Miguel Braga - Responsável de Comunicação Sporting Clube de Portugal

JUSTOS VENCEDORES

Por Miguel Braga
03 Mar, 2022

OPINIÃO

Relembrar que o futsal do Sporting CP é Campeão Europeu, Campeão Nacional, Tricampeão da Taça de Portugal, Tetracampeão da Supertaça e, com esta vitória, Bicampeão da Taça da Liga

Desde 12 de Janeiro de 2020 que os Leões do futsal ganham todas as competições da modalidade em território nacional. E, no passado domingo, Nuno Dias voltou a aplicar a receita ao SL Benfica com a vitória inequívoca por 5-2, no Pavilhão Desportivo Municipal de Loulé, na final da Taça da Liga.

Já faltam adjectivos para classificar uma equipa e um departamento que actualmente é Campeão Europeu, Campeão Nacional, Tricampeão da Taça de Portugal, Tetracampeão da Supertaça e, com esta vitória, Bicampeão da Taça da Liga – atingindo o número redondo do 40.º título do futsal Leonino, o que coloca o Sporting CP como a equipa mais titulada da modalidade em Portugal. Contra estes factos, não há argumentos: Nuno Dias colocou o futsal do Sporting CP no topo e a tendência tem de ser para continuar. Um orgulho para todos os Sportinguistas, materializado com os golos de Alex Merlim (dois), Pany Varela (dois) e Pauleta.

No próximo sábado, dia 5, realizam-se as eleições para os órgãos sociais do Sporting CP e é também dia de jogo contra o FC Arouca. Nesta edição do Jornal Sporting poderá ficará a saber tudo sobre o acto eleitoral, apelando desde já ao voto de todos os Sócios, demonstrando, uma vez mais, a vitalidade da nossa massa Associativa. As urnas abrem às 9h00 e fecham às 20h00 e o desejo é que se consiga manter o clima de elevação e cordialidade que tem marcado este acto eleitoral.

Num dia em que se espera uma romaria verde a Alvalade, a Fundação Sporting dá o pontapé de saída num conjunto de iniciativas para apoiar o povo ucraniano em virtude do contexto de guerra que se vive naquele país: antes do início do jogo com o FC Arouca, e logo a partir as 9h00, a Fundação terá no Multidesportivo um ponto de recolha de bens alimentares não perecíveis. Mais tarde, pelas 18h30, abrirá novo ponto de recolha junto à Clínica CUF Alvalade. Nas próximas semanas, a Fundação dará a conhecer outras iniciativas para ajudar todos aqueles que mais precisam na Ucrânia.

O próximo dia 8 de Março será o dia da Mulher e também dia de jogo europeu de andebol na EHF European League contra o USAM Nîmes Gard, de França. Será importante que Leoas e Leões se juntem no nosso Pavilhão João Rocha para apoiar a equipa – para comemorar a data, o Sporting CP convidará “todas as mulheres, de todas as idades” a assistir ao jogo. Para ficar a conhecer um pouco mais dos nossos jovens jogadores da modalidade, deixo o convite para verem e ouvirem o último ‘ADN de Leão’ onde Francisco Costa, vulgo Kiko, revelou muitos dos seus segredos a Guilherme Geirinhas. Mais um momento para mais tarde recordar.

PEQUENOS PASSOS ENTRE LEÕES

Por Miguel Braga
17 Mar, 2022

OPINIÃO

Editorial Jornal Sporting

No início do mês de Fevereiro, Daniela Loureiro, capitã do voleibol feminino do Sporting CP foi a convidada do podcast ‘ADN de Leão’. Ainda antes de chegar ao estúdio e à presença de Guilherme Geirinhas, fez a seguinte confissão: “é a primeira vez que venho à Academia” (em Alcochete).

Este acabou por ser o mote para o Sporting CP pôr em andamento uma iniciativa que se quer repetida e multiplicada no universo Leonino: uma visita guiada ao coração da Academia Cristiano Ronaldo para as jogadoras e equipa técnica do voleibol Leonino, dividida entre treino físico, apresentações de vários departamentos da nossa formação e treino convívio com as atletas do futebol feminino.

“É sempre bom perceber como tudo funciona e os princípios da formação do Sporting CP, que são muito importantes e reconhecidos no Mundo inteiro. Para as atletas novas é excelente, pois podem perceber a dimensão do Clube”, afirmou no final da visita o técnico Rui Pedro Costa.

Daniela Loureiro, a mentora intelectual da iniciativa, era uma mulher satisfeita: “Está a ser um dia maravilhoso para todas as jogadoras, esta interacção é fantástica para o Clube. Devia haver mais iniciativas destas”. Ideia partilhada por Rita Fontemanha: “É óptimo interagir com as modalidades e ter todos na Academia. O Sporting CP é um só, portanto faz todo o sentido o que está a acontecer”. Da nossa parte, um profundo agradecimento a todos os que tornaram possível este momento, com a promessa que no futuro continuaremos a trilhar este caminho, fortalecendo a cultura Leonina e o ADN do Sporting CP, seja na Academia Cristiano Ronaldo, no Pavilhão João Rocha ou no Pólo EUL.

No futebol, o Sporting CP foi a Moreira de Cónegos vencer o Moreirense FC por dois golos sem resposta. Para a história, além dos três pontos, fica especialmente a exibição demolidora da equipa na primeira parte com os cruzamentos milimétricos de Edwards e Porro, as finalizações de Slimani e Paulinho, a certeza de Neto e a cobertura de Ugarte. Na segunda parte, do banco de suplentes chegaram duas (boas) notícias para a equipa técnica: os regressos de João Palhinha e Pedro Gonçalves, recuperados das respectivas lesões. “Sabemos que temos de ganhar os nossos jogos e jogar cada vez melhor”, afirmou Rúben Amorim no final da partida. Com a mesma humildade e capacidade de trabalho, o Sporting CP prepara a ida a Guimarães praticamente na máxima força: três pontos são, mais uma vez, o objectivo.

