Números do futebol: Jejum vs Projecto

É habitual comentar-se a performance desportiva alcançada sob os desígnios do Projecto Roquette, dizendo que as coisas não correram inteiramente como esperado, que foram cometidos erros, mas que mesmo assim correu melhor do que nos anos anteriores, os do tenebroso jejum, em que o Sporting tinha equipas ridículas e terminava a dois dígitos de distância do campeão, por vezes falhando até o pódio do campeonato.

A justificação deste raciocínio assenta em grande medida, e bem, no maior número de títulos conquistados desde 1995. Foram 2 Campeonatos, 2 Taças e 3 Supertaças, contra apenas 1 Taça e 2 Supertaças conquistadas entre 1982 e 1995.

Quanto a isto não restam dúvidas de que estamos melhor, embora estejamos longe do que desejável. Mas sendo os títulos o mais importante e o objectivo primordial das equipas de futebol, a performance destas e a sua influência na vida dos seus adeptos não se esgota no sucesso alcançado no final da época.

O quotidiano das equipas e de quem as segue é feito de jogos, de vitórias ou derrotas jornada após jornada, de pontos que se somam ou perdem, de golos que se marcam ou sofrem, do ficar à frente ou atrás, perto ou longe do rival. São estes elementos que fazem a alegria ou tristeza dos clubes e dos seus adeptos ao longo do ano.

Eis pois que me surgiu a dúvida: quão diferentes são as equipas do Projecto das das direcções que o antecederam? Quão mais satisfeitos andaram os sportinguistas à 2ª-feira de manhã, em comparação com a longa treva do jejum? No fundo, qual foi o grau de evolução na produção futebolística, de um período para o outro?

A perspectiva da análise, limitada aos jogos do campeonato, abrange dois períodos: épocas 82/83 a 94/95 inclusive (13 épocas), atribuídas ao “Jejum”, e 95/96 a 06/07 inclusive (12 épocas), atribuídas ao “Projecto”. As fontes da recolha são as bases de dados Sportingdb.com e Desportoluso.no.sapo.pt. Nas épocas 94/95 e anteriores foi feita a conversão para a base de 3 pontos por vitória.

As diferenças no quadro competitivo tornam complicada a comparação directa, uma vez que nestes anos houve campeonatos com 30, 34 e 38 jornadas. Recorreu-se por isso às médias de rendimento por jogo, tendo sido, para cada período, analisadas as seguintes vertentes:

  • Média de pontos por jogo;
  • Média de golos marcados por jogo;
  • Média de golos sofridos por jogo.

Com base nestes dados, foi estabelecida a “equipa-média” de cada um dos períodos (em termos de pontos somados, golos marcados e sofridos, e também em termos de diferenças pontuais para o campeão, FC Porto e SL Benfica).

E por fim organizou-se o “campeonato-médio” de ambos os períodos, limitado aos três grandes e com base em 34 jornadas.

Os pressupostos iniciais são os seguintes:

No período do Jejum o Sporting disputou 434 jogos para o campeonato. Somou 852 pontos, marcou 751 golos e sofreu 350 golos.

No período do Projecto o Sporting disputou 404 jogos para o campeonato. Somou 805 pontos, marcou 702 golos e sofreu 341 golos.

Calculadas as médias nas vertentes acima indicadas, obtém-se o seguinte resultado:

Em síntese:

  • No Projecto a média de pontos por jogo foi superior em 0,03;
  • No Projecto a média de golos marcados por jogo foi superior em 0,01;
  • No Jejum a média de golos sofridos por jogo foi inferior em 0,03.

Como se pode constatar, nos aspectos analisados as diferenças de rendimento entre os dois períodos são ínfimas e negligenciáveis.

Continuando, no quadro seguinte estão as performances das “equipas-médias” de ambos os períodos. Os valores por jogo correspondem à soma das médias parciais das várias épocas, dividida pelo número das mesmas.

