Quanto ao Carlos Carneiro, isto sim, é coragem. Dizer a verdade, quando todos nos pressionam para mentir.
Julgamento de Alcochete: Pinto da Costa vai ser hoje ouvido
Presidente do FC Porto é testemunha de Bruno de Carvalho

Pinto da Costa depõe hoje à tarde, através de videoconferência, como testemunha de Bruno de Carvalho, no processo da invasão à Academia. De manhã serão ouvidos Eduardo Barroso, Carlos Vieira, Jorge Fonseca, José Trindade, João Estorninho e José Ribeiro, também testemunhas do ex-presidente.
Record

PINTO DA COSTA DEU TESTEMUNHO BREVE: «NEM SEI ONDE É ALCOCHETE…»
SPORTING 15:06
Por
Redação
O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, testemunhou esta tarde no processo do ataque à Academia de Alcochete, tendo sido arrolado pela defesa do ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho. O testemunho, por videoconferência a partir do Palácio da Justiça no Porto, foi breve, de acordo com o próprio à saída.
«Foi só cinco minutos, o resto foi à espera. Eu não podia dizer grande coisa, felizmente não sei nada sobre este caso. Porque fui arrolado? Não percebi. Eu nem sei onde é Alcochete, só sei que foi a 15 de maio. Perguntaram se conhecia o presidente do Sporting. Conheci muitos e sou amigos de alguns. Sinceramente não percebi bem porque é que vim cá. A doutora juíza até agradeceu a presença e disse que não era da responsabilidade dela, se calhar sentiu que eu não vim adiantar muito», referiu.
Ao tribunal falou na sensação que tinha do ambiente no Sporting naquele final de época de 2018: «Sentia que havia ambiente mau. Nunca percebi como Bruno de Carvalho teve 90% numa Assembleia Geral e depois passou a ser contestado desde o início do ano.»
O presidente do FC Porto contou ainda um conversa que presenciou a 4 de fevereiro daquele ano, entre Bruno de Carvalho e Jaime Marta Soares, presidentes da Direção e da Mesa da Assembleia-Geral (MAG) do clube de Alvalade, respetivamente.
Segundo Pinto da Costa, Bruno de Carvalho falou a propósito de Marta Soares dizendo: 'Este também era dos croquetes e eu reabilitei-o´, ao que o antigo presidente da MAG respondeu: ‘Isto ainda acaba tudo destituído’. O presidente do FC disse ter ficado «chocado», mas que levou o momento como «uma brincadeira».
A Bola

«DESPEDIR JESUS TERIA IMPACTO FINANCEIRO DE 8 MILHÕES DE EUROS BRUTOS»
SPORTING 13:51
Por
Redação
Carlos Vieira, antigo vice-presidente do Sporting, testemunhou esta manhã em mais uma sessão do processo do ataque à Academia de Alcochete, no julgamento que decorre em Monsanto e falou sobre a reunião entre o presidente Bruno de Carvalho e a equipa técnica a 14 de maio de 2018 - véspera do ataque e depois de a equipa ter perdido na Madeira com o Marítimo. Disse que ficou com a sensação que aí se tinha decidido a saída de Jorge Jesus, processo que custaria algum dinheiro ao clube. Carlos Vieira disse ainda ter sabido da invasão à academia por jornalistas da Sporting TV.
«Essa reunião foi convocada para saber se tínhamos chegado ao fim da linha ou se a equipa técnica tinha condições para dirigir a equipa na final da Taça [frente ao Aves]. Houve a perceção de que a equipa técnica não se manteria na época seguinte. Ficou no ar a ideia de uma eventual rescisão de contrato, a ser tratada entre advogados. Lembro-me de Jorge Jesus ter dito: ‘Se é para ir embora, vou já embora’. Naquele dia não houve despedimento, era preciso uma proposta de rescisão, um acordo. Era uma decisão com grande impacto financeiro, 8 milhões de euros brutos», disse sobre a reunião
de 14 de maio.
