O que é o Sporting ?

O que é o Sporting? Ao fim de 39 anos de vida, grande parte deles como associado, debato-me com esta pergunta.

Muitos tem uma resposta já preparada e na ponta da língua, “é um clube desportivo com uma dimensão social de grande relevo e destaque na sociedade portuguesa”, ou então respondem-me com a divisa do clube “Esforço, dedicação, devoção e glória”.

Contudo, para mim, são respostas estafadas que não esclarecem às minhas duvidas, duvidas essas que ganharam ainda mais destaque com os acontecimentos que afectam a equipa de futebol.

O Sporting ganhou estatuto de clube grande e transformou-se numa referencia nacional, graças aos feitos desportivos nas décadas de 50, 60 e 70 no que toca ao futebol, mas também devido ao seu eclectismo que ofereceu ao desporto português duas das suas maiores referências: Joaquim Agostinho e Carlos Lopes.

Porém, algo de difícil explicação se passa com o Sporting desde o inicio da década de 80 do século passado, que tem levado o clube a perder-se num labirinto do qual não sei se vai encontrar a saída.

Quem julga que os males do Sporting nasceram no dia 10 de Abril 1996, data em que José Roquette assumiu as funções de presidente, está enganado. Nesse dia, Roquette tornava-se apenas no 5º presidente depois de João Rocha, e passava a carregar a cruz de não se vencer um campeonato à 15 anos.

Antes dele, João Rocha que deixara o clube em 1986, tinha sido o presidente que mais marcara o Sporting após o 25 de Abril, com a conquista de 3 campeonatos outras tantas Taças de Portugal e um sem número de títulos nas modalidades ditas amadoras.

Eu era, nessa época, muito miúdo para ter uma ideia concreta do que era o Sporting, e perceber a verdadeira dimensão do clube.

Hoje já sou capaz de reflectir sobre o clube, de olhar para trás para fazer um balanço, e de tentar compreender um pouco da nossa história.

E a história são factos e números.

Apesar do relativo sucesso desportivo da gestão de João Rocha, que durou 13 anos, o Sporting teve nesse período 19 treinadores. Um número só por si esmagador.

Veio depois Amado de Freitas que não me recordo de ter feito nada de relevante e que mereça ter nota de destaque, Jorge Gonçalves que quase acabou com Sporting e Sousa Cintra, o presidente que eu recordo como aquele que mais paixão trouxe ao clube, apesar de isso se ter traduzido em zero títulos!

Sejamos honestos. Se perguntássemos a alguém, desapaixonado do fenómeno desportivo, como classificar um clube que está 18 anos sem ganhar e nesse período despacha para cima de 30 treinadores, essa pessoa diria que era tudo menos um clube grande, um clube de referencia.

E a minha pergunta já nessa altura fazia sentido. O que é o Sporting?

Dou um exemplo. Eu olho para o Arsenal. Não ganham nada há mais de 10 anos ou próximo disso, mas tem a sua matriz de clube formador, não se preocupa por ver os rivais gastarem milhões e mantém uma fé inabalável no seu treinador independentemente da bola entrar ou bater no poste, de jogar A, B ou C. Tem uma identidade e uma filosofia muito próprias que é comungada por todos os que apoiam o clube.

Hoje se fizesse um inquérito aos milhares de Sportinguistas que vivem, como eu, angustiados com o rumo que o clube leva, tenho a certeza que a maioria diria que a solução passa por “uma vassourada de alto a baixo.” Se calhar haverá alguma verdade nisso, mas a realidade destes últimos 13 anos, não é destinta dos 13 anos de João Rocha, e é bem melhor que os 9 anos que os intercalam.

O resumo destes últimos 13 anos é muito fácil de fazer: dois títulos, algumas taças, novo estádio, nova academia, criação da SAD, passivo altíssimo, mais de 15 treinadores ( e a contagem ainda não acabou). Nenhum rumo desportivo. Tão depressa se veste a pele de clube formador e gasta-se zero em reforços, como se muda tudo e reforça-se a equipa gastando 30 ME.

Regresso, pois, ao principio. O que é Sporting? O que nos distingue?

À ultima pergunta, eu respondo: nada. Somos iguaizinhos aos outros há pelo menos 30 anos. A bola não entra, muda-se o treinador. Quem comanda, vive sempre com o mesmo pregão na boca, “ Somos o Sporting”, “Temos obrigação de ganhar”… e outras cantorias iguais a esta. Mas tudo isto espremido vale zero.