Foram também calculados, para ambos os períodos em causa, os valores de pontos por jogo das equipas-médias de todos os campeões, do FC Porto e do SL Benfica; com base nesses valores, calculou-se a diferença pontual média por jogo que separou as equipas do Sporting das daqueles adversários:

Em síntese:

  • A equipa-média do Projecto somou mais 0,02 pontos por jogo;
  • A equipa-média do Jejum marcou mais 0,01 golos por jogo;
  • A equipa-média do Jejum sofreu menos 0,03 golos por jogo;
  • A equipa-média do Projecto perdeu menos 0,17 pontos por jogo para o campeão;
  • A equipa-média do Projecto perdeu menos 0,10 pontos por jogo para o FC Porto;
  • A equipa-média do Projecto perdeu menos 0,26 pontos por jogo para o SL Benfica.

Novamente o equilíbrio a marcar a comparação entre ambos os períodos. A equipa do Jejum vence no capítulo dos golos, a do Projecto vence em matéria de pontos. No caso dos golos as diferenças voltam a ser muito reduzidas, mas, quanto aos pontos, cada décima de diferença positiva pode representar uma aproximação de mais de 3 pontos no final do campeonato.

Nota - Para melhor interpretação dos resultados relativos às diferenças pontuais, deixo os valores médios de pontos por jogo obtidos pelos adversários em cada período:

Em síntese:

  • Durante o período do Jejum, o campeão somou em média mais 0,15 pontos por jogo que nos anos do Projecto;
  • Durante o período do Jejum, o FC Porto somou em média mais 0,10 pontos por jogo que nos anos do Projecto;
  • Durante os anos do Jejum, o SL Benfica somou em média mais 0,26 pontos por jogo que nos anos do Projecto.

Nota-se uma degradação no rendimento dos adversários quando se observam os dois períodos. Nos anos do Projecto, tanto o campeão como o FC Porto e o SL Benfica somam em média menos pontos por jogo.

Por fim, os “campeonatos-médios” do Jejum e do Projecto. No universo dos três grandes, multiplicam-se os respectivos valores médios de pontos por jogo em cada período por uma base de 34 jornadas:

Campeonato do Jejum:

1º - FC Porto, com 80,92 pontos;
2º - SL Benfica, com 76,16 pontos;
3º - Sporting CP, com 66,98 pontos.

Campeonato do Projecto:

1º - FC Porto, com 77,52 pontos;
2º - Sporting CP, com 67,66 pontos;
3º - SL Benfica, com 67,32 pontos.

Em síntese:

  • O FC Porto perde 3,40 pontos entre os dois períodos;
  • O SL Benfica perde 8,84 pontos entre os dois períodos;
  • O Sporting CP ganha 0,68 pontos entre os dois períodos.

A degradação do rendimento dos adversários durante o período do Projecto ganha contornos mais palpáveis. Num campeonato de 34 jornadas, o FC Porto perde em média uns já significativos 3,4 pontos, enquanto o SL Benfica sofre uma queda vertiginosa de 8,84 pontos. O Sporting aproveita e sobe um lugar, mas o seu ganho pontual médio relativamente ao período anterior é de apenas 0,68 pontos.

São os dados que deixo para comentário, caso nisso vejam interesse.

Muito interessantes estes dados. Na minha opinião acho que uma das causas (embora coincidindo com o projecto mas obviamente não tendo nada a ver com ele) dos grandes em geral terem baixado a performance, foi os ditos “pequenos” estarem agora mais competitivos. Isso afectou os 3 grandes em geral. Nota-se mais no Porto (mais este) e no Benfica, devido à fase “ante-projecto”, serem realmente dominadores.
No caso especifico do Sporting, acho que na fase ante-projecto tinhamos melhores executantes (estou a falar em média) mas eramos menos pragmáticos. Isso leva a conclusões de que se jogava “melhor futebol” antes, mas a nivel de resultados sejam piores do que os de agora.
Uma das causas de termos melhores executantes, era haver restrições à utilização de jogadores estrangeiros nos vários campeonatos. Essas restrições, dava-nos mais hipóteses no mercado externo, pois os “tubarões” não podiam comprar todos e por outro lado, conseguiamos segurar durante mais tempo os melhores jogadores portugueses.
Acho que quando menciono que com o projecto tem havido uma evolução lenta da nossa competividade, mais certo fico disso ao ver estes dados.

só deixar duas notas:

  • o numero de golos marcados e sofridos, tal como o numero absoluto de pontos antes e depois do projecto não tem, na minha opiniao grande interesse… o inicio do projecto roquette surge num periodo de grandes alteracoes no futebol portugues… deixa de haver limite de estrangeiros e as equipas mais pequena s conseguem atingir um patamar mais competitivo roubando assim mais pontos aos chamados grandes…

  • assim sendo, acho que os valores mais significativos são os da comparação entre os 3 grandes antes e depois do projecto e aí o Sporting é o único que sobe…

As equipas pequenas deixaram de ser tão pequenas nos últimos anos e durante o jejum continuavam a ser habituais as grandes goleadas nos estádios dos 3 grandes. Neste momento já fazem frente aos 3 grandes e disputam muitas vezes os resultados. Por isso, é que existe essa suposta degradação do Porto e Benfica. Não acho que seja degradação desses dois clubes mais sim crescimento dos outros clubes.
O Sporting do projecto não desceu em relação ao jejum e pelo contrário subiu de rendimento, pouco mas subiu. Colocando na balança o tal crescimento dos pequenos que causou a tal “degradação” de Porto e Benfica, o crescimento do Sporting é maior do que mostra nos números. Ou seja, não podemos ver o crescimento absoluto (pois os pequenos também jogam e também têm vontade própria e os resultados dos jogos não estão apenas dependentes do valor e do jogo do Sporting), mas sim o crescimento relativo. Relativo a quem? Claro que relativo aos outros dois grandes.
Então como é natural, até porque estivemos em jejum, o Sporting do Projecto é muitíssimo melhor que o Sporting do jejum. Mas sem qualquer menosprezo para o excelente trabalho do FLL, a conclusão anterior já a sabíamos sem esta estatística.
Para além de que me parece um pouco injusto que 1995 e 1996 façam parte das estatísticas do projecto pois nesses anos ainda se sofria as consequências dos desvarios que se fizeram nos 14 anos anteriores. Tal como penso que quando as direcções do projecto acabarem, os dois anos seguintes ainda deverão ser imputados às estatísticas do Projecto

Parabéns FLL pelo teu trabalho! Há uma coisa que é preciso ter em conta na ligeira diferença para melhor do “projecto” para o “jejum”, que foi a crise do Benfica, a maior da sua história. Durante grande parte dos anos 80, os “lampiões” batiam-se de igual para igual com os “andrades”. Venceram até mais campeonatos que o Porto nos anos 80 (Benfica 5, Porto 4, Sporting 1). A partir de 1993 foi o descalabro na Luz durante 10 anos, e o Sporting aproveitou para vencer dois campeonatos, porque, quer se queira quer não, nesses anos a concorrência pelo título reduzia-se ao Porto e ao Sporting (com a “intrumissão” do Boavista nos primeiros três anos desta década), enquanto que agora o Benfica já se aproximou.

E depois, nos anos do jejum o Sporting não teve sempre a mesma qualidade. A segunda metade dos anos 80 foi péssima para nós, porque havia um enorme diferencial de qualidade entre o nosso plantel e o dos nossos rivais. Era a época do “Natal” e de ficarmos quase a 20 pontos do campeão… Com o Sousa Cintra a coisa melhorou e tivemos grandes planteis nos últimos dois anos do mandato dele. O Sporting não ganhou o campeonato nessa altura por causa do sistema que levou o Benfica ao colo em 1994 e o Porto em 1995, além de que, a escolha de Carlos Queiroz para treinador foi uma asneira de todo o tamanho. O jejum do Sporting podia ter durado “apenas” 12 anos não fossem estes factores. Antes disso, não me lembro que o Sporting tivesse competitividade para chegar ao título, mesmo sem erros de arbitragem a deturpar a verdade desportiva.

