Este modelo “o vencedor (do estado) leva tudo” é, para mim, ridículo. Mais de metade dos votos (somando os em third parties) vão simplesmente para o lixo, não contam para nada (ok, tem aquelas coisas secundárias do Senado, Câmara dos Representantes e assim, but you get my point…)
Eu que já acho que, em Portugal, não havendo círculo eleitoral único é muito injusto, porque há igualmente votos que para nada servem:
- Partido A tem 30x mais votos que o partido B (30% vs 1%). Partido A tem 100 deputados, Partido B; 0, apesar de representar a vontade de um em cada cem portugueses e o lugar de deputados passar da centena…
[hr]
De volta ao tópico, espero que o Obama ganhe, mas só porque do outro lado está alguém muito pior e, nos EUA, sim é puramente bi-partidário. Mas este mandato do Obama foi uma desilusão face o que se esperava, isso ninguém pode negar. Ganhou o Nobel (vá-se lá perceber porquê) e ainda nem sequer fechou Guantanamo?
O Romney ainda vai ter mais votantes e perder…
Edit: Romney já perdeu (274-200 - eram precisos 270), apesar de estar com mais votantes :lol:
Ohio que em todo o lado se dizia que era decisivo: 47,2% contra 47,1%. Recontagem à vista se não houver diferença substancial… mas deve haver que Florida e Virgina estão bem encaminhadas; Winconsin e Nevada idem. Romney dá goleada em Montana e Alaska, mas esses estados pesam pouco.
Portanto, como habitual, mais urbanas costa oeste e nordeste a serem preciosas aos democratas.
ÚLTIMA HORA
Eleições EUA. Proposta para legalizar casamento gay passa em Maryland
Go America! A “melhor nação do mundo” ainda se pode tornar menos retrógrada mais rapidamente que estados árabes! Um passo de cada vez!
Encontrei ainda, na mesma fonte, esta personangem:
[b]Peter Noivo[/b] Mais um passo na luta da PANELEIRAGEM no Mundo!!!!!!!
há 20 minutos · Não spam
Peter Noivo Sera que aindea nao entenderam??? Hermafroditas sao os Animais como o Caracol,que por condicoes Especiais de formacao Cromossomatica, assim sao!!! Tudo o resto NAO E NORMAL!!!
Dei-lhe:
Normal? O que é normal? Fazer apenas o que a predisposição genética nos indica? Para que fumamos, então? Os pulmões foram feitos para isso? Eu não fumo por acaso; tal como não sou homo. Mas quem quer fumar ou casar-se homossexualmente (duvido que façam isso sem sentimentos, como acontece quando por pressão social, homossexuais se casam heterossexualmente) que o faça. E, por acaso, se algo me pode incomodar, só o fumo de outros, não a felicidade. Posto isto, caro hitlerzinho, comentário denunciado ao Facebook.
(não para me pavonear, mas acho que aqui no Facebook ainda não tinha participado na discussão do tema, por isso, cá fica). Ah, e só respondi ao segundo comentário, porque o 1º, demasiado ridículo para me incomodar com tal, sequer…
Os americanos foram-se deitar a pensar que o Obama era o presidente para os próximos 4 anos mas vão acordar e nas capas dos jornais estará o focinho do Godinho Lopes como novo presidente.
Agora a serio, fico contente com o desfecho…seria mais uma variável a baralhar as contas nestes tempos tão complicados para a economia mundial.
Precisamente o que aconteceu em 2000, nas eleições Gore vs Bush. Contagem obscura na Florida. E o mais inacreditável é que o Al Gore não quis contestar as eleições.
Sobre o facto de serem apenas dois os partidos a disputarem as eleições, tal não é grande problema. A nível nacional, os dois partidos são de facto criticáveis, mas a actuação de ambos a nível estatal, por exemplo, é diferente e recomenda-se. Ambos agregam diferentes correntes ideológicas.
Presentemente, o Partido Republicano é lixo autêntico. Os verdadeiros Republicanos são alvo de tentativas evidentes de secundarização. E pela própria imprensa do GOP. As primárias do GOP assemelham-lhe a um processo eleitoral de um país do terceiro Mundo, tais são as inacreditáveis idiotices que saem da boca de alguns candidatos.
