Política de contratações

Não sei se falhou ou deixou de falhar. O que se regista é a contratação de jogadores com um determinado perfil e esse muito dificilmente renderia a curto prazo ou se assumiria como titular, não era preciso termos 5 jogos oficiais para chegar a essa conclusão.

Estamos a meio de Setembro.

O que vejo como lacuna lesiva é mesmo a questão do centro da defesa. E vejo uma base a render muito abaixo do esperado. Poderiam ter vindo os 2 ou 3 craques tão desejados, mas com a base a render desta forma, não seriam esses craques a resolver o que quer que fosse.

E não era para essa posição que mais se chora por um desses 2 ou 3 craques?

Agora é. Até meados de Agosto, não.

A questão das contratações é muito simples de analisar. Mas essa questão não deve ser abordada de forma simplista e superficial como vejo muitas pessoas a fazer. Eu só consigo fazer este tipo de análise caso a caso. Para além disso não estamos no timing mais correto para fazer este tipo de análise. Uma contratação, ao contrário do que tenho ouvido dizer, não é boa só quando tem resultados imediatos, por esse ponto de vista Carrillo já deveria ter sido dispensado pois não rendeu o suficiente nos primeiros 3 anos.

O plantel perdeu 1 jogar titular e um jovem de grande potencial que se preparava para ser titular. Portanto da base da época passada perdemos 1 jogador.

Será assim tão descabido pensar-se que o Sporting, tendo em conta esse aspeto, não teria sobretudo que dar profundidade ao plantel, visto algumas opções estarem carenciadas?

Dito isto eu vou fazer a minha análise jogador a jogador e por setor.

Defesa:

Geraldes - Nunca vi grande necessidade nesta contratação, principalmente quando se decide apostar no Esgaio a lateral. Do que vi na pré-época não gostei, parece-me que nunca será jogador para o Sporting mas como disse anteriormente é cedo para tirar conclusões definitivas. Percebo que quem observou tenha visto qualidade no jogador e talvez os planos para o Esgaio fossem outros. Para já nota negativa.

Sarr, Rabia e Paulo Oliveira - Parece-me claro que o Sporting precisava de contrata pelo menosr 2 centrais. O Sarr no meu entender era claramente um projeto para a equipa B (fruto da má pré-temporada do P. Oliveira e do ingresso tardio do Rabia) acabou por chegar a titular mais cedo do que se perspetivava. Parece-me estar longe de estar preparado e acabou por ser “vítima” das circunstancias. O Rabia sinceramente não consigo tecer qualquer tipo de comentários porque apenas vi 45 minutos do jogador na equipa B. O P. Oliveira seria encarado como uma alternativa credível mas queimou-se pela má pré- temporada que fez.
A zona central acaba por ser o grande problema do Sporting neste início de época e o grande erro na gestão de contratações. Não sou “oheiro” mas acho que se deveria ter apostado num jogador mais experiente e investir um pouco mais nesta posição pois estamos a falar da única posição que perdeu um titular absoluto e de grande qualidade. Quanto à qualidade dos reforços é cedo para falar, um pelo menos tinha de ter entrado de caras no onze e ter mostrado mais qualidade do que está a fazer o Sarr, os outros 2 percebia que fossem jogadores para irem entrando à medida que se fossem ambientando.

Jonathan Silva - Precisávamos de uma alternativa para lateral esquerdo e percebo perfeitamente que fosse um jovem com potencial. Parece ter qualidade mas ainda é cedo para avaliar.

Meio-campo:

Posição que não perdeu nenhum jogador e que teve a integração dum jogador de quem se espera muito (João Mário). Sinceramente o perfil dos jogadores escolhidos acho perfeitamente normal. Quem formou o plantel não tem culpa que o treinador continue a dar lugar aos mesmos. Veremos o que pode trazer o João Mário à equipa mas aqui era necessário dar sobretudo profundidade ao nível das escolhas.

Rossell - Precisávamos de uma alternativa ao William e penso que contratamos um bom jogador com potencial para continuar a evoluir.

Slavchev- Percebo que a pré-época não foi grande coisa, os jogos na equipa B também não. Mas já jogou pelos A? Não será cedo para dizer que é um flop? À partida jogará na posição de Adrien, que não tem estado a jogar muito, mas alguém depois da época passada questionaria a sua titularidade?

