Mudança de Presidente ou Mudança de Paradigma?

No fundo é isto, trocou-se o ruído e o frenesim que envolvem a luta por títulos pelo sossego que é andar em terceiro lugar. Não diria melhor.

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Ainda hoje estava a pensar nisto. Para além desta cultura de exigência, a importância de BdC está na quebra da tal corrente de continuidade. Cinco anos depois acredito que há espaço para aparecerem outros paradigmas. E não falo num regresso ao passado. Outros. Não sei quais, mas acredito que existam. . Por mim, e da forma que o [member=18013]juziel pôs, não quero uma mudança de paradigma. Ou melhor, quero nalgumas coisas, mas não no geral, na linha condutora.

[i]O Sporting cresceu, o Sporting ousou, o Sporting conseguiu voltar a ver-se ao espelho como o Sporting com que sempre sonhámos, eu pelo menos sonhei, muito por obra e graça desse famigerado déspota insuportável, também chamado de coreano, mas que ao fim do dia nos devolveu aquilo que era nosso: a nossa identidade, o nosso brio, a nossa ambição de sermos tão grande como qualquer outro. O sportinguismo pujante, que pulsa na veia, que grita e que chora, que ruge como nunca antes rugira[/i].

Adorei este trecho. Fez-me ficar com pele de galinha. Trouxe-me lágrimas aos olhos. E quero o que está descrito. Mais até. Quero um Sporting que não baixa a cabeça, que caminha orgulhoso e altivo. Que seja imune às pressões externas e que lute pelo que é seu. Mas também por isso, e respondendo ao título do texto, quero uma mudança de Presidente. Porque o rumo que estávamos a seguir não se cuaduna com o que está descrito. Porque precisamos dum Líder que saiba escolher as suas guerras e lutas, e não as aceite todas em simultâneo. Porque precisamos de um líder coerente e consistente, e não de alguém com os nervos e as emoções à flor da pele. Porque neste momento, a preocupação já era defender o Presidente e não o Sporting. E o presidente tem que ser a primeira linha de defesa do Clube, não o contrário.

Acima de tudo, o que pretendo transmitir é que quem votou a favor da revogação de mandato, não significa que deseje o regresso ao passado. Significa que quer uma rotura com o presente e que acredita que foram criadas as condições para que possam aparecer outros candidatos representantes deste e de outros paradigmas. Nem sei quais… Até pode aparecer uma linha de pensamento que aceite e possa assim aceitar uma mudança do paradigma. Desde que esse paradigma não seja o Sporting amorfo que falaste. Outros, que não me ocorrem.

Qualquer voto é um salto de fé. Foi-o em 2013. Foi menos em 2017 porque já era mais conhecido (e onde, curiosamente, para mim, as coisas correram pior). E foi-o este Sábado. Poderá correr mal, claro que sim, como podia em 2013 ou em 2017. Mas acredito que foi a melhor opção.

PS: Peço desculpa, mas escrever nunca foi o meu forte. Espero ter conseguido transmitir o que penso…

[member=17508]Crazyhead

percebo perfeitamente o teu ponto de vista e são claras as tuas ideias.

O meu ponto é claro, concordando ou não, aceito que se defenda a destituição do presidente, não apenas em termos democráticos, mas até ideológicos. Não sou imune a alguns argumentos.

Mas não aceito a mudança de paradigma. Não exijo vitórias a ninguém, mas exijo ambição a todos, a ambição de tornar o Sporting cada dia maior que o anterior, exijo ver a frustração quando não somos bem sucedidos, exijo ver as pessoas dispostas a pagar o preço de defender sempre os interesses do Sporting e exijo que nunca se esqueçam de quem nos f**** nestes anos e jamais aceitarei alguém que me diga que é amigo do Orelhas ou que ande a gastar a sola dos sapatos na direcção da CMTV.

Eu aceito que não se tivesse absoluta convicção no que era melhor para o Sporting, se a manutenção de BdC, se a sua destituição. Mas sei e tenho a absoluta certeza que o projecto de Sporting que ele apresentou foi, e de longe, o melhor projecto de Sporting que eu já vi. E com 35 anos, digamos que já vi qualquer coisa.

E é este o meu paradigma, quem apresentar um projecto mais cumpridor com o que foi o plano de BdC, será o guardião da minha consciência de clube. Não aceito qualquer regresso a um passado conformista e resignado, porque sei e tenho a certeza que há outra via.

O grande erro de BdC não foi o projecto, foi a sua execução e mais até pela sua personalidade que pelo seu trabalho.

E se o Sporting foi a sua obra, produto da sua visão e ele simplesmente não conseguiu executar na perfeição, eu só preciso de mudar de executante, não preciso de mudar o projecto todo.

A visão dele era a minha, isto é-me inequívoco. E daqui não arredo pé. E quem se chegar à frente que venha preparado, a bitola é esta.

Desculpa la Lion 73, mas o titulo de “De volta ao passado” fazia mais sentido porque e isso que vai acontecer, ate haver uma nova revolucao depois dos 71% terem reconhecido o grande prejuizo que causaram ao clube !!

Nao consigo aceitar o que fizeram ao nosso clube, o que fizeram ao presidente que mais titulos ganhou, foi e sera sempre uma enorme asneira e para alem disso em termos morais isto nao se faz, e esta e a parte que mais me custa porque os seres humanos tem que ser tratados com algum respeito independentemente de alguns erros comunicacionais que ele tera cometido. Isto era justificavel ? Nao .

Nao consigo seguir em frente, o meu cartao de socio ja vai a caminho de lisboa.
Nao aceito isto .

Se os mais entusiastas de BdC entregarem todos o seu cartão de sócio, isso é a melhor purga com que a oposição podia algum dia sonhar.

O Sporting precisa de mais sócios, de sócios com mais estatuto e de sócios com mais antiguidade.

Eu já me mentalizei que vou ter meter mais dinheiro no clube para ter direito a ter mais voz. Não tem outro jeito. E a falange de 2013 tem que pensar o mesmo.

Entregar os cartões de sócio é o que eles querem, mas não vai ser o que eles vão ter.

[member=18013]juziel muitos parabéns pelo texto e pelo tópico, basicamente o que está em causa neste momento é mesmo o paradigma, acredito que os sócios vão votar no candidato certo, resta saber é se ele aparece. Caso não apareça há que votar no menos mau.

Triste é termos chegado a este ponto em que isto acaba igual a umas eleições da política, em que já sabemos que os politicos são todos maus e vamos apenas votar no que achamos menos mau.

Há que ter esperança, e nós Sportinguistas somos muito experientes nisso de ter esperança. Vamos ver o que acontece em setembro mas aconteça o que acontecer jamais poderemos é atirar a toalha ao chão. Desistir é que nunca.

Bom texto e é destas vozes que necessitamos neste novo Sporting.

Bruno de Carvalho o seu maior mérito foi fazer os Sportinguistas levantarem-se da cadeira, tirarem as pantufas e voltarem a acreditar. E acreditaram que finalmente seriamos uma real potencia em vez de uma histórica potencia.

Vejo este reinado de Bruno Carvalho com diferentes etapas e que foram mal geridas pelo próprio.

Foi uma lufada de ar fresco quando apareceu. Um modo estranho de viver o Sporting. Um Sporting arrogante e lutador que quebrava barreiras auto impostas. Andamos todos incluindo rivais atarantados. Mas que raio era isto. Era um choque no charco que abalava as fundações podres do desporto em Portugal. Na altura não entranhei, depois fui-me acostumando e por fim já aceitava esta forma de viver o Sporting. Realmente este louco estava a conseguir fazer-me acreditar que seria possível. Nesta fase inicial, aceitei que a forma e a ideologia era a acertada para que o Sporting subisse degraus rapidamente para ocupar o seu lugar no panorama desportivo em Portugal.