Nota final para o site Transfermarkt , que voltou a actualizar na semana passada os valores de mercado dos jogadores da Liga Portugal. Na dita revisão, o Sporting CP coloca cinco jogadores no 11 mais valioso do nosso campeonato. Dos nossos jogadores, destacaria Matheus Nunes, avaliado ao dia de hoje em 30 milhões de euros. Em Agosto de 2020, o jogador internacional português estava avaliado num décimo desse valor. Ao jogador e a quem sempre acreditou no seu potencial, os mais sinceros parabéns.

Ainda não reagiu à vergonha que se passou ontem no Bessa?

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100 ANOS DE HISTÓRIAS COM GLÓRIA

Por Miguel Braga
31 Mar, 2022

OPINIÃO

Que os próximos 100 sejam feitos com a mesma devoção. A Glória, essa, será sempre do Clube

Foi há 100 anos que foi impressa a primeira edição sob o desígnio de uma Razão de Ser que continua viva. Foi há 100 anos que se começaram a documentar as glórias dos atletas do Clube, exultando a prática desportiva em toda a sua extensão. Estávamos em 1922, no mesmo ano que viria a nascer Albano, um dos Cinco Violinos e aquele que viria a ser o segundo prémio Nobel português, José Saramago. Foi também nesse ano que Gago Coutinho e Sacadura Cabral completaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul e que foi criada formalmente a URSS, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Era um mundo com certeza diferente, mas era um mundo que já se vestia de verde e branco e acreditava numa forma diferente de estar no desporto. Ao longo deste século, o Jornal Sporting − que primeiro foi lançado como Boletim −, contou com dezenas de directores, centenas de colaboradores e milhares de leitores que seguiram sempre de forma apaixonada os feitos e recordes dos seus atletas.

Foi há 100 anos que foi lançada a primeira revista do Reader’s Digest, que um presidente norte-americano (Warren Harding) discursou na rádio, que as mulheres votaram pela primeira vez nos Países Baixos e que o Sporting CP venceu o SL Benfica por 4-2 na primeira jornada do Campeonato de Lisboa que acabou por ganhar – os golos Leoninos foram apontados por Francisco Stromp, Torres Pereira e João Francisco, ao qual se juntou um autogolo de Jorge Vieira.

1922 foi também o ano em que o atletismo foi retomado como actividade, depois da paragem provocada pelos acontecimentos da I Guerra Mundial. Entre várias vitórias destaque para os dez recordes nacionais alcançados nesse ano pelos atletas Leoninos, em particular para Albano Martins (800m, 1500m, 5000m e 4x400m) e Salazar Carreira (400m barreiras e 4x400m). Foi também por esta altura que foi descoberto o túmulo de Tutankhamun no Egipto.

Nos últimos 100 anos, o mundo foi moldado para a forma que o conhecemos agora e nos próximos 100 anos as mudanças serão, com certeza, mais radicais e profundas, algumas impossíveis de prever. De 1922 a 2022, como de 2022 a 2122, o Jornal Sporting continuará a sua missão de informar os Sócios e adeptos do Sporting CP e dos nossos atletas esperamos a mesma dedicação ao Desporto como um todo e ao Sporting CP como sua casa. Não nos arriscamos a dizer como será o mundo e o Jornal Sporting daqui a um século. Se ainda será impresso, quais as formas de consulta e se existirão, além da fotografia, formas de complementar a informação escrita.

Foi há 100 anos que o Sporting CP venceu também, mais uma vez, a competição da Luta de Tração à Corda, desporto entretanto desaparecido e cuja prática actual se limita a algumas aulas de educação física. Era um mundo diferente e em constante evolução. O Jornal Sporting acompanhou essa mutação e foi-se adaptando às exigências do tempo. Que os próximos 100 sejam feitos com a mesma devoção. A Glória, essa, será sempre do Clube.

JORNAL SPORTING… PRIMEIRO CENTENÁRIO!!!

Por Tito Arantes Fontes
31 Mar, 2022

OPINIÃO

Fundado em 31 de Março de 1922, o Jornal Sporting sai hoje para as bancas com o n.º 3865! Um número que poderia ser indiferente, ser só mais um número, mas não… este número corresponde ao perfazer do primeiro centenário da vida deste portentoso meio de comunicação do SPORTING CP! São 100 anos de vida! Ou seja… temos, portanto, um Jornal centenário! E isso é verdadeiramente fantástico e espectacular! Desde logo, porque − como se sabe e vem sempre escrito na capa de todas as edições − o Jornal Sporting é O MAIS ANTIGO JORNAL DE CLUBE DO MUNDO! Começou por ser um Boletim e evoluiu com o passar dos tempos para Jornal! Atracção maior nas bancas de jornais, veículo de ligação entre a massa Associativa e adepta do SPORTING CP! É − tenho de confessar − o único jornal de cariz desportivo que merece a minha atenção, o meu carinho, a minha leitura… e isso deve-se tão só ao facto de pautar a sua linha editorial por ter informação actualizada e credível, bem escrita, Leoninamente interessante!

E a partir de hoje entramos no “segundo século” da existência do nosso Jornal Sporting! Fazemos, por isso, votos − e enfatizamos, sinceros votos! − para que sejam mais “100 Anos de Ouro e Glória” para o nosso Jornal! Se assim for, será desde logo sinal que o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL terá continuado a sua saga de uma vida de ESFORÇO, DEDICAÇÃO e DEVOÇÃO de modo a alcandorar-se, mais cedo que tarde, mais vezes que poucas, ao patamar da GLÓRIA… sendo que esta, quando se alcança, é sempre uma conquista colectiva de todos nós, Sportinguistas! Uma conquista nossa, dos Sportinguistas, para o nosso Clube!