Gauld - O clube identificou-o como uma grande oportunidade de negócio. Sinceramente nunca pensei que chegasse aqui e fosse logo titular. Não vejo a razão de não trazermos um jogador que se considere ter potencial para daqui a 2-3 épocas ser um grande jogador.

Avançados:

Hadi Sacko - Sinceramente apesar de dar o benefício da dúvida, como a todos os outros, esta contração não consigo entender. Acho que temos jogadores da mesma idade e com muito mais potencial na B, que jogam ou podem jogar na mesma posição. De qualquer das maneiras foi contratação claramente para trabalhar na B. Acho completamente desnecessário.

Nani- Acho que não é preciso dizer nada, grande aumento de qualidade nas alas e que não fosse o buraco na defesa faria com que a equipa tivesse um onze ainda mais forte que na época passada.

Tanaka - Tem jogado pouco é verdade. Mas a sua contratação era uma necessidade da equipa. 2 Avançados para uma época tão com tantos jogos era muito pouco. Haverá lesões, castigos, CAN. Terá de certeza as suas oportunidades. Do pouco que tenho visto não me parece nada mau! Para já parece-me uma boa contratação.

Conclusões (não definitivas):

Más/desnecessárias contratações - Hadi Sacko e Geraldes

Boas adições para o Plantel - Rossell, Tanaka e Jonathan Silva

Boas adições para o onze - Nani (neste caso excelente)

Jogadores cuja importância e papel no plantel ainda não estão bem clarificados - Rabia, Paulo Oliveira, Slachev, Gauld e Sarr (este último porque me parece evidente que seria mais um suplente do que outra coisa e só tem jogado devido a um conjunto de circunstancias).

No computo geral diria que, de forma ainda bastante precoce, a abordagem ao mercado tem uma nota de Suficiente.

Portanto nem considero que foi Boa nem considero que foi Má. Ficou um problema sério por resolver no centro da defesa (Resta saber se os jogadores que ainda não tiveram oportunidades conseguem solucionar o problema). Aumentou-se exponencialmente a qualidade nas alas. Acrescentou-se ao plantel pelo menos 3 soluções de banco com qualidade, 4 se considerar-mos que o João Mário é uma adição ao plantel.

Não me parece que a abordagem tivesse sido tão horrível como alguns têm referido. Boa também não me parece que alguém possa considerar.

Já o disse noutros tópicos, para o ano espero que a solução seja outra. Até porque a contratação do Nani mostra que sempre que existir possibilidade de contratar um jogador acima da média e que não ponha em causa a estabilidade financeira do clube esse jogador virá. E não me parece que as palavras do presidente indiquem que por vezes não aconteçam esse tipo de contratações. Não me parece possível que na próxima época se contrate da mesma forma.

Para quem acha fundos uma grande ideia:

http://www.theguardian.com/football/2014/sep/23/fifa-third-party-ownership

http://www.theguardian.com/football/blog/2014/sep/23/premier-league-high-ground-third-party-ownership

quando se assumem determinados (e ambiciosos) objectivos e se traça um “projecto” para os atingir, a escolha do perfil das contratações é fundamental.

para mim, reside aqui a maior incoerência desta política de contratações.

e convém referir que Nani caiu do céu (isto é, não faz parte de política nenhuma de contratações). uma óptima solução sim, mas casual, não programada.
seria sempre ou ele ou Rojo. ou seja, manter o problema das faixas sem o problema dos centrais vs. resolver o problema das faixas criando um problema nos centrais.

continuo a acreditar que é possível fazer uma boa época mas também continuo a achar que este ataque ao mercado foi… comme ci comme ça.

A política de contratações será tão indicativa do enquadramento das condições existentes ou adquiridas com os objectivos anunciados quanto o esforço evidente da estrutura em manter os melhores. Os jogadores nucleares da época passada.

A vinda de Nani ( não do jogador em si mas do perfil ) acaba por acontecer num contexto natural de alavancagem proporcionado pela venda de um dos melhores jogadores do plantel, venda que nem era propriamente desejada. Afinal, muitas das maiores contratações dos rivais acontecem exactamente pelo mesmo princípio. Reinvestir após receitas das vendas de várias das suas pedras chave. No Sporting estas vendas acontecem a 2 semanas do fim do mercado.