Lembro-me bem disso e tinha 6 anos :think: Não tenho qualquer memória da eleição de 2004 com o John Kerry :think:
Interessante :think:
Isso da Florida não foi depois para Tribunal Suprema? Li que foi uma decisão 5-4 favorável ao Bush, ou seja, ele foi como eleito pela vontade de uma única pessoa…
[hr]
Mais boas notícias:
[quote=i][size=12pt]Casamento gay e marijuana. Mudanças sociais históricas nestas eleições[/size]
Propostas levadas a referendo em alguns estados terão sido aprovadas
Comecemos pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo. Depois de Obama se ter tornado no primeiro presidente da História dos EUA a apoiar publicamente o casamento gay (passo classificado pelos seus rivais como “estratégia política”), alguns estados poderão ter também feito História nestas eleições, tornando-se nos primeiros a aprovar em referendo estas uniões.
Desde 1998 que a proposta de legalizar o casamento homossexual era rejeitada nos 32 estados que levaram a questão a voto popular em eleições anteriores. Desta vez, os habitantes do Maine e Maryland parecem ter aprovado a legalização do casamento gay nos seus estados, de acordo com projecções da CNN, “Huffington Post” e outros media.
Já o estado do Minnesota levou a referendo a proposta de incluir na constituição estadual a proibição de uniões matrimoniais entre gays; neste ponto, a contagem de votos continua a mostrar um empate.
A aprovação do casamento gay a nível estadual pela primeira vez surge depois de, nas eleições de 2008, o estado da Califórnia ter aprovado uma amenda à sua constituição sobre o casamento ser uma união apenas entre homem e mulher.
Quanto à legalização da marijuana, os estados de Washington e Colorado também parecem ter aprovado a proposta de dar à droga leve o estatuto de álcool, ao contrário do Oregon, que referendou - e chumbou - a mesma medida.
A confirmar-se a maioria do ‘Sim’ nos dois estados, o consumo e posse de pequenas doses de marijuana passa a ser autorizado para os seus habitantes, caso tenham mais de 21 anos, num sistema regulado e taxado pelo estado. Se a proposta for aprovada nesses estados, tal pode forçar, a médio prazo, mudanças do governo federal no mesmo sentido.
Nos Estados Unidos existiam, até esta semana, 17 estados onde o consumo de marijuana para fins medicinais é autorizado, mediante a apresentação de uma prescrição médica. Nestas eleições, esse número subiu para 18, com as projecções a apontarem para a aprovação da mesma medida pela maioria dos eleitores do Massachusetts.
O estado de Arkansas também incluiu a proposta de “marijuana para fins medicinais” nos seus boletins de voto, mas aí a medida foi reprovada. Se o ‘Sim’ tivesse ganho, este teria sido o primeiro estado do Sul do país (zona tradicionalmente conservadora) a aprovar a medida. Já o Montana aprovou a proposta de “suspender e reformar as actuais leis estaduais de marijuana medicinal”.
Sei que houve um confronto de Tribunais Supremos, o nacional e o da Florida, com o primeiro a subverter uma importante decisão do segundo. Acho que tinha que ver com a recontagem de votos e a extensão do tempo de voto.
O Partido Republicano anda a namorar a ideia de corromper à luz da lei o sistema eleitoral. Estados cronicamente Republicanos tentaram alterar as horas de voto, por exemplo. Há muito que querem aumentar os critérios de permissão de voto, visando afastar os mais pobres (que votam quase todos no PD) das eleições.
Vitória esperada para o Obama e até confortável já que no máximo perdeu apenas dois swing states.
Os Democratas conseguiram manter a maioria no Senado, e até a alargaram um pouco de 51 para entre 52 e 56. E fez-se história com a eleição do primeiro senador abertamente homossexual, foi a Tammy Baldwon, eleita pelo Wisconsin.
PS: E Porto Rico votou num referendo a favor de se tornar num estado! A mudança para se dar tem de passar agora no Congresso, mas se o conseguirem teremos uma situação demograficamente bastante interessante em que um território caribenho e hispanófono passa a estar politicamente em igualdade com qualquer outro estado americano.
Isso talvez até seja simples de se explicar. Dos 5M de habitantes do estado, 3M vivem na área metropolitana de Denver. Basicamente 60% dos habitantes do estado vivem numa cidade de grandes dimensões ou nos seus arredores.
Isso talvez explique a diferença relativamente ao Nebraska, Kansas, Wyoming, já que nenhuma tem um grande centro urbano. Não explica relativamente ao Utah (aí talvez entre o factor religião, já que é o “estado mórmon”) ou porque é que o Novo México é igualmente democrata, aí deve entrar o factor “minoria” hispânica de grandes dimensões.
A propósito do Colorado, foi este o estado que deu o 270º voto ao Obama e lhe garantiu a vitória. Tal como em 2008. Mas por pouco que o 270º não foi garantido no estado do “nosso” lcustodio.
