Concordo perfeitamente na última parte e quando lá fui percebi isso mesmo. Vocês falam inglês fluentemente como em mais nenhum sítio em Portugal (aliás, melhor o inglês que o português :mrgreen:), são amistosos e cuidadosos. Um povo completamente diferente de todo o Portugal. Isso é certo. Mas estás a contradizer-te um pouco. Se acabas com o raciocínio que eu idealizava por outro lado dizes que o betão e o jogo vai começar a implementar e de certo modo apoias tal iniciativa. Pessoalmente pensava que a aposta era o turismo ecológico, rural, um pouco como o Gerês em Portugal e a serra da Estrela, onde existe um ou outro hotel mas o turismo rural e de habitação impera. Mas obrigado pela informação :great:
Não concordo com o betão, aliás, é do que mais se discute por cá. Estão a construir esses monstros de betão à beira-mar, deixando a vista aos turistas e aos locais a vista em vez de ser o Atlântico, passa a ser as traseiras dos hoteis.
A única coisa que eu disse, e que podes ter tomado como uma contradição, foi que no tempo de Mota Amaral, pensava-se pequeno e que agora pensa-se em grande.
1 ex: quando Mota Amaral começou a construir as vias rápidas, de ligação entre os principais pontos de São Miguel, fê-las com 1 faixa de rodagem, dizia ele que não era preciso mais. depois tiveram que alargá-las para duas, claro está.
Os Açores estão numa fase de reconstrução e melhoramento, Hospitais novos, aeroportos novos e mais modernos, portos novos e recuperação dos existentes, transporte marítimo assegurado entre todas as ilhas, pelo menos no Verão, transportes aéreos regulares entre todas as ilhas, vias rápidas que ligam todos os principais pontos das ilhas.
Os Açores estão a evoluir, mas ao mesmo tempo sem perder a sua essência, de povo pacato. Por isso é que quanto ao turismo não há ainda um desejo de turismo de massas.
Quanto ao falar inglês, é um facto que nos Açores e devido também à sua cultura e antepassados e numa fase mais recente ao seu contacto com parentes emigrados, que cá se fala fluentemente inglês, francês, muitos de nós “sprechen deutche”.
Julgo que é por nos Açores a fonética é tão ampla ao contrário de certos pontos do país, que não temos dificuldade em reproduzir qualquer tipo de sons.
Se querem exemplos de turismo em comunhão com a natureza então sem duvida que devem meter os olhos no que é feito nos países nórdicos.
Se se virarem para o betão, então os Açores irão ficar iguais a todas as outras estâncias turísticas do Sul da Europa… E como têm menos recursos que a maioria delas então é bom de ver que nunca serão a primeira ou segunda escolha.
Um pequenino exemplo: a maioria dos turistas que vem “à descoberta” da parte mais genuína de Portugal fica encantadissima com a costa Vicentina alentejana… E porquê? Precisamente por causa do ar intocado e “selvagem” das praias, em oposição às de Italia onde quase não existe um metro quadrado que não esteja explorado a nível comercial.
Se os Açores se especializarem num tipo de turismo então que seja o paisagístico / rural. E garanto-vos que é possível fazê-lo com estruturas e infraestruturas de apoio com aspecto rural e que se encaixam na natureza mas que “por dentro” são do mais moderno e confortável que há… Os países nórdicos são a prova de que isso é possível.
Sem dúvida! Por isso eu defendo o não betão. Lucro fácil e rápido mas a longo prazo irá ter consequências nefastas. Tantos exemplos de pessoas minhas conhecidas que deixaram de ir para o Algarve. Foram lá, era novidade e nunca mais puseram lá os pés. Além de segundo as estatísticas, existe uma diminuição da capacidade hoteleira no Algarve. Não apenas devido à crise, mas à dispersão dos clientes que apostam cada vez mais no Alentejo e norte de Portugal, indo ao encontro do que se tem discutido aqui. Além de a poluição aumenta em todos os sentidos, incluindo os índices de marginalidade. Turismo rural, de habitação e ecoturismo é a aposta certa. Não nego que alguns hotéis de luxo não devam ser realizados, claro! Mas tudo em conta e medida. A Suécia, salvo erro, devido à preocupação ambiental, fez um projecto de uma cidade de raiz completamente envolvida com o meio ambiente e apenas a usar fontes renováveis. E como o Celsus bem afirmou, o custo de avião e estadia no hotel é mais caro comparativamente com outras zonas de turismo de massa se optarem por esse caminho.
Se me dizes que era o DN fico preocupado. Se me dizes que se trata do JdM acho normal. Se for o Tribuna fico surpreendido.
Sempre não, que ele está no poder desde 1978. O salto da região autónoma deu-se com a entrada na CEE, antes disso era tudo muito limitado.
Deve ter sido há anos, mas acredito que sim. Infelizmente não deve ser caso único na região e muito menos no país e no mundo.
Bem sabes que grande parte do que veio para as RAs foi da Europa. Não terá sido o poder negocial, a apresentação de projectos/candidaturas o que fez a diferença? a RAM não pode ficar prejudicada por isso.