Portanto, o que mudou para melhor com o projecto, é que o Sporting em quase todos os anos desta década tem disputado os campeonatos até ao fim, enquanto que nos anos do jejum (que eu me recorde) só o fez por duas vezes, em 1994 e 1995.

Belíssimo trabalho FLL. Grato pelo tempo dispensado e pelo trabalho minucioso efectuado. Na verdade, alguns pontos de melhoramento da análise podem ser propostos pois como referiram alguns foristas, há que enquadrar um pouco as competições na vertente global das regras e leis vigentes na altura.

No que concerne à competitividade do campeonato luso estou também com o dmalmeida no respeitante à subida de valor de alguns adversários antigamente considerados como trouxas e que oferecem hoje em dia uma réplica mais acentuada. Não seria dispiciendo, por isso, fraccionar os resultados entre grandes (uma espécie de macro campeonato) e dos grandes com as outras equipas do campeonato, sempre submetidos à lógica do “periodo de jejum” e do “periodo projecto”.

Há dias retive uma frase de Carlos Queirós quando afirmou que o ManUtd ( e como ele os grandes clubes europeus) pagam fortunas para terem uma pequena diferença competitiva. Por outras palavras, o custo incorrido pelas equipas para diferenciar minimamente os seus rendimentos desportivos tem um custo orçamental elevadíssimo. Por isso, e adaptando o atrás dito aos periodos considerados, e dada a tinta que por aqui corre sobre o passivo do Sporting e seu relacionamento com as performances obtidas, seria, a meu ver, verdadeiramente interessante analisar o quanto custou ao erário leonino esse infinitésimo acréscimo de rendimento desportivo conseguido no designado “periodo do prjecto” utilizando como unidade o custo por ponto (€/ponto) e verificar depois da bonomia, ou não, desse investimento.

Penso que haveria algumas surpresas. Ou melhor, penso, não, tenho a certeza porque esse estudo e os correspondentes valores (numa outra dimensão, claro, e sem a comparação explícita periódica utilizada por si), tenho-os mais ou menos de cor advindos da auditoria encomendada no “reinado” de Dias da Cunha e em cuja participei.

Uma coisa parece, de imediato, evidente: os resultados obtidos não valeram o seu custo.

Em primeiro lugar quero dar os parabens ao FLL pelo trabalho desenvolvido.
As bases foram apresentadas as conclusões podem ser várias. Tendo em conta mais ou menos condicionantes externas.

Há uma que eu gostaria de notar, até por achar que o “Sporting projecto” em termos de resultados desportivos concretos foi superior ao “Sporting Jejum”.

Em síntese:
  • O FC Porto perde 3,40 pontos entre os dois períodos;
  • O SL Benfica perde 8,84 pontos entre os dois períodos;
  • O Sporting CP ganha 0,68 pontos entre os dois períodos.

Ou seja o Porto e o Benfica perderam pontos entre os dois periodos pelas mesmas razões seria admissivel qeu o Sporting perdesse algo como 3-4 pontos no mesmo periodo. Se ai invés ganhou 0,68, penso poder dizer que o Sporting neste periodo teve uma aporoximação de cerca de 5 pontos em relação aos seus rivais.

Não tenho jeito nem a paciencia, mas a partir do levantamento do FLL se podem efectuar boas análises sobre estes periodos.

Mais sintético do que isto é impossível.

Não me parece que o clube tivesse alternativas válidas a seguir em vez da via do Projecto, mas que houve grandes falhas na sua execução não há dúvidas.

A.A.