Outras curiosidades, a vitória mais esmagadora do Obama foi na sua casa actual, o District of Columbia, onde venceu com uma impressionante margem de 84,1% de votos sobre o Romney. :exclaim: :xock: A vitória mais esmagadora do Romney veio, sem grandes surpresas, do estado do Utah onde venceu com uma margem de 47,9%.
Ah! E entretanto parece que se confirmou a vitória do Obama também na Florida. :great:
A Proposta de Lei de Orçamento de Estado para 2013 e os planos que o governo de Pedro Passos Coelhos tem em marcha para «refundar» o Estado social formam um condensado por demais explícito de um agravamento insuportável das condições de vida da esmagadora maioria dos portugueses, no próximo ano e nos muitos que se seguirão.
Como foi isto possível? A pretexto de uma dívida pública criada pela resposta à crise originada no sistema financeiro, foi-se impondo um estado de excepção e de necessidade que tudo parece justificar: do desemprego como programa até às reduções de salários e pensões; da venda e concessão a privados de bens e serviços essenciais até à aceitação de uma suspensão da democracia que usurpa os instrumentos de governação sem os quais uma comunidade política não pode ser sujeito das suas escolhas.
O regime austeritário é tudo isto. Uma engenharia neoliberal, aplicada a Estados colaborantes, que subjuga pelos instrumentos da dívida e que, desta vez, atinge países sem autonomia monetária, com estruturas produtivas frágeis e com padrões de especialização particularmente prejudicados pela inserção numa União Europeia disfuncional e pela pertença a uma moeda forte. É a mais recente mutação do capitalismo que, conseguindo manter intacto o poder e os lucros do sistema financeiro, dá um salto de gigante na capacidade de transferir recursos e rendimentos de quem trabalha para quem especula e se apodera da maior parte da riqueza.
As reformas e ajustamentos estruturais que estão a ser impostas não são simples alterações dentro do regime em que temos vivido desde a instauração da democracia, do Estado de direito e de uma ordem constitucional que associou liberdade política, sustentabilidade económica e igualdade social. Associou porque são indissociáveis, apesar de todas as falhas (bem patentes nos números das desigualdades).
Com efeito, o regime instaurado com o 25 de Abril e com a Constituição não é compatível com a dissociação das suas várias finalidades e com a destruição dos instrumentos da sua concretização. O exercício da governação por entidades – internas ou externas – cujo negócio é o lucro não é compatível com a democracia política. A utilização dos recursos de um país para alimentar o capital financeiro não é compatível com uma economia sustentável. A destruição da sustentabilidade económica do tecido produtivo e dos instrumentos ao dispor do Estado social (da política financeira à provisão pública de serviços de qualidade, universais e gratuitos) não é compatível com uma sociedade igualitária.
Mas é neste sentido que vão as reformas e os ajustamentos estruturais que estão a ser feitos. Eles mostram como uma União Europeia estruturalmente neoliberal e disfuncional pode destruir povos inteiros, mas também como estes têm dificuldade em encontrar formas de resistência eficazes. Para isso contribuem muitos factores, do papel embalador da comunicação social dominante, nos antípodas do esclarecimento dos cidadãos, até à persistente fragilidade das esquerdas: a uma parte dela falta apresentar uma estratégia para aceder à governação; a outra parte falta apresentar soluções para a sustentabilidade financeira do Estado social, sem cedências aos princípios da universalidade, gratuitidade e qualidade na prestação dos serviços.
O Orçamento de Estado para 2013 e a anunciada reconfiguração assistencialista do Estado social são a imagem do aproveitamento neoliberal daquelas fragilidades para criar uma outra sociedade. Nela são recriados o pior de dois mundos. Num quadro de desemprego e precariedade, a fiscalidade deixa de fazer parte de um contrato que os povos compreendiam. Apesar de tudo, ela queria-se progressiva, exercida apenas sobre montantes que estivessem para lá de rendimentos mínimos assegurados e reflectiam a vontade muito partilhada de se abdicar de uma parte significativa dos rendimentos (do trabalho…) em troca de serviços prestados pelo Estado (educação, saúde, segurança social, transportes, energia, comunicação e informação).
No novo regime austeritário, pelo contrário, pagam-se cada vez mais impostos em troca de cada vez menos. Desviados do combate às desigualdades, da elevação dos níveis de saúde e educação da população, da garantia da solidariedade inter-geracional e da coesão territorial, os montantes recolhidos com os impostos são cada vez mais canalizados para o pagamento de uma dívida descontrolada e para aquilo a que Pierre Bourdieu chamava a mão direita do Estado (defesa e segurança, justiça, etc.), em detrimento da sua mão esquerda (as suas funções sociais). Pouco importa que o país já dedicasse, em comparação com a média europeia, uma parte demasiado reduzida do seu orçamento à saúde ou à segurança social e uma parte exagerada à defesa ou à segurança. Quando se criam sociedades cada vez mais desempregadas, pobres e desiguais, cresce a preocupação com os aparelhos destinados a conter e reprimir o protesto e a violência.