Até agora e porque foi evidente o propósito de contratar para valorização a médio e longo prazo, preocupou-me e preocupa-me bem mais o desempenho de alguns dos jogadores que foram absolutamente decisivos no ano passado e que até ao momento estão longe do seu melhor nível. Aliás, alguns dos empates justificam-se exactamente por isso. Jogadores que eram pilares da equipa e até ao momento têm sido um problema.

Eu não tenho grande coisa a apontar ao perfil dos jogadores que foram contratados. Percebo, compreendo, ainda que não concorde na sua totalidade, com a aposta em vários jovens, com potencial, para ficarem inicialmente na sombra e a serem trabalhados, permitindo desde já trazer alguma profundidade ao plantel.

A adição de Nani, como disseram, foi de excelência, um golpe de mestre, mas em consequência de uma oportunidade que surgiu e não de um plano gizado para colmatar a principal falha do plantel da época passada, a insuficiente e gritante capacidade nas alas do ataque.

O problema, aqui, foi que se partiu para esta época com 3 centrais, Rojo, Dier e Maurício, pelo que houve desde logo a necessidade de contratar mais um, de perfil semelhante a Maurício, vindo Paulo Oliveira, o que fez sentido, na minha opinião. A partir daí, contratações para o eixo da defesa teriam que ser com o intuito de substituir eventuais saídas. E isso não foi feito porque só se substituiu na quantidade de saídas, na qualidade ficou a perder-se. Independentemente do potencial de Sarr (que considero que tem e que pode vir a ser interessante a médio prazo se o Sporting o souber trabalhar) e de Rabia (nunca vi jogar mas admito que possa ter qualidade, ainda que lhe falte a experiência de futebol europeu), com a saída de Rojo e, simultaneamente, do seu natural substituto, o Sporting teria que ter apostado num central já feito, com qualidade, que permitisse a sua integração imediata no onze, sem que se perdesse muito na qualidade. Esta é uma das duas falhas que aponto à actuação da SAD neste mercado.

A segunda falha, para mim, tem a ver com o número de opções. Houve entradas em demasia, algumas delas desnecessárias numa perspectiva de dar profundidade ao plantel porque já existia nos quadros quem pudesse dar essas alternativas, e saídas insuficientes. Isto traduz-se num plantel enorme, completamente nocivo para uma gestão eficaz de expectativas de utilização dos jogadores, que faz com que fiquem na bancada, todos os fins de semana, 8 a 10 jogadores. Uma opção já muito questionável em condições normais mas completamente absurda quando se tem uma equipa B, com um conjunto de jovens à disposição, que também têm que servir como alternativas para colmatar eventuais necessidades pontuais da equipa principal.

Eu defendo, por princípio, um plantel de 22 jogadores, com dois por posição, e um conjunto de 4/5 jovens integrados na equipa B mas a quem se reconheça qualidade e potencial suficientes para serem opções na A em caso de necessidade. O Sporting já tinha alguns desses jovens e, de momento, esses podem e devem continuar a trabalhar mas sabem que será complicado terem uma oportunidade, tendo em conta o absurdo número de opções e de quantidade (e não de qualidade…) que a equipa técnica da equipa principal tem ao dispor.

Por último, percebo que o Sporting tenha que ser visto como um candidato ao título. Aceito que se assuma isso à partida mas foi excessiva a forma como o fizeram porque, como se perspectivava, a qualidade do plantel formado não acompanha a ambição transmitida para fora. Vejo o Sporting como um outsider neste campeonato, com a obrigação óbvia de acabar nos 3 primeiros, mas sem grandes condições para conseguir mais do que isso, salvo algum desastre num dos dois adversários. Como tal, vou exigir qualidade colectiva, vou exigir evolução, trabalho, determinação e potencialização desportiva e económica dos jogadores.

Mas não vou exigir o título quando eu, simples Sócio, olho para o plantel formado e não vejo opções à disposição da equipa técnica que me façam acreditar que tal é possível. Seria hipócrita exigir um título que, a mim, não me parece provável em condições normais, tendo em conta a qualidade global do nosso plantel e a dos adversários.

O último título de campeão foi em 2002.
A última competição ganha pelo Sporting foi em 2008.