Crescemos muito e a preocupação em todos os quadrantes começou a fazer-se notar. Desde empresários a comissionista, desde rivais a órgãos desportivos, desde instituições mundiais a comunicação social, todos estavam a ver o que iria dar este reinado de Bruno de Carvalho. O homem mexia em tudo e contra todos. O homem apontava o dedo e não se ficava só por ai. Investigava mais fundo e criava culpa a quem quer que fosse. Estava-se a mudar não só o Sporting mas também o bolor institucional que gere uma industria que se faz passar por desporto. Era uma mudança brusca nos bons costumes instalados não só em Portugal mas além fronteiras.

Nesta fase, Bruno de Carvalho já tinha colocado o Sporting com argumentos para vencer. Seria uma questão de tempo para os poderes ocultos reconhecerem que havia chegado a hora do Sporting vencer, nem que fosse para calar Bruno de Carvalho e parar com mais chafurdice no antigamente. Mas Bruno não se calou e continuou. Isso foi um continuar de uma guerra que mais ninguém queria porque iria estragar o negócio. Deixaram Bruno a falar sozinho e ele não gostou.

Bruno não soube parar e aproveitar os desposo de guerra. Amargurado virou-se para uma guerra interna. Ele que tinha acordado os Sportinguistas, que lhes tinha dado uma esperança imensa, que lhes tinha pedido para viverem uma guerra, que lhe tinha dito para serem exigentes. Bruno não estava satisfeito e quis mais. Pediu ainda mais luta, mais querer, mais poder para ser ele a lutar contra tudo e contra tudo. Esmagou completamente a fraca oposição interna, pediu um voto de confiança que foi novamente esmagador e sem espinhas. E ficou Bruno o magnânimo. Afinal, depois de tanta luta externa e interna com tantas vitórias e tamanho apoio pelos seus, Bruno não tinha nada a perder porque os seus apoiavam a forma e a ideologia que Bruno trazia no seu estandarte.

Num all-in para finalmente conseguir a seu ambicionado titulo Bruno apostou forte e exigiu que todos fossem Bruno´s de Carvalho. Todos com a sua garra, todos com a sua ambição, todos na sua guerra. Mas nem todos somos Bruno´s. Cada um tem o seu limite. Quem dera a Bruno ser ele a chutar aquela bola em Madrid. A gloria estava ali tão perto. coisas do desporto. Ganhar e perder fazem parte. Coisa que para Bruno é impossível compreender. Uma guerra contra os jogadores e novo apelo aos Sportinguistas para lutar até à morte. Mas os Sportinguistas estão cansados de lutar e lutar contra rivais e croquetes é uma coisa mas lutar contra Patricio´s e afins é outra. Afinal, esta sim era uma guerra interna porque os croquetes nem Sportinguistas são. Agora sim era uma guerra dentro de casa. o clima adensa-se com um bando de criminosos a levarem à letra a exigência do Presidente. A guerra intensifica-se e Marta Soares segue à risca o manual de sobrevivência politica tantas vezes em voga. Apresenta a demissão em bloco dos órgão sociais do clube para mitigar o ataque a Alcochete mas o Conselho Directivo não aceita essa decisão. Avança-se para uma luta de poleiro interno com muito rasgar condições fundamentais de ambas as partes. Uma luta que ninguém esperava e que faz manchete diária sem que aja alguém lúcido para parar antes de chegar ao ponto que chegou. Bruno de Carvalho quis uma guerra, como tantas outras mas esta, era uma guerra atómica que no final quem ganhar fica como se perdesse tudo. Em terra queimada não à glória, só o sentimento que se ganhou nada.

Bruno de Carvalho trouxe uma ideologia que 90% dos Sportinguistas aceita. Bruno de Carvalho trouxe uma forma que 71% não concorda. Isto é o resultado das ultimas assembleias de sócios. É partir deste pressuposto para renascer um Sporting novo, moderno e vencedor.

A título de curiosidade apenas…

Nos últimos 36 anos:
Sporting - Vai a caminho do seu 12º Presidente (média de 3 anos por mandato)
Benfica - 7 Presidentes (média de 5 anos por mandato)
Porto - 1 Presidente

Obviamente que não vou relacionar directamente apenas o número de Presidentes com o sucesso desportivo, não tenho em meu poder dados e análises que me façam essa relação directa entre estas 2 variáveis.