Em relação à dispersão/número de ilhas, concordo quase com tudo. Mas a Madeira, ao contrario dos Açores, tem uma orografia que não lhe permite ter uma agricultura a larga escala e por isso tem de importar quase tudo o que consome; além do custo da construção de estradas, que também é mais caro. Olhem para o aeroporto da Madeira…
Mas o problema disto tudo é que o governo da república cortou numa RA simplesmente por fins políticos. Se não é justo dar igual ou menos aos Açores, também não é justo cortar com quase tudo para a Madeira “só porque sim”. O problema é este.
Atlantian, viste o PIDDAC para cada Região Autónoma? é disso que falo.
Vou colocar um artigo de opinião que vi no Açoriano Oriental (atenção ao bold):
[b]O disparate socrático [/b]
Paulo Simões
2010-02-01
A Lei das Finanças regionais, ou melhor, a proposta de revisão da lei que rege as transferências nacionais para os cofres das regiões autónomas dos Açores e da Madeira está a provocar uma forte erosão entre açorianos e madeirenses, e entre as regiões insulares e Lisboa. Mais de 30 anos depois das conquistas de Abril e dos avanços da Autonomia, ainda assistimos a cavalheiros de gravata azul, que acham serem donos da verdade, e engenheiros providos de soluções para os males de Portugal. A Madeira, desde que Alberto João Jardim é presidente, tem pautado a sua política interna e externa por fortes investimentos, desde a criação de infra-estruturas, à divulgação da imagem madeirense, ao investimento no turismo e à promoção das marcas locais, mas, também, com alguns disparates pelo meio que alimentam um rosário de queixas dentro e fora do arquipélago. Contudo, perante acusações de despesismo, e denúncias de controlo político e económico, supostamente sufocantes, a verdade é que os sucessivos governos da República, sociais-democratas e socialistas, nunca tiveram a coragem de fazer o que parece óbvio: exigir contas, fazer aplicar as regras da fiscalização, aplicar a Lei e impedir abusos. Nada disto foi feito e, em Lisboa, os sucessivos primeiros-ministros preferiram sempre assobiar para o lado do que provocar a ira de Alberto João Jardim, o homem cuja voz é, muitas vezes, mais rápida que o pensamento. Até que José Sócrates se lembrou de cortar dinheiro à Madeira e transferir esse caudal para os Açores. Ora nem a Madeira deve ser penalizada, nem os Açores são portugueses de mão estendida à espera que a desgraça dos outros nos traga algum consolo. E aqui reside o disparate de Sócrates e do seu governo, carregado de um enorme desrespeito por açorianos e madeirenses. Como se tal não bastasse, aumenta a crispação entre açorianos e madeirenses, que em nada beneficia os dois arquipélagos, como se os nossos governantes, César e Jardim, não percebessem que, unidos a uma só voz, teríamos mais força e capacidade de fazer vergar os senhores que em Lisboa decidem, de calculadora na mão, os tostões que cortam de um lado para meter no outro. Há questões onde as cores partidárias devem dar lugar às cores das Autonomias. Ou será que a Autonomia é só de vez em quando?
Sublinho a palavra TOSTÕES :twisted:
Aliás, sabiam os meus caros amigos açorianos que a LFR de 1998 dava (e bem) mais dinheiro aos Açores porque foi um representante do GR da Madeira que sugeriu ter em conta “as nove ilhas”? porque se fosse pela República seria o mesmo para ambas Regiões! Se não estou em erro estou a falar do actual vice-presidente do parlamento madeirense.
Ou seja, se ouvem o Carlos César dizer que “a Madeira quer tirar” dêem um desconto: o homem é do PS. E isto conta muito.
Será que a interpretação do DN Madeira é fiel aos dados das fontes? Não duvido que a sua interpretação seja fiel aos ditames oficiais do regime autónomo da Madeira.
Turismo e respeito pela Natureza não podem ser conjugados na mesma frase. Ok, há conceitos de turismo mais respeitador, mas o seu número tem que ser limitado, a partir do momento em que se multiplica deixa de haver respeito pela natureza; estamos a falar de nichos que dão tostoes, não milhões.
O turismo madeirense é baseado nos cruzeiros, cheios de nórdicos, por dia chegam em média 1, 2; e depois em pessoal de meia idade nórdico também (britânicos, holandeses, alemães e ainda mais para cima). Depois é o turismo familiar português, sobretudo na fantástica praia de Porto Santo.
Sobre as questões politicas prefiro nem falar. Mas Madeira Lion, falas de que a imprensa continental é condicionada, e então a imprensa madeirense? Sabes perfeitamente que as coisas aí são complicadas para quem não é do partido. No continente há muita gente que não se mete na politica e safa-se na economia “normal”, aí na Madeira isso é muito mais complicado. Certamente não o ignoras
O problema é que quem assinalar essa realidade será rotulado como “velho do restelo”, é contra o progresso e desenvolvimento, quer votar a população à pobreza, e outras balelas… Só que se fores aos Açores, infelizmente, já encontras um serpentear de auto-estradas. As ilhas já estão desfiguradas, e o seu destino começa a ser traçado.
