O Tsunami e a m*** de civilização onde vivemos

Perdoem-me o off-topic mas por vezes acontecem coisas tão significativas que uma pessoa precisa de expulsar o demo por algum lado.

Mete-me nojo a sociedade em que vivemos. Nojo completo.

Morreu um jogador da bola aqui há uns tempos e tudo chorou. Caiu um autocarro em entre-os-rios e tudo chorou. Cairam duas torres com 3.500 inocentes e tudo chorou.

De repente morrem 100.000 na ásia e não vejo nem um terço da comoção e mobilização civil em torno desta destraça que vi nos primeiros dias de outros eventos tristes já referidos, comparando sobretudo com a questão “torres”, igualmente externa.

Isto aliado a momentos de depressão total como as declarações de energúmenos completos que, ou pq são mesmo assim ou pq querem ser diferentes dizem perante as cameras que iriam/vão na mesma de férias para a zona nesta altura e outras alarvidades…

é difícil de aguentar.

Como é possível alguém ser tão insensível ao ponto de conseguir encarar um momento de suposta paz interior e exterior como as férias ao lado de tanto sofrimento, fome e desgraça de proporções bíbilicas.

Vivo numa sociedade de MERDA e faço parte dela.

Desculpem o off-topic.

Para ilustrar o que dizes, deixo aqui o testemunho de uma turista a quem a SIC teve o descaramento de dar tempo de antena. Para ela vai o prémio de estupida do ano! :evil:

[b]A estupidez de alguns ao máximo! Na SIC Notícias deu uma reportagem onde entrevistaram portugueses que partiram depois da tragédia para a Tailândia, mantendo as férias marcadas como antes de tudo acontecer. Dulce Ferreira respondeu que já tinha as férias marcadas, que não tinha ficado nada preocupada com o que tinha acontecido, porque os pais, que lá estavam, tinham enviado uma msg a dizer que tinha havido "uns tsunamis e umas coisas", mas estavam bem. Quando a jornalista lhe pergunta se estava triste com toda a situação Dulce Ferreira respondeu "sim, claro, agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso não tivesse acontecido nada disto. por outro lado, estou contente, porque vejo as coisas mais ao natural, como elas são."[/b]

eu li esse NOJO.

Aliás fiz forward dessas declarações com o título - PREMIO “DEVIAS TER LEVADO ERA TU COM A ONDA NOS CORNOS QUE NÃO SE PERDIA NADA”.

Mesmo com a “atenuante” da entrevista ser feita no domingo, quando as previsões seriam de “só” (na mentalidade desta gente) de alguns milhares de mortos, essas declarações são a imagem plena do nojo de gente em que nos estamos a tornar… a última frase então, do ver tudo ao natural… só mesmo ao tiro.

Concordo que estas situações possam causar transtorno e mal estar, mas como dizes, é a m**** de mundo em que estamos, e temos que viver com ele moldando-o á nossa maneira, ou tornamo-nos uns D. Quixote.

Existe uma “regra que mede” da intensidade que uma tragédia;
1 morte em Portugal, “tem o mesmo impacto”:

  • 100 em Espanha,
  • 1000 no centro da Europa,
    … e por ai fora.

Fiquei triste quando ouvi a reportagem que fizeram a turistas Portugueses que tinham chegado á Tailândia, e quando perguntavam o que achavam de estarem de férias num local daqueles depois do que tinha acontecido, responderam:

  • Estava triste porque as praias estavam destruídas, mas que as autoridades locais já estavam a repor a areia e arranjarem tudo …

Outra pessoa disse:

  • Estava triste por estar tudo destruído, mas assim iria ver a natureza como ela era [-o< …

De onde é que saiu esta gente??
:-# :-#

cumps,
VCoelho

[b]A estupidez de alguns ao máximo! Na SIC Notícias deu uma reportagem onde entrevistaram portugueses que partiram depois da tragédia para a Tailândia, mantendo as férias marcadas como antes de tudo acontecer. Dulce Ferreira respondeu que já tinha as férias marcadas, que não tinha ficado nada preocupada com o que tinha acontecido, porque os pais, que lá estavam, tinham enviado uma msg a dizer que tinha havido "uns tsunamis e umas coisas", mas estavam bem. Quando a jornalista lhe pergunta se estava triste com toda a situação Dulce Ferreira respondeu "sim, claro, agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso não tivesse acontecido nada disto. por outro lado, estou contente, porque vejo as coisas mais ao natural, como elas são."[/b]

Também ouvi isto e fiquei de boca aberta.

