O Problema da Transição

Joga o Wilshere que a circular a bola…é um portento. A longo prazo vejo-o perfeitamente subir para o lugar do Fabregas. Até o Song (o mais recuado) é melhor com bola que os nossos. E á uns aninhos chegou a jogar com flamini , fabregas e rosicky.

Stunner eu nao tenho nada contra duplo pivot , mas um deles tem de ter muito mais á vontade com bola. Ser capaz de pegar nela e fazer uns metros em posse , aparecer sempre junto dos colegas para um futebol apoiado. Coisas simples que uma linha tao estática como a nossa não permite.

O André pode ter (ou parecer ter) esse perfil…mas em campo eu nao vejo nada disso.

Tendo em conta que a equipa tem muitos problemas, que um deles passa pela indefinição de um esquema de jogo mas também pela movimentação e dinâmica em campo, não é fácil imaginarmos o posicionamento de determinadas peças em campo, quando estas pareceram não renderem em lugares onde jogaram anteriormente.

Há jogadores, como Valdés, que em Itália partia de uma das alas para diagonais interiores e que no SCP de PS raramente saía da linha, como um jogador de corredor que claramente não é… mas que agora e para resolução do problema de construção, deve ser desviado para a ala direita ou esquerda, para encaixar Matias a 10. Em 4231. Desde que não se peça a Valdés que seja o tal jogador de corredor.

Xavi, numa excelente entrevista há uns dias, dizia que o talento não é incompatível, isto quando se referia ao aparecimento de Iniesta e se dizia que os 2 não cabiam no mesmo 11. Isto para dizer que face às fragilidades do plantel e à tal inexistência do médio de transição, os chilenos cabem e devem jogar no 11.

O Duscher, com bola, colocava a um canto qualquer médio que temos no plantel actual. Mesmo o Delfim, antes das lesões, era um trinco recuperador mas que também sabia sair a jogar. E o ataque do Jozic não era limitado, tínhamos um Simão com 20 anos, o Leandro podia ser boémio mas era melhor que qualquer avançado actual em termos de talento (tal como Pedro Barbosa e Edmilson). E na defesa ainda tínhamos Heinze, Saber, Rui Jorge, Beto, Quiroga e Nuno Valente, que não sendo grandes jogadores, eram muito melhores que os actuais.

E eu concordo contigo quando falas na questão do que se faz quando não se tem a bola. Claro que isso também é uma questão importante. Mas no jogo com o Benfica, por exemplo, vimos uma equipa que até conseguiu ter durante mais tempo a posse mas nunca teve o discernimento necessário para transformar a posse em oportunidades. E isso deve-se, sobretudo, à falta de talento da linha ofensiva, sendo que o médio de transição é onde tudo começa.

Mais um jogo , mais uma vez meio campo com ordem para ter bola e quais os UNICOS movimentos de saida com bola ? Recuo do Matias ou Joao Pereira a sair com bola prai 70% das vezes. André , Zapater , Maniche verdadeiros zeros com bola.

Mas dao alguma coesao defensiva ? Zero , vêm o jogo todo passar por eles , nao recuperam , nao participam activamente com bola. Sao pedras que estão em campo. No minimo pedia-se domínio defensivo do meio campo…mas para dominar tem de se ter bola , e eles nao sabem ter bola.

O problema no meio-campo seria menor se os extremos soubessem descer mais. O real problema no sporting é a falta de dinamismo entre as posicoes no ataque e no meio-campo. Se nao temos um 8 em condiçoes, ao menos podiamos utilizar mais jogadores para transicoes ofensivas. O Djalo e o Vukcevic foram (como quase sempre tem sido) peças a menos. Ao ver que nao recebem bola, têm de descer e permitir aos medios de subirem… assim criam-se movimentacoes que dificultam o trabalho do adversario e a bola chega la a frente.

Ja nao temos um Miguel Veloso ou um Moutinho, mas temos que chegue para ganhar jogos. E nao tenho problema nenhum em dizer que nao temos um plantel tao pessimo como muita gente diz. Temos qualidade que chegue para estar ao menos no segundo lugar. O treinador é que era claramente péssimo… e a direccao nem se fala.

Boas,

Também tenho um pouco esta opinião. A nossa equipa não é assim tão fraca. Temos de facto poucas opções de banco e em algumas posições deveriamos ter mais qualidade. No entanto o que me parece faltar, claramente, é trabalho de técnico!!! Se virmos bem os nossos jogos em casa, e eu até estou na superior norte do estádio o que me permite ver bem os movimentos dos jogadores, faltam automatismos, posicionamento táctico, organização…e isso é mão de treinador…que nos tem faltado!

