Entrevista de Carlos Freitas ao Record

Comprei de propósito o Record para ler a entrevista que Carlos Freitas fez a este jornal, já que ontem não tive a possibilidade de ver outra entrevista dada à SIC. Tive o trabalho de a passar toda a computador para a colocar no fórum já que acho que ela é importante e sobretudo bastante esclarecedora.
Pensava que só demoraria uma hora a passá-la para o computador mas demorei 4 horas. :o :o Espero que não existam muitas gralhas, mas a partir de certa altura já deitava era jornal pelos olhos.

Depois logo farei os meus considerandos sobre a entrevista propriamente dita.

Como não existe nenhum tópico chamado apenas “Carlos Freitas” onde pudéssemos colocar tudo o que dizia respeito ao administrador da SAD, e como não me parece que a entrevista se enquadrasse em nenhum dos tópicos que já existem sobre ele, resolvi criar um novo tópico. A moderação se não concordar terá obviamente todo o direito e unir a outro tópico já existente.

ENTREVISTA DE CARLOS FREITAS AO RECORD

O Administrador explica porque se afastou e… regressou pronto para honrar o compromisso

«Tinha de ter a certeza de que continuava a ser útil ao Sporting»

[b]RECORD - O que o fez ficar à beira da demissão[/b] CARLOS FREITAS - Muito simples: tentar obter uma resposta concreta a uma pergunta que fiz a mim próprio. E que era a seguinte: se a minha presença estaria a ser benéfica junto de um grupo que idealizei, junto de uma administração que depositou confiança em mim e num clube que me tem tratado bem ao longo dos anos. [b]R - E essa pergunta nasceu porquê?[/b] CF - Nasceu na sequência de um período em que acho que houve um enfoque muito pessoal em mim sempre que alguma coisa não estava a resultar, ainda que pudesse ser momentâneo, circunstancial e até rebatido através de inúmeros factos. Achei por isso que o melhor serviço que poderia fazer naquele momento era afastar-me fisicamente e obter uma resposta. [b]R - Que factos concretos levaram a essa reflexão?[/b] CF - O enfoque muito personalizado em tudo aquilo que não estava a correr como se desejaria. Da mesma forma que em quase dez anos nunca reclamei nenhum louro por esta ou aquela conquista - não acho que isso deva ser feito nem me arrependo de não o ter reclamado nem nunca o farei -, também acho que fazer juízos de valor precipitados por uma ou outra aparição é desvirtuar a realidade. Obviamente, entendi que era útil parar, pensar e obter uma resposta. Neste quadro foi importante as conversas que tive nestes dias com pessoas do universo Sporting que me ajudaram a chegar a uma resposta. [b]R - E a resposta foi: fico![/b] CF - Decidi continuar a honrar um compromisso assumido com a administração, com o conjunto de accionistas da administração, sendo seguro que o Sporting é o maior accionista da SAD. Tinha de ter a certeza de que continuava a ser útil ao clube. [b]R - Essas críticas são o pão nosso de cada dia. Porque ficou mais sensível desta vez?[/b] CF - Quem exerce funções deste cariz, num