PS - FLL: :clap:

Já agora, aqui fica a síntese da classificação dos três grandes no período em causa. Comprova-se que a segunda metade dos anos 80 e os primeiros anos da década de 90 foram o período mais negro da história futebolística do Sporting. Os primeiros anos do projecto não ficam muito atrás…

Época 1981/82
1º Sporting (46)
2º Benfica (44)
3º Porto (43)

Época 1982/83
1º Benfica (51)
2º Porto (47)
3º Sporting (42)

Época 1983/84
1º Benfica (52)
2º Porto (49)
3º Sporting (42)

Época 1984/85
1º Porto (55)
2º Sporting (47)
3º Benfica (43)

Época 1985/86
1º Porto (49)
2º Benfica (47)
3º Sporting (46)

Época 1986/87
1º Benfica (49)
2º Porto (46)
3º V. Guimarães (41)
4º Sporting (38)

Época 1987/88
1º Porto (66)
2º Benfica (51)
3º Belenenses (48)
4º Sporting (47)

Época 1988/89
1º Benfica (63)
2º Porto (56)
3º Boavista (49)
4º Sporting (45)

Época 1989/90

1º Porto (59)
2º Benfica (55)
3º Sporting (46)

Época 1990/91
1º Benfica (69)
2º Porto (67)
3º Sporting (56)

Época 1991/92
1º Porto (56)
2º Benfica (46)
3º Boavista (44)
4º Sporting (44)

Época 1992/93
1º Porto (54)
2º Benfica (52)
3º Sporting (45)

Época 1993/94
1º Benfica (54)
2º Porto (52)
3º Sporting (51)

Época 1994/95

1º Porto (62)
2º Sporting (53)
3º Benfica (49)

Época 1995/96
1º Porto (84)
2º Benfica (73)
3º Sporting (67)

Época 1996/97
1º Porto (85)
2º Sporting (72)
3º Benfica (58)

Época 1997/98
1º Porto (77)
2º Benfica (68)
3º V. Guimarães (59)
4º Sporting (56)

Época 1998/99
1º Porto (79)
2º Boavista (71)
3º Benfica (65)
4º Sporting (63)

Época 1999/2000

1º Sporting (77)
2º Porto (73)
3º Benfica (69)

Época 2000/01
1º Boavista (77)
2º Porto (76)
3º Sporting (62)
4º Braga (57)
5º U. Leiria (56)
6º Benfica (54)

Época 2001/02
1º Sporting (75)
2º Boavista (70)
3º Porto (68)
4º Benfica (63)

Época 2002/03
1º Porto (85)
2º Benfica (75)
3º Sporting (59)

Época 2003/04
1º Porto (82)
2º Benfica (74)
3º Sporting (73)

Época 2004/05
1º Benfica (65)
2º Porto (62)
3º Sporting (61)

Época 2005/06
1º Porto (79)
2º Sporting (72)
3º Benfica (67)

Época 2006/07
1º Porto (69)
2º Sporting (68)
3º Benfica (67)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Campeonato_português_de_futebol

Não quero desvalorizar o trabalhão que o FLL teve, mas tenho de discordar com o seu pressuposto.

Ao fazeres médias de pontos e de golos, estás a assumir que três pontos conquistados ao Benfica na Luz são iguais a três pontos conquistados ao Covilhã em Alvalade. E, no fundo, estás a concordar com o Oliveira e Casca quando dizia que preferia dois segundos lugares a um título e um terceiro lugar - do ponto de vista da média, é exactamente a mesma coisa, e o Casca pode dizer que assim, pelo menos, vai duas vezes à LC.

Depois, não estás a dar bem conta do contexto. Se é verdade que nos anos 80 o Benfica era mais forte, também é verdade que, nessa época, as equipas médias e pequenas eram bem mais fracas. Além disso, com campeonatos com 20 clubes e alargamentos a eito, tinhas muito mais “sacos de pancada” para espetares goleadas, arrecadares pontos fáceis e engordares as tuas médias.

Competimos com o Porto, o Benfica e os pequenos de hoje, não com os de há 20 anos. Por isso, mais justo seria comparar as vezes em que chegámos ao último terço do campeonato em condições de lutar pelo título ou, para ser mais fácil, a média diferença final de pontos para o campeão. E, desculpa-me, mas aqui parece-me que o “Projecto” ganha por goleada - principalmente a partir de 2000…

Concordo com aquilo que referiu o Petrovich, a diferença qualitativa entre as equipas consideradas pequenas e as equipas grande tem vindo cada vez mais a dminiuir com a intromissão constante de algumas equipas que apresentam bastantes dificuldades principalmente quando jogam no seu reduto (Maritimo, Nacional, Setubal, Guimarães, Leiria, Estrela da Amadora…).

