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“o ex-observador António Francisco veio dar razão a Dias da Cunha dizendo em entrevista ao Diário de Notícias que «existe, de facto, o tal “sistema” no futebol e que esse “sistema” é tudo, desde os regulamentos que estão mal, à arbitragem que tem de ser autónoma e à falta de carácter das pessoas», falando em almoços, jantares e palmadinhas nas costas… António Francisco diz ainda que há observadores que escolhem árbitros e vice-versa. Não se compreende que havendo tantas pessoas que andam há tanto tempo a dizerem o que sabem, continue tudo em águas de bacalhau…”
Artigo completo:
[i]Ex-observador denuncia ‘sistema’
Carla maria lourençoAntónio Francisco, ex-observador de árbitros da primeira categoria, garante que existe o tão falado «sistema» e diz-se perseguido por Mário Graça, vogal da Comissão de Arbitragem (CA) da Liga. Depois de 24 anos ligados à arbitragem, deixou o mundo do futebol, triste e decepcionado com as «bizarrias desta CA» e considera que começou ontem na arbitragem o «Apito enGRAÇAdo», num claro trocadilho ao nome do homem que acusa de o ter tramado.
O ex-observador vem dar razão a Dias da Cunha e diz que «existe, de facto, o tal “sistema” no futebol e que esse “sistema” é tudo, desde os regulamentos que estão mal, à arbitragem que tem de ser autónoma e à falta de carácter das pessoas ». E exemplifica: «Apesar do major [Valentim Loureiro] ter trazido grandes benefícios para o futebol, não tenho dúvidas que dá uns toques. Um almoço, um jantar, umas palmadinhas nas costas Os árbitros mais permissivos podem ficar perturbados se pensarem no Major antes de apitarem um jogo do Boavista.»
António Francisco confirma ainda os rumores de que há observadores que escolhem árbitros e vice-versa. «Estou convencido que é verdade porque chegou o final da época e o Paulo Costa, que se gabava de escolher observadores, não foi visto por ninguém da região de Lisboa. Depois disto, quase só foi visto por observadores de Lisboa, o que, na minha opinião, vem provar a escolha», admite.
«Esta CA tem ainda mais coisas bizarras» e dá como exemplo a nomeação de assessores para observar árbitros durante a época passada: além de não prestarem provas, alguns até eram membros da comissão de análise. As acusações não param por aqui, explicando que o facto de haver seis assessores nomeados por jornada (no início da temporada tinha ficado definido que só haveria três) seria para «“fazer a caldeirada” e compor a classificação final dos árbitros».
A partir do momento em que avisou Luís Guilherme, presidente da CA e amigo de longa data, para ter cuidado, porque «o Mário Graça era pessoa para lhe dar a volta», António Francisco diz ter sentido na pele as consequências de ter «falado demais» e de não ter seguido os conselhos dos seus colegas observadores, que «num clima de medo» o avisavam: «Quanto mais falas, mas perdes.»
Observador da primeira categoria durante cinco anos, o ex-observador desceu de escalão no final da época passada e optou por sair definitivamente da arbitragem por considerar a sua despromoção o resultado de uma «perseguição» encetada por Mário Graça: «Ele queria ser presidente, mas alguém não o deixou, porque por vontade de Valentim Loureiro teria conseguido o cargo.»
O ex-observador recorda que começou a aperceber-se de que era perseguido, quando viu que apenas era penalizado pelo preenchimento dos relatórios. «Não estou chateado por descer, mas sim porque não se cumpriu o regulamento e estou disposto a levar o caso até às últimas consequências», diz António Francisco. Contactados pelo DN, Luís Guilherme, presidente da CA, e Mário Graça recusaram comentar as declarações do ex-observador. [/i]