Cumpts,
JC

Bom Texto !

Queria só reforçar aquela ideia dos 3 médios defensivos dizendo que o Sporting nunca controlou o jogo com eles nem o meio campo adversário , apenas controlava o próprio meio campo do Sporting , perdendo unidades no resto da largura do jogo e prejudicando obviamente a transição. Depois há o eterno problema da falta de confiança da maior parte da equipa…

Saudações Leoninas

Numa linguagem mais popular os nossos médios não são “carne” nem são “peixe”. Ou seja, nem são trincos nem box-to-box’s. São um “misto”…

Basicamente é isso :mrgreen:

Permitam-me que deixe os meus “insights”, embora sejam algo falíveis.

Bem, esta é uma discussão muito ingrata. Ingrata porque acho que para se fazer transições são necessários espaços, linhas de passe e movimentações. Infelizmente, ao dia de hoje, a situação no Sporting relativamente a esses itens continua igual.

Em primeiro lugar, não concordo com a ideia subjacente que os nossos médios não são box-to-box. Essa ideia de “box-to-box” deriva dos médios ingleses dos anos 80, do típico 442, onde dois tinham de defender e atacar. Eram jogadores verticais, capazes de defender, recuperar e levar a bola para o ataque (ou acompanhar a transição quando a bola circulava pelas laterais), entregar ou posicionar-se de forma a circular a bola ou rematar. É óbvio que não temos Xavi, Iniesta, Gerrard, Lampard, Fabregas, etc, etc. Nem sequer Lucho, para um exemplo que passou pela nossa liga recentemente. Mas sou da opinião que mais que especialistas a defender ou a atacar (porque não são verdadeiramente um ou outro), os nossos jogadores são o tal misto. E isso é, para mim, um “box-to-box”. Não são é de tal magnitude. Uns já o foram, outros ainda não o são.

E os nossos problemas defensivos (não, não me esqueci do problema em discussão - a transição) derivam, também, disso. Se os nossos médios sobem para apoiar, transportar e tentar a finalização, não tendo nenhum “trinco” nas costas, quem protege o espaço que se abre atrás deles? Mas se eles ficam atrás, quem apoia o ataque? Mete-se um trinco atrás deles e eles já podem subir, passamos a jogar em 433? Isso resolve o problema do espaço atrás, mas depois constata-se outro: a falta de criatividade, de espontaneidade, de risco. Um médio desses é um tipo que tem de ter certeza nas suas acções. Se ele falha, perde a bola. E isso é sempre um risco. Mesmo tendo alguém (agora) a proteger as costas. Até porque montando uma equipa assim, e apenas assim, ela torna-se previsível e o seu jogo anulável. Se o objectivo é empatar, a coisa funciona. Senão, tem de se esperar que o adversário abra espaços, seja no meio, seja nas alas. Para que alguém saia com os 3 pontos, alguém tem de perder o jogo. Não digo ganhar, porque nesse jogo tem de haver uma equipa que erre, não que uma faça a outra errar. Excepto, claro, se o resto da equipa for tão boa e jogar tão rotinada que consegue abrir espaços por si. Como se resolve? Sacrificou-se um"box" e passou-se a jogar com os criativos novamente. Deixou-se o trinco, usa-se um “box” para levar a bola e um médio ofensivo (já não é um dez, porque também tem de defender, embora menos) que arrisque o 1x1, que continua a ser a única boa forma de desequilibrar o adversário pelo centro. A explicação é simples e dada, bem, pelo Winston Smith. Mas não tem de ser assim. Já não tem de ser assim.

Começam-se a ver equipas com duplo-pivot que, pura e simplesmente, eliminam o trinco. Fora com os trincos, foram uma péssima rotina dos anos 90. E não, não falamos de um duplo-pivot onde um “box” defende mais e outro menos. Isso não é novidade, isso é o modelo anterior (usado pelo porto à anos) porque um acaba por ser um trinco. Digo um sistema com dois “box” e um criativo à frente. Como resolvem o espaço nas costas? Bem, fácil: a defesa sobe, a equipa joga mais junta e um protege as costas do outro. Mas nunca um assume mais o papel de transporte que outro. Senão o adversário aposta nisso e já sabe o que anular. O médio ofensivo, mais criativo e mais solto, desloca-se conforme o que sobe.