Natal?

Religião?

Paz e amor?

Solidariedade?

Já não acredito em nada!!

O problema aqui é que o vulgo olha para esta situação da seguinte maneira (desapaixonada):

1 - Foi lá quase do outro lado do mundo, muita mas mesmo muita longe daqui, logo, não temos nada a ver com isso;

2 - As vítimas mortais, desaparecidos e desalojados são de países com culturas e religiões “esquisitas”;

3 - Alguns têm “olhos em bico” e ainda por cima, devem ser comunas;

4 - Alguns até são muçulmanos, logo são uns quantos fanáticos a menos.

Resumindo e baralhando, mais um exemplo do etnocentrismo bacoco da “civilização” ocidental. Se fosse cá deste lado do hemisfério norte era só carpir choradeiras politicamente correctas…

De repente morrem 100.000 na ásia e não vejo nem um terço da comoção e mobilização civil em torno desta destraça que vi nos primeiros dias de outros eventos tristes já referidos, comparando sobretudo com a questão "torres", igualmente externa.

Bom acho que estás a exagerar um pouco neste paragrafo. Ainda ontem lia que estava a ser preparada a maior operação da historia de ajuda humanitária através da ONU . E hoje seguiu de Portugal para o Sri-Lanka uma equipa da AMI.

Qdo foi o 11 de Set a minha empresa colocou a bandeira a meia haste

Até agora ainda não vi atitude semelhante.

Será que é tão longe assim ???

Não sei bem até que ponto isto foi mediatizado em Portugal. Em França só se fala nisso, e parece-me que a solidariedade ainda tem sentido, pelo menos nestas ocasiões.

Incrível a atitude daquela turista. Ouvi um, que de lá regressou vivo, é francês, e disse à televisão francesa: “estou triste, porque tinha trabalhado bastante para pagar um mês de férias, e tive que regressar…”

Quanto ao impacto de 1 morto em Portugal, igual a 100 em Espanha, a 1000 em outros cantos do mundo, isso faz-me pensar naquele texto de Eça de Queirós (creio eu), em que dizia mais ou menos a mesma coisa (a história era de inundações na India, de terramotos em outras partes, e SOBRETUDO do facto da Maria-qualquer coisa, que vive aqui perto, ter partido o braço ou a perna)

[i]Apesar de considerar certos comentarios post-tsunami duma estupidez sem limites, nao posso concordar que se cancele as ferias, porque com toda a certeza que iria afectar ainda mais a economia local.

Quanto a Portugal, espero bem que continuem a enviar ajuda de qualquer forma que seja. Muita ajuda e sempre pouca nestas horiveis circonstancias… [/i]

O problema aqui é que o vulgo olha para esta situação da seguinte maneira (desapaixonada):

1 - Foi lá quase do outro lado do mundo, muita mas mesmo muita longe daqui, logo, não temos nada a ver com isso;

2 - As vítimas mortais, desaparecidos e desalojados são de países com culturas e religiões “esquisitas”;

3 - Alguns têm “olhos em bico” e ainda por cima, devem ser comunas;

4 - Alguns até são muçulmanos, logo são uns quantos fanáticos a menos.

