Para início de conversa tenho de confessar que há duas semanas atrás estava de longe de pensar que estaríamos a viver este momento na vida interna do clube.
Obrigações pessoais e profissionais obrigam-me a não acompanhar o dia a dia do Sporting como gostaria, por isso foi através das redes sociais que dei conta do “sururu” que existia em torno de alguns pontos da última AG, em particular os que diziam respeito às alterações estatutárias.
Tentei, na medida do possível, colocar-me a par destas questões e à parte da redação de alguns artigos que permitiam interpretação dúbia e estavam, juridicamente, manifestamente mal elaborados, não vi razão para tanta polémica. Acresce que os corpos sociais, antes da AG, rescreveram essas alíneas para suprir as dúvidas quanto ao seu conteúdo e objectivos.
Infelizmente compromissos profissionais impediram-me de estar na AG, mas conhecendo o nosso clube já esperava que fosse “quente”. O que não esperava era o desfecho.
Tenho por princípio, confiar pouco no que escreve a comunicação social sobre o Sporting, razão porque preferi ler com atenção o que aqui se escreveu por parte de alguns membros deste fórum que respeito e que estiveram presentes. No dia seguinte, comecei a perceber a armadilha que tinha sido preparada, quando foi destaque em todos os jornais desportivos uma suposta tentativa de agressão ao PMR e Carlos Severino razão para a AG ter sido interrompida.
Estes acontecimentos levam-me a fazer uma contextualização.
Existe na sombra do Sporting uma dúzia de indivíduos que tudo fazem para promover o regresso do Roquetismo. Esses indivíduos, que tem uma facilidade impressionante no acesso à comunicação social, procuram vender a ideia que representam uma espécie de reserva moral do clube, quando na realidade de moralistas tem muito pouco e representação ainda menos. São eles: Rui Morgado, Carlos Severino, José Pedro Rodrigues, PMR, Pedro Paiva dos Santos, Carlos Barbosa da Cruz, Manaia Costa, Ricardo Cazal Ribeiro, Carlos Barbosa (ACP), Abrantes Mendes entre outros. E o ponta de lança, PPC.
Não deixa de ser curiosa a facilidade que um tipo como o PPC marca presença na CS. Afinal quem é esta figura? Ex-inspector da PJ, de onde saiu sob suspeita de várias ilegalidades, apresentou-se a eleições contra JEB e teve menos de 10% dos votos. Representava nessas eleições o que se dizia ser a oposição ao Roquetismo. Curiosamente anos mais tarde aparece como vice-presidente de GL nas eleições mais sujas da história do clube. Manchou o nome do Sporting com a tentativa de difamar um árbitro, e é actualmente arguido num processo que envolve entre outras preciosidades, acusações de sequestro e extorsão. Ora este belo exemplar de seriedade passa a vida a discutir a honestidade de BdC, seus pares e a CS ainda lhe dá crédito e palco.
Recordo que PPC e PMR valeram cerca de 10% do eleitorado do clube, no caso do Severino andou pelos irrisórios 1%!
No entanto acham-se no direito de condicionar a vida do clube a toda a hora. O PMR que usa a cartilha do slb para atacar este Conselho Directivo, na comunicação social é um Rottweiler mas nas AG ou seja, olhos-nos-olhos, comporta-se como um Chihuahua… escondidinho nas últimas filas, não tuge, nem muge. Mas mal mete um pé na rua, tem sempre um microfone amigo para “desabafar”.
Ao longo na última semana tive dúvidas sobre como votar na AG de dia 17 por uma razão muito simples, pela primeira vez tive dúvidas sobre a vontade de BdC em querer genuinamente continuar a presidir o nosso clube. Vi desgaste e desalento como nunca tinha presenciado antes e coloquei a hipótese de ele ter perdido o encanto, não pelo clube, mas pelo cargo que ocupa.
As minhas dúvidas dissiparam-se nesta semana após a convocatória para as sessões de esclarecimento com os Sportingados (sócios do clube em permanente azia) e os jornalistas. Este é o BdC em que eu votei e apoio sem reservas. E ontem, depois de ver a sessão de esclarecimento na SportingTV, confirmei as minhas suspeitas, BdC está para durar assim queiram os sócios.
Como suspeitava, os “críticos” ficaram em casa. Com a excepção de dois ou três, o resto são corajosos quando falam sozinhos ou sem contraditório, mas frente-a-frente tá quieto. Foi confrangedor ver tipos como o Rui Morgado e José Pedro Rodrigues serem destruídos pelo BdC, não por culpa do Presidente, mas pela presunção que esta gente tem em se achar superior, sucede que depois de espremidos valem muito pouco ou nada. Mais simbólico ainda, quando chegou o momento de esclarecerem as dúvidas sobre os estatutos, levantaram-se e foram embora.
Mas sabem a melhor? Hoje enquanto esperava para cortar o cabelo, pego n´ABola folheio até às páginas dedicadas aos Sporting, e lá estava um quadradinho com o Rui Morgado a “botar faladura” sobre a sessão de esclarecimento para dizer que tinha sido um dia muito triste para o clube…
Chego finalmente à parte que me interessa.
Nesta sessão estava presente um sócio, não apanhei o nome, mas percebi ter esclarecido as suas diferenças com o Presidente, que colocou muito civilizadamente a questão da forma como eu a via.