Bem, devo dizer que este seria o melhor sistema para o Sporting actual. Não é o melhor sistema, mas seria o que poderia funcionar, face aos médios que temos. E já foi tentado. Mas não funcionou. Porque nada funcionou. Porque simplesmente nenhum sistema funciona se a equipa não se mexer. E a do Sporting não se mexe. Ou tem todo o espaço do mundo para atacar e fá-lo com 3 (no máximo 4) jogadores, sempre em contra-ataque ou não vai lá. O Sporting, em ataque organizado, não joga. Foi transformado numa equipa do “não descer de divisão”, fechada lá atrás. Mas como é obrigado a atacar, porque ainda é um clube “grande”, acaba por não poder ficar lá atrás e é uma desorganização total. As linhas ficam distantes, houve uma excessiva preocupação em fazer circular a bola pelas alas, rapidamente e sem apoios e isso só funciona se o adversário se “abrir” todo. Se ficarem sempre 4 lá atrás mais um trinco, não dá. Depois pára-se e espera-se pelo resto da maralha. Quando ela chega, não há rotina de circulação objectiva da bola. Circula-se à espera que o adversário abra. Quando não abre, despeja-se a bola para a área. Como não há pinheiros, azar… A equipa não se mexe, não abre linhas de passe e assim nada se pode fazer. Nem o melhor “box-to-box” do mundo resolve isso. Quando os nossos médios recebem a bola da defesa, viram-se para um lado, viram-se para o outro, tentam seguir em frente e nunca descobrem a quem passar. Hoje em dia até já nem a querem receber e facilmente se dão à marcação. O Polga que a despeje lá para à frente. Porque o que temos de reter é o seguinte: um “box-to-box” transporta a bola, mas há-de chegar o ponto em que tem de a passar a alguém. Se não houver ninguém a quem passar…

Vi aqui um esquema à "Barcelona de Rijkaard (esperem, vou buscá-lo).

Aqui foi defendida a ideia de que poderíamos usar um trinco e dois médio mais atacantes. Um pouco à semelhança dessa ideia holandesa. Mas e o trinco, está onde? Não temos nenhum trinco, nenhum especialista a partir pedra. O mais parecido (Pedro Mendes) teve lesão prolongada e está, novamente, parado. Depender um sistema num único jogador é muito perigoso. Mesmo num grande jogador, é muito perigoso. Se tivéssemos outra solução, avancem com esse 2-3-2-3! Se bem que nos falta o principal: alguém que o possa treinar. E olhem que esse sistema dá trabalho! Nós nunca conseguimos ter uma equipa, quanto mais uma dinâmica tão forte e tão solidária? Não acho que possa ser solução. Gostava, mas não acho. Nem sequer acho que tenhamos jogadores para o fazer.

André Santos é o tal misto, a que eu chamo “box-to-box”, o tal 8. Tem o problema de ter, aos 22 anos, o meio-campo aos ombros sem equipa para o ajudar. Pedro Mendes, um “8” clássico, ainda tem pulmão para o fazer (obviamente que não se o tiver de fazer em 60 jogos numa época), mas hoje em dia vive com a responsabilidade de ajudar a defesa e tapar buracos entre linhas defensivas. Assim não dá. Zapater vive devagar e devagarinho, ao ritmo da Liga Italiana de hoje. Não é um portento, e também me parece que é um misto, nunca um especialista a defender ou atacar, mas pode ser útil. Se ganhar um ritmo mais acelerado. Manicas, o ex “8”, está bom para descansar. Pulmão é mentira. Para proteger as costas a dois médios ofensivos seria necessário um verdadeiro trinco.

Mas lá está, penso que o verdadeiro problema, como muitos já aqui o afirmaram, é toda a dinâmica da equipa e não os jogadores (especificamente os médios centro) em si.

Quando saíres daqui, também nunca irás para o Málaga?

:mrgreen:

Duas ideias que eu discordo absolutamente no que escreveste Ravanelli (se as bem entendi )

Os jogadores que temos são “mistos”. Em total desacordo. Um box-to-box , ou transicao , ou 2º volante , 2ºmedio , até no limite um 8 pode ser incluído (isto é nomenclatura , o que interessa é o que fazem em campo) …os bons sao fortes tanto nos processos defensivos como ofensivos. Os menos bons caracterizam-se apenas numa das áreas. Ora eu continuo a achar-se que fala muito nos perfis dos jogadores se pouco naquilo que eles fazem em campo. Ver ao vivo é remédio santo.