Nas ilhas não há auto-estradas, e mesmo assim, duvido que todas as ilhas açorianas tenham vias-rápidas ou vias-expresso.
PS: em relação aos vídeos, uma coisa é um protesto, outra a palhaçada/provocação. Mas são estilos e o PND se caracteriza por isso. Tenho pena (ou talvez não :sick: ) que o José Manuel Coelho não tenha sido escolhido para representar a Madeira na Assembleia da República 8)
Madeira Lion, já é a 2ª vez que escreves isso e desta não deixo passar. Qual é a tua definição de auto-estrada? Uma estrada com 2 pelo menos vias, separador central e onde se pode andar a 120 km/h e que se paga portagem? É que na Madeira tens centenas de kms de estradas, das quais 20% em forma de tunel ou ponto, em que desta definição só falta a parte “e que se paga portagem”. Porque na Madeira não se paga 1 cêntimo em nenhuma estrada…
Teoricamente só há “Vias Expresso” e “Vias Rapidas”
A ViaLitoral gere VR1 - 44 km
A ViaExpresso gere VE1(21.3km)+VE2(14.1km)+VE3(27.8km)+VE4(10.7km)+VE5(4km)+VE6(2.6km)+VE7(2,5km)=83km
127 kms de “não auto-estradas”. A ilha tem quê, 50 x 20?
Não tenho qualquer sentimento especial, bom ou mau, pela Madeira, mas tenho dificuldade em compreender como é possível uma região com 230.000 pessoas ter uma dívida de mil milhões de euros. Foram construídos aeroportos, estradas, hospitais? Mesmo assim, é muito dinheiro.
Alguém tem de pôr fim ao orgasmo político do corrupto Jardim. O homem é uma vergonha para o país e, especialmente, para quem vota nele ano após ano, os Madeirenses. Tenho a certeza que existe mais e melhor.
O porquê da pressão sobre Portugal, e outros países europeus. O Big Casin oestá de volta!!!
[b]Operadores e 'hedge funds' apostaram cerca de 8 mil milhões de euros contra a moeda única, naquela que é a maior aposta na desvalorização do euro desde a sua criação.[/b]
A nossa via-rápida (por acaso é uma ) não é autoestrada, peço desculpa! o seu traçado, dimensão, inclinação, etc. não tem nada a ver com a autoestrada europeia ou americana (do norte ou do sul). Ela não tem portagem (não faz sentido) mas o governo regional paga uma taxa à Via-Litoral (normal, aquilo tem custos de manutenção).
A ultima vez que estive nos Açores (Terceira) foi em 1989… e foi na Base das Lajes. Pena na altura não ligar tanto aos aviões como hoje.
PS: simples exercício no Google: Autoestrada Açores —> nada. Via-Rápida Açores----> um resultado: a Angra do Heroísmo-Praia da Vitória.
Em S. Miguel está-se a construir as SCUT, O projecto de realização de obras em 93,4 km de estrada na maior ilha açoriana pelo regime de portagem SCUT representará um investimento, em termos de valor actualizado líquido médio, de 12,1 milhões de euros/ano, pelo que o mesmo vai custar à Região rendas de 325,3 milhões de euros, se se atender ao período de 30 anos que durará a concessão. Este prazo será contado a partir da conclusão do empreendimento, a qual se prevê concluir em 2012.
A SCUT para o Nordeste vai reduzir a actual estrada em 16 km, vai reduzir de 160 para 13 curvas todo o percurso. Infelizmente, a consequência é a total destruiçãio do envolvente.
E descanse o meu amigo madeirense que por cá há muito que se deixou de usar a carroça e o burro como principal meio de transporte, e as nossas típicas canadas e caminhos de terra já estão em desuso.
Parece mentira, mas nos Açores já há carros e como tal temos que construir estradas para eles.
Aliás, na Terceira até construi-se pontes para as vacas poderem atravessar as vias rápidas e ter acesso ao seus locais de pastagem habituais.
Fui lá à 4 anos atrás e andei muito em terra batida, mais concretamente avermelhada. A não ser que muito se mudou em quatro anos. Fiz 1200 km em 4 dias para ver toda a ilha, São Miguel, e infelizmente a parte da frente nada tem a ver com a parte de trás. Estradas, aldeias, paisagem, infraestruturas.
Atlantian, ONDE é que eu disse que nos Açores se anda a burro?
O que eu disse e repito é que nas ilhas (RAM e RAA) não há autoestradas e complementei que duvidava que todas as ilhas dos Açores tivessem uma via-rápida simplesmente pelo seu tamanho e população. Estou a pensar no Corvo, nas Flores, na Graciosa e até Santa Maria. Pá… tão normal como o Porto Santo também não ter algo semelhante.
Isto já se está a desviar do caminho, já se está a confundir “o Alberto João” com o resto dos madeirenses e até se começa a mal-interpretar e até “picar” as pessoas assim que o melhor será eu ficar por aqui.
Tenho “amigos” açorianos, um vizinho que é comandante da SATA e não tenho motivos para ofender ou maltratar quem quer que seja, muito menos aqueles que são mais “parecidos comigo” neste e noutros fóruns.