me sim que o Sporting de 1990 e 1991, tinha um 11 inicial ao nível dos adversários directos, mas o banco era demasiado jovem, o que se notou ainda mais na época 1992-93.

Reparem na jogada espectacular aos 0.50 segundos. Douglas, Figo, Balakov, Juskowiak:

Eu queria era ver este tipo de jogo e jogadores e não amélias como Rosiers, Jesés, e outros cepos que abundam, agora, no plantel…

Ah, e o Douglas jogava que era uma coisa absurda. Impressionante

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Quando penso em Sousa Cintra penso em três coisas:

  • Nunca vi e nunca verei plantéis do Sporting com uma qualidade próxima dos que tínhamos naqueles anos;

  • Despedimento do Robson foi um erro colossal;

  • O Sporting não ter sido campeão uma única vez nesse período tendo tantos jogadores de classe mundial é uma das maiores injustiças da história deste desporto.

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Eu acho que o 11 de 15/16 era superior ao de 93/94.

O de 93/94 tinha duas lacunas que acho que são basilares numa equipa que quer ser campeã, o Gr e o Ponta de Lança. O Lemajic e o Costinha davam muitos frangos e eram Gr de tanto faziam uma exibição monstruosa como a seguir era só frangos, os avançados, o Juskoviak, o Yordanov eram bem inferiores ao Slimani/Montero e Theo.

Só tenho pena que por 3 ou 4 vezes que o Sporting montou boas equipas, no ano a seguir foi tudo destruído. 93/94, 99/00, 01/02, 15/16. É um bocado por isto é que não saimos da cepa torta.

Quanto ao Sousa Cintra foi com ele que fui pela 1a vez ao estádio e a memória que tenho é que foi tudo uma grande festa e o clube tornou-se bastante popular.

O Sousa Cintra SÓ vai ficar na história como QUEM DEU A CARA PARA LEGITIMAR O REGRESSO DOS CROQUETES…

E foi opção dele!

esqueçam lá os lemajics…

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Atenção que em 93/94 tb tinhas o cadete.

O maior erro do Cintra foi o despedimento do Robson. Facto. Mas também outro facto é de que todos os anos construiu planteis melhores do que na temporada anterior. Delegou no Queiroz as contratações em 94/95, afrontou os lampiões com o Paulo Sousa/ Pacheco em 93/94, foi com o Marinho Peres que em 91 o clube regressou a uma semifinal europeia. Ele próprio reconheceu que o seu grande erro foi ter despedido o Robson. Mas o plantel de 94/95 e 2001/2002 foram os melhores planteis que vi no Sporting, só que no ano do Boloni não houve mérito de Dias da Cunha, quando muito fomos salvos pelo negócio Jardel e o Otávio ter ido para o Porto.

Considero até que o Cintra deixou o Sporting muito melhor para os croquetes do que recebeu, e quis ganhar. Nada a ver com 2018. Para mim ele e o BDC ainda foram os melhores que vi, com falhas mas muito melhores do que a chamada elite.

Confesso que há muitas coisas que li sobre os tempos do João Rocha no pós Malcolm Alisson que me deixaram pouco impressionado. Para não dizer incompetente, sobretudo quando comparado com Fernando Martins ou Pinto da Costa.

Vale o que vale.

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