"André Santos é o tal misto, a que eu chamo “box-to-box”, o tal 8 " Pode vir a ser , mas ele campo está época acho que nao mostra nada disso. Um jogador que desde o inicio da epoca faz por jogo 3-4 passes para a frente , que nao aparece junto da area , que nao pega uma unica vez na bola em posse , para mim nao serve. Como dizes , nao existindo um trinco os médios podem nao sentir-se tanto á vontade…mas eu no Sporting nao vejo isso. Vejo uma linha estática , seja quando jogamos com 2 ou 3 medios , sempre com 2 elementos a nao sairem e a preocuparem-se com recuperação. Seja zapater , pmendes , andre ou até o nuno ribeiro. Chegam a ser dois a funcionar unicamente como trinco e fazem-no muito mal. O problema do Sporting é que estes medios nao sao bons nem a atacar , nem a defender …e isto nao é box-to-box. Esses fazem minimamente bem as duas coisas , estes não fazem bem nenhuma.

Da eu achar que os centro campistas actuais nao servem…nenhum deles. Nao estou a dizer para os despachar. Estou a dizer para se contratarem referencias nessas posições , e eles vão-se adaptar muito melhor ao esquema.

Para que o Sporting quer tanto médio no plantel que nao sabe atacar bem , nem sequer sao fortes na fase defensiva ? Isto para mim nao é ser misto…é ser fraco.

Ok, vou tentar ser mais claro. Mas confesso que nem sempre o consigo (a sério, é algo que me apontam à anos) e portanto desculpa lá se mais uma vez não o conseguir.

A minha ideia de um “box-to-box” é a de um jogador que defende e ataca. Não é um especialista na defesa, nem no ataque. Faz as duas funções. É óbvio que a qualidade que tem em cada acção depende da sua qualidade global como jogador. Mas a ideia é antiga, pelo menos para mim. Não é algo novo, é um médio à imagem dos médios centrais ingleses num 442 com extremos, em que aos médios centro (e seria mais fácil manter apenas esta nomenclatura, mas o termo reavivou-se e expandiu-se) se exigia que fizessem tudo pelo corredor central: defender, transpor e atacar. Portanto, chamo-lhe um misto entre o médio apenas defensivo e o médio apenas ofensivo. Esses são verdadeiros especialistas nesses actos, o “box-to-box” tem de fazer os dois. Em Portugal não há muitos de qualidade. Aliás, para mim, não há nenhum e o melhor até será o moutinho (mesmo correndo o risco de o fórum me cair em cima). O melhor dos últimos tempos foi um tal de Lucho, para mim um luxo de jogador. Mesmo que nunca tenha tido grandes obrigações defensivas, notava-se que as desempenhava. Os nossos não são grandes “box-to-box”. Até porque a própria organização da equipa não permite que o sejam. Mas são médios centro. Não são trincos, nem sequer médios ofensivos (falo de A. Santos, P. Mendes, Zapater e “Maniche”, os outros são outra história). São um misto, são médios centro. São médios que têm as competências necessárias para defender e atacar, para transportar bola. Não são especialistas a defender ou atacar. Eu não acho que o Ballack seja um especialista a atacar ou a defender. Faz bem as duas coisas, mas não é nem trinco, nem médio ofensivo. O mesmo do Essien, do Gerrard, do Lampard. Como é óbvio, qualquer um destes mete os nossos a uma canto. Mas isso já deriva da sua qualidade global. Não das características serem brutalmente diferentes. O Guarím é o quê? Não é trinco, não é médio ofensivo… só pode ser médio-centro. Não é especialista a defender ou a atacar, faz ambas razoavelmente. Entretanto tem feito melhor, porque joga numa equipa que tem estado melhor. Até lhe permite subir mais que fazia antes. O que define a sua posição são as suas características, não a sua qualidade. Essa define “apenas” se entra como titular ou não e até que ponto irá a sua carreira.

A evolução depende da qualidade e de quem os treina. Na minha opinião temos dois jogadores que podem vir a ser bons (não digo à escala mundial) nesse vai-e-vem: André Santos e Adrien. São “8s”, médios-centro, “box”, 2º volantes, o que quiseres chamar. Não são nem trincos, nem médios ofensivos. Pedro Mendes já o foi em elevada escala, hoje especializou-se, muito graças às necessidades naturais da equipa. Manicas também foi bom, mas já era.