Não se pense que o neoliberalismo quer a reforma do Estado para lhe reduzir o peso. A mudança que se quer introduzir é antes de mais qualitativa e nem é necessariamente quantitativa. Isto é, a ideia não é acabar com o Estado, é usar os seus recursos (naturais, materiais, humanos, simbólicos e de poder) para os afectar a outras finalidades, privadas e particulares. Cortar «gorduras» ou «despesismos» do Estado, inclusive agora que a população está tão atordoada com o «massacre fiscal» e com o desmantelamento do Estado social, é manter flexibilidade suficiente para privatizar apenas quando há interesse do mercado e noutros casos engendrar complexas concessões e parcerias público-privadas – que pareçam cortes na despesa, mesmo que por elas se pague um preço insuportável. Os mais significativos desperdícios do Estado estão aqui.
A mudança de regime em curso nos países austerizados é suicidária. É um projecto para uma regressão social e uma recessão económica prolongadas, em Portugal e na Europa. Todos os povos serão prejudicados, todos os especuladores e rentistas terão feito excelentes negócios. É urgente arredar do poder a actual solução governativa e ouvir os portugueses em eleições, mas isso, por si só, não vai tirar o país do abismo. A multiplicação de greves e outras manifestações populares, em particular pela dimensão europeia historicamente inédita que o dia 14 de Novembro representa, traz a esperança de que, a par de mudanças em cada país, possam ocorrer viragens onde elas são fulcrais: na União Europeia e no euro. Quando se exclamar «Austerizados de todo o mundo, uni-vos!», vai ser preciso lembrar que grande parte deles se encontram em França, na Holanda ou na Alemanha.
[b]Ex-generais croatas Gotovina e Markac absolvidos após recurso[/b]
Os ex-generais croatas Ante Gotovina e Mladen Markac, considerados no país como «heróis» da independência, foram absolvidos no julgamento da apelação pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ).
Os militares tinham sido condenados em primeira instância a 24 e 18 anos de prisão, respectivamente, por crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
«O Tribunal de Apelação pronuncia a absolvição», declarou o juiz Theodor Meron durante uma audiência pública em Haia, sede do TPI.
Ante Gotovina e Mladen Markac, ambos de 57 anos, tinham sido considerados culpados em Abril de 2011 por assassinato, tortura e actos desumanos, sobretudo durante a guerra da Croácia (1991-1995) contra os sérvios do país.
O ex-general Gotovina comandou a operação «Tempestade», que teve como objectivo a reconquista da República Sérvia autoproclamada de Krajina (sul), um dos últimos focos de resistência controlados pelos sérvios da Croácia em 1995, o que precipitou o fim da guerra da Croácia.
Um terceiro general, Ivan Cermak, 62 anos, já tinha sido absolvido no caso. Gotovina e Markac recorreram da condenação. A procuradoria não apelou da absolvição de Cermak, que regressou à Croácia.
Enfim, o TPI dá mostras de grande “equidade” quando se trata de julgar os crimes perpetrados nos Balcãs. Os líderes sérvios foram condenados e muitíssimo bem condenados. Nada a acrescentar! Já os paramilitares croatas - esses “anjinhos” que espalharam o terror na Krajina e em várias áreas da Bósnia Oriental e Central, como por exemplo, em Mostar - saem alegremente em liberdade. É obra!!!
Compreendo perfeitamente o porquê de os sérvios nutrirem um sentimento de grande hostilidade para com a comunidade internacional, sobretudo relativamente à Europa Ocidental e aos EUA. Já não bastava a forma vergonhosa como se conduziu todo o processo que levou à autodeterminação do Kosovo - um território tão sérvio quanto o Alentejo é português - agora, ilibam-se os criminosos de guerra croatas das suas responsabilidades, sendo estes últimos recebidos como heróis nacionais à chegada a essa aldeola fétida que dá pelo nome de Zagreb (quem também já lá esteve que o confirme…). Uma vergonha! E depois querem que as rivalidades étnicas sejam apaziguadas. Está bem, está! Mais dia, menos dia, a maioria sérvia da Bósnia Ocidental, ao abrigo do precedente aberto pelo Kosovo, pedirá direito à autodeterminação com vista à independência total. Depois, veremos como irá agir a comunidade internacional…