Na última meia década o Sporting esteve completamente fora de qualquer discussão pelo 1º lugar, foi perdendo competitividade de ano para ano ( algo que vem desde 2002 ) e isto após um curto periodo de retoma, perdendo qualidade, perdendo importância como grande do futebol português e reduzindo-se cada vez mais a um gigante de papel a viver de feitos passados que abana sempre que posto à prova. Até porque essa grandeza se centrou apenas na sua dimensão social e na quantidade de troféus do seu museu.

A somar a isto, uma postura receosa, inactiva, subalterna e temerosa, incapaz de olhar para dentro de si, culpando sempre terceiros pelo infortúnio. São os árbitros, a CS, a sorte e o azar. O destino. A bola na trave. Mas culpando a medo, como que pedindo desculpa por ter que levantar a voz quando o fazia, até porque algumas migalhas que caíssem no colo seriam bem vindas.

O Sporting andou anos a viver com medo da sua própria sombra, das exigências que a sua história acarreta e como tal incapaz de exigir a si mesmo qualquer hipótese de superação, com medo das consequências de definir objectivos, por menos ambiciosos que o fossem, exactamente pelo receio de os falhar, como seria previsivel.

Uma candidatura ao título, mera intenção de vontade e de crença na capacidade do grupo que provou ter qualidade e mostrou ter indices de superação acima das expectativas, é também um sinal de algo mais abrangente e coerente de um discurso ambicioso, de auto exigência e auto responsabilização, que não é visível apenas no futebol, mas em todas as modalidades.

O Sporting não tem os mesmos meios que os rivais? Nos últimos 30 anos talvez os tenha tido 4 ou 5 vezes. Entre 93 e 95 formou-se o melhor plantel do Sporting que eu vi jogar e ganhou-se apenas uma taça de Portugal e mais tarde deu para os títulos de 2000 e 2002. Infelizmente, o papel de outsider tem sido crónico e a incapacidade competitiva também. O que não tem que ser crónico é o miserabilismo ou a aceitação dessa subalternidade como natural e é preciso lutar contra o fado de um Sporting a quem tem que correr tudo mal e isso se faz também por mudar valores, incutir exigência e a noção que quem defende esta camisola não tem que ser sempre o melhor, mas lutar até à última pinga de suor pelo primeiro lugar.

O resto do caminho será construído, de forma gradual. O reposicionamento do Sporting como um verdadeiro Grande é a meta e essa não acontece por milagre, não a quem esteve perto da implosão até há bem pouco tempo.

Mas podemos e devemos aspirar por um clube unido em torno de um ideal, aquele que guiou os nossos fundadores e que foi abandonado durante demasiados anos. Somos o SPORTING, que raio!

Um texto de um verdadeiro leão Lion73. :clap: :clap:

Acompanhei o tópico.
Ainda não escrevi porque me parece disparatada a discussão. Não coloco em causa o mote para o seu início. Mas fazer qualquer tipo de avaliação é tão prematuro quanto óbvio.

#futurologia

evidente foi/é, agora lógico (face ao dito) acho pouco.
ou então não se assumia como se tem assumido (à boca cheia e de peito feito) uma candidatura ao título já para este ano.
porque manter os que estavam foi importante mas, dadas as fragilidades que já na época passada (época light, note-se) se viam, era óbvio que isso seria insuficiente para se dar o passo seguinte.

concordo. mesmo que isso não justifique tudo. nem mesmo os empates.

insisto: quais os pontos (mais) fracos da equipa do ano passado? alas do ataque e médio de características mais ofensivas.

o que foi feito para suprir essas falhas?

  • trouxe-se o Gauld. jogador a médio prazo;
  • chamou-se de volta João Mário que era visto mais como um médio de transição;
  • caiu-nos na sopa a mosca Nani, resolvendo um problema, mas com a consequência de nos ter aberto outro (enorme) no centro da defesa.

de resto, taparam-se buracos de forma, para já (e até ver), muito aceitável.

não venho para aqui com o lirismo de, em vez de 12, 13 ou 14 gajos traziam-se 3 ou 4 de qualidade top, porque sei que contratar um jogador não se resume à compra do seu passe. é preciso pagar ordenados à jogador de qualidade top e esse graveto… nós não temos. ponto.