Por esta lógica tornar-se-ia bem mais fácil engordar a média com tais “sacos de pancada” que o Petrovich refere e com isso dar uma ideia, pouco concreta e comparável com o “Sporting Projecto”. Parece-me que apesar das diferenças minimas que preconizaste nesse teu estudo muito bem planeado e que certamente te retirou algum tempo util, no verdadeiro conceito do termo “resultados desportivos”, e com isto não me refiro somente a troféus conquistados mas fundamentalmente à distância para o Campeão que a partir de 2000 reduziu significativamente.

Uma coisa é certa, não será certamente por aqui que se poderá avaliar a competência do “Projecto” e certamente que não era essa o objectivo mas como hoje em dia já acredito em tudo, não tarda nada ainda dizem que o “Projecto” é que desenvolveu o clube. :xock: Ok, tou só a exagerar. A maneira com que o “Projecto” foi gerido, sobretudo após as primeiras impressões/planos/orçamentos propocionaram ao Sporting um estado deprimente.

FLL, bom trabalho de pesquisa. :wink:

É um facto que na generalidade dos parâmetros analisados pelo FLL, as diferenças jejum/projecto parecem ser muito baixas, no entanto para confirmar se há ou não diferenças significativas teriam que se analisar períodos idênticos do passado e calcular a média desses mesmos períodos e o desvio padrão dos valores observados. Só se os valores da fase Projecto estivessem dentro do desvio padrão é que se poderia dizer que de facto o Projecto não trouxe diferenças significativas.

Em todo o caso, não há estatística que possa ir contra isto: desde o ínicio do projecto fomos campeões 2 vezes. Mas também é verdade que não está demonstrada (e creio mesmo que é difícil fazê-lo) uma relação causa-efeito entre o início do projecto e o relativo sucesso desportivo da última década.

Outros parâmetros cuja análise teria interesse, por serem potenciais bons indicadores do momento de um clube seriam a média de espectadores por jogo, o sucesso nas competições europeias e o sucesso nos confrontos com os nossos adversários directos.

Outra análise possível e interessante seria pegar nos valores calculados pelo FLL e, em vez de comparar as médias referentes aos 2 períodos, comparar por exemplo, a melhor época do jejum vs melhor época do projecto, a 2ª melhor época do jejum vs a 2ª melhor época do projecto e assim sucessivamente.

Penso que aquilo que interessa mais, do ponto de vista do sucesso desportivo, são as épocas em que as coisas correm melhor dentro dum certo período. As épocas em que as coisas correm pior quase poderiam ficar fora de análise, porque, bem vistas as coisas, acabar em 4º ou acabar em 5º é mau nos 2 casos, mas é praticamente a mesma coisa. Já acabar em 1º ou 2º, apesar de ser também apenas 1 lugar de diferença, é substancialmente diferente e tem implicações muito maiores.

Excelente contribuição, FLL! :clap:

Não querendo abusar da tua base de dados e arquivo, absolutamente notável, tal como referiu o Luke, penso que a prova cabal, quanto ao sucesso ou não do Projecto, seria o cruzamento dos resultados desportivos vs custos anuais plantel.

OK. Decidi criar um ICL - “índice de competitividade leonina” para ajudar à discussão. Fiz o seguinte:

  1. Calculei as pontuações anteriores a 1995/96 com 3 pontos por vitória para podermos comparar todos as épocas.
  2. Fiz a diferença em relação ao campeão (que é logicamente positiva e em relação ao segundo classificado nos anos em que o Sporting foi campeão) em cada época
  3. Dividi essa diferença pelo número de jogos do campeonato (30, 34 ou 38, consoante a época).

