Em linhas gerais estamos de acordo.
Eu também trabalho numa área onde lido com o sector industrial português dos mais “inovadores” aos menos inovadores, com maior e menor intensidade tecnológica, etc.
E dos já quase 20 anos nesta vida, o que tenho visto vai mais ou menos na linha do que dizes. Tecnicamente temos gente cada vez mais qualificada, sejam técnicos, engenheiros e politécnicos. O preço da engenharia em Portugal é ainda baixo e como tal é natural vermos muitas empresas portuguesas a exportar engenharia e serviços de instalação/montagem.
Quanto a clusters especificos, um dos case studies de várias escolas de gestão em Portugal é o do sector dos moldes da Marinha Grande, considerado um dos casos de sucesso de reconversão industrial em Portugal (da industria vidreira para os moldes). Eu não conheço esta realidade, mas conheço a realidade de outros sectores em particular o sector farmaceutico e das empresas que orbitam à volta deste.
Um caso muito interessante para mim, e que tenho visto desenrolar nos ultimos 12/13 anos é o cluster dos fabricantes de depósitos/inox de Vale de Cambra que há bem pouco tempo não passavam de simples fabricantes de depósitos para a industria alimentar e dos vinhos e hoje em dia começam a competir com fabricantes estrangeiros de maquinaria industrial para os sectores não apenas alimentar e bebidas, mas farmaceutico e cosmético. E mais importante ainda muitos começam a converter-se em OEM’s ao invés de se manterem como simples fabricantes/instaladores. Incorporam engenharia (ao invés de serem meros instaladores/montadores) e uma visão comercial mais ambiciosa que lhes permite competir com por exemplo os alemães. Alemães esses que vão investindo cada vez mais nessas empresas e deslocalizando produção para cá. E não deixa de ser engraçado que uma boa parte do boost dado a esta industria teve a ver com o investimento brutal daquela que eu considero ser a maior farmaceutica (CDMO) portuguesa (em produção em Portugal), a Hovione cujo plano de investimentos tem alimentado muitas destas empresas e as tem ajudado a crescer.
A curiosidade da Hovione é que é uma empresa portuguesa que tem investido centenas de milhões em produção em Portugal (têm instalações em New Jersey e estão a expandir aí também, na Irlanda e Macau) é o maior empregador de doutorados em Portugal, e foi fundado por… refugiados! Um excelente exemplo de como uma empresa bem gerida consegue gerar empregos bem remunerados e empregar gente extremamente qualificada neste país.
“até final de 2025, acabar com listas de espera que excedem o tempo máximo garantido e dar uma resposta de medicina familiar a todos os utentes de Portugal”
Nâo conhecia nenhuma dessas empresas!
Mas ainda bem que existem, sâo portuguesas, servem os portugueses, que lhes dâo bons empregos e servem a economia portuguesa.
Eu percebo a ‘critica’. Mas para mim, apesar de nao ter sido algo que virou tudo de pernas para o ar, essas ‘medidas’ foram uma viragem claramente estrutural. Por exemplo, a isencao de IMT na aquisicao da 1a habitacao por jovens e uma medida estrutural e que indica um rumo. Estes incentivos fiscais a habitacao e alteracoes ao RJUE tambem vao no sentido certo de promover a oferta.
Uma promessa bacoca, quando nem sequer sabia quantos era ‘todos os utentes’.
CUSTOU!!! Mas finalmente chegamos quase la. Ja temos dados pelo menos dos residentes ‘oficiais’.
Agora espero que facam a revisao de todos os indicadores economicos tendo em conta a nova populacao residente. Para todos ficarmos a saber a realidade do ‘crescimento economico’ dos ultimos anos
Conheço, como muitos de nós conhecem, casos de patrões que retiveram a TSU e ficaram com ela, e muitos anos depois quando o contribuinte vai pedir para lhe fazerem a simulação da reforma está lá um conjunto de campos vazios na carreira contributiva. Era mato nos anos 70 e 80 por exemplo.
Aí nesses caso não entrava nada na SS, os trabalhadores eram literalmente roubados. Acredito que os imigrantes, tal como os trablhadores não qualificados desses idos anos 70 e 80 em sectores como a construção civil ou agricultura, sejam alvos priveligeados para este tipo de trafulhice. Perde o Estado em receita da SS e o trabalhador que nem usufrui de parte do seu salário nem da proteção social para a qual supostamente contribuiu.
Com o desemprego generalizado gerado pela IA e pela robotização, como é que milhões de trabalhadores vão ter rendimentos para dar de comer às suas familias.
Há quem fale no RBI… mas muitos perguntam: como o financiar. Eu há anos que digo: quanto mas automatização uma empresa tiver, mais deve ser taxada. É mais do que justo. Até porque sem gente que tenha rendimentos, deixa de haver consumidores, e sem consumo produtos e serviços servirão para quê?
Se tu isentas de IMT e ainda o Estado ajuda a financiar a compra de primeira habitação, mesmo que faças outras alteraçõs que promovam a oferta vais continuar a ter uma subida vertiginosa dos preços tal como aconteceu no primeiro ano e meio deste governo. E, neste caso, admito que eu próprio aplaudi essa medida do financiamento do Governo, mas estava errado. Graças a ela os preços só subiram ainda mais e só este ano é que podem estabilizar porque estancamos a entrada de pessoas que passaram de 190 mil a 70 mil num ano o que levou (quem diria!) ao primeiro ano em que não houve défica na construção de casas comparado ao número de novos agregados familiares.
Gostava de perceber como é que são contabilizados esses números. Não ficava surpreendido se a população real não chegasse aos 12 milhões honestamente.
Tenho pensado tanto nisso e, pela velocidade a que as coisas estão a correr, pode demorar menos tempo do que muita gente pensa.
Isto vai criar tanta, mas tanta agitação social…
As empresas que despedirem trabalhadores e os substituírem por IA têm de pagar mais impostos ou deve ser criada uma taxa específica que reverta integralmente para a Segurança Social.
Eu acho piada é teres este discurso enquanto andaste a assobiar para o lado enquanto o António Costa andou a destruir o setor da saúde, andou a abrir as portas do país à toa, estagnou completamente a educação, e fez absolutamente nada em relação à justiça.
Mas é um governo com dois anos que está a destruir isto tudo xd
Não foi feita nenhuma reforma, até porque não é um setor público onde possam haver verdadeiras reformas.
Podem ser passadas leis que melhorem ou piorem ligeiramente s situação, mas a habitação regula-se principalmente pela lei da oferta e da procura.
Não há “reforma” que consiga lidar com a pressão ds procura elevada ou do efeito da inflação no setor da habitação.
Ainda assim acho que a intenção de facilitar o processo de partilhas vai acabar por ajudar qualquer coisa, há por aí muito imóvel devoluto porque não há resolução possível no processo de partilha.
Mas vai sempre saber a pouco, o estado não pode dar spawn a milhares de casas de repente ou reduzir o custo dos materiais e mão de obra para valores pré covid