Disse ele, não ter dúvidas que uma esmagadora maioria dos sócios, se calhar bem perto dos 90% que obteve nas últimas eleições, se fosse chamada hoje a votar mantinha o seu sentido de voto, por outro lado com o Presidente a colocar na votação dos estatutos a sua continuidade podia ser lido como uma chantagem. E pedia que houvesse uma reflexão por parte do Órgãos Sociais para não fazer depender uma coisa da outra.
A resposta do BdC desarmou-me, porque foi coerente e levantou uma questão sobre a qual eu não tinha refletido.
Explicou que o regulamento disciplinar resulta do trabalho de vários meses, realizado por um grupo de trabalho que integrou membros de Conselho Fiscal, MAG e Conselho Diretivo. Seria impensável não seguir as recomendações apresentadas por pessoas que escolheu e confia.
Mas a parte mais importante vem a seguir. Disse ele, se existe entre os sócios a convicção que o Conselho Fiscal, Mesa da Assembleia Geral e Conselho Diretivo em coluio com o Presidente do Clube prepararam estes regulamentos para andar a “caçar” sócios que pensam diferente, castiga-los e assim se perpetuarem no poder, então têm não o dever, mas a obrigação, de expulsar estes órgãos sociais. E coloca a coisa de forma muito simples, bastam 25,01% para isso suceder.
Permitam-me que o diga, isto é atitude de um ditador, coreano, etc…?
Estão em causa três pontos, extinção do Conselho Leonino, fim do método de Hondt para a eleição do Conselho Fiscal (CF) e Regulamento Disciplinar.
Sobre a extinção do Conselho Leonino (CL), para mim nem sequer é discussão. Não serve para nada! Só no Sporting é que existem grupinhos a gravitar à sua volta: Conselho Leonino, Leões de Portugal e mais não sei o quê.
O CL serve para que um conjunto de gente, que na maioria nunca fez um “chavo” pelo Sporting tenha direito a lugar na Tribuna, mais charuto, caviar e champagne para ver os jogos à borla. Ponto. Este órgão que é meramente consultivo e não tem poderes decisórios, serviu para dar tachos a muita gente que não cabia nas listas para os órgãos sociais. É um cancro dentro do clube, só atrapalha e nada faz para promover o Sporting.
Acresce um pormenor, esta decisão fazia parte do programa eleitoral do BdC que foi sufragado com 90% dos votos!
Alteração do método de eleição do CF. Neste ponto o BdC no passado foi favorável ao método de Hondt e agora mudou de opinião. Digo eu, só os burros não evoluem.
Este sistema tem a particularidade de eleger pelo método de proporcionalidade-representativa das listas que se apresentam a eleições, membros para um órgão a ser sufragado. Dito de outra forma, dependendo dos resultados não só quem vence, mas também listas com menos votação podem ter representantes nesse órgão. No papel é fantástico. Na prática, no Sporting, valeu zero!
Basta recordar que na eleição que deu a vitória a GL, o CF tinha representantes de várias listas e isso não impediu que o clube fosse particamente levado à falência. - (Este parágrafo está incorreto como bem apontou o forista [member=3999]Santarém. O método de Hondt só entrou em vigor nas eleições seguintes. No entanto não muda o meu sentido de voto pelas razões que explico mais à frente neste tópico.)
Atualmente o CF é formado em exclusivo por elementos da lista apresentada por BdC e não consta que funcione mal. Em resumo para mim é outra questão que não me preocupa, nem entendo que seja castradora da liberdade interna do Sporting.
Por fim, o regulamento disciplinar. Nenhuma instituição pode ser respeitada sem um regulamento que defina regras para os comportamentos dos seus membros.
No Sporting, hoje, pode-se dizer dos órgãos sociais o que Maomé não disse do toucinho sem consequências disciplinares.
Se amanhã eu for para o facebook escrever que o Administrador da minha empresa anda a desviar dinheiro para uma conta escondida em Cabo Verde, além de um processo em tribunal, levo com um processo disciplinar em cima e sou despedido. Com toda a razão, porque não tenho o direito de difamar pessoas nem manchar o nome da empresa.
Dizem-me, mas o Sporting não te paga o salário. Pois não. Mas para o mim o Sporting representa Amor, eu pago as quotas sem pestanejar porque quero fazer parte desta instituição, que é a única coisa na vida a que eu serei fiel até morrer. Não espero que o clube me dê nada, só exijo que os dirigentes que o governam, façam-no com dedicação, honestidade, brio e o defendam contra tudo e contra todos. Ao mesmo tempo exijo que os meus consócios também a respeitem, portanto quando outro sócio lança falsas acusações que lesam o clube, com o único intuito de enfraquecer quem o lidera para tentar o assalto ao poder, eu quero que existam consequências.
Quando existem sócios a promover cartazes na segunda-circular e a espalhar panfletos difamatórios, eu quero que esses sócios sofram as consequências. Quando sócios são apanhados a passar informação do clube a um agitador da CS afecto a um clube rival, com o único objectivo de difamar o Presidente do clube, eu quero que existam consequências.
Hoje o Presidente chama-se BdC, amanhã pode ser o Manuel Joaquim que continua a ter o mesmo direito à lealdade e respeito dos sócios. Uma coisa é oposição saudável e com civismo, outra são assassínios de caracter.
Não quero, não defendo e não aceito unanimismos nem a lei da rolha, mas também considero que não vale tudo.
Portanto a minha decisão é fácil. Voto sim, porque aprovo as alterações, mas também porque não ficava bem comigo mesmo se tivesse ficado calado e permitisse que o Sporting regressasse ao pré-2013. Vivi esse período, sei a onde levou e não o quero ver repetido no meu clube de sempre.