O resultado é a diferença média de pontos por jogo em cada época em relação ao campeão.

Et voilá! Se eu conseguir fazer o upload do gráfico, ficamos com uma boa ideia da evolução da competitividade do Sporting face aos seus rivais nos últimos 25 anos. Quanto mais acima, melhor - e os anos de sonho são os que estão acima do zero.

— Off-topic —

Bolas, tanto trabalho e ficou como anexo :frowning: . Como é que vocês conseguem pôr ficheiros externos visíveis nos posts?

— On-topic —

As boas épocas de 1990-1 e 1994-5 aparecem mais atenuadas porque os campeões fizeram épocas anormais - Benfica 32 vitórias e apenas 1 derrota em 38 jogos em 1991 e Porto 29 vitórias e apenas 1 derrota em 34 jogos em 1995 - mas dá uma boa ideia da evolução do clube: o desastroso final da década de 80 a mediocridade da década de 90. Quanto à comparação Jejum-Projecto, o resultado neste critério é inequívoco: 5 das 7 melhores épocas dos últimos 25 anos ocorrem depois 1995, 3 das 4 piores antes dessa data.

Claro que era interessante comparar os custos, mas isso é bem mais difícil. Não sabemos onde estão os dados, e, mesmo que soubessemos tínhamos de descontar a inflação e, sobretudo, o brutal aumento de salários e custos de transferências da era pós-Bosman no futebol mundial.

Deixem-me então fazer um ponto de ordem relativamente às várias questões já colocadas:

  1. Eu sei que não terão em grande conta a minha capacidade para ser isento, mas a verdade é que esta pesquisa não foi orientada para a obtenção de nenhum resultado.

Nasceu da genuína curiosidade em saber, para além dos títulos conquistados (aqui é sabido que estamos bastante melhor), qual foi a evolução de um período para outro.

Aliás, se eu tivesse à partida o objectivo de provar que “antes é que era bom”, ele teria sido frustrado pelos resultados, uma vez que estes apontam para uma vantagem do período do Projecto.

  1. Tentei ser absolutamente objectivo na análise, e por isso ela acabou por ser muito circunscrita à informação que é possível obter e legítimo comparar. São os pontos, os golos e as diferenças pontuais os únicos critérios que se me afiguram credíveis, porque não há outra informação disponível e seria impensável andar a comparar “índices exibicionais” de outra natureza.

Naturalmente que isto não invalida que, com base na informação que existe, se procure ampliar um pouco o objecto da análise, nomeadamente através das sugestões já avançadas. É algo que procurarei fazer assim que o tempo mo permita.

  1. As justificações para a natureza da evolução verificada de um período para outro serão muitas e discutíveis. Não creio que constituam matéria objectiva, e por isso as deixei de fora da análise, para que emergissem dos comentários.

Naturalmente que também eu pensei nelas, e para além das já referidas evolução dos clubes mais pequenos e alteração do enquadramento regulamentar, creio que o ligeiro declínio do Porto não poderá ser dissociado de algum abrandamento da sua influência sobre as arbitragens e do que foi uma manifesta dificuldade de adaptação ao modelo SAD, com o que isso implicou de descentralização de um poder que antes era exercido de forma majestática pelo seu presidente. Do mesmo modo, o colapso do beifica não pode deixar de ser enquadrado nos conhecidos sobressaltos directivos e financeiros que conheceu a partir da queda de Jorge de Brito.

  1. A questão colocada pelo Dmalmeida, de que os primeiros dois anos do Projecto deviam ser atribuídos ao Jejum, parece-me destituída de fundamento. Aquilo que o Projecto recebeu em 95 foi um clube com um passivo de 43 milhões de euros e dotado de uma grande equipa de futebol (que tinha acabado de fazer a melhor época de todo o período do jejum e, antecipando um pouco da comparação sugerida pelo Eddie, a melhor de ambos os períodos, em termos de performance pontual). Em 95 e 96, longe de sofrer agruras orçamentais derivadas do passado, e igualmente longe de partir de uma base desportiva medíocre, o Projecto investiu milhões de contos no (pseudo) reforço da equipa, numa quantia largamente superior àquela que foi gasta nos anos anteriores. Parece-me inteiramente adequado atribuir estes anos à gestão-Projecto.