Quero apenas transmitir a ideia de que a mudança de presidente é sempre um processo que representa mudanças DRÁSTICAS em toda a estrutura. Quem entra vindo de fora vem sempre com a ideia de que tudo o que foi feito antes está mal feito e o que se vai fazer agora é que é bom.

Por isso é que o Porto (e agora Benfica) tem sempre estabilidade independentemente das notícias que vêm cá para fora, e porque tem uma massa adepta que não exige AGs, demissões e eleições por tuta e meia. Nada é posto em causa desde que haja vitórias!!!

Já a nossa tendência autofágica vai-nos fazer escolher um 12º Presidente em 36 anos, média de 3 anos por mandato. Isto é sinal que na maioria das vezes, aceitámos pessoas para a Presidência que não tinham vontade genuína de lá estar!!

Querem saber o que é ainda mais curioso no meio disto tudo?

Sporting Clube de Portugal - 112 anos de História
Número de mandatos - Vamos para o 51º
Média de anos por mandato - 2,2 anos por mandato

O que consegue situar-se abaixo dos tais 3 anos por mandato!! Por isso meus senhores, pode mudar a era, podemos estar em Estado Novo, 25 de Abril, Século XXI, Millennials e o que quer que seja, mas o que se passa no Sporting percebe-se que é um problema geracional recorrente e relacionado com a mentalidade “notável” que sempre rodeou a Instituição. Temos sempre pessoas que julgam que conseguem fazer muito melhor do que quem está no poder!!

Mais “food for thought”, quando souberem bem a História do nosso clube, vejam porque é que Oliveira Duarte, Brás Medeiros e João Rocha foram os Presidentes de maior sucesso do Sporting.

Mudança de Presidente ou Mudança de Paradigma? Parece-me claro, Mudança de Paradigma.

Vamos passar do “Sporting no Rumo Certo” para o “Sporting Rumo ao Abismo”.

#unirosporting #jet71

Belo texto.

Parabéns e obrigado grupo 71

Acho mesmo que desde o Ribeiro Ferreira, que nos deixou apenas com 47 anos, foi sempre a descer. Ou seja, desde 1955…

Dissseste tudo: tivemos o louco.

Infelizmente para o Sporting não existem loucos deste calibre disponíveis nas esquinas. E só um louco terá coragem de levar o Sporting às lutas ambicionadas desde o fundador neste esgoto a céu aberto que é Portugal.

Aquilo que Bruno de Carvalho e sua equipa me deram durante os 5 últimos anos foi simplesmente isto: DIZER COM TODO O ORGULHO SOU DO SPORTING! Hoje e desde dia 23 de junho baixo as orelhas e o olhar quando me falam do SCP.

Same feeling here.

o mesmo!! actualmente se um lampião vêm falar do sporting já encolho os ombros para não mostrar os punhos

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Vamos ver hoje como vai ser o futsal… Uma derrota convincente e, infelizmente, as probabilidades de teres razão serão preocupantes… :wall:

Fiquei na dúvida e acabei por não ir votar, mas também tive em conta que apenas contava um voto, pois só voltei a ser sócio com BdC há pouco mais de um ano… Para as presidenciais terei mesmo de ir e tomar uma decisão. :inde:

Fdx só me apetece chorar só de pensar que os criminosos voltaram para dentro do Sporting, e vão destruir tudo o que de bom foi feito.

Excelente texto.
Resta saber se nas eleições de Setembro haverá um projecto candidato que vão ao encontro deste sentimento, que partilho…

Se já corremos com um treinador quando estava em primeiro lugar, se já corremos com “o melhor treinador do mundo” antes sequer de começar a treinar, só faltava mesmo correr com o melhor Presidente dos últimos 36 anos para completar a triologia.

(sem falar que corremos com um pavilhao…para andar com a casa as costas e que corremos com um estadio lindo para ter um mono)