Corolário maior do que fica já dito, para além do escrito e até do intuído… são, naturalmente, os MUITOS PARABÉNS que endereçamos ao Jornal Sporting!!! Queremos mais 100 ANOS!!! Outros 100 ANOS!!!

ARBITRAGEM… ainda a propósito do tal de Soares Dias… importa salientar que no lance da perdoada expulsão ao Mbemba no último jogo do FCP para o Campeonato Nacional, assistimos a todo o tipo de comentários… sendo que os factos são estes: perante essa grosseira falta, o também árbitro João Pinheiro, o VAR nesse jogo do FCP, chamou Soares Dias… e chamou-o porque entendeu que esse lance deveria ser sancionado com cartão vermelho (é que só assim João Pinheiro tinha legitimidade para “chamar Soares Dias”). Ainda assim, com todos estes factos, com a tecnologia VAR (incluindo “slow motion”) e até a opinião do próprio VAR… com tudo isto que fez Soares Dias? Pois, olhou, analisou e decidiu mal! Depois de tudo ver… manteve Mbemba em campo! Pasme-se… o homem que tudo viu e decidiu a Gonçalo Inácio no ano passado em Braga… nada viu quanto aos comportamentos infractores de Mbemba! Dois pesos e duas medidas! Claramente… dois pesos e duas medidas! Ora, como justificar esse comportamento de Soares Dias? Uma das razões resulta certamente do “bafo” que, na Maia, há uns cinco anos, sentiu de algumas personagens ligadas ao FCP… como é do domínio público… (e ele, Soares Dias, com estabelecimento comercial de rua… e de porta aberta!)… e outra das causas assenta no facto de Soares Dias ser, de facto, um mau árbitro, no sentido que analisa mal os lances e que, consequentemente, ajuíza de modo errado! Caiu, pois, o “mito urbano” criado e desenvolvido por gentes alinhadas com o FCP de que Soares Dias seria o melhor árbitro português no activo… é mau árbitro, como já dissemos e como esta semana o Sr. Dr. Juiz Conselheiro Baltazar Pinto, ex-presidente do Conselho Fiscal do SCP, veio de uma forma desassombrada e magistral definir!

SELECÇÃO - Depois das inexplicáveis “apostas” de Fernando Santos no jogo com a Turquia, sempre em prejuízo de jogadores que foram ou são do SPORTING CP (vidé p. ex. caso Gonçalo Inácio!), o país assiste estupefacto ao “tenebroso esquema de candongas” à volta dos bilhetes para ver o jogo com a Macedónia… que vergonha! Só mesmo no Dragão… por ser no Dragão… por haver “vassalagens” que são mesmo merecedoras de crítica! E crítica veemente! Num jogo da Selecção?? Haja Vergonha… a começar na FPF!!! Tenham Vergonha!!!

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!!!

100 ANOS COM “RAZÃO DE SER” (1922-2022)

Por Juvenal Carvalho
31 Mar, 2022

OPINIÃO

Que bonita “Razão de Ser”, como no tão bem conseguido título da primeira edição, é ter o privilégio de escrever para o Jornal Sporting e lembrar, na pessoa de José Serrano, o primeiro director em 1922, bem como de André Bernardo, director à data de hoje, tantos outros Leões que por aqui passaram. E muito maior é o privilégio, e sobretudo o orgulho indescritível, quando essa coluna de opinião coincide com a celebração da passagem dos 100 anos do Jornal que leio, peregrinamente, desde menino. É mesmo algo que, explicado assim por palavras, me faz sentir, já em fase adulta e madura, como que um menino feliz. Daqueles meninos que abre um “brinquedo” e lhe saem lágrimas misturadas com um enorme sorriso. Daqueles meninos que recuam no tempo e recordam momentos em que na casa do Sr. Brito, um Leão de todos os tempos, era “obrigado” a nele ler tudo. A saber tudo sobre o nosso Sporting CP.

Apetecia-me ligar para ele e para o Sr. Olímpio, os dois grandes mentores do meu Sportinguismo, e dizer-lhes que tenho hoje o privilégio de escrever para o nosso Jornal, e logo na comemoração dos seus 100 anos. O quão felizes eles ficariam por mim. O quão agradecido eu estou a pela “injecção” de Sporting que me deram para todo o sempre.

Dizer que esta coluna de opinião é escrita de forma sentimental, é dizer o óbvio para quem me conhece, e quando o assunto é Sporting Clube de Portugal. Mas é mais que isso. É mesmo o rebobinar de tantos e tantos momentos. De tanta e tanta leitura, com cada caractere a ser sorvido com uma atenção invulgar.

O Jornal Sporting deu-me tanta cultura Leonina. Para muitos amigos, mesmo de outros clubes, que ainda hoje me chamam uma “enciclopédia” do Sporting, era assim que na minha infância me tratavam no bairro de Lisboa onde cresci, muito desse conhecimento se deve a tanta leitura de tão grandes jornalistas e colunistas que ao longo destes 100 anos fizeram desta publicação, a mais antiga do Mundo a nível de clubes, a minha “bíblia”.

Comecei a ler o Jornal Sporting na década de 70 do século passado. Quando literalmente aprendi a ler. Despontavam então Carlos Lopes e Fernando Mamede, Joaquim Agostinho e Firmino Bernardino, Vítor Damas e Hector Yazalde, António Bessone Basto e Manuel Brito, Nelson Serra e Rui Pinheiro, Júlio Rendeiro e Chana, Moniz Pereira e Ricardo Ferraz, Matos Moura e Torcato Ferreira, e em que João Rocha era o nosso presidente de então e João Xara Brasil o primeiro director deste jornal de que tenho memória, bem como Leonor Roque, uma grande senhora na história deste jornal. No fundo tantos atletas, treinadores e dirigentes de juba alta, que era impossível enumerar todos.