Tens razão que esta é uma discussão sobre as características dos jogadores e não sobre o que realmente fazem em campo. Mas que faz a equipa em campo? Como definir um avançado que não tem bola por causa da equipa? Será definido como um mau avançado? Ou será que temos de definir a equipa como uma má equipa?

Mas pronto, o que queria esclarecer é que, para mim e sujeitando-me a estar errado, um “box-to-box” é um misto entre um médio defensivo e um médio ofensivo. Não é um especialista, quer a atacar, quer a defender. É o tal médio-centro, que tem de fazer as duas coisas. A qualidade com que o faz depende da sua qualidade. Tu dizes que se não fizer bem as duas não é um “box”. Eu discordo. Pode sê-lo, mas é mau. Como um mau guarda-redes, um mau central, um mau extremo, etc. Um ponta-de-lança que não marca golos deixa de ser ponta-de-lança? Para mim torna-se é num mau ponta-de-lança.

Bem, a diferença entre nós os dois é que eu não culpo os médios por isso. Culpo todo o sistema que não cria soluções. Toda a dinâmica que está errada. No fundo, culpo uma equipa que não existe.

No inicio da época (e falo de época mesmo, a pré não conta para nada neste sentido) via muitas vezes os nossos médios (e aí jogávamos apenas com dois no centro, obrigando-os a ser mesmo médios-centro) a receber a bola de uma defesa que estava a dez metros deles (pelo menos) e estando de costas para o adversário. Ainda por cima, não tinham nenhum apoio num raio de… bem, nem consigo calcular. às vezes punha-me a pensar se na cabeça deles não estaria a ideia que o jogo tinha acabado e os colegas de equipa tinham recolhido aos balneários. Isto mata qualquer um. E agora, faz o quê? É que entretanto o adversário mete 3 ou 4 no meio e ele já está com adversários em cima. Lá está, como não é um especialista, um jogador de méritos no “1x1” está metido em carga de trabalhos. Invariavelmente ou perde a bola ou passa para trás.

Isto era especialmente notado no Zapater, pois vinha com um ritmo de jogo mais lento. Mas lembro-me de ver todos em apuros. Para mim, numa situação dessas, a culpa não é do jogador. É de toda a equipa! É claro que no futebol de hoje, a missão é mais tramada. As equipas fazem maior pressão. Nos anos 80 havia mais espaço. No futebol moderno não se vê quase ninguém a correr 40 metros pelo meio com a bola nos pés. A menos que o adversário se feche lá atrás, mas aí não é preciso um médio fazê-lo. Um central chega.

Eles eram estáticos, mas toda a equipa era estática. O treinador falava de movimentação, mas eu olhava e via 11 tipos parados. No máximo corria o que tinha a bola. Isso já nem na América do Sul, pese o calor e humidade com que têm de jogar. Vou culpar o (ou um) médio?

Depois, com o avolumar de maus resultados e, principalmente, pela ideia de que a equipa defendia mal eles foram-se ficando cada vez mais atrás. A maior parte dos golos sofridos aconteciam porque os médios eram ultrapassados em velocidade (a equipa pressiona mal e dá espaço) ou porque apareciam adversários e bolas no espaço (enorme) entre linhas. Eles foram ficando para trás e cada vez arriscando menos. O modelo de transição “pontapé para a frente” ou “mete a bola no J. Pereira e ele que corra” foram mais fáceis de implantar e vistos como a solução para o problema…

Lá está. Mas aí não tem a ver com o posicionamento. Tem a ver com a qualidade.

Mas já agora pergunto, para ti eles são o quê? Qual é a posição deles? Se não atacam bem e não defendem bem… de que forma se adaptam e entram no esquema? Isto é que não percebo.

É que a conclusão a que chego é que para ti não é um problema de eles não serem “box”, “médio de transição”, “médios centro”, “8”, 2º volante… o que seja. Porque aparentemente eles também não são mais nada, pois também não são trincos, nem médios ofensivos. Nem sequer GR, defesas ou atacantes.

Eles são fracos. Ponto. Não são é jogadores de futebol, pelo menos para este nível. E aí tudo bem. Se calhar na 3ª divisão já seriam um “box-to-box” do catano!