Sobre o dia seguinte, falou sobre a mudança do treino em Alcochete. «Ficou combinado que seria melhor que o treino passasse para a tarde, para contactos entre advogados», esclareceu, dizendo que estava convicto de que o incidente ocorrido na Madeira [troca de palavras com adeptos no aeroporto] estava sanado. «O responsável de segurança não reportou qualquer risco e a polícia também não», completou.
Carlos Vieira avaliou também o famoso post de Facebook a seguir à derrota com o Atl. Madrid, semanas antes [abril 2018]: «Havia mal estar entre ele, os jogadores e o treinador e decidiu, por assim dizer, ‘dar-se à morte’ , para ser o mau da fita.»
A Bola
Eduardo Barroso: «Critiquei Bruno de Carvalho pelo post; achei que tinha alguma graça, mas era ridículo»
Antigo presidente da mesa da AG do Sporting esteve esta terça-feira em tribunal

Eduardo Barroso, antigo presidente da mesa da AG do Sporting, esteve esta terça-feira no tribunal de Monsanto como testemunha de Bruno de Carvalho no julgamento do ataque à Academia de Alcochete.
“Depois do post de Madrid [publicação após o jogo do Sporting com o Atlético, no qual o antigo presidente do Sporting criticou a atitude dos jogadores], houve um jantar em minha casa, com o José Eduardo, o Daniel Sampaio, o João Trindade e os meus filhos, em que fiquei com a ideia de que estava a ser criado um ambiente mais favorável aos jogadores do que a ele [Bruno de Carvalho]”, recordou, sublinhando: “Não acredito que Bruno de Carvalho tenha sido o mandante [do ataque]. Se acreditasse, não estava aqui. Cometeu erros graves e entrou numa espiral destrutiva. Alertei-o para isso”.
Ainda a propósito do post, Eduardo Barroso acrescentou: “Critiquei-o muito pelo post. Achei que tinha alguma graça, mas era ridículo”.
Record
Pai de Bruno de Carvalho sobre o estado de espírito do filho: «Hoje deve ser dor de barriga»
Rui de Carvalho prestou depoimento esta tarde no âmbito do julgamento do ataque à Academia do Sporting

Rui de Carvalho, pai de Bruno de Carvalho, esteve esta tarde no Tribunal de Monsanto a prestar declarações no âmbito do julgamento do ataque à Academia de Alcochete , na qualidade de testemunha abonatória do ex-presidente do Sporting - arguido no processo -, e reiterou que o filho deve ser ilibado pois não há provas que tenha sido o mandante do ataque.
“O que chamaria a uma justiça que castiga alguém sem ter provas? Que justiça era? A justiça tem de ser justa. Se não há provas ele não pode ser condenado”, atirou Rui de Carvalho à saída do tribunal, confirmando que o filho está doente e que por isso não compareceu na sessão, como estava previsto.
Sobre a frase “façam o que quiserem”, que Bruno de Carvalho terá dito à Juve Leo, Rui de Carvalho lembrou que se trata de palavras que podem ser proferidas em quaisquer circunstâncias. “Alguma vez disse na sua vida ‘façam o que quiserem’?”, pergunta à jornalista que lhe coloca a questão.
“Sabe que há meses havia um problema de saúde grave lá em casa com a gravidez da minha neta Leonor? Às tantas um indivíduo que tem mais em que pensar talvez diga ‘façam o que quiserem’. Se querem levar para interpretações que não tem nada a ver… A frase em si significa uma coisas sem importância.”
O pai de Bruno de Carvalho desvalorizou as alegações do Ministério Público. “O Ministério Público disse que o meu filho que era moçambicano, foi tanta coisa que não posso levar a sério.”
Quando lhe perguntam qual é o estado de espírito do filho… “Para saber terá de perguntar ao meu filho. Hoje se quer que lhe diga, é dor de barriga.”
E finalizou: “Quando se faz isto é porque há alguma coisa a ganhar. Como em qualquer crime que se comete. Alexandre Dumas dizia ‘chercher la femme’ [procurem a mulher]. Aqui, neste futebol corrompido, diria ‘chercher l’argent’. Procurem o dinheiro.”