Ninguém e repito ninguém, é capaz de se apresentar para liderar o Sporting, com um claro programa para o refundar e posicionar.

Vamos ser um clube formador. Pois então vamos assumir isto sem rodeios. Não vamos ganhar tantas vezes como os outros, mas temos a nossa filosofia, lançamos os nossos miúdos, apostamos num treinador que comungue destas ideias e aceitamos que não vamos ganhar sempre.

Procure-se então um treinador estilo Mirko Jozic que sabia detectar talentos e colocar a equipa a jogar bom futebol. Criamos a nossa identidade futebolística, o verdadeiro jogar à Sporting, que não está dependente de resultados, e aceitamos o clube tal como ele é.

Ou então, assumimos que o passivo é uma inevitabilidade e fazemos como os outros, gastamos o que temos e não temos e tenta-se mascarar isto com a venda de jogadores que se rentabilizam jogando na Liga dos Campeões e ganhando um titulo aqui e ali, mas assuma-se isto de forma frontal, dizendo aos sócios os riscos de uma política destas, e se for sufragada, que ninguém peça a cabeça dos dirigentes se amanhã aparecer publicado no Correio da Manhã, que o clube tem um passivo de x ou y e está em falência técnica.

O problema actual é que não somos carne nem peixe.

Nem nos assumimos como clube formador, nem nos assumimos como clube que investe para colher mais tarde, independentemente dos riscos. Actualmente a nossa filosofia é esta, às segundas, quartas e sextas somos formadores. Às terças, quintas e sábados gastamos que nem uns malucos, e os treinadores são escolhidos em função sabe-se lá do quê. Aos domingos, perdemos com os Rios Aves e sofremos para não perder com o Estoril e Gil Vicente. E somos sovados por clubes que nem sabemos dizer o nome.

Quero contudo reforçar esta ideia, este não é um problema do Godinho, do Dias da Cunha, Roquette, Sousa Cintra ou João Rocha.

É um problema muito mais a amplo, é o de saber o que queremos ser enquanto clube.

E enquanto não soubermos isto, vamos andar sempre nesta deriva.

Hoje temos um presidente que arranja uns euros vindos de Angola, China ou Índia e contrata duas dúzias de jogadores.

Amanha este saí e o próximo diz que está tudo mal, que andamos a viver acima da nossas possibilidades e portanto a solução é vender metade da equipa, baixar o tecto salarial e apostar na formação. Esta pescadinha de rabo-na-boca vai se eternizar. Daqui a uns anos, por milagre, surge um “Inácio”, que sabe-se lá como, ganha um campeonato. Mas como é tudo tão frágil e feito sem nenhuns alicerces, na época seguinte voltamos ao habitual, o treinador é despedido e o regabofe continua. Por mais uma dúzia de anos.

Por isso, não tenho resposta para a minha pergunta. Eu, confesso, amargurado, que não sei o que é o Sporting.

Não sei, o que se quer do Sporting. Não sei se a solução é o Bruno de Carvalho, ou outro qualquer, porque ninguém me diz qual é o rumo a seguir “no matter what”, com verdade.

Nem sei se, nós Sportinguistas, estamos preparados para este “no matter what”, ou seja, se estamos preparados para, por exemplo, sermos um Arsenal, ou se temos condições para nos transformarmos num clube gastador, sem que à primeira dificuldade, não apareçam os do costume na imprensa a colocar tudo em causa e a intoxicar a nossa opinião colocando gasolina na fogueira, à espera de ver tudo ruir para serem eles os próximos a ocupar a cadeira do poder.

Este é espelho actual do desnorte do Sporting: o Sá Pinto deixou de ser o treinador e ninguém sabe o que vem aí. Se fica o Oceano, se vem um estrangeiro ou um português. Porque ninguém sabe o que é o Sporting!

Por isso, todos os nomes são admissíveis, desde um Manuel José ou Cajuda até Rafa Benitez. Só por aqui se percebe que não existe ponta de ideia do que se quer do Sporting. Porque se essa ideia existisse, na mesma frase não podia existir o Cajuda e o Co Adriansse ou Benitez, porque simplesmente não faz sentido. É o mesmo que estar indeciso entre comprar um Fiat Punto, um Mercedes ou um Porsche.

Afinal o que é que nós queremos? Quais são as nossas expectativas enquanto clube? Queremos ser reconhecidos como? Qual é a nossa identidade? Qual é o nosso grau de exigência?