(Bem não levo a mal se ignorarem este texto. Ia lê-lo e corrigir algum erro, mas desisti… Desta vez exagerei mesmo! :lol:)

Tentando responder ás 3 partes do texto…de forma curta :smiley:

Sobre a definicao de box-to-box. Concordo com tudo quando falas das características modelos dos medios , no sentido mais téorico. E é por concordar com tudo isso , que nao consigo associar nenhum dos nossos médios ao que tu referes. Ou se calhar até posso dizendo que eles sao maus :mrgreen: Mas tambem acho que o André e o Adrien têm espaço para crescer…mas tambem como defendo sempre , os jovens têm de se impor e o Sporting nao pode construir um plantel á espera que eles sejam a unica solucao. Dai achar imperioso a contratacao de um medio destas caracteristicas.

Sobre a influencia directa no jogo deles vs o que os colegas fazem…também concordo. Se existe equipa que nao facilita o trabalho dos médios é o Sporting. Mas os médios também nao facilitam o trabalho da equipa. Eu ás vezes estou em Alvalade , vejo o André a receber a bola no meio campo, 15 metros de espaço livre e ele parece que está a fazer treinos condicionados por áreas de influencia…se passar um certo quadrado leva um choque :lol: Fica parado , toca logo ao lado , faz jogo directo ou algo do género. Tem de ter capacidade ,qualidade ,atitude para pegar na bola e percorrer aqueles metros com bola. Mas ninguem faz isto , as linhas muito rigidas , bem definidas e sempre com medo do contragolpe. Dá ideia que eles sabem das suas limitações…se sobem depois nao cobrem e dai nao arriscarem.

Sobre o que eu acho que eles sao…sao centro campistas mal definidos. Quando referi que se adaptam e entram no esquema se tiverem referencias , é por exemplo inserir o André no Porto naquele esquema de 3…ia sentir-se muito melhor porque a posicao é muito mais definida. Se tivermos um grande trinco e um grande médio ofensivo , ele adapta-se muito melhor ás necessidades. Como eles nao sao nem carne nem peixe (e aqui refiro-me especificamente ao André , o Zapater nunca vai passar de médio defensivo , o Pedro nao tem idade para mais) , jogando com 2 referencias obrigava-os a especificar a função.

Sim, sim. Concordo em absoluto. Até porque não acho que possamos garantir uma equipa ganhadora com base neles. Afinal, eles não são aqueles todos que referi. E precisamos de mais, se queremos ganhar títulos.

Pois…

Sim, é o caminho mais acessível. Os outros demoram tempo e dão trabalho sem garantias. Não acho que o Zapater venha a ser um médio defensivo capaz de assegurar as costas dos médios, sejam eles quem for. É raçudo, não é um “pé de tijolo”, mas demora a ganhar ritmos de jogo aceitáveis a uma equipa que quer voltar a ser competitiva (ao nível do Sporting).

Esta época, quando li que o Sporting teria contratado o famoso Maniche, aquele jogador que ocupou muito bem o meio campo do fcp fiquei… :-
Não sabia se haveria de sorrir por termos contratado um meio-campista que outrora era cobiçado por muitos, ou se deveria sim soltar uma chapada na testa em sinal de desespero… :inde: … Pois parece que o Sporting não contratou Maniche, mas sim, que o Maniche contratou o Sporting…
Bem, acho que este assunto já está mais que falado. E por muito mais que eu fale e/ou pense nele o meu sistema nervoso altera-se.

Adiante…

Chegaram 2 chilenos que desconhecia, mas que estava desejoso de os ver jogar.
Para além dos pequenos toques com qualidade, não mostraram nada de especial.
Porém mostram agora que têm algo para dar ao Sporting… Veremos o futuro destes promissores jogadores…

Pedro Mendes, foi um jogador que achei realmente uma contratação de algum modo de “valor”, pois traria com ele muita experiência de outra liga… Contudo, pareceu-me que não tens demonstrado mais por falta de sorte e por falta de companheirismo naquele meio campo (e não só).

André Santos, este sim!!
Considero-o um excelente jogador… Unico que faz o que se pede a um médio-defensivo (travar contra-ataques e/ou ataques na zona do meio campo).
Tem muito tempo pela frente para evoluir. Será sem duvida um jogador que grande qualidade…

Espero que o Sporting mude estes 2 ultimos anos (contando com este campeonato) e nos dê vitórias…

Sporting é o meu, o teu grande amor… Sporting vence por nós por favor!

SL

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