Estado Islâmico e as origens do Islamismo Radical

Penso que não existe mesmo tópico, nem mesmo o da Politica Internacional parece estar muito virado para esta questão, pelo que abro as hostilidades.

Face ao que se vai passando actualmente no norte da Siria e Iraque e tendo em conta que me parece um assunto interessante e de grande importância em termos de geo-politica internacional, acho que seria interessante debatermos aqui esta questão.

Afinal o que é o Estado Islâmico e qual a sua origem?
Não será o EI o corolário lógico de um movimento islâmico radical mais vasto e que está ainda, de certa forma, meio envolto em mistério?!

Será legitimo dizer-se que o Islamismo - uma religião e cultura que em certas fases da história até esteve na vanguarda do desenvolvimento cientifico, artistico e social - é uma “religião da violência” perante aquilo a que se assiste há cerca de 13 anos a esta parte?

O que unem o Estado Islâmico, a Al Qaeda, o Reino Saudita, os Talibã, a luta afegã contra a União Soviética?
Que papel tem o Ocidente na ascensão destes movimentos radicais?!

Bom, ultimamente tenho tido a curiosidade de ler algumas coisas acerca deste assunto, inclusive pesquisando acerca da história da região, toda a sua complexidade, a forma como o poder colonial definiu as fronteiras modernas dos estados da região versus a multiplicidade étnica da mesma (basta pensar que se juntarem os curdos turcos, sirios, iraquianos e iranianos, o Curdistão seria um dos maiores países do médio oriente).

Deixo aqui alguns artigos interessantes, a começar primeiro por 40 mapas da região ao longo da História e que nos mostram bem a complexidade do Médio Oriente:

http://www.vox.com/a/maps-explain-the-middle-east

Mais recentemente li algumas coisas acerca da origem dos movimentos mais radicais do Islão, nomeadamente o salafismo e especialmente o Wahabismo, vertentes dominantes em estados como a Arábia Saudita e o Qatar, curiosamente velhos aliados do Ocidente, e a forma como estes estão intimamente relacionados com o EI:

http://www.huffingtonpost.com/alastair-crooke/isis-wahhabism-saudi-arabia_b_5717157.html

http://www.gatestoneinstitute.org/4574/jonah-shrine-destruction

http://islamidades.wordpress.com/2014/07/29/a-ansia-destrutiva-do-wahabismo/

Existem sondagens entre a população Francesa que relata que 15% dos Franceses simpatizam de alguma forma com o ISIS. Vejam lá quem serão esses 15%… Viva o Multiculturalismo.

Anyway, esses tipos do ISIS se se atreverem a chegar a Portugal e a Espanha vão ter que levar connosco! E nós já não somos virgens em expulsar Muçulmanos!

Já “o gajo de alfama” dizia… era mandar uma bomba que fosse lá pelo cheiro a caril e os limpasse a todos.

Vocês apercebem-se que muitos europeus ( e estou a falar de europeus brancos) andam a aderir ao ISIS. Claro que não são tantos como os muçulmanos, mas ainda são uma percentagem preocupante. Sabem porquê? Porque muitos desses novos aderentes são jovens com poucas perspectivas para o futuro, logo sentem-se revoltados com a sociedade, e como estão desesperados, a irracionalidade toma conta deles, e a irracionalidade leva a estas coisas. Este é apenas o meu ponto de vista das motivações.
Infelizmente este problema já não só diz respeito aos povos muçulmanos e do Médio Oriente e começa a tornar preocupantes repercussões internacionais.

Infelizmente os líderes ocidentais, os Obamas, as Merkels e Camerons desta vida, não têm a cabeça fria e tomam decisões importantes ao nível da política externa como se fosse tão fácil eliminar a ISIS como um ninho de formigas!

Bom tópico, 1984. :great:

Isto já é discutido no tópico Política Internacional :beer:

A outrora dominante população cristã do Médio Oriente (que já foi dominante antes do Islamismo) está quase dizimada.

Há 100 anos que o Ocidente compactua com os carniceiros islâmicos e judaicos.

Como a Síria e o Líbano eram os últimos países onde os cristãos gozavam de alguma protecção, toca de financiar os Radicais Islâmicos!! Bora!!

Por mais mortes ou menos mortes que possam haver no Médio Oriente devido a eternas guerras naquelas bandas,e por mais que seja mau (o que é) esses conflitos nunca se irão sarar definitivamente. É triste, mas parece-me que a dura realidade é essa.

Mas quando uma dessas organizações que tem dado tanta má fama ao MO, vem constatar que Portugal e Espanha também devem pertencer a esse estado lunático, a União Europeia tem de reagir, mas como se trata de idiotas com a mão frouxa e que nada podem fazer face a quem realmente manda neste mundo, e a UE é tudo menos beneficiadora para os Estados Europeus nada se fara.

Quero ver se a ISIS chega à Argélia ou a Marrocos.

Perceber o Islamismo não é possivel sem olhar para as suas correntes: sunitas, xiitas e sufis.

Olhar para o que dizes islamismo radical, é olhar para a corrente xiita, e para a sua evolução. Dentro do Islamismo é largamente maioritária a corrente sunita. A xiita é minoritária, a excepção de alguns paises, o mais importante é o Irão.

Não tendo lido, os artigos que puseste, parece-me que existe uma correlação muito forte entre a influência ocidental, mais marcada a partir do inicio do sec.XX, e uma reacção a isso. Por outro lado, tal como aconteceu na Europa, perante o avanço do laicismo, em paises como Tunisia, Marrocos, Egipto, a reacção clerical aparece sempre bastante violenta. Allo, Inquisição Vs Renascimento.

Se provas faltavam que o Ocidente financia os criminosos Radicais Islâmicos…

Uma coisa é a aquisição de armas no mercado internacional.

Outra é a posse de armas só para uso do exército alemão e austríaco na Europa:

LiveLeak.com - Syria - German Missiles in the hands of the Islamic State

GOVERNOS EUROPEUS CORRUPTOS E CÚMPLICES DO CRIME!!!

:rotfl: :rotfl: :rotfl: :rotfl: :rotfl:

http://en.wikipedia.org/wiki/HOT_%28missile%29

Só para o uso de quem ? Esse míssil ou foi capturado do exército sírio ou do exército iraquiano. Eu diria que provavelmente será proveniente da base aérea de Tabqa recentemente capturada pelos terroristas.

Muitos destes novos líderes da novo ala Europeia são uma cambada de preputentes corruptos e traidores às suas populações Europeias e Cristãs, meus amigos estamos a caminhar galopadamente para o que já alguns politiqueiros andam a baptizar:“De nova Ordem Mundial”.

A mais “intrigante” (e nojenta) declaração da vinda de uma “Nova Ordem Mundial” proferida pela “senhora” Barbra Lerner Spectre. Quem quiser que vá ao Youtube e meta esse nome e veja.

Mais esplicito e visivel da Agenda daquela elite tribal que é a mais protegida do Mundo do que essa declaração é impossível.

Estás a rir-te do quê?..

Das repetitivas tentativas que se fazem por aqui de colar os governos ocidentais a todos os males que existem no mundo.

Pisacane, os islamismo radical de que falamos aqui, nomeadamente a Al Qaeda, os Talibãs, o ISIS (agora Estado Islâmico) e portanto, aquilo que hoje comummente associamos ao terrorismo internacional tornado conhecido com os ataques do onze de Setembro é de origem sunita, em especial salafista (e ainda mais especificamente o wahabismo - lê os artigos, vais entender melhor) e tem fortes raízes na Peninsula Arábica.

Ao que entendo, o wahabismo mais não é do que uma seita ultra-radical islâmica (eu chamar-lhe-ia nihilista ou misantrópica, quase) que floresce à sombra do clã Al-Saud (que era basicamente um clã de muçulmanos salteadores do deserto do Nejd), clã este que viria a ser a origem da dinastia Al-Saud a que pertence a actual casa real Saudita. O wahabismo, desde esses tempos é visão particular do islamismo saudita, e domina o clero saudita desde esses tempos.
Aquilo que me parece claro é que o ocidente anda há décadas a alimentar o Reino Saudita bem como o Qatarii com petrodolares, permitindo assim a “exportação” do wahabismo a nível global!
Não é por acaso que a “jihad global” acaba por ter o seu principal pilar na península arábica e que a mesma só atingiu as dimensões que atingiu actualmente devido aos enormes financiamentos privados da elite abastada do golfo pérsico. Financiamento esse que lhe permite atingir mais gente a nível global, e tem especial expressão na Europa onde encontra terreno fértil para o recrutamento entre os jovens desempregados e desesperados atingidos pela crise económica (exactamente da mesma forma como o nacionalismo e outras formas de extremismo totalitarista e religioso recruta os seus seguidores).

Aquilo que leva jovens europeus (e sim branquinhos e bem europeus, só luso-descendentes filhos de emigrantes em países como França ou Inglaterra, são 12…) a converterem-se ao islamismo e a radicalizarem-se não será muito difícil de entender atendendo a que é um fenómeno quase tão antigo como a própria humanidade e que tem as suas raízes em duas coisas: ignorância e miséria! É esta a génese da maioria das visões radicalizadas de determinadas perspectivas ideológicas e religiosas.
Mas este é apenas um dos pontos em questão.

No meu post inicial até me foquei na questão curiosa e irónica que tem a ver com a forma como esta visão particular do Islão conseguiu ser dominante na Arábia Saudita e como é que conseguiu ser exportada. Não deixa de ser irónico que os maiores aliados ocidentais na região sejam precisamente o berço do wahabismo muçulmano e que seja com o dinheiro do Ocidente que esta gente se consegue financiar.

A verdade é que os Estados Unidos e o Reino Unido (em especial estes) sempre tiveram uma politica externa extremamente hipócrita por todo o lado ora suportando ditadores ora derrubando-os assim que não estivessem de acordo com os seus interesses (veja-se a forma como suportaram a ditadura iraniana que acaba por resultar numa reacção revolucionária dando origem à Revolução Islâmica dos Ayatolah - este é o tal exemplo de como algumas destas radicalizações são também respostas a ingerências ocidentais nos países da região). Os EUA e o Reino Unido sempre estiveram mais preocupados em evitar o avanço do socialismo no médio oriente usando para tal inclusive estes radicais islâmicos e hoje debatem-se com estes problemas, ou melhor, debatem-se as populações destes países, porque os interesses económicos que outrora financiaram “a jihad” contra os soviéticos ou contra o Nasserismo por exemplo, mais não fizeram do que garantir os seus interesses, até porque os constantes conflitos naquela zona são uma pipa de massa para a industria militar americana, britânica, francesa ou alemã, e para as empresas de construção de vários países!

Bem, já vi que este tópico vai ser daqueles onde vou meter os pés o menos possível, adivinho discussões demasiado extremadas.

A minha contribuição:

  • O Estado Islâmico (IS) tem que ter um forte financiamento de algum lado. Não sei se é a Rússia, alguns brincalhões do Ocidente ou alguns novos-ricos do Médio-Oriente ou africanos, mas alguém tem de ser, porque um movimento destes não conseguiria progredir com a velocidade e capacidade com que o fez sem armamento de jeito e esse só se obtém se houver muito pilim.

  • Duvido que haja algum governo de algum país minimamente civilizado com um sistema de informações minimamente capaz que não soubesse já do IS há bastante tempo atrás, porque, repito, não se ocupa uma gigantesca parte do Iraque assim de um dia para o outro sem ninguém saber de nada. Acredito mais que agora sim nos últimos meses o problema tem-se tornado “visível” à opinião pública e que isso força os políticos a mexer o rabinho.

  • Por fim, é interessante e assustador ver o IS a conseguir recrutar cada vez mais gente fora do círculo fundamentalisto-islâmico. Quase parece que começam a juntar aquele pessoal que é anti- tudo e mais alguma coisa, os anti-globalização, os anti-USA, os anti-coiso e tal. E na Europa são os neo-nazis/extremistas de direita a querer tomar conta das operações (quiçá para mais uma limpeza étnica a prazo). O mundo anda mesmo marado de todo.

Quem treinou, financiou e vendeu armas aos mujahedin afegãos (que viriam a constituir mais tarde a base da Al Qaeda) contra os soviéticos na década de 80?!

Quem apoiou o Iraque na Guerra Irão-Iraque?

Quem é o maior cliente dos estados do golfo persico como a Arábia Saudita, Qatar ou Kuwait?!

Quem definiu as fronteiras actuais de Israel, Palestina, Siria, Jordânia, Iraque, etc aquando dos movimentos de descolonização da região, não tendo em conta as idiossincrasias daquela região?!

Quem é ou foi o maior aliado ocidental do Paquistão?

Deve ter sido a Papua Nova Guiné ou a Somália! ::slight_smile:

A hipótese que meteste com bonequinhos a gozar é a que tu encontraste na primeira pesquisa do Google.

Toda a produção de armas na Europa é estritamente controlada. As armas deste género têm descrições e instruções na língua dos países para onde são vendidas. Pergunta a alguém que tenha conhecimentos como eu fiz em vez de entrares no tom moderno deste fórum, que é o do gozo e bota-abaixo reles e fácil.

Se estes gajos têm em sua posse armas com instruções em alemão, é porque as adquiriram de outra forma.

Embora noutro contexto geopolítico, merece também destaque a duplicidade de outro país muçulmano no combate ao radicalismo islâmico: o Paquistão.

Formalmente aliado do Ocidente na guerra contra a Al-Qaeda, o regime paquistanês tem feito jogo duplo, apoiando as operações desse grupo terrorista, por exemplo, na região indiana de Cachemira.

O financiamento original do IS veio muito provavelmente da Arábia Saudita e do Qatar, mas atualmente com o controlo de alguns campos petrolíferos e com os impostos cobrados nas cidades eles provavelmente já se conseguem sustentar sozinhos.

A República Popular da China também apoiou os mujahedeen afegãos.

O Iraque, durante a guerra com o Irão, também recebeu ajuda militar da República Popular da China, da URSS e da Jugoslávia.