ou seja e para terminar, eu tenho a consciência clara de que este tipo de contratações que fizemos são as que podemos fazer. entendo isso e aceito-o como natural face às nossas (ainda) muito grandes limitações financeiras. acho que foi/é um absurdo enorme e uma infantilidade ainda maior andar a gritar aos sete ventos que somos candidatos a um título para o qual concorrem mais dois rivais que têm armas muito diferentes das nossas. já para não falar na insistência em falar de pressão (por parte do Sporting, atenção).
é que já ouvi falar mais de pressão em dois meses do que nas últimas 2 épocas inteiras (e, se calhar, tens aí a resposta para o facto de alguns, dos que já cá estavam, andarem uns furos abaixo do que deviam).

o discurso para dentro teria que ser sempre esse. dada a dimensão do clube e a necessidade de responsabilizar os jogadores, aumentando o grau de exigência.
para fora devia ter sido (deveria ser ainda agora) um outro. muito mais ponderado e realista.

geriam-se assim de forma muito mais controlada as expectativas dos adeptos (e já é notória a desilusão de muitos) e mantinham-se em lume brando os ataques de quem anda mortinho para os fazer.

o clube está a fazer um caminho. longo. toda esta pressão (lá está a pressão) extra que a direcção (na pessoa do seu presidente) está a alimentar, só vem complicar esse trajecto.

eu sei que é o estilo dele. ele é assim, espalhafatoso e apaixonado. mas, para bem do clube, tem que saber gerir melhor os tempos deste jogo.

ambição é uma coisa, don quixotismos é outra bem diferente.

:inde:

Poderia estar de acordo contigo se participássemos em uma competição que não a liga portuguesa e onde os adversários fossem de um nível colossal. Mas jogamos nesta liga e não enfrentamos bichos papões. Os outros 2 grandes têm mais e melhores armas, mas estão longe da perfeição e de serem equipas imbatíveis e o Sporting, que até vem de um 2º lugar e ficou à frente de um deles e andou 2/3 do campeonato passado colado ao campeão, baqueando naquelas 2 jornadas em que os lamps visitaram o Restelo e na semana a seguir o Sporting o Setúbal, tem aspirações legitimas e até porque manteve a base da equipa, em fazer melhor e lutar pelo primeiro lugar, mesmo não sendo de maneira nenhuma o favorito.

Se a equipa e estes os jogadores não convivem bem com a pressão de uma candidatura ao título, que não é mais que uma declaração de vontade na luta pelo primeiro lugar, não conviverão nunca com cenários reais de exigência, quando o campeonato começar a apertar.

No ano passado, não havia conferência de imprensa onde Jardim não era obrigado a pronunciar-se sobre esta questão. É agora? Finalmente há uma candidatura na luta pelo título? Quando é que o Sporting se assume? Que raio, até escrevi um texto neste quadro sobre isto.

Foram meses e meses nisto. Curiosamente, esta questão agora passaria relativamente ao lado se não fossemos nós próprios ( adeptos ) a trazê-la à tona, todas as semanas e sempre que a equipa soma um empate.

Ainda no último jogo tivemos um Sporting a fazer 45 minutos dominadores, a arrasar o dito dream team do porto enquanto teve pernas, mas a conversa pós jogo dos adeptos do clube enquanto a equipa tinha dado mostras de força colectiva e de ambição e também qualidade, era sobre a dupla de centrais e a incoerência da existência da mesma com o discurso de luta pelo primeiro lugar.

Assim fica dificil. Tenho para mim e já o disse, que prefiro aguardar pelo desenrolar do campeonato e ver como as coisas ficam. Há 2 ou 3 semanas só havia um reforço, que era Nani, depois apareceu Rosell que foi importantissimo para o Sporting readquirir o dominio do meio campo frente ao Gil e Jonathan apareceu nestes 2 jogos a dar mostras de muito potencial. Com o tempo, até porque há referências positivas relativamente a várias das entradas no plantel, teremos outros a aparecerem.