Onde estiverem os fundadores e tanto Sportinguista de antanho que a marca inexorável do tempo os levou do nosso convívio, estarão felizes por este centenário. Esta “Razão de Ser” é, como já disse, difícil explicar em forma de texto. É algo que vem de dentro. Em criança nunca pensei que o meu querido Sporting CP me proporcionasse o que já vivenciei. Ter sido seu dirigente e escrever para o nosso jornal. De ter feito inúmeras amizades entre grandes referências do universo do Clube. De ter conhecido e feito amizade com tantos ilustres anónimos nas bancadas e nos corredores de Alvalade. Aqueles de todas as horas a quem quero deixar um muito obrigado por me terem ensinado a ser ainda mais Sportinguista.

Escreveria, escreveria muito mais. Mais 100 anos. Não me será possível. Escreverei semanalmente até um dia. Este espaço que o nosso jornal me concede é no dia de hoje especialmente emocionante, e sobretudo marcante por ser o do centenário. Mas para a semana continuará a ser, porque o Sporting CP não pára. É algo que não se explica, apenas se sente. E que sentimento tão belo é o de ser do Sporting Clube de Portugal.

Venham mais 100… Que bonita é a “Razão de Ser” Sportinguista!

FUTEBOL SEM DISCIPLINA À ALTURA

Por Miguel Braga
07 Abr, 2022

OPINIÃO

Existe assim um critério para todos os jogadores e existe outro exclusivamente para Nuno Santos. É este o nosso CD, é esta a disciplina que manda no futebol nacional.

UM CASO DE EXCEPÇÃO
No passado fim-de-semana, a equipa liderada por Rúben Amorim conquistou mais três pontos. Num jogo de sentido único, o Sporting CP venceu o FC Paços de Ferreira de César Peixoto com golos de Pablo Sarabia e Nuno Santos. Para a próxima jornada, frente ao CD Tondela, não podemos contar com João Palhinha que viu (mais) um cartão amarelo injusto e com Nuno Santos, castigado a pedido com um jogo de suspensão, por factos que ocorreram em Janeiro, na final da Taça da Liga que o Sporting CP venceu ao SL Benfica.

E que factos foram esses? Que levaram o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) a castigar mais uma vez Nuno Santos? – recordemos que apesar das imagens televisivas terem desmentido um relatório incriminatório, o jogador foi suspenso um jogo no pós-jogo com o FC Vizela por “uso de expressões ou gestos ameaçadores ou reveladores de indignidade”. Recordemos também que o facto de as imagens mostrarem que o jogador não fez o que está no dito relatório, de nada serviu para um CD que utiliza apenas essas mesmas imagens para castigar jogadores do Sporting CP, nunca para os inocentar.

Mas voltemos a essa final da Taça da Liga. Nuno Santos insultou um jogador adversário, coisa nunca antes vista em Portugal entre jogadores, entre equipas técnicas ou mesmo entre jogadores e árbitros, nunca. Existe assim um critério para todos os jogadores e existe outro exclusivamente para Nuno Santos. É este o nosso CD, é esta a disciplina que manda no futebol nacional. O mesmo CD que se mantém em silêncio depois dos vergonhosos acontecimentos que se viveram no pós-jogo do Dragão, entre Sporting CP e o FC Porto. Elementos credenciados pelo clube em questão agrediram – e há várias imagens televisivas que o comprovam – jogadores do Sporting CP. Estádio interditado? Isso não, que ainda faltam alguns jogos para o final da Liga. E consequências imediatas? Quatro jogos de suspensão para jogadores do FC Porto – dois jogos aplicados a Pepe e outros dois a Marchesín − e seis ao Sporting CP − três a João Palhinha, dois a Bruno Tabata e um a Coates por ter sido (mal) expulso. Sim, o nosso capitão foi pisado por Taremi, que se lançou em voo angustiante, enganando o árbitro e muito possivelmente o VAR e, não bastou ter sido injustamente expulso, ainda teve de cumprir um jogo de suspensão por essa expulsão – é este o sentido de justiça e disciplina do CD da FPF.

REGRESSO ÀS ORIGENS
É o principal fundador do Clube e aquele que emprestou o seu nome ao nosso estádio. Era “um rapaz magro, esguio, de uma calma britânica” que “deve ser recordado como o maior dirigente desportivo da época, o mais esclarecido e se não pôde sonhar mais, foi, provavelmente, porque não o deixaram, senão tê-lo-ia feito”. As palavras são de Luís Augusto Costa Dias, investigador e historiador que assina – juntamente como Paulo J.S. Barata e Vasco Borges de Campos – a mais recente e completa biografia de José Alvalade. O livro que é lançado hoje e do qual o Jornal Sporting publica um excerto – além de uma excelente entrevista com um dos autores – é de leitura obrigatória para todos os que se interessam pela História do nosso Clube.

Conhecer a vida de José Holtreman Roquette é também compreender um pouco mais do que é ser Sporting e de quais são os desígnios do Clube desde a sua fundação. Na tarde em que precocemente faleceu, foram estas as palavras no vespertino jornal A Capital: “faleceu hoje o distinto sportsman José Holtreman Roquette (Alvalade) que no nosso meio tinha um lugar de destaque pelas suas excelentes qualidades de carácter (…). A sua morte é sentida com grande pesar no meio desportivo porque Alvalade animava, entusiasmava e coadjuvava todas as iniciativas cujo fim fosse o desenvolvimento de qualquer especialidade desportiva (…). Ao que consta todos os clubes de Lisboa e de fora se farão representar, prestando assim a última homenagem ao pobre moço que ao Sport tanto se dedicou”. José Alvalade morreu com apenas 33 anos.

A MARCA DO LEÃO
No andebol, o Sporting CP quase fez história na Alemanha, perdendo por apenas um golo contra o todo poderoso SC Magdeburg (já depois de ter empatado na primeira mão no Pavilhão João Rocha). O jogo, infelizmente, acabou por ficar marcado por decisões polémicas dos árbitros nos momentos decisivos. Isto num encontro onde Francisco e Martim Costa foram os melhores marcadores dos Leões com 50% dos golos totais da equipa, deixando a sua marca na EHF.

