Não ter nada para fazer no trabalho

Isto.

Fora do horário não se trabalha. Ponto final.

É ir cortando os vícios aos poucos, para evitar levantar ondas. É incrível como há chefias sem noção, vão descarregando ali um monte de tarefas, tudo para ontem, à espera que sejam cumpridas para apresentarem aos superiores. Tudo a culpa, nada sem grande estratégia ou visão.

O mundo da Função Pública é muito pernicioso. Ali a competência e o comprometimento vale de pouco ou nada.

Se quer ir para um curso profissional, dizes que não quer ir para o 12º ano e ingressar na faculdade porquê?

Não te posso dizer se tem ou não saída profissional. Acho que interessa se gosta ou não e se estará disposta a ser boa nisso. Também não sabes se entretanto muda de ideias ou não. Com 14 anos, ainda muda muito de ideias.

Quando dizem isso, parece que é um filho de um Deus menor e que alguém disse “coitadinho, vai ser equivalente ao outro para não se sentir mal - não é, mas faz de conta”. É uma formação de nível 4. O 12º ensino regular é uma formação nível 3.

Se a tua filha quer ser advogada, médica, etc, não vai fazer nada para um curso profissional. Noutras profissões, tem vantagens. Eu tenho colegas que foram para as áreas de mecatrónica, eletricidades, informática, etc e vieram do ensino profissional. Também conheço arquitetos e engenheiros que vieram do ensino profissional. Há coisas em que chegam à universidade e andam a patinar. Há outras em que dominam. Eu lembro-me de uma arquiteta me dizer que quando chegou à universidade e começaram a ensinar os do ensino regular a fazer maquetes, puxaram-na à parte e mandaram-na ajudar os colegas (no sentido de ensinar a). O pessoal das mecânicas igual, chegam ao 1º ano, aulas práticas ou conhecimentos teóricos de mecânica, eletricidade e etc e aquilo para eles é pausa. Em cenas mais teóricas, patinavam um bocado. Há que se fazer à vida e usar o tempo em que não têm de aprender umas coisas para aprender outras.

Eu sou “menino” do regular e depois universidade. No meu curso e profissão, ir para um curso desse tipo não me ajudaria nada. Aliás, aos 13/14/15 até achava que iria tirar direito, mas aos 17 ou 18 mudei de ideias, quando comecei o 12º ano. Mesmo assim fiz ensino regular com disciplinas que em princípio me ajudariam em direito. Acho que a ideia deve ser essa.

Neste país há uma cena qualquer contra técnicos. Outros países mais evoluídos não têm essa esquisitice. E digo isto sem qualquer pingo de inveja, porque até me atribuem esse título de Dr, ao qual não ligo nenhuma.


O problema disso é que provavelmente quem fez a orientação escolar pouco percebe dos currículos dos cursos e/ou nem se dá ao trabalho de ir pesquisar. E bem sei que estou a ser indelicado ao não conhecer quem o fez, mas de programação a editar vídeos está-se a ver que a coisa não ia dar bem.

@vilas_boas és de Lisboa ou arredores? Porque não dizes à tua filha para ir até à ETIC, e ver se tem algo lá que lhe agrade?

Melhor conselho.

EDIT, ETIC ou FLAG. Ela que faça um curso de fim‑de‑semana (150€) para ver até se gosta da área. Eles tem uns cursos de digital marketing fundamentals.

Se precisares de ajuda, manda-me PM.

É complicado. Eu diria que a competência vem sempre acima e que mais cedo ou mais tarde, se vê quem é capaz e quem não é.

Mas eu trabalho no privado e sei que no público nem sempre é assim. Aliás, só uma vez concorri para o setor público e vi logo como as merdas funcionam.

Acho que tens de pensar bem no teu futuro e se queres aguardar que alguém repare que a competência ganha, se vale a pena esperar 4 anos a ver o que dá ou se é tempo de (e tens a possibilidade de) levantar âncora.

Tens de andar com as bandeiras todas no bolso! Não é fácil.

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E dá.

E vou-te ser sincero: não aprendi praticamente nada na universidade, pelo que não me choca se ela não quiser ir para lá. Tenho vários conhecidos a ganhar melhor que eu sem curso superior. Sinto que aquilo só valeu a pena pela vida social, essa sim, inesquecível.

A universidade e o canudo é 80% estatuto, 20% (ou menos) de competências ganhas, em Portugal. Se eu soubesse o que sei hoje, tinha enveredado por um curso mais prático e técnico, numa ETIC.

Mas neste país de faz de conta ainda se dá muito valor a licenciaturas e mestrados e títulos académicos que, só por si, não criam bons profissionais nem garantem bons salários.