Tudo isto perdeu-se nos últimos 30 anos. O Roquetismo só veio acelerar um problema que já existia, e convenhamos não fez nada para encontrar soluções.

Hoje o Sporting é clube sem rumo, sem filosofia, sem exigência, sem identidade. E a culpa é de nós todos, que de uma maneira ou de uma outra nestes últimos 30 anos pactuamos com isto.

Não quero com isto dizer que resolvidos estes problemas, passamos a ganhar todos os jogos. Mas garantidamente saberemos ultrapassar mais depressa a derrota e a adversidade porque o rumo existe e todos sabem para onde remar.

Custa-me muito dizer isto, mas é esta a grande virtude do pinto da costa, ter conseguido definir um rumo e uma filosofia de clube no fcp. Clube que antes dele, era praticamente inexpressivo no panorama nacional e completamente desconhecido internacionalmente. Hoje é o clube com mais títulos internacionais em Portugal e onde até eu arriscava-me a ser campeão, porque existe uma filosofia de vitória impregnada no DNA do clube, que vai desde o porteiro até ao sócio mais anónimo.

A mim tiram-me o sono não saber se o clube aguenta outros 30 anos assim. Não saber se os meus filhos vão perceber porque escolhi ser do Sporting.

Daí a pergunta. O que é, hoje, o Sporting? A qual se pode acrescentar, o que queremos que seja o Sporting?

Vou ser o primeiro a responder ao teu topico , para te dizer que nao poderia estar mais de acordo!! :clap: :clap: :clap:

Ja tenho tentado transmitir tudo o que aqui descrevestes mas nunca consegui passar a mensagem, ja sei que sou limitado no portugues , e tambem sei que sou considerado por muitos como tal, mas isso nunca foi impedidativo para mim como sportinguista longe de portugal ha muitos anos ,mas sempre com o coracao bem perto de ja ter observado tudo isso que mencionaste!!

E volto a repetir o que dissestes, quem julgar que o Sporting so comecou a passar por estas situacoes a partir do ano de 1996,nao so se esta a enganar a ele proprio ,como tambem esta a enganar os mais jovens que nunca viveram estas constantes e semelhantes crises!!

E para terminar eu a estas crises chamo lhe falta de ambicao e sobretudo muita pouca cultura vencedora!!

E a ha cultura vencedora vou usar um termo do Cristiano Ronaldo , e como o ketchup, quando vem o primeiro vem logo mais a seguir , conclusao, quando nao ha ambicao os resultados estao a vista!!

concordo com tudo o que escreveste de facto é a realidade do nosso Clube e temo que se ninguém fizer nada vamos continuar a ver ainda mais destruição no Sporting…

Bem… por estes dias questiona-se tudo. :mrgreen:
Eu tenho uma ideologia, que penso que é a adequada e que, por isso, gostaria de ver seguida. Digo-te amanhã. :stuck_out_tongue: :mrgreen:

Parabéns pelo post. Levantas questões (essencialmente, uma grande questão) com as quais não raras vezes me deparo.

Neste momento somos uma piada

Adeptos do Sporting não vão pagar a sobretaxa de IRS de 4%, pois são pessoas que já sofrem o suficiente na vida Os adeptos do Sporting vão ter direito a um regime de excepção. Vítor Gaspar acompanhou ontem o jogo entre o Sporting e o Videoton e teve um momento raro de humanidade.

“Temos de cumprir o memorando da troika, temos de cumprir as metas orçamentais para voltar aos mercados, mas é preciso ser justo. É preciso proteger as pessoas que mais sofrem. Os adeptos do Sporting não vão pagar sobretaxa de IRS, vão pagar a taxa de IRS do primeiro escalão e vão ter isenção de TSU e IMI. Para compensar isto, vou sacar ainda mais aos adeptos do Benfica, Porto e Braga”, anunciou Gaspar. JH


in Inimigo Público
http://inimigo.publico.pt/Noticia/Detail/1566000

O nosso futuro?
Depende muito da competência de quem nos (des)governa… :inde:

Eu vivi os 18 anos de seca. E não me lembro de conformismo, apatia e de ligações promiscuas com terceiros, nem uma matriz dirigente de sentido único, que funciona como uma dinastia, focada a defender apenas o seu trabalho e o de seus amigos.

Após Rocha, que teve um final complicado, sucederam-se presidentes, uns claros erros de casting, mas que estiveram no poder curtos peridos de tempo, numa altura sim, de grande estabilidade directiva, isto até Cintra, personalidade aluada, impulsiva e imprevisivel e com limitações evidentes, que acabou por montar uma grande equipa de futebol.

Até esta altura, os adeptos do SCP eram vistos como dos melhores do mundo, eram admirados mesmo pelos rivais, todos os anos a crença no sucesso era reposta e a ligação ao seu clube era pura, limpa e emocional. Havia um ideal, valores e um amor imenso. Isto era o SCP. Foi por este clube que me apaixonei e não por esta caricatura de hoje em dia.

Há 30 anos que assistimos à subalternização deste clube como grande do futebol nacional, enquanto o clube do Norte emergia como hegemónico, mas foi há bem menos tempo que começou a desagregação do Sporting como um clube diferente. E sim, era um clube diferente.

O Sporting hoje em dia é um cliente com credito mal parado, na banca.

A nível desportivo é um cemitério de treinadores.

Nuno Lapa, dizes e muito bem que os problemas do Sporting não começaram no dia 10 de Abril de 1996, data em que José Roquete assumiu os destinos em Alvalade. Mas essa data acentuou ainda mais os problemas, dado que a partir daí o Sporting juntou o insucesso desportivo (Futebol) que trazia, ao desastre patrimonial e Financeiro que José Roquete trouxe.

Não há comparação Possível ao Sporting pré 1996 e ao Sporting pós 1996 que temos agora.

Perdemos sócios.
Perdemos adeptos.
Perdemos Património.
Hipotecamos o futuro do futebol com o passivo colossal da SAD.
Extinguimos parte da historia do Sporting com o termino de varias modalidades históricas e a redução de competitividade noutras. Perdemos o Pavilhão.
O Porto ultrapassou-nos em campeonatos nacionais e no total de troféus.

E isto tudo para alimentar um elefante branco, um bicho papão, um sorvedor de receitas do Sporting Clube de Portugal chamado Sporting SAD, ideia essa vendida por José Roquete como o Projecto triunfante de futuro que devolveria o lugar de topo no futebol Português ao Sporting.

neste momento é uma empresa em pré-falência, que tem uns rapazes que se juntam ao fim de semana para dar uns toques na bola.

:clap: :clap: :clap:

Também penso assim e defendo a ideologia de montar um sistema á Barça era possível mas seria preciso tempo coisa que não temos

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O Sporting era um clube com valores que deixou de os ter, onde muitos sportinguistas lutam para que volte a ser o clube que foi.

Excelente crítica, Nuno Lapa! :clap: :clap: :clap: :clap:

Não tinha pensado ou conhecido o Sporting nessa perspectiva mas isso secalhar é dos meus 20 anos a chamar.

Infelizmente, o Sporting é um clube sem identificação. parece um clube qualquer sem grande história desde 2000 mas acredito que, apesar das vergonhas e terrores, Sporting é um clube grande só por causa dos adeptos. Digam-me lá algum clube pequeno que tenha imensos adeptos? Não existe.

bom texto!

Mas anos 70? Ganhámos 2 campeonatos, os mesmos que ganhámos nos anos 80 e 2000. Não é bom!

(Mesmo assim, o melhor período entre 1970 e a actualidade foi claramente 69/70 a 81/82, com 4 campeonatos e 5 taças.)

:clap: :clap: :clap:

Na minha opinião, este tópico devia estar na redacção Porta 10-A.

Neste momento o Sporting está dividido em 2 classes, aqueles que dão tudo pela paixão do clube e outros que vivem á custa do Clube, desde que passou a ser uma industria desportiva perdeu a sua identidade.

Dos melhores posts neste fórum, parabéns. Sobretudo porque tu próprio dizes não ter soluções, como é óbvio, porque se fosse fácil já tinhamos saido deste buraco há mais tempo.

Eu apoio a tua opção inicial: clube formador. Reduzir-se ao máximo as despesas e salários, devolver o clube aos adeptos, tirá-lo das mãos das SADs e outras máfias, ser um exemplo a seguir por todos, ter uma mentalidade muito própria e praticar futebol atraente que, nos empates ou nas derrotas, faça os nossos adeptos aplaudir os jogadores do nosso clube. Pode ser uma visão utópica mas a diferença nos títulos seria a mesma.

Como uma imagem vale mais que mil palavras, para mim o Sporting contemporâneo é:

A Situação:

Este Sporting é dirigido por tauromáquicos, banqueirinhos, nomes sonantes, meninos de bem sem calos, fazem lembrar a escola de oficiais: 4 meses de recruta (“recruta” ;)), 12º ano, promoção automática a Tenente. É esta a nata actual do Sporting.

Os meninos de bem pululam as fileiras deste clube outrora mais popular do que querem fazer crer, vão ver os joguinhos apropriadamente equipados com cachecolzinho oficial bem afeiçoado, quotas todas pagas desde bebé, têm os lugares de époc… perdão, as “gameboxes” sempre em dia e depositam muitos votos nos papás e nos tios cada vez que há “eleições”. Os seus polozinhos da Lacoste sugerem que afinal há mesmo lagartinhos no Sporting.

Na onda média deste clube emitem ruído diversos pseudo-intelectuais que pensam saber alguma coisa de futebol. Ontem só viram os penalties mas não viram que o Sporting chega pela primeira vez à baliza contrária aos 15 minutos da 2ª parte. A esses qualquer comunicado calimérico dos Godinhos, Duques e Barões os satisfaz. Ou pelo seguro ficam caladinhos e colaboram.

Finalmente na base desta pirâmide aberrante, há ainda em certo sector do calabouço amarelo… perdão, estádio, um sub-Sporting, autónomo (com equipamento próprio e que insulta os símbolos do clube), actualmente composto por diversos elementos cadastrados que são a guarda pretoriana da Situação.

Resultado:

Neste momento o Sporting é um clube que, a juntar aos outros 18, caminha para mais 12 anos sem campeonato (porque esta época já estava perdida antes de começar, como tantas), é uma chacota nacional e pertence claramente ao meio da tabela da 2ª divisão do futebol internacional. Sem um único troféu oficial há 1514 dias (4 anos e quase 2 meses), prepara-se para ultrapassar o record estabelecido no período 2002–2007: 1761 dias. Mas a culpa é sempre dos outros, do poste, do árbitro.

Já agora, todo o património deste clube, ainda há 20 anos superior ao de todos os rivais juntos, foi em apenas 17 anos delapidado pelos que lá estão e em proveito próprio (julgo que é sabido), sendo o saldo negativo multiplicado por 10. Que mais dizer? Quando todo este teatro acabar, quando os mini-ídolos com pés de barro se partirem todos e a realidade bater à porta, cá estarão os Leões sobreviventes para apanhar os cacos que os lagartinhos deixaram.

PS: Até agora gabávamo-nos de sermos os únicos a nunca ter ficado abaixo do 5º? Vão começando a preparar-se. Ainda há que ir buscar a Equipa B para salvar a face da A.

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Quero realçar que este texto é independente do texto do Nuno Lapa, com o qual concordo.

Mas sempre terei posições bem mais duras e fracturantes.

Ser do Sporting é querer títulos de imediato e viver na ilusão, que tal é possível sem estabilidade e uma direção forte.

O problema no Sporting de há 30 anos para cá é o seguinte: os adeptos querem títulos de imediato. Quando se muda de direção/treinador/equipa constantemente, não se ganha nada. Qualquer pessoa que percebe minimamente de futebol e não está ligado ao Sporting por razões emocionais, compreende que só se ganha qualquer coisa com: estabilidade/estrutura forte.

Não esperem títulos à fartazana, quando se muda tudo a cada época. A defesa do Sporting é nova. Uma equipa de futebol constrói-se da defesa para a frente. Querem ganhar títulos com defesas novas todos os anos? Impossível!

O FC Porto serve de exemplo para tudo, está mal! Não há nada que eu considere mais asqueroso no mundo desportivo, do que o Frutabol FC, o seu equipamento, os seus adeptos e a sua direção. Mas, se têm tanta ânsia colocar o Corruptos FC, como exemplo a seguir, ponham os olhos na estabilidade/estrutura forte, é só isso que nos falta.

Qualquer borra botas é campeão no Fruta ao Domicílio FC. Artur Jorge, campeão, Jesualdo campeão, Vítor Pereira campeão, Fernando Santos, António Oliveira e a lista continua. Isto são génios da tática, magos da bola? Que eu me lembre, o Porco só teve dois grandes treinadores: Bobby Robson e Mourinho.

Boifica: estabilidade=2 campeonatos. Filial da Invicta (Braga): estabilidade:=vice-campeão nacional, disputa a Champions.