Onde andas Verdade?
Vivemos num mundo, cada vez mais abstracto
A bater no fundo,e sem abrandar,de facto.
O povo é burro, e enganado facilmente,
E a cada dia que passa, torna-se mais aparente
A imbecilidade que permite destruir vidas,
A passar por entre os pingos da chuva,
Sem se molhar e sem grandes corridas,
Para quem só quer é sumo de uva…
Agora já nem se esconde, aquilo que outrora era alvo a abater,
Tornou-se agora numa moda, a que todos aderem a correr…
Tu és roubado, já não és coitado, nem o bandido condenado,
Tornas-te tu assim ladrão, pois de crime passou a um estado.
Um Estado de excelência, vigoroso e respeitado,
Que todos agora seguem religiosamente,
Pois já é mais comum ser ladrão efectivamente,
Do que trabalhar e ser-se honrado.
Filhos roubam pais, e avós roubam netos,
Irmãos matam irmãos, e Mães vendem sexo,
A sociedade, cada vez mais deslumbrante e sem nexo,
Permite tudo, a quem por nada luta, a ineptos.
Promulgam-se criminosos, e exultam-se ditadores,
Idolatram-se pulhas, criminalizam-se incómodos seres,
Que sozinhos ainda lutam pelo acordar p’rá realidade,
Mas de nada vale, nesta suja moribunda comunidade.
Propaga-se a ideia, que é mais fácil ser-se assim,
Disseram-te “Se não os venceres, junta-te a eles!”,
Tantas vezes, desde pequeno, tanto a ti como a mim,
E assim se foi perdendo o rumo, perpetuo, sem fim.
As pessoas garantem agora, que são mais imbecis do que formigas,
De quem nos riamos, enquanto esburacávamos os seus reinos,
Perdendo foco de que, enquanto o fazíamos, sendo pequeninas,
Uniam-se todas, para se tentarem salvar desses maleitos.
e dizem vós “Mas foda-se são formigas!”,
Enquanto apunhalam mais um amigo,
Para roubar as poucas migalhinhas,
Resultado do seu esforço, do seu afinco.
Mas está tudo bem, numa sociedade que goza com animais,
Que não possuindo as nossas capacidades intelectuais,
Se mostram mais, inteligentes, mais iguais,
Pois não têm ganância, pois sabem que juntos são mais.
E nós do alto da nossa prepotência,
Sem nos apercebermos do caminho pro fracasso,
O que não obtemos nós próprios, com coerência,
Obtemos usando e abusando dos mais fracos.
E é normal, que estejamos condenados a extinção,
Auto-provocada pela nossa única estupidez,
Espero eu que não, levemos os restantes seres de vez,
Com a ganância e prepotência, impulsionando essa acção.
Mas somos inteligentes, avançados em sociedade,
Mas a quem enganamos, ou queremos enganar?
Afinal, não sabemos mais nada não é verdade,
e continuamos a achar, que o fim não vai chegar.
Mas o que é verdade, neste falso mundo?
Na mais corrupta mundana sociedade,
Que não para de se matar nem um segundo,
Em busca da mais fútil e capitalista felicidade.
Platão, Arquimedes, e outras grandes mentes,
Tentaram incutir um ser racional, mas pensante,
Diferente do resto das espécies, um ser errante
E sai no fim, uma sociedade competamente aberrante.
Onde erramos? Onde divergimos?
D’um futuro sustentável e brilhante,
Como raios conseguimos,
Este nosso resultado aberrante?
Até as formigas que pisamos, a bel-prazer
Nos mostram como deveria ser,
a bem estruturada a sociedade.
e não neguem tal verdade.
Só se vê merda, e ela é tanta,
que tomou conta de nós com a idade,
E são poucos que ainda se preocupam,
Perguntando onde andas tu, Verdade?