Quem também continua a deixar a sua marca no Desporto Mundial é Jorge Fonseca. O judoca conquistou a sua terceira medalha de ouro em 2022 – depois do Open de Praga e do Grande Prix de Portugal – no Grand Slam de Antália, na Turquia. Com esta vitória, Fonseca volta ao lugar “que lhe pertence”, ou seja, regressa à liderança do ranking mundial de judo na categoria -100Kg, estando invencível há 14 combates. É obra.

Editorial da edição n.º 3866 do Jornal Sporting

Agora ■■■■■■■? Too fucking late.

SOB OS DESÍGNIOS DO FUNDADOR

Por Miguel Braga
14 Abr, 2022

OPINIÃO

Com a sua habitual sede de vencer, a equipa feminina de rugby do Sporting CP conquistou a Taça de Portugal ao vencer a AEES Agrária de Coimbra, nas Caldas da Rainha. Foi a quinta Taça de Portugal do palmarés do Sporting CP − a primeira em rugby de XV.

Na semana passada, demos a conhecer a Biografia de José Alvalade e os passos que deu na criação do Sporting Clube de Portugal. Ficou claro que desde a sua génese este é um Clube que faz do Eclectismo uma das suas bandeiras, encarando o Desporto como força motriz de uma sociedade mais justa e mais igualitária. Dias depois, o Sporting CP dava mais um passo nessa caminhada iniciada por “um rapaz magro, esguio, de uma calma britânica”, cuja vida “exalou um certo bálsamo poético”.

Em pleno complexo do Jamor, a natação do Clube fez História conquistando pela primeira vez o título de Campeã Nacional tanto em masculinos como femininos (o nono e sétimo, respectivamente).
Ao todo, os atletas de Alvalade conquistaram 29 medalhas (15 em masculinos e 14 em femininos) nas 38 provas disputadas. A saber: nove de ouro, 12 de prata e oito de bronze, com destaque para as duplas conquistas de ouro de três dos nossos Leões: Alexis Santos (200 metros estilos e 50 metros costas), Francisco Santos (100 e 200 metros costas) e Inês Henriques (100 e 200 metros mariposa).

Com a sua habitual sede de vencer, a equipa feminina de rugby do Sporting Clube de Portugal conquistou a Taça de Portugal ao vencer a AEES Agrária de Coimbra por 10-20 nas Caldas da Rainha – isto depois de se ter sagrado Campeã Nacional da Divisão de Honra XV há apenas umas semanas. Foi a quinta Taça de Portugal do palmarés do Sporting CP − a primeira em rugby de XV.

No Pavilhão Municipal da Torre da Marinha, no Seixal, o Sporting CP fez jus ao reactivamento da ginástica acrobática, conquistando 23 títulos nacionais e colocando no pódio a totalidade dos seus 28 atletas, sagrando-se campeão absoluto nas categorias de juniores e juniores de elite.

Destaque ainda para a Campeã Europeia Teresa Bonvalot que encerrou o circuito de qualificação para a Liga Mundial de Surf com uma vitória no Caparica Surf Fest – a surfista já tinha conquistado a prova na edição anterior.

Vitórias diferenciadas, vitórias nos mais diferentes campos, em terra e no mar. Também a equipa de futebol, liderada por Rúben Amorim, deu um recital, em especial na primeira parte, onde reduziu a equipa local a uma mera presença na primeira parte – os nossos adversários tiveram zero remates, zero cantos, zero foras-de-jogo, apenas 30% de posse de bola contra 70%. O resultado final de 1-3 peca, quanto muito, por escasso, face à quantidade de oportunidades criadas. Este fim-de-semana há jogo grande, o dérbi dos dérbis, frente ao eterno rival. O objectivo, esse, não muda: três pontos e a vitória do nosso Clube. Hoje, amanhã e sempre.

Editorial da edição n.º 3867 do Jornal Sporting

não gosto da personagem, nunca gostei. mas esta frase define na perfeição este campeonato:

“Eu diria que no campeonato das decisões subjetivas, o FC Porto está fortíssimo.”

sem mais, nem menos. é isto e ponto final.

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NÃO VALE TUDO PARA GANHAR

Por Miguel Braga
21 Abr, 2022

OPINIÃO

Rúben Amorim afirmou na conferência de imprensa antes da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, frente ao FC Porto: “há coisas que dão vontade de rir, como certas pessoas dizerem que não vale tudo para ganhar”. Somos e queremos ser um Clube de

Em campo ou na quadra, em terra ou na água, a ambição das equipas do Sporting Clube de Portugal é apenas uma: vencer. É um objectivo comum, transversal ao Clube, seja qual for a idade ou modalidade. É um sentimento que se renova semana após semana, mês após mês, ano após ano. E será sempre assim. Esta é uma das condições de ser Leão.

Neste final de Abril, entramos na fase das grandes decisões – não de todas, convém recordar, uma vez que esta época o Sporting CP já soma vários títulos individuais e colectivos −, onde os jogadores puxam dos seus galões, onde os técnicos exigem ver o trabalho de longos meses, onde os adeptos pedem às suas equipas as conquistas almejadas. No fim, sabemos, apenas um poderá vencer. E tal como em tantas outras coisas da vida, apesar do fim ser importante, é mais importante ainda o caminho e a forma como se chega até lá.

Daí que se percebam as palavras de Rúben Amorim e os seus destinatários, quando afirmou na conferência de imprensa antes da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, frente ao FC Porto: “há coisas que dão vontade de rir, como certas pessoas dizerem que não vale tudo para ganhar”. Somos e queremos ser um Clube de valores e com valores. E destes, ninguém abdicará.

Defendendo estes mesmos valores do Clube, a Fundação Sporting promoveu o já habitual almoço solidário de Páscoa, onde foram oferecidas refeições quentes a pessoas em situação de sem-abrigo. Numa altura em que nos chegam diariamente ecos da guerra na Ucrânia, devemos lembrar-nos que ao nosso lado há quem necessite de coisas tão simples como um almoço ou um jantar. A Fundação Sporting continuará a sua missão que deve ser de todos nós.

No último fim-de-semana, o Sporting CP e os seus Sócios e adeptos conseguiram fazer a homenagem que faltava a um dos melhores jogadores que já passou pelos relvados nacionais: Jérémy Mathieu, internacional francês, que se despediu da equipa em 2019/2020, pedindo a conquista do título de campeão, triunfo alcançado na época seguinte. Agora, foi a vez de um estádio cheio ovacionar o “nosso” n.º 22 e os seus 106 jogos de Leão ao peito: “o Clube deu-me a oportunidade de sair como eu queria ter saído. Tenho a sensação de ser parte desta família e que joguei no Sporting CP toda a minha carreira”. Merci, monsieur Mathieu .

Não existe uma bola de cristal que nos diga quando e se vamos ganhar. Apenas podemos controlar como queremos fazer esse caminho. Tal como nos disse o nosso Prémio Nobel da Literatura “o que as vitórias têm de mau é que não são definitivas; o que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas”.

Editorial da edição n.º 3868 do Jornal Sporting

76 DIAS DE SILÊNCIO

Por Miguel Braga
28 Abr, 2022

OPINIÃO

Editorial da edição n.º 3869 do Jornal Sporting

Estamos a chegar a Maio e o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol mantém o seu silêncio ensurdecedor, sobre as agressões a jogadores Leoninos por elementos estranhos à ficha de jogo no final do FC Porto-Sporting CP, jogado no passado dia 11 de Fevereiro.

Recordando o que se escreveu na altura: segundo o Observador , o “final do jogo no Estádio do Dragão teve um filme como há muito não se via” e que quem esteve presente assistiu “ao que o futebol pode ter de pior”. Ainda sobre os acontecimentos, “vários seguranças e assistentes de recinto desportivo envolveram-se também na confusão. Um atirou água a Matheus Reis; outro terá mesmo agredido o brasileiro dos Leões. É visível também que por duas ocasiões houve seguranças que evitaram também que adeptos entrassem no relvado”.

Para A Bola , foi “possível visualizar uma pessoa com colete encarnado a empurrar Gonçalo Inácio de forma intimidatória, seguindo-se novos empurrões, desta vez com Matheus Reis. Recorde-se que o defesa brasileiro foi também agredido por outros dois elementos externos ao jogo, que estavam para lá do placard publicitário, com um colete azul”. Versão confirmada no Record : “Um, dois, três: Imagens mostram que Matheus Reis foi agredido três vezes no final do FC Porto-Sporting CP”.

Dias depois do famigerado jogo, a Rádio Renascença dava conta do relatório do árbitro, afirmando que João Pinheiro detalha que, “após o final do jogo, três elementos que vestiam um colete azul atingiram o jogador (…), tendo um deles agredido esse mesmo jogador com um murro nas costas”. Mais. Que “um elemento que vestia um colete azul e que se encontrava atrás dos placares electrónicos junto à baliza norte, arremessou um banco para dentro do terreno de jogo”.

As imagens, vídeos e descrições estão disponíveis para qualquer pessoa à distância de um click . Além de que existe uma presunção de veracidade do relatório do árbitro que parece que foi esquecida por quem deveria disciplinar os infractores no nosso futebol.

Curioso, foi perceber que a FPF também apregoa a dualidade de critérios. Tanto quanto foi possível pesquisar no site do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), desde 2020 e até hoje, Pepe terá sido o único jogador que requereu providência cautelar e relativamente à qual a FPF não se opôs – a FPF teve um entendimento diferente nos casos de Lucas Piazón (2021) e Luís Neto (2020), só para dar dois exemplos.

Seria por isso útil saber por que motivos terá a FPF entendido não se opor ao pedido de Pepe, que não se verificavam nos casos de Neto ou de Piazón. Neste caso com contornos dantescos, seria também bom que a FPF pudesse esclarecer porque é que o seu Conselho de Disciplina entendeu haver necessidade de suspender preventivamente Pepe e Luís Gonçalves, mas depois, quando estes pedem para não cumprir o castigo que é aplicado, a FPF nada tem a opor, aceitando que os mesmos estejam presentes no jogo seguinte. Dúvidas para serem esclarecidas talvez um dia. Talvez.

A EUROPA COMO PALCO

Por Miguel Braga
05 maio, 2022

OPINIÃO

Editorial da edição n.º 3870 do Jornal Sporting

Uma exibição segura e personalizada, expressa em 22 remates contra apenas três, garantiu a vitória do Sporting CP por 4-1 frente ao Gil Vicente FC e também o acesso directo à próxima fase de grupos da Liga dos Campeões. Uma resposta dentro de campo contra um adversário que não tinha perdido em casa dos outros rivais neste campeonato. E com uma meta do tamanho da Europa para conquistar, a equipa atingiu mais um objectivo para a época desportiva. Em território nacional, faltam apenas dois jogos e a missão mantém-se: conquistar os seis pontos em disputa.

Temos de recuar à primeira década deste século para encontrar semelhante registo Leonino na Europa, a presença consecutiva nesta fase da competição. Recordo que em Maio de 2021, o presidente Frederico Varandas traçou esta meta: “Na próxima época o Sporting CP vai estar muito competitivo com o objectivo de ir novamente à Champions League”. Assim tem sido.

A equipa de futsal do Sporting CP é vice-campeã da Europa ao atingir a quinta final em seis anos seguidos, depois de Nuno Dias ser o treinador com mais jogos na fase final da competição e João Matos o jogador com mais presenças. Desta vez, a equipa acabou por se deixar surpreender pelo FC Barcelona, no palco imponente da Arēna Rīga, na Letónia, por 4-0, num jogo onde a eficácia foi o factor que desequilibrou a balança. De regresso a Portugal, a equipa entra na fase final da época com títulos para conquistar. E com vontade de sentir o apoio incondicional dos nossos Sócios e adeptos.

Depois de vencerem na Europa e no Mundo, Auriol Dongmo e Patrícia Mamona foram condecoradas pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa. A primeira foi condecorada com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, a segunda com o grau de Grande Oficial da Ordem do Mérito, acumulando com o grau de Comendador que tinha recebido em 2016, depois de se sagrar pela primeira vez Campeã Europeia ao ar livre. O reconhecimento merecido de duas atletas de excepção do Desporto nacional.

Após 14 vitórias consecutivas e pela primeira vez em 2022, o Bicampeão Mundial Jorge Fonseca não conseguiu atingir a vitória no Campeonato da Europa, em Sófia, na Bulgária. Este percalço não afectará a preparação de Fonseca para os próximos combates, muito pelo contrário. Regressará ainda com mais força.

Destaque também, nas páginas deste Jornal Sporting , para o trabalho da equipa do Serviço de Conservação e Restauro do Museu do Clube. São eles que garantem a posteridade de tantas das nossas conquistas, nacionais, europeias ou mundiais. Não fosse o nosso propósito ser “um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa”.

MAIS UM TRIPLO PARA O BASQUETEBOL

Por Miguel Braga
12 maio, 2022

OPINIÃO

Editorial da edição n.º 3871 do Jornal Sporting

Foi no último domingo, em Albufeira, que o Sporting CP conquistou mais uma Taça de Portugal de basquetebol (a oitava no palmarés do Clube) ao vencer o SL Benfica por 79-75, num jogo que teve muita emoção até ao fim. Desde que a modalidade foi reactivada em 2019, o Clube já venceu um Campeonato Nacional, três Taças de Portugal, uma Taça Hugo dos Santos e uma Supertaça, traduzindo-se esta hegemonia em seis troféus conquistados em oito possíveis. “Temos uma camisola muito pesada e temos de a respeitar por todos os adeptos, que são a nossa força”, afirmou, no final, o capitão Diogo Ventura.

Na presente época, o Sporting CP é a única equipa que tem a possibilidade de vencer “tudo” em território nacional. Daí também a garantia deixada por António Paulo, treinador-adjunto da equipa: “Vamos saborear o momento, mas no próximo treino já vamos pensar na primeira ronda dos play-offs ”. Este é o espírito dos conquistadores: nunca satisfeitos e com os olhos fixos no próximo objectivo.

Depois de no ano passado ter sido considerado o MVP das finais da Liga pela Federação Portuguesa de Basquetebol, Travante Williams voltou a ser eleito o homem do jogo e da competição: “Sinto-me muito bem e feliz com a equipa, são eles que me põem neste patamar. Boas energias, trabalhar duro e manter-nos insaciáveis”, são os desejos do jogador norte-americano. Que os seus desejos se concretizem é a vontade de todo e qualquer Leão.

No próximo fim-de-semana, realiza-se a derradeira jornada da Liga Portugal, em jogo marcado para sábado à noite frente ao CD Santa Clara. A equipa dos Açores surpreendeu os Leões de Rúben Amorim na primeira volta e por isso mesmo a equipa tem o objectivo claro da conquista dos três pontos. Se atingirmos essa meta, o Sporting CP conseguirá a proeza de repetir os mesmos pontos da época anterior em que nos sagrámos campeões nacionais − o que não deixa de ser um facto assinalável.

Com o segundo lugar e o acesso garantido à fase de grupos da Liga dos Campeões, será um dia de festa e o dia em que os Sócios e adeptos se despedem de Pablo Sarabia, o espanhol que chegou por empréstimo do PSG e que vai deixar saudades. Obrigado, Pablo – é o sentimento da nação Sportinguista. Por falar em agradecimentos: Zou Feddal chegou ao Sporting CP desconhecido de muitos, mas os Sportinguistas nunca irão esquecer um dos seus campeões, a sua garra e dedicação. A Feddal também o nosso sentido obrigado.

No passado fim-de-semana, o Clube assinalou mais um Dia do Leão (7 de Maio), cerimónia instituída em 2011. Um dia de homenagem às vítimas que perderam a vida na queda do varandim do antigo Estádio José Alvalade, antes de um Sporting CP vs. FC Porto, jogado precisamente a 7 de Maio de 1995. É um momento em que se recorda também o adepto que faleceu ao ser atingido por um very light , na final da Taça de Portugal, num Sporting CP vs. SL Benfica (18 de Maio de 1996), e a todos os que viveram e faleceram de Leão ao peito. “É de louvar o facto de o Clube recordar esta data pois o mais importante do Sporting CP são os Sócios”, afirmou Rui Vicente, um dos sobreviventes da queda. Sentimento partilhado por outro sobrevivente, António Dionísio: “É bom sentirmos o apoio do Clube e gosto que os Sócios não sejam esquecidos, não só aqueles que faleceram, mas também os que continuam cá”.

UMA BREVE HISTÓRIA DE FAIR-PLAY

Por Miguel Braga
19 maio, 2022

OPINIÃO

Editorial da edição n.º 3872 do Jornal Sporting

Aconteceu há quase dez anos e na altura foi notícia que correu mundo. Foi em Burlada, na região de Navarra, em Espanha, durante uma corrida de 3000 metros de corta-mato. Na parte final da prova, o atleta queniano Abel Mutai seguia na frente, destacado dos demais. Atrás de si, o espanhol Iván Fernández Anaya tentava acompanhar o passo. Na última recta, pensando que já tinha cortado a meta – quando na verdade ainda faltavam 10 metros – o queniano abrandou, parando e abrindo os braços em sinal de vitória. Iván Fernández Anaya poderia ter aproveitado o deslize, continuado a correr e, assim, vencer um atleta mais completo e mais forte – no seu currículo Mutai já tinha conquistado a medalha de ouro no Campeonato do Mundo de Juniores (2005), ouro também no Campeonato Africano (2012) e bronze nos Jogos Olímpicos de Londres (2012). Mas essa não foi a decisão do atleta espanhol.

“Eu não merecia ganhar”, afirmou então Fernández Anaya. “Fiz o que tinha a fazer. Ele foi o vencedor legítimo. Criou uma distância que eu não poderia ter fechado se ele não tivesse cometido um erro. Assim que vi que ele estava a parar, eu sabia que não o ia ultrapassar”. E assim foi. Fernández Anaya parou ao lado de Mutai e através de gestos explicou que o queniano tinha de continuar, tendo sempre o cuidado de ficar atrás dele. Curiosamente, o próprio treinador do atleta espanhol mostrou-se surpreendido com a decisão do seu pupilo, confessando que não teria tido a coragem para não ganhar. Já Fernández Anaya nunca se arrependeu: “Acho que ganhei mais nome fazendo o que fiz do que se tivesse vencido. E isso é muito importante, porque hoje, da forma que as coisas estão em todos os círculos, no futebol, na sociedade, na política, onde parece que vale tudo, um gesto de honestidade cai sempre bem.”

Diz-se que a primeira referência à expressão “ fair-play ” pode ser encontrada na peça King John (1597) de William Shakespeare. Mas foi só a partir de 1800 que o fair-play ganhou razão de ser com o liberalismo burguês inglês e com o nascimento da chamada Indústria do Desporto. Quase 100 anos depois, foi Pierre de Coubertin que voltou a dar novo impulso a esta forma de estar na vida e na prática desportiva: “O mais importante na vida não é a vitória, mas a luta; o essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem”. Sobre a mesma temática, Jean D’Ormesson, membro do Comité Internacional do Fair-Play , afirmou: “A moral manifesta-se com mais sinceridade durante o jogo. (…) O fair-play permite-nos declarar que o desporto não se deve tornar numa manifestação de brutalidade. O fair-play ajuda o desporto a transformar-se num pilar da civilização. O desporto não é destruir, humilhar e quebrar o adversário; trata-se de jogar com o adversário para que ele possa empregar todas as suas habilidades humanas”.

Num país onde há quem desvalorize o fair-play e defenda que vale tudo para ganhar, recordemos que o Desporto continua a ser um instrumento de excelência para acolher e dignificar os valores morais da sociedade.

UMA QUESTÃO DE MENTALIDADE

Por Miguel Braga
26 maio, 2022

OPINIÃO

Editorial da edição n.º 3873 do Jornal Sporting

Foi a quarta Taça de Portugal de futsal consecutiva, o sétimo título nacional seguido, o terceiro troféu conquistado esta época – depois das vitórias na Supertaça e Taça da Liga. Foi também o oitavo triunfo do Sporting CP nos últimos dez jogos disputados com o SL Benfica. Desengane-se quem pensa que esta equipa quer ficar por aqui: “Esta foi a Taça que me soube melhor, porque foi a última. Está mais complicado, pois os dérbis são cada vez mais intensos e decididos nos pormenores, mas dá‑nos um gozo ainda maior”, é a garantia deixada por Nuno Dias. A memória da final da Champions League de futsal ainda perdura: “Não conseguimos a Champions, mas tínhamos de dar uma resposta aos adeptos porque eles receberam‑nos muito bem em Alvalade e nunca faltou apoio”, foi a resposta de Tomás Paçó, autor do golo que desequilibrou a balança a favor do Sporting CP.

No basquetebol, o Sporting CP joga hoje no Pavilhão João Rocha o terceiro jogo da meia-final dos play-offs frente ao FC Porto – que, recorde-se, começou esta época com a encenação de uma possível desistência da modalidade, perdendo inclusivamente dois jogos por falta de comparência. Ainda antes do início dos jogos com o FC Porto, a equipa liderada por Luís Magalhães entregou no Museu Sporting os seis troféus conquistados desde a reactivação da modalidade em 2019 (foram seis troféus em oito possíveis). “A equipa foi constituída do zero e os outros clubes já tinham grupos de trabalho com excelentes jogadores. Nós tivemos de os procurar e fazer com que os jogadores acreditassem e se superassem. Naturalmente, essa superação individual e colectiva fez com que tivéssemos atingido estes resultados”, afirmou o treinador. O mesmo treinador que se expressou no final dos primeiros dois jogos frente ao rival do Norte e que deixou palavras que merecem profunda reflexão de quem manda no desporto em Portugal: “Desde o princípio da época que o FC Porto andou a brincar com o basquetebol. A Federação [Portuguesa de Basquetebol] não teve coragem e deixou que isto se arrastasse. Enxovalharam os árbitros todos e o basquetebol e depois é isto que acontece. O treinador do SL Benfica também já tinha avisado que isto podia acontecer e é o que se vê. Qualquer decisão do árbitro é contestada por tudo e por todos e depois não têm coragem para marcar as faltas que devem marcar e os maus comportamentos. Deixam isto chegar a um estado que não tem nada a ver com o basquetebol normal. Isto não era o basquetebol português”. Sim, isto não deveria ser o basquetebol nacional, nem um exemplo a seguir no desporto português.

Este sábado, a equipa feminina de futebol joga frente ao FC Famalicão a final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional. A vitória é o objectivo da equipa de Mariana Cabral – que acabaria a época como começou, ou seja, com a conquista de um troféu. No início da semana a treinadora deixou uma certeza: “Desde o primeiro dia até agora sinto que a equipa cresceu muito e vamos continuar a crescer porque isto ainda não acabou. Ainda queremos crescer em alguns aspectos para depois também estarmos preparadas para a final da Taça de Portugal, que é um objectivo que ainda temos e que queremos concretizar”. Esse é o desejo de todos os Sportinguistas. Sábado, pelas 17h15, as jogadoras têm a palavra.