E acredito também que William, Adrien, Mauricio e outros rapidamente irão estar mais perto do patamar da época passada. Até porque não compro a ideia que a diferença de rendimento entre uma época e outra seja pelo discurso do presidente.

e eu poderia estar de acordo contigo se os rivais se mantivessem no mesmo patamar da época passada, mas já se viu que o porto está muito mais forte (longe do tal proclamado dream team, mas num nível alto… que seria ainda mais alto não fosse a parvoíce da rotatividade que o lopetrengo está a fazer em… setembro) e o benfas, mesmo estando mais fraco, está melhor do que se queria fazer passar no início da época e muito longe da equipa acessível/fácil que já aqui anunciavam.

ou seja, a época passada como referência seja do que for é muito relativa. muito mesmo. não há aqui uma análise ao Sporting, ceteris paribus.

eu compreendo a defesa que fazes do discurso do nosso boss e da interpretação que ambos fazem do peso desse discurso.
mas não concordo. acho cedo demais para se avançar para esses patamares de exigência. reforço que aceito esse discurso dentro de portas mas, para fora… não.

aliás, se na época passada o discurso era o ser impossível passar da pior época da nossa história para a melhor, este ano também me pareceria lógico que não se passasse ainda para uma das melhores dos últimos 30/40 anos (seria isso o que um título representaria).

e da mesma forma que continuo a colocar as minhas expectativas face ao trabalho da direcção encaixadas num enquadramento racional e coerente, coloco as que tenho desta equipa (treinador incluído) nesse mesmo degrau de racionalidade e coerência.

Simplesmente não consigo ser conclusivo quanto aos deméritos do discurso.

Mas que vejo algum ponto de encontro relativamente a essa ambição para a equipa principal de futebol, inserida numa perspectiva de exigência mais global para um Sporting mais competitivo como um todo, vejo. Portanto não me surpreendeu.

Também não consigo ter a certeza que esse mesmo discurso está a ter efeitos negativos na equipa. Consigo ver algumas lacunas ou qualitativas ou comportamentais, que estarão na base de resultados menos positivos, mas não consigo afirmar que esses resultados têm por base, mesmo que pequena, a pressão pela vontade declarada de se lutar pelo título.

Eu simplesmente continuo na expectativa de aguardar mais um tempo e verificar se a evolução da equipa do Sporting será consistente, se o desempenho individual de alguns jogadores que o Sporting se esforçou por manter e que foram o nucleo base da equipa e provavelmente a razão principal na convicção que haveria argumentos na luta pelo primeiro lugar registará melhorias e espero também pela forma como corresponderão alguns dos jogadores contratados, quando tiverem as suas oportunidades.

Há vários erros em termos de gestão desportiva, concedo que sim. Já o afirmei anteriormente. Aliás, ainda as saídas de Rojo e Dier não estavam fechadas, também fui um dos muitos que disse o óbvio: as suas vendas requeriam a sua cabal substituição ou teríamos no centro da defesa um perigoso foco de instabilidade. Penso mesmo que este É o grande erro dos responsáveis, numa zona nevrálgica do terreno. O treinador até pode agora experimentar outras soluções e estas até podem resultar ( e se calhar até as devia ter experimentado mais cedo ), mas este abanão defensivo era expectável e por isso escusado.

Também acho que os planteis dos As e dos Bs é demasiado longo, houve demasiada gente a entrar, houve gente que deveria ter saído e não saiu e há um ou outro jovem do plantel secundário que deveria já fazer parte das contas na equipa principal.

Mas e na globalidade, acho que há qualidade. Nalgumas zonas do terreno, muita qualidade. E se o benfica é ainda uma equipa forte, parece-me bem mais fraca que o ano passado. Só poderia, quando sai meia equipa titular e quem veio está a anos luz de quem saiu. E o porto não é o tal dream team que se foi falando. Sim, tem muitas soluções, em teoria. Há que passá-las à prática.

Não consigo concordar que a ideia que benfica e porto estão muito acima do Sporting, em termos de plantel. Não vejo essa diferença tão abismal. Existe diferença, é evidente, principalmente em profundidade e não têm um ponto fraco tão notório como o que temos actualmente ( centro da defesa ). Mas também acho que o Sporting tem as suas armas e em alguns pontos tão boas ou até melhores que os rivais, que me fazem pensar que o papel de outsider que até poderá fazer algumas coisas interessantes mas nunca mais que isso, não é papel justo para o potencial que este Sporting tem.

É por isto que ainda vou gostando de estar por aqui.

Obrigado LION73! :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: :clap: