O Universo é formado por energia até à mais ínfima molécula. Tenho para mim que o Universo existe tal como é porque é a forma que a energia encontra de se organizar e tender para a estabilidade.
percebo o que queres dizer, mas cuidado porque isso aplica-se, grosso modo, a átomos e moléculas. Estas tendem a adquirir uma conformação o mais estável possível e de energia mínima, o que não quer dizer que a energia no seu todo tenda a organizar-se e estabilizar-se. Na verdade a lei mais básica da termodinâmica diz que o estado de entropia de um sistema tende a aumentar; por outras palavras a tendência geral é para o caos e a desorganização (basta olharem para os vossos quartos :P), pelo que esses mini-estados de energia mínima que se observam nas moléculas e átomos, só são possíveis à custa de um aumento da entropia do Universo.
Espero não ter dito nenhuma calinada, mas se bem me recordo das aulas de química, era mais ou menos assim que a coisa funcionava. Mas o Alquimista aqui não sou eu :lol:
(...)Ou seja, acredito que a Terra é redonda como é porque é essa a configuração mais simples e eficiente do sistema energético que a compõe
mas tens dúvidas? :lol: a esfericidade dos planetas é simplesmente o resultado da acção da força gravítica. Esta não actua mais para a esquerda ou mais para a direita, tem UM RAIO DE ACÇÃO uniforme, e como tal, a matéria que compõe um planeta vai distribuir-se de acordo com esse mesmo raio de acção.
Já a vida me merece outra reflexão, pois aqui parece-me existir algo que não existe no restante Universo: instinto de sobrevivência. A vida faz tudo para sobreviver, é o seu desígnio máximo. Porquê? Essa parece-me mais difícil de aceitar que a simples explicação física para o Universo. Esse porquê é o que mais me fascina.
Tudo o que foi dito atrás também se aplica à vida, não sei qual a diferença que vês. A vida também é feita de matéria, energia e átomos que se regem pelos mesmos príncipios de aquisição de energia mínima e máxima estabilidade. Aquilo que designas como instinto de sobrevivência, mais não é do que a consequência da aplicação daqueles príncipios às bio-moléculas. Sem querer ferir susceptibilidades ou pôr em causa o sentido da Vida de cada um, penso que posso dizer que cada organismo (seja um animal, uma planta ou bactéria) não é mais do que um invólucro de ADN, uma maneira através do qual o ADN mantém a sua integridade, se replica e perpetua.
E agora perguntas tu: “precisamente, mas o que faz com que o ADN se perpetue, não será isso o tal instinto de sobrevivência que fica por explicar?”
Não. O ADN perpetua-se meramente como resultado de milhares de reacções químicas, e estas como deves saber, não necessitam de uma explicação metafísica. Acontecem, porque, como disseste atrás, e eu acrescentei, há tendência das moléculas para adquirem estados de energia mínima e maior estabilidade, sendo que no caso concreto da Vida, as reacções que ocorrem que levam à sua formação, não são espontâneas, mas o facto de estarem acopladas a reacções espontâneas fazem com que aconteçam.
Isto é:
1 - O estado de entropia global do Universo tende a aumentar, isto é uma Lei da Termodinâmica, não me peçam para demonstrar. As reacções espontâneas ocorrem precisamente porque libertam energia e permitem o aumento de entropia do Universo.
2 - Apesar de a formação de uma bio-molécula, por exemplo, ser um processo não-espontâneo (logo consumidor de energia, o que retiraria entropia ao Universo), ele pode ocorrer, desde que esteja acoplado a uma reacção espontânea.
3 - Assim, parte da energia libertada numa reacção espontânea pode ser usada para formar uma bio-molécula, enquanto a outra parte é libertada para o meio, contribuindo para o aumento de entropia do Universo, a tal condição que tem que se verificar sempre que ocorre uma reacção.
Portanto, desde que o balanço final de um conjunto de reacções seja positivo em termos de entropia do Universo, uma reacção não-espontânea pode ocorrer.
Não é assim Alquimista?
Quanto à questão do slanwar, “quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?” posso dizer-te que foi o ovo.
Primeiro, porque já havia ovos antes de haver galinhas (os dinossauros punham ovos, as tartarugas põem ovos, os crocodilos põem ovos e todos são mais antigos do que as galinhas). E depois, porque o primeiro bicho a que se poderia chamar de galinha (enquanto espécie), passou a sê-lo desde a sua concepção, ou seja, quando ainda era um ovo, porque as mutações causadoras da transformação do ancestral da galinha em galinha ocorreram imediatamente antes da concepção desse ovo, e não quando o bicho já era adulto. Logo, no ovo da galinha já ia a informação genética da galinha, isto é, a “receita” genética para conceber uma galinha. Portanto, primeiro surgiu um ovo de galinha, e só quando esse ovo cresceu e eclodiu é que surgiu a galinha.