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Concordo.

No meu caso por exemplo, aprendi muito mais no mestrado do que na licenciatura. Se não a tivesse feito, ia dar ao mesmo (com certeza haverá outras licenciaturas que se aprende imenso) . Como dizes, valeu muito mais pela vida social e os momentos e amizades que fiz.

Por isso é que digo que hoje em dia nem toda a gente precisa de ir para a faculdade pois pode safar-se igual ou melhor noutro lado.

Trabalho por conta própria por causa de 1 coisa que disseste aí em cima.

Das coisas que mais preciso, estruturalmente como profissional, é ter autonomia técnica

Não suportava andar em reuniões que em nada contribuíam para o meu trabalho.

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Como eu te compreendo, não por mim, mas pela minha namorada.
Ela gosta mesmo daquilo, mas está a estragar a saúde dela a trabalhar todos os dias horas a mais, a acordar cedissimo e chegar a casa por volta das 20, com inúmeras responsabilidades nos ombros dela e no fim não lhe reconhecem o trabalho e há pouca coisa que me dói mais do que ver a tristeza dela quando algum episódio desses acontece.

Por mim ela já tinha saído, é uma pessoa brilhante e com muitas competências, eu próprio conseguia facilmente arranjar lhe trabalho a ganhar mais.

Mas ela gosta daquilo e por enquanto quer continuar, e a luta agora é reduzir à carga, é começar a sair mais cedo e começar a delegar mais coisas.
O sistema da função pública é horrível.
A maioria não faz um crl e não lhes acontece nada.
Estão ali eternamente e quem se preocupa com aquilo é que se lixa porque tem de trabalhar pelos outros e chegar ao fim e não ver o seu trabalho reconhecido.

Já chegou ao cúmulo dela ter de fazer documentos para outros assinarem.

A mim mete-me medo o rumo que isto está a levar, não queria obviamente que ela entrasse em burnout, mas já esteve mais longe.

A minha intenção, desde logo, foi manter-me ali na esperança de recuperar a posição. O problema é a luta interna que a pessoa mantém por injustiças e perceber que mais vale ter os amigos certos, que ser competente. Tenho sempre a possibilidade de recorrer à mobilidade interna, há pessoas que já me disseram que gostavam de contar comigo. Veremos.

A função pública está repleta de vícios, maus vícios. Tem o factor segurança que hoje continua a valer muito, andamos a perder poder de compra há muito e ali, trabalhar muito, pouco ou nada, vai dar ao mesmo.

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Fazer documentos para outros assinarem é o que mais faço, a diferença é que antes eu assinava e agora outra pessoa assina.

Sempre fui de propor inovação, procurar soluções, preparar documentação, apresentar. Sinceramente, é algo que vou deixar aos poucos de ir fazendo, pois há chefes e diretores, se estão ali é para assumirem as suas responsabilidades e pensarem.

Quando estava como responsável, era uma carga de trabalho brutal, muitas horas fora do trabalho normal, muito trabalho. Desde que a chefia mudou, a exigência do Executivo baixou, deixaram de pedir tanto trabalho, o que me levou a crer que foi propositado para incentivar a pedir a demissão do cargo. No entanto, tanto chefe, como diretora, continuam a pedir trabalho que é da competência deles e sem noção, é pedir e esperar que façamos, esquecendo por completo que há uma vida privada.

Olha, eu vou-te ser muito sincero, se fosse minha filha isso teria que ser bem discutido, argumentado e decidido.

Ja todos passamos por la. Com 14 anos, somos literalmente uns putos. Eu nao tenho nada contra cursos profissionais, pelo contrario, acho que cada um deve seguir a sua vocacao e quanto mais cedo melhor. E na teoria um curso profissional da acesso ao ensino superior, mas por uma via muito mais dificil… que e fazer exames de admissao de disciplinas que nao estudaste durante 3 anos. Agora, aqui o problema e que na pratica ao optar por uma especializacao tao cedo na vida, pode ser um erro que lhe custara muito caro no futuro pelo que nao pode ser tomado levianamente. Ao entrar no ensino regular, mesmo que goste realmente de marketing e tu tenhas possibilidades, tem sempre a hipotese de concorrer e entrar num curso superior de marketing que ira indiscutivelmente abrir muito mais portas e aumentar a probabilidade de sucesso que o simples curso tecnico. Se a tua filha e uma jovem de 14 anos madura, decidida, que sabe o que quer na vida e que nao toma decisoes por impulso acho que deves apoia-la. Se e uma jovem de 14 anos, com a maturidade de 14 anos, que acha marketing digital porreiro porque anda no IG e quer ser influencer, ou nao sabe bem o que quer mas uma amiga vai pra la tambem, ou ate sabe o que quer mas muda de ideias rapidamente mediante a idade… acho que convem nos enquanto pais sermos adultos e guiar os filhos na direcao que lhes garante mais sucesso futuro.

Regra geral, diria que para ti enquanto pai se es presente deveria se relativamente facil saber que situacao se aplica e decidir mediante isso. Se bem que nem sempre e facil…

O publico e uma valente merda e os maiores responsaveis sao os sindicatos que dominam aquilo tudo para se manterem relevantes na sociedade portuguesa.

Faz algum sentido que um tecnico superior em Lisboa ganhe o mesmo que um tecnico superior em Mirandela? Faz sentido que um tecnico superior desde recursos humanos a informatica seja regido exatamente pelas mesmas tabelas salariais? Que organizacao de carreira e avaliacao e aquela que existe na FP? E o tipico progredir em funcao do tempo porque todos sabemos que 1 ano de experiencia repetido 20x torna alguem altamente competente…

Enfim, ha tanta coisa ma que so vejo 2 tipos de pessoas a querer entrar e manter-se na FP. Os incompetentes e os que nao tem outra alternativa.

O fator segurança é o de maior relevo. Quem entra da FP só sai se assim o desejar, mais crise, menos crise, continuam a ter o seu emprego garantido, o seu salário, algo hoje em dia de grande valor.

A seguranca so e um problema para quem cai num dos grupos que referi acima… porque hoje em dia numa situacao de pleno emprego a seguranca no emprego e irrelevante pois sais do trabalho onde estas hoje para outro no dia seguinte na maior parte das regioes. Claro que isto aplica-se as grandes metropoles - em pequenas cidades e regioes por vezes a FP e a unica opcao de carreira minimamente atrativa.

Que é exatamente o que acontece na Madeira. Aqui a FP é o El Dourado. Mesmo sem aumentos salariais, exceção feita a quem recebe o ordenado mínimo.

Concordo com o @Reavstone . Actualmente a FP serve dois tipos de pessoas (há um terceiro, em vias de extinção, que ainda se insere na 2.ª categoria). Salários baixos, pouco competitivos, com progressão na carreira nula e completamente estagnada.

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Essa determinação não impede a outra. Pode seguir a via do ensino profissional e depois acabar a aprofundar o conhecimento no ensino superior, se assim o pretenda. Aliás, existem até vagas especiais para os alunos de cursos profissionais, com os critérios de entrada definidos pelas próprias instituições de ensino ( geralmente a média interna do curso profissional e depois exames realizados pela própria instituição, ligados com as áreas gerais de ensino da instituição).
Envergando pela via profissional numa escola boa, que existem e com força, poderá ainda usufruir de algumas equivalências internas dentro do curso que pretenda ingressar. Tive bastantes colegas a seguirem essa via no ramo das engenharias e que, posteriormente, tiveram equivalências a várias cadeiras que já tinham sido lecionadas dentro do curso profissional.

Se for para aquilo que ela pretende seguir e se tem gosto por essa área, vejo com bons olhos essa possibilidade. Além destes fatores que referi, poderá sempre conjugar o seu curso superior com um emprego e terá outro tipo de “estaleca” no mercado de trabalho.

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Este post não tem muito a ver com o tópico em si, mas foi o mais parecido que encontrei:

Queria saber a vossa opinião sobre o que acham de tirar um curso online (numa plataforma tipo Udemy ou Coursera) em Data Science, Machine Learning e programação. Acham que as áreas em si seriam úteis para alguém com formação em Ambiente, sustentabilidade, energia e engenharia?

Acham que os certificados de conclusão desses cursos (fast paced) fazem a diferença num currículo? Alguém tem experiências positivas?

E os cursos online de Harvard? Estou a ver lá um de Data Science que estou tentado a assinar. Alguém tem feedback?

Trabalho numa empresa que é super heavy no campo da data science e power BI, é muito do pessoal que está aqui fez reconversão de carreira.

Não conheço aqui ninguém que tenha conseguido entrar na área com um curso online fast paced desse género (já fiz cursos na Udemy, Coursera, LinkedIn Learning etc… mesmo os da Coursera são bastante “fracos” apesar de alguns virem das melhores universidades, os melhores até são da Udemy) mas já vi muito pessoal a entrar através de bootcamps part time (Ironhack Bootcamp em Lisboa por exemplo).

Posto isto, é uma área que está a dar. Pessoal que se entenda com Sql, Tableau, Power BI, trabalhos super bem pagos (2000/2500 brutos para cima) e bastante desafiantes.

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