  2. A pesquisa sugerida pelo Luke e pelo Frede - o custo/ponto em ambos os períodos - seria um estudo muito interessante, mas completamente impossível de fazer. Para tal teríamos que possuir elementos contabilísticos relativamente a todos os anos - que não temos - e teríamos também que chegar a uma “taxa de inflacção futebolística” que reflectisse o aumento dos valores praticados neste mercado ao longo dos últimos 25 anos, sob pena de, na falta de actualização de valores, a análise resultar completamente transviada a favor do Jejum.

No entanto, e metendo-me também eu um pouco na discussão, mesmo na ausência deste estudo atrevo-me a concordar com o Luke quando diz que os resultados obtidos não valeram o seu custo. É certo que não podemos fixar-nos no crescimento médio de 0,68 pontos no final de cada campeonato, dado que eles terão que ser corrigidos em função dos factores já enumerados.

Ainda assim, a evolução parece muito escassa face ao nível de investimento praticado e à erosão patrimonial verificada. O Projecto investiu na casa das dezenas de milhões de contos na equipa de futebol, alienou na prática uma parte dessa equipa, ao constituir uma SAD, aplicou os recursos resultantes da subscrição pública, de dois aumentos de capital e de um empréstimo obrigacionista, e de caminho ainda alienou os imóveis que no tempo do Jejum eram encarados como uma reserva patrimonial capaz de sustentar o crescimento do clube. Depois deste processo - que corresponde a uma aplicação de recursos absolutamente irrepetível na história da instituição -, penso não ser possível evitar a conclusão de que o resultado desportivo sabe a muito pouco (isto para além de a factura financeira estar aí para ser paga).

PS - Petro, podias ter pedido esses dados época-a-época, que foram os que estiveram na base do cálculo das diferenças médias constantes do meu segundo quadro (a razão para o cálculo da média de ambos os períodos por inteiro foi a tentativa de obter uma percepção global da performance dos mesmos, em lugar de uma evolução ano a ano). Só acho que nos anos em que fomos campeões a diferença tem que ser 0, não vejo razões para ser calculada como positiva.

Obrigadão Petrovich! Assim de repente, parece que andamos sempre aos “repelões”, porque não se vê continuidade a partir dos anos bons. O gráfico demonstra que o futebol do Sporting tem sido muito errático, o que nós já sabíamos… :wall: Se calhar interessava fazer um histórico do que correu mal imediatamente após 1982, 2000 e 2002 para que fique a claro as más decisões que fazem com que o Sporting seja incapaz de ser regularmente competitivo.

O gráfico do Petrovich acaba por ser mais conclusivo, se bem que nunca poderemos chegar aquilo que realmente interessa. Infelizmente é praticamente impossivel conseguirmos avaliar financeiramente, o custo deste aumento pontual referente ao “Sporting Projecto”, tendo como base o “Sporting Jejum” que nos remonta a documentos inantingiveis no que toca à contabilidade.

Como disse o LionHeart, assim nos apercebemos no papel a falta de consistência deste clube. Esperemos que os proximos anos possam ser mais produtivos, melhor planeados e bem estruturados em todos os seus niveis.

Assim a partida e vendo muito rapidamente nao formo grande impressao dos numeros, mas retenho este raciocinio (quote), ora se ouve declinio do Porto, colapso do Benfica e melhoria significativa (mais nao seja em termos de titulos) do Sporting, o projecto safa-se largamente, nao so nao colapsou ou declinou como os rivais, mas ainda fez um progresso notavel em termos de titulos (nao esquecendo a presenca numa fnal Europeia, algo a que o Sporting manifestamente nao esta , nem estava, habituado)…

Ora dito isto , a unica questao qu se poe na minha mente e se isto valeu o custo… :think: