[member=14638]sotnas o único jogador da formação que entrou no 11 de forma definitiva foi o João Mário, bem longe de ser “um miúdo” como nos tempos do Bento, vindo de um empréstimo a um Clube da II Liga ou da II Divisão, no seu segundo ano de sénior.
O João Mário é mais velho que o Bruma e que o Mané, e é da idade do Ilori, por exemplo, dois jogadores que já saíram do Sporting há duas épocas depois de se terem afirmado e motivado o interesse de outros Clubes, e outro que já foi titular com Jardim.
Podemos falar à vontade de “miúdos” e de projecto formador, mas esta é a equipa que tem Ewerton e Jefferson na defesa (e ainda Miguel Lopes, um jogador experiente), Patrício na baliza, que segurou William perante o interesse de Clubes de renome, que tem em Adrien e André Martins jogadores que já estão longe de estar a dar os primeiros passos (o mesmo podia ser dito, aliás, do Cédric), que tem o experiente Nani emprestado por um dos melhores Clubes da Premier League, que tem Slimani, Montero e Carrillo, etc.
Não encontramos nesta equipa, actualmente, jogadores a começar a sua carreira no futebol sénior. De todo. Os mais novos dos titulares serão talvez Paulo Oliveira (que tem 22 anos, creio, e não sei se não fará 23) e João Mário (presença assídua na Selecção Portuguesa A). Portanto, não dá para fazer um paralelismo propriamente nem com o Passado, nem traçar um cenário de grande diferença para os rivais (melhor dizendo, este ano o benfica está a ter no seu plantel uma excepção face ao Passado recente: basta lembrar que o ano passado tinha Markovic com 17 ou 18 anos, ou que o porto tem um miúdo de 20 anos como maestro da equipa.
Curiosamente, houve quem dissesse que mal por mal que se apostasse no Tobias em vez do Maurício (erros por erros, 3º lugar por 3º lugar, sempre crescia o Tobias, que pela idade pode ter alguma margem de evolução), mas que o jogador não tinha qualidade suficiente para ser titular no Sporting, assim como houve quem visse qualidade no Ewerton e achasse que mal estivesse bem fisicamente seria um jogador importante para estabilizar o sector. Pessoalmente, não só acho o Ewerton superior aos outros 2 centrais (por ter melhores argumentos técnicos, sobretudo, com um pé esquerdo bem calibrado), como acho que de facto o Tobias tem crescido. Ainda comete erros, mas por exemplo na Mata Real teve um bom jogo. É irregular, mas é por isso que… não é titular.
Na próxima temporada, para o onze inicial, só estou a ver assim de repente apostas no Gauld (19 anos) - que será o nosso Markovic, e que já leva alguma experiência europeia na Liga Escocesa e na qualificação para o Europeu Sub-21, onde por exemplo estiveram jogadores como o William e o João Mário -, e eventualmente no Carlos Mané, que tem 21 anos.
O Sporting, ao contrário do que aconteceu no Passado, não tem subido jogadores com idades de júnior, ou vindos dos júniores, ao plantel principal. A excepção foi mesmo o Carlos Mané, que ainda assim teve 6 meses para se ambientar nos treinos para ser lançado num contexto de menos pressão (Taça da Liga).
Para além disto, a direcção tem resistido a vender mais do que 2 titulares por época - e no Verão passado vendeu apenas o Rojo. Isto é condizente com um crescimento esperado da equipa. E a equipa deu indícios disso na primeira volta, depois abdicou dessa ambição para tentar sofrer menos golos (foi o caminho errado).
No meio disto tudo, há que apontar as responsabilidades claríssimas do treinador. O Sporting não é um plantel de miúdos, tipo Ajax (não sei exactamente como anda agora em termos de idades) ou Arsenal há 3 ou 4 épocas. Esses eram, no caso do Arsenal não ganhava títulos (e era gozado por isso), mas a realidade é que o treinador lá foi ficando. Isto não se deveu apenas à benevolência da estrutura, deveu-se também ao facto da equipa, apesar da juventude e irregularidade que não lhe permitia discutir o título, mostrar ainda assim bom futebol, organização e jogar (defender e sobretudo atacar) bem, como equipa. O Sporting até começou a mostrar isso esta época. Sem Nani que chegou tarde. Com Maurício e Sarr. Com Slimani castigado. E, hoje, com bem mais soluções, a equipa não é capaz de dominar e fazer jogos de qualidade contra um Setúbal e um Boavista. Eu não compro a ideia que seja só falta de motivação. De maneira nenhuma. E ninguém pedia ao Marco que fosse campeão (claro que essa ilusão cresceu, mas não é por tal que sairá). Agora, essa ideia do projecto… um projecto não é de 5 ou 6 anos. Isso não existe. Um projecto começa, desde logo, por na primeira época a equipa se ir desenvolvendo, mostrando melhorias, tornando-se mais solidária e mais forte, com percalços ocasionais naturais de quem ainda está nesse processo de evolução. Porém, os indícios do actual Sporting são terríveis.
Eu começo a achar que a defesa da manutenção do Marco “no matter what” - a não ser, é claro, que o futebol da equipa mude bastante - só se deve a dificuldade de se mudar de opinião quanto ao treinador, ou de “dar o braço a torcer” quanto ao plantel. Eu próprio sempre fui defendendo o Marco, apontando as condicionantes, e dizendo que pela qualidade que lhe reconhecia acreditava que a equipa com o tempo evoluisse. Não aconteceu. É assim. O Sporting como equipa actualmente é inferior ao Estoril do ano passado, com a diferença óbvia de que tem muito melhores jogadores e que como tal se arrisca a ganhar muito mais jogos.
A estrutura pode dar Ewerton, pode dar Labyad, pode até conseguir segurar o Carrillo e outras peças importantes pela experiência e/ou qualidade (como Patrício, João Mário e até Slimani, eventualmente). Pode dar jogadores com o talento (e já alguma experiência) de um Iuri e de um Gauld para que o treinador o trabalhe e saiba enquadrar no colectivo as suas qualidades técnicas (esta conversa está-me a fazer recordar o trabalho feito no porto com um jogador como o James, por exemplo). Mas todo esse esforço valerá a pena com o actual Marco Silva?
Na pré-época, elogiei bastante o Marco e estava confiante. Naquele início, tirando um jogo de que não gostei nada (e que a equipa até conseguiu vencer), defendi aqui o treinador. Nos 2 empates contra o Paços de Ferreira vim aqui defender o treinador. Mas nos últimos 3 jogos (2 deles em casa), perante adversários medianos, nesta fase da época a equipa já devia ter mostrado conseguir dominar, controlar e fazer um bom jogo pelo menos em 2 deles (como disse… percalços aceitam-se). Não o fez em nenhum e não dá indícios de melhorar (pelo contrário, vai-se afundando cada vez mais). É pela falta de apoio? Não se podem queixar de tal. É pelas “cisões internas”? Seria talvez em Dezembro/Janeiro, agora são desculpas. É, sobretudo, pela falta de qualidade no trabalho desenvolvido. Tenho sincera pena porque acreditei bastante no Marco, mas hoje a equipa nem um futebol de qualidade tenta jogar (ser capaz ou não é outra coisa, e lutar pelo título jogando assim ou não é outra coisa ainda). E quando se desiste… é-se um perdedor. O que é uma pena num treinador que nas antevisões das idas à Luz e a Stamford Bridge mostrou uma ambição que há muito não recordava. Que em CI’s fez críticas à equipa que dirigia (portanto, também auto-críticas) em jogos nada inferiores (pelo contrário) aos 3 últimos. A verdade é que, por alguma razão, o Marco mudou. E este não serve.