Presidente Godinho Lopes, antes de mais tenho de dar-lhe os meus parabéns, mais uma vez conseguiu surpreender os sportinguistas com três tiradas de mestre: despedir um treinador e ficar a pagar mais um ordenado (já são poucos), dar um dos nossos melhores jogadores a um clube rival e admitir em troca um jogador que não vai acrescentar nada de relevante ao plantel, ainda por cima com um ordenado chorudo e por cinco anos e meio. É obra, senhor presidente!
Para um clube que pretende reduzir custos com salários e apostar na formação, estas medidas vão sem dúvida revelar-se estratégicas… Um milhão por ano a um defesa direito mediano é realmente audacioso. E tapar o lugar a não um mas cinco jogadores da formação (Eric, Esgaio, Cedric, Pereirinha e Arias) também!
É como aquela história que contou aos sportinguistas quando apresentou o Jesualdo Ferreira, que não, não vinha para treinador, era o treinador dos treinadores, o Vercauteren era o maior, era a sua escolha, tinha investido um mês a estudar esse dossier, bla bla bla.
Está a chegar o dia em que você não terá mais “soldados” para servirem de “escudo”, e aí eu espero sinceramente que seja corrido do clube e obrigado a prestar contas aos sportinguistas por todo o mal que fez ao clube.
É claro que ainda tem o escudo-mor, José Maria Ricciardi, mas nem esse o salvará de ser lembrado como o pior presidente da história do Sporting (e provavelmente de qualquer clube que se preze), o presidente que tinha como lema “Honrar é ganhar” mas no entanto colocou a equipa a jogar para não descer, o presidente que disse que queria potenciar o ADN do clube, os jovens portugueses, mas contratou quase trinta estrangeiros, sem qualquer conhecimento do futebol português ou da responsabilidade que é vestir a camisola verde e branca, o presidente que disse que o Sporting “não pode ser um cemitério de treinadores” e já vai no quarto técnico esta temporada, o presidente que disse “comigo, jogador do Sporting só vai para o Porto se for batida cláusula de rescisão” e agora lançou as bases para uma parceria com os corruptos do norte, e por falar em corrupção, o presidente que deixou emporcalhar o nome do clube, permitindo a entrada de métodos e técnicas desprezíveis de corrupção, coação de árbitros e invasão da vida privada das pessoas, finalmente, o presidente que prometeu a entrada de um investidor estrangeiro no clube, para equilibrar as contas, mas no entanto sempre teve verdadeiramente como intenção e missão, passar a maioria da SAD para a alçada dos bancos credores, para assim consumar o seu verdadeiro projecto: esvaziar o poder dos sócios e entregar o clube aos desígnios da banca, evitando assim a entrada de um candidato que não seja da “continuidade”, um “aventureiro” como gosta de dizer, porque sabe que na realidade muitas coisas que se querem enterradas iriam ser finalmente desmascaradas.
Se você tivesse um pingo de coragem, se fosse esse “toureiro” que disse ser durante uma recente festa sportinguista, você iria perder uns minutos do seu tempo a responder a estas questões, mas a sua espinha dorsal só existe à frente das câmaras em programas amigos ou diante de uma plateia de camaradas “lambuças”.
Onde é que estava essa coragem quando, por exemplo, os jogadores do Sporting foram assobiados depois de mais uma derrota em Vila do Conde? O presidente esteve lá, ao lado dos atletas, a dar o peito às balas, a fazer “faenas”? Não, o presidente, ao que dizem, saiu pela porta dos jogadores do Rio Ave, tinha mais do que fazer… Aposto que amanhã, com o Paços de Ferreira, nem vai pôr os pés na tribuna de Alvalade, só para não ouvir o que a maioria dos sócios pensam do seu mandato.
Sinceramente, não sei como é que ainda consegue olhar para o espelho sem sentir vergonha do que tem feito, deve ser com a mesma técnica com que consegue olhar para as câmaras e dizer que “fala sempre a verdade aos sportinguistas”. Ou com a mesma técnica com que conseguiu “afinar” uma derrota eleitoral e transformá-la numa vitória, tão legítima e consensual que até se sentiu na necessidade de passar a andar escoltado por seguranças e capangas da Juve Leo por todo o lado.
Demita-se, senhor presidente, antes que seja empurrado e recordado como o primeiro líder leonino que foi literalmente expulso pelos sócios - o seu amiguinho Ricciardi não o poderá proteger para sempre e o cerco começa a apertar-se.