Resumindo e baralhando, mais um exemplo do etnocentrismo bacoco da “civilização” ocidental. Se fosse cá deste lado do hemisfério norte era só carpir choradeiras politicamente correctas…

Pois, é mesmo isso. Tás lá mano, como sempre! :wink:
Mauras, como facilmente se depreende, partilho dos teus sentimentos e opiniões. :frowning: :x

Apesar de já ter tido a possibilidade de discutir este tema ao “vivo” com o Mauras sugiro vivamente a leitura do artigo de Fernando Madrinha, um dos jornalistas que reputo de maior clarividência a escrever, inserido no Expresso on-line de hoje.
Diz tudo o que a maioria de nós pensamos sobre o assunto e ainda tem a vantagem de ler alguns comentários ao artigo que revelam a estupidez matreira do cérebro português.
http://online.expresso.clix.pt/opiniao/artigo.asp?id=24748677

Concordo com o título do tópico, é de facto uma merda de sociedade aquela em que vivemos e fazemos parte, cabe a cada um fazer a sua parte para tentar melhorar o que achámos estar mal, só isso já é uma grande ajuda!

Eu até entendo que as manifestações sejam diferentes em relação às Torres, é que nos EUA foram assassinados 3.000 e tal, na Ásia não é bem o mesmo caso, contudo, para mim e aqui falo pessoalmente, são ambas grandes tragédias, o problema é que no caso americano era evitável, já o Tsunami é complicado de prever quanto mais evitar, espero que se tirem conclusões sobre esta desgraça e se faça tudo o que estiver ao alcance de quem manda para ajudar as pessoas que ficaram neste mundo apenas com roupa que têm no corpo, se ajude estas pessoas não apenas a sobreviver mas que se dêem condicções para terem uma vida melhor, se é que isso é possível depois de passar por uma situação deste género!

Por mim falo quando escrevo o seguinte, estou muito triste e desolado com esta tragédia, também pelo nº de mortos mas sobretudo por se ter abatido sobre pessoas que de si já tinham muito pouco ou mesmo nada e faço a eterna pergunta, mesmo correndo o risco de ser polémico, onde é que raio anda Deus nestas alturas??? :x

Foi uma tragedia que me deixou muito triste.
Sempre que vejo as noticias choro,porque os muito pobres ficaram
ainda mais pobres,alem de se perderem familias inteiras.
Nunca mais aqueles paises vao ser o que eram.
Nao sei como pode haver gente que ainda sente felicidade em ir de ferias e ver aqueles tristes cenarios ao vivo.
O pais onde vivo tem sido incansavel em ajudar os povos que tanto precisam, tem seguido avioes carregados de agua alimentos e
medicamentos. O povo tem aberto a carteira a darem dinheiro para esta tao merecida causa.

       Rui nao es polemico! Eu tambem me interroguei a mim propria!

     Como podem ficar desvastados povos que toda a vida tem sofrido pobreza???
           Todo o Mundo deve estar solidario neste momento!

Eu nem sei bem como ficava caso morresse alguem conhecido qd se diz q na Tailandia 1 hora antes da “desgraça” acontecer tinham dados k confirmavam o k iria acontecer e não disseram nada para não assustar os turista :shock: :evil: :shock: :?:

Para mim os responsáveis pela NÃO DIVULGAÇÃO dos dados deveriam ir a tribunal para mim são uns ASSASSINOS!!! :evil:

Rui,

Essa questão é profunda não é o momento ou local para te a explicar, mas a tua dúvida é natural nos casos das pessoas que não percebem bem os fundamentos da existência de uma hipotética entidade chamada Deus e por que razão ela inventou os homens. As pessoas que acreditam e conhecem esse enquadramento nestes casos sabem o porquê ou pelo menos creem nele.

Para uma equação mais humana e que satisfaça quem em Deus não crê e quem crendo percebo o que vou dizer aqui vai: eu pergunto-te - onde estavam os homens? Não permite a tecnologia actual prever ou pelo menos agir de modo a poupar esta mortandade? Não existe dinheiro suficiente no mundo para a evitar?

Pelos vistos existe. Logo a questão aqui é, antes de Deus pergunta-se… onde estava, onde anda o HOMEM.

Nunca viste nem nunca verás intervenção divina nestes casos (ou talvez até vejas, em pequenos milagres individuais que mesmo assim acontecem). Para alguns isso é prova de que Deus não existe. Para outros isso apenas mostra o que quem crê já sabe: Deus não funciona assim.

Logo para ambos a pergunta e o caminho é o mesmo: por os HOMENS a fazer o que deviam fazer e não ficarem à espera de um Deus em que uns não crêem e outros ao crer têm a obrigação de saber como funciona.