Record
O curto testemunho de Jorge Fonseca: o que disse o judoca sobre Bruno de Carvalho
Jorge Fonseca cumprimenta advogado de Bruno de Carvalho
Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagens
Judoca do Sporting testemunhou esta terça-feira no julgamento do ataque à Academia.
Jorge Fonseca, judoca do Sporting e campeão do mundo, testemunhou esta terça-feira em tribunal em mais uma sessão do julgamento do ataque à Academia de Alcochete. A intervenção foi rápida e centrou-se na atenção que Bruno de Carvalho dava aos atletas do clube leonino.
“Teve sempre boas relações”, vincou Jorge Fonseca, acrescentando que o líder do Sporting à data dos fatos se preocupava em “apoiar os desportistas”.
O advogado do Sporting perguntou a Jorge Fonseca se alguma vez teve um presidente ou dirigente que mantivesse uma relação tão próxima com os atletas “Não, sempre nos tratou bem, com boas intenções”, respondeu.
O Jogo
Um dos encapuzados garante que só soube do ataque no posto da GNR
Prossegue o julgamento do ataque à Academia do Sporting
Fotografia: Pedro Rocha / Global Imagens
Decorreu esta terça-feira mais uma sessão do julgamento do ataque à Academia do Sporting.
Sérgio Costa, um dos encapuzados, foi ouvido esta terça-feira na sequência do julgamento do ataque à Academia do Sporting. O arguido garantiu que pensava que ia apenas ver o treino.
“Pensei que ia ver o treino. Jorge Jesus perguntou o que se estava a passar e eu não sabia o que se estava a passar. Tinha ido ver o treino. Fiquei a falar com o Jorge Jesus. Pensava que mais pessoas iam ver o treino. O senhor Jesus disse-me para ir lá ajudar e dirigi-me à ala profissional. Achei estranho o senhor Jorge Jesus me ter dito para ir lá ver”, contou. “Fui lá ver o que se estava a passar. Não estava de cara tapada. Tinha o cachecol”, continuou.
“Quando entrei na ala profissional estava lá o Manuel Fernandes e outra pessoa. Eu não queria ter nada a ver com o que se estava a passar. Fiquei no hall e fui embora o mais rapidamente possível. Depois de sairmos revistaram o carro e mandaram seguir. Na estrada nacional a GNR mandou parar. E só na esquadra o senhor da GNR contou o que se estava a passar e vi imagens na televisão”, assegurou ainda.
O Jogo
https://twitter.com/3Sporting/status/1230087179436728320?s=20
https://twitter.com/3Sporting/status/1230106747471355904?s=20
Ontem tive a ouvir um pouco do testemunho do C. Vieira. Já não é só desta vez, mas faz-me um pouco de confusão a ignorância da juíza perante o fenómeno futebolístico, isto apesar de adorar mandar uns bitaites bem taberneiros.
TESTEMUNHAS DE BRUNO DE CARVALHO OUVIDAS
Testemunhas do antigo Presidente do Sporting CP foram ontem ouvidas
Rodrigo Soares Fernandes
Texto
19 de Fevereiro 2020, 14:51

Ontem foi dia de mais uma sessão do Julgamento de Alcochete, onde foram ouvidas testemunhas de Bruno de Carvalho. Se Pinto da Costa disse nada saber, outras revelaram alguns detalhes.
José Ribeiro, que assina a ‘Bancada Nova’ no Leonino, foi o primeiro a ser ouvido. Assessor de imprensa do Sporting CP na altura do ataque, o antigo jornalista diz que foi ele a avisar Bruno de Carvalho do ataque.
“Estava a ver na TV quando um grupo de pessoas começou a correr para dentro da Academia”, começou por explicar, dizendo depois que interrompeu uma “reunião entre Bruno de Carvalho e André Geraldes para dar a informação do que estava a acontecer”. “Sabe o que está a acontecer? Estão a invadir a Academia!”. O então Presidente não terá reagido bem à notícia e “ficou um pouco hesitante, sem saber muito bem o que fazer”, até que “decidiu ir para a Academia”, contrariando o que Jorge Jesus lhe teria aconselhado. “Diz ao Jorge que nós estamos a caminho”, disse Bruno de Carvalho a José Ribeiro. A decisão demorou 10 a 15 minutos a ser tomada. O antigo assessor explicou ainda que nos primeiros momentos foi impossível falar com alguém na Academia e que só depois de contactar com Paulo Cintrão, responsável pela comunicação da equipa de futebol, é que André Geraldes ficou a perceber o que se passava.