Infelizmente e a humanidade naquilo a que ja nos habituou…

Por isso se tratam tao mal os pobres, ou aqueles que sao diferentes.

Por isso se tratam tao mal os animais (e este ponto afecta-me de forma especial).

Por isso se tratam tao mal bebes inocentes.

Enfim, por isso ha poucos meses morreram quase 400 pessoas no Paraguai para que nao se roubassem umas latas de cerveja.

No fim disto tudo, registo com agrado que uma velha colega minha da Opel que estava nas Maldivas, conseguiu sair ilesa e sem grandes problemas, ate pela coragem de enfrentar o mar e voltar a buscar toda a sua documentacao e bilhete.

Mas como e obvio as imagens que viu foram muito desagradaveis.

Creio que era o Stalin que dizia que um morto é uma tragédia, mas um milhão é uma estatística.

Penso que isto explicará um pouco a relativa “neutralidade” de sentimentos com que tem sido vivida esta catástrofe, mas o fundamental da explicação terá a ver com a distância (tudo se passou muito longe, em lugares que não identificamos e com pessoas que consideramos de outra “civilização”), e acima de tudo com a ausência de um alvo para a indignação.

É mais fácil projectar a revolta quando se pode culpar alguém, seja pela incúria (como em Entre-os-Rios), seja pela acção criminosa (como em Nova Iorque e Washington), do que num caso destes, que “apenas” evidencia a nossa frágil condição face ao mundo em que vivemos.

Quanto às declarações da já célebre Dulce Ferreira, são qualquer coisa de inqualificável. Talvez depois de experimentar o charme “natural” de nadar entre os cadáveres em decomposição de pais, filhos e maridos possa realizar a enormidade do que afirmou. :evil:

Como crente que sou em Deus, acho que o Mauras focou o assunto dentro de uma perspectiva correcta. Poderia me aprofundar um bocadinho neste assunto, mas penso que não é este o sítio certo para o fazer. Contudo, não me inibo de deixar aqui apenas uma observação: se uma pessoa vai para o meio de uma estrada com tráfego intenso, é quase certo que vai ser atropelada. Atropelada porque foi para o meio da estrada e não por Deus querer.

Quanto a tragédia em sí, que esperar de um mundo globalizado em que o egoísmo e a leviandade sobressaem.

Como alguém já aqui escreveu, toda a ajuda é pouca, portanto, vamos lá ajudar no que for possível pessoal.

Rui,

Essa questão é profunda não é o momento ou local para te a explicar, mas a tua dúvida é natural nos casos das pessoas que não percebem bem os fundamentos da existência de uma hipotética entidade chamada Deus e por que razão ela inventou os homens. As pessoas que acreditam e conhecem esse enquadramento nestes casos sabem o porquê ou pelo menos creem nele.

Para uma equação mais humana e que satisfaça quem em Deus não crê e quem crendo percebo o que vou dizer aqui vai: eu pergunto-te - onde estavam os homens? Não permite a tecnologia actual prever ou pelo menos agir de modo a poupar esta mortandade? Não existe dinheiro suficiente no mundo para a evitar?

Pelos vistos existe. Logo a questão aqui é, antes de Deus pergunta-se… onde estava, onde anda o HOMEM.

Nunca viste nem nunca verás intervenção divina nestes casos (ou talvez até vejas, em pequenos milagres individuais que mesmo assim acontecem). Para alguns isso é prova de que Deus não existe. Para outros isso apenas mostra o que quem crê já sabe: Deus não funciona assim.

Logo para ambos a pergunta e o caminho é o mesmo: por os HOMENS a fazer o que deviam fazer e não ficarem à espera de um Deus em que uns não crêem e outros ao crer têm a obrigação de saber como funciona.

Perdoa-me a falta de modéstia mas em relação a Deus não recebo explicações de ninguém, além disso a minha perspectiva sobre o assunto é minha e não advém de uma pensamento isolado minutos antes de escrever o que escrevi, não vou entrar numa discussão que já tive dezenas de vezes sempre com o mesmo resultado, zero!