Depois falou Eduardo Barroso, antigo PMAG do Clube entre 2011 e 2013. O médico não revelou nada sobre o ataque, apenas referindo que acredita que Bruno de Carvalho está inocente e que não foi mandante de nada.
Jorge Fonseca, atleta do Judo, também falou ontem. O campeão do mundo falou durante menos de cinco minutos: “Bruno de Carvalho teve sempre boas relações com os atletas e preocupou-se sempre em apoiar os desportistas do Sporting. Sempre nos tratou bem, com boas intenções”.
Por fim, falou Carlos Vieira, antigo vice-presidente do Sporting CP e cronista do Leonino. Vieira disse que aquando do ataque estava no Estádio José Alvalade a dar uma entrevista, não dando mais pormenores sobre o ataque. O cronista do Leonino falou das reuniões do dia anterior ao ataque, onde confirmou que Jorge Jesus ia ser despedido, ficando a faltar apenas decidir se ainda seria o treinador na final da Taça de Portugal. Sobre os jogadores, disse que Bruno de Carvalho quis saber porque Acuña respondeu aos adeptos na Madeira.
Leonino

«SIM, DEI COM O CINTO EM BAS DOST»
SPORTING 17:18
Por
Redação
Decorreu esta quarta-feira a 32.ª sessão do julgamento do ataque à Academia de Alcochete, em maio de 2018. O arguido Rúben Marques assumiu ter sido o autor da agressão com um cinto a Bas Dost, avançado holandês que entretanto deixou o Sporting para rumar ao Eintracht Frankfurt.
«Vi toda a gente a entrar no edifício e também entrei, com o cinto na mão. Prosseguimos até ao balneário e deparei-me com o Bas Dost na entrada. Foi aí que lhe dei uma pancada com o cinto», assumiu o arguido, que disse não se ter apercebido se o holandês «ficou, ou não, caído no chão».
Já Tiago Silva, outro dos 44 arguidos do caso, ‘ilibou’ Nuno Mendes ‘Mustafá’ de responsabilidades no ato considerado terrorista pelo tribunal: «Nuno Mendes não tinha conhecimento de que a gente ia, porque não era oficial. O grupo não era só gente da Juventude Leonina, iam outras pessoas. (…) Sinto-me revoltado e triste pelo mal que fiz às vítimas. Na altura pensei que era a forma justa e correta de pedir justificações. O que fiz foi o oposto, prejudiquei gravemente as vítimas, a instituição Sporting, que ainda hoje não se conseguiu levantar, a Juventude Leonina e o seu líder. Aprendi que há vida além do Sporting.»
A Bola

ATAQUE À ACADEMIA: «INICIATIVA DE UM GRUPO DE ADEPTOS, NÃO FOI MANDADA POR NINGUÉM»
SPORTING 15:31
Por
Redação
Na sessão desta manhã do julgamento em torno do ataque à Academia, um dos arguidos do processo assumiu que não se tratou de um ataque organizado por parte da Juventude Leonina, mas sim de um grupo de adeptos.
«O grupo não era só gente da Juventude Leonina, iam outras pessoas», disse Tiago Silva, conhecido por Bocas, na 32.ª sessão do julgamento, que decorre no tribunal de Monsanto, em Lisboa.
Tiago Silva garantiu ainda que assumiu que a ida à Academia «foi uma iniciativa de um grupo de adeptos», explicando que «não foi mandada por ninguém».
Em lágrimas, o adepto, que na altura do ataque tinha 28 anos, explicou que «vivia para o Sporting» e achou que tinha o direito de questionar os jogadores. «Não era bater, era para falar num tom mais agressivo, era dar um aperto e incentivar os jogadores, pedir que jogassem à bola por amor à camisola», referiu, mostrando-se totalmente arrependido:
«Sinto-me revoltado e triste pelo mal que fiz às vítimas. Na altura pensei que era a forma justa e correta de pedir justificações. O que fiz foi o oposto, prejudiquei gravemente as vítimas, a instituição Sporting, que ainda hoje não se conseguiu levantar, a Juventude Leonina e o seu líder.»
A Bola
Ataque a Alcochete: arguido chora, descreve passo a passo entrada na Academia e iliba Mustafá
Tiago Silva está a ser ouvido no Tribunal de Monsanto

O julgamento do ataque a Alcochete prossegue esta quarta-feira com a audição do arguido Tiago Silva, conhecido por Bocas, da parte da manhã, no Tribunal de Monsanto.
Tiago Silva começou por recordar o incidente na Madeira, onde viu o jogo com Fernando Mendes e atribuiu ‘culpas’ por algum excesso à poncha bebida.
“No fim do jogo alguns jogadores foram agradecer o apoio, outros insultaram, como no caso do Acuña. Gerou-se uma grande revolta. Foi uma falta de respeito para quem acompanha o Sporting. Foi a frustração de uma época perdida”, recorda Tiago Silva, continuando: “Fui ao aeroporto com o senhor Fernando Mendes. Ia com o objetivo de falar com os jogadores, para tentar perceber o porquê de terem tido essa atitude com os adeptos. Cheguei ao aeroporto, falo com o Rodrigo Battaglia. Não me dirigi ao Battaglia, ia dirigir-me ao Acuña, quanto o Battaglia me interceta e começa a falar comigo. Depois mais uma vez fui insultado por Battaglia e como estava lá PSP, continuou com insultos a dizer que não éramos ninguém, que éramos uns filhos da p… Nessa altura não disse nada, estava lá um agente da autoridade, fiquei sem reacção”
“Depois um spotter que estava lá intercetou-me. Depois veio o treinador Jorge Jesus que disse para sairmos dali, que estavam ali as câmaras de TV e que era mau para o Sporting. Depois diriji-me com Rui Patrício, William e Jorge Jesus para trás de uma loja para falar. Disseram-me que as coisas não se resolviam ali. E em frente às câmaras não se ganhava nada, pelo contrário. Depois iríamos falar”, conta Tiago Silva. “O Fernando [Mendes] acompanhou-me também, mas não me recordo se estava a falar com o Rui e com o William. O Fernando estava do meu lado esquerdo e eu estou a falar com o Batta. Depois nas imagens é que me apercebi que ele esta a falar com o Nélson”, diz, passando depois a explicar os excessos.
“Na Madeira era poncha que corria mais forte… Claro que há sempre um excesso nessas deslocações, uma cidade nova, é sempre diferente. Copos a mais? Sim, uma poncha neste caso. Estava devastado com toda a situação, mais um ano sem conseguirmos nada.”
Tiago Silva recorda também que ouviu pela primeira vez falar que estavam insatisfeitos e que queriam ir à Academia logo no dia 13, domingo. “E depois no dia 14 foi criado o grupo de Whatsapp”, diz, explicando: “era a maneira mais fácil de comunicar do que a passar a palavra.”
Segundo o arguido o “objetivo era ir dar um aperto aos jogadores”. “Neste caso pedir justificação e apertar os jogadores para perceber o porquê de ter acontecido aquele fim de época e terem falhado os objetivos. E depois do aperto, o incentivo para o jogo da Taça de Portugal. Primeiro chamava-se à atenção e depois dava-se um incentivo para a final da Taça de Portugal”.
“Claro que o plano não era bater em ninguém. Não faz qualquer sentido esse tipo de comportamento. Na altura só vivia para o Sporting e achei que estava no direito de fazer isso, de pedir justificações aos jogadores, de tentar perceber o que se passava porque só conseguia ver aquilo à minha frente”, conta Tiago Silva que se emocionou, chegou mesmo a chorar a falar sobre o momento da Madeira: “Não foi justo, porque se ele batesse palmas eu ia-me embora e aceitava. E ali com o calor, com o excesso, acabei por sentir mais. Na altura achava no direito de contestar, vi cerca de 30 jogos, mais 8 no estrangeiro, dei tudo.”
A entrada na Academia.
Tiago Silva começa a descrever o que aconteceu no dia do ataque à Academia. “Apanhei o Fernando e foi comigo. Depois apanhamos o Bruno Monteiro. Disse não batam nos jornalistas, vamos lá, vamos ao treino”, confirmando que “estacionaram num parque de terra batida”.
“No parque de terra batida saio do carro. Há uma pessoa que me agarra, que me pergunta se vai dar problemas, digo que não, não sei. Porque havia um grupo inicial a correr, já ia lançado uns metros e por isso também o porquê daquela pergunta, se aquilo ia dar problemas ou não”, recorda.
“Depois vi esse grupo a correr, tentei correr atrás para dissuadir e tentar perceber porquê que estavam a entrar assim. A minha ideia era chegar lá e parar o treino. Fiquei surpreso pq vi um grupo a correr e eu não estava à espera. Pensava que íamos entrar de forma ordeira. Percebi que estavam tapados. Uns de capuz, depois fui correr atrás para tentar perceber, sei lá dissuadir. Eu na minha cabeça ia lá parar o treino”, diz.
“Tapei-me com capuz e óculos de sol. Sabia que não podia entrar sem autorizaçao. Tinha ido anteriormente e é preciso fazer pedido à porta”, explica.
“Quando páro o carro os outros já iam a correr. Aquilo ali foi um efeito surpresa. Foi tudo ao contrário”, conta.
“Fui em direção do campo de treino. Depois desloco-me, vejo Jorge Jesus no campo, mas sabia que já tinham virado para a ala profissional. Depois continuei também, porque na altura fui sempre atrás para dissuadir e perceber, não conhecia todas as pessoas e depois acabo por entrar na ala profissional”, explica Tiago Silva, que refere só se aperceber do arremesso de tochas “depois de ver as imagens”.
“Entro pela porta de vidro, vejo o Manuel Fernandes. Nunca tinha ido àquele parte da academia. Virei à esquerda, deparo-me com Bas Dost, na altura já tinha caído e alguém já o tinha levantado. Continuo no corredor e viro à esquerda e entro no vestuário. Já está uma grande confusão, já tinha sido deflagrados engenhos pirotécnicos. Já havia fumo e muita gente dentro do balneário”, descreve. “Estava muita confusão no balneário. Não sei se foi um pote de fumo ou uma tocha.”
“Quando entro no balneário viro à esquerda, houve um grande avolumar de pessoas. Contorno o balneário, reparo no lado direito e vejo o Battaglia e naquele momento ia tentar perceber e fazer pedido de justificação. Naquele momento deixei-me levar. Vejo-o e fique com misto de sensações da Madeira. Depois fui atingido com uma geleira na cabeça, contorno e vejo Battaglia na zona das máquinas. Levo com a geleira na cabeça. Depois digo que isto já deu merda, vamos embora que isto vai trazer problemas”, admite Tiago Silva, assegurando que Nuno Mendes (Mustafá) não teve conhecimento. “Não sabia que a gente ia, porque não foi uma visita oficial”, diz
Arrependimento.
Tiago Silva volta a emocionar-se: “Consigo perceber que há vida para lá do sporting, consigo perceber o mal que fiz às vítimas, ao Sporting, o mal que fiz à Juve Leo”.
“Foi preciso estar na prisão, ver um mundo novo e perceber que há vida para além daquilo, que há valores e princípios mais importantes. Sinto-me envergonhado, revoltado comigo mesmo, triste por ter feito mal aos jogadores, porque não mereciam esta situação, é uma situação condenável que nunca devia ter existido.”
Record
«Ouvi a sirene e disse ‘eh pá oh mano, eu não vou’»: arguido recorda entrada na Academia
Getúlio Fernandes garante em tribunal que virou as costas e nem chegou a ver Jorge Jesus e os jogadores

Getúlio Fernandes, arguido no processo do ataque à Academia do Sporting, diz que não chegou a ver nenhum jogador. Apanhou boleia para o Lidl do Montijo e e daí entrou no mesmo carro de Tiago Silva (Bocas) e Fernando Mendes à chegada ao descampado.
“O Fernando disse-me que não havia problema. Senti que o ‘Bocas’ não estava normal. Agarrei-o quando ele começou a correr e depois foi a correr atrás dos outros”, conta. “Eu não queria entrar. Disse que aquilo não me estava a cheirar bem e ele convenceu-me”, acrescenta, lembrando que sua vida mudou na sequência deste processo. “Perdi a minha casa, perdi muita coisa.”
“Aquilo é enorme, andamos ouvi a sirene e disse ‘eh pá oh mano, eu não vou’. Voltei as costas e fui-me embora. ‘Não estou para isto’. Saí e fiquei ali à espera, ao pé dos jornalistas, eles nunca mais vinham. Afinal já tinham ido embora”
“Sentei-me ao pé de jornalistas. Não vi jogador nenhum, não vi o Jorge Jesus. Não vi”, garante Getúlio.
Record
«Estou aqui sentado porque estive presente na página mais negra da história do Sporting»
Arguido Luís Almeida assume no Tribunal de Monsanto ter participado no ataque à Academia de Alcochete


Luís Almeida foi o primeiro arguido do julgamento do ataque à Academia de Alcochete a prestar depoimento na tarde desta quarta-feira - da parte da manha, foi ouvido Tiago Silva , também conhecido por Bocas -, tendo contado em tribunal o sua versão dos factos, assumindo ter participado no que diz ter sido “a página mais negra da história do Sporting”.
No Tribunal de Monsanto, Luís Almeida afirmou que “Guilherme Gata de Sousa e Tiago Neves [outros dos arguidos] foram buscá-lo”, referindo que “no carro também ia Valter [Semedo]”. “Não conhecia a maioria das pessoas que se encontraram no Lidl.”
Luís Almeida diz que “não viu ninguém a barrar” a entrada da Academia, independentemente de saber que não devia ter entrado. Diz que tapou a cara com uma gola, colocou a mão na boca e entrou atrás do grupo de Fernando Mendes.
“Vejo Jorge Jesus, oiço as sirenes e vejo pessoas a correr”, descreve. “‘Fernando ajuda-me, bateram-me’, disse Jorge Jesus”, ao que Fernando Mendes terá respondido “'não viemos cá bater em ninguém, viemos para falar”.
Luís Almeida recorda também que fugiu em direção ao carro: “Corri bastante rápido. Estava aflito, depois de ouvir uma pessoa do staff do Sporting dizer que tinha sido agredido.”
O arguido assume: “Estou sentado nesta cadeira porque estive presente na Academia na página mais negra da história do Sporting. Não devia ter acontecido, sinto-me extremamente envergonhado, mesmo não tendo sido meu objetivo bater em ninguém. Estava lá e arrependo-me bastante disso. O meu objetivo sempre foi apoiar o Sporting e não deitar abaixo o Sporting.”
Record
Advogado de Mustafá diz que líder da Juve Leo vai revelar onde estava no dia do ataque
Nuno Mendes será ouvido no Tribunal de Monsanto na próxima quarta-feira

Mustafá foi esta quarta-feira ilibado do ataque à Academia de Alcochete pelo arguido Tiago Silva , cujo depoimento foi hoje ouvido no Tribunal de Monsanto. Segundo afirmou Tiago silva, também conhecido por Bocas, Mustafá não sabia da ida a Alcochete, a 15 de maio de 2018. O arguido afirmou ainda em tribunal que escreveu a Mustafá na prisão por ter traído a sua confiança.
À saída do tribunal, Rocha quintal, advogado de Mustafá, mostrou-se satisfeito com “a verdade que está a vir ao de cima”.
“Ele [Mustafá] não está aliviado, nem pode ficar. Conforme muito bem foi hoje aqui dito, fica uma mágoa. De César o que é de César, quando as pessoas têm responsabilidades elas têm de as assumir, quando não têm responsabilidades têm de ser ilibados, porque esse sempre foi o apanágio de Nuno Mendes, em todas as circunstâncias dele”, afirmou Rocha Quintal.
“Isto não é uma batalha, é um episódio lamentável na história do desporto português, nomeadamente do Sporting, em que o que se está aqui a apurar é a verdade e não uma narrativa que foi criada à volta de uma circunstância que em nada tem a ver com aquilo que é a verdade. O julgamento procura a verdade, apurar de facto o que aconteceu. Não são narrativas que vem a ser criadas para dar uma dimensão que não é aquela que ao longo do tempo foi alimentada”, referiu.
“Aquilo que aconteceu é grave, tem de ser analisado pelo tribunal nesses sentido, mas não é aquilo que criaram. A nossa estratégia sempre foi trazer a verdade e fazer a prova, que nunca foi feita. O meu cliente foi julgado antes de ser feito o julgamento. Essas circunstâncias nunca podemos esquecer. Ele foi julgado como traficante de droga, antes sequer de ser produzida prova, entre outras”, afirmou, mostrando-se confiante: “A Justiça é cada vez mais um caminho muito longo para correr, mas julgo que chegaremos lá. Do ponto de vista da defesa, o que está a ser produzido em prova até agora reflete a total ausência de responsabilidade do meu cliente. Ele falará no dia 26 e explicará onde estava.”
Record
Arguido do ataque à Academia escreveu a Mustafá na prisão: «Senti que tinha falhado com ele»
Tiago Silva foi ouvido esta quarta-feira no Tribunal de Monsanto no âmbito do julgamento de Alcochete


Arguido no julgamento do ataque à Academia de Alcochet e, em maio de 2018, Tiago Silva, conhecido por Bocas, diz que Mustafá [Nuno Mendes] não foi informado sobre o que iriam fazer naquele dia e que já na prisão sentiu necessidade de lhe escrever.
“Ele não tinha conhecimento que a gente ia, porque não foi uma visita oficial”, afirmou à juíza, referindo que também que não falou com o então presidente do clube, Bruno de Carvalho.
Tiago Silva recorda que escreveu a Mustafá para lhe pedir desculpa por ter traído a sua confiança: “Senti que tinha falhado com ele, era uma pessoa de confiança e senti que tinha traído essa confiança.”
Questionado sobre o que sentia agora ao ver agora as imagens em câmara lenta, Tiago Silva voltou a afirmar estar arrependido e envergonhado: “Sentimento condenável, fiquei triste, envergonhado, desiludido, revoltado comigo, frustrado comigo, acima de tudo envergonhado por todo o mal que fiz ao clube que gosto e aos jogadores.”
Record
12:45
Arguido do ataque à Academia: «Na Madeira era a poncha que corria mais forte»
Audição de Tiago Silva esta quarta-feira no Tribunal de Monsanto



O arguido do ataque a Alcochete Tiago Silva, conhecido também por Bocas, está a ser ouvido esta quarta-feira no Tribunal de Monsanto e admite que o episódio na Madeira, no aeroporto após o Sporting ter perdido com o Marítimo e falhado assim o 2.º lugar da Liga, que daria acesso à Liga dos Campeões, aconteceu após alguns execesso.
“Na Madeira era a poncha que corria mais forte. Claro que há sempre um excesso nestas deslocações, uma cidade nova, é sempre diferente”, afirmou, admitindo copos a mais, quando questionado: “Sim, uma poncha neste caso. Estava devastado com toda a situação, mais um ano sem conseguirmos nada”, tentou justificar.
“Na altura achava-me no direito de contestar, vi cerca de 30 jogos, mais 8 no estrangeiro, dei tudo”, afirmou, tendo depois admitido que só se apercebeu da gravidade dos atos, já depois de ter sido detido. “Agora consigo perceber que há vida para lá do Sporting, consigo perceber o mal que fiz às vitimas, ao Sporting, à Juve Leo. Foi preciso estar na prisão, ver um mundo novo e perceber que há vida para além daquilo, que há valores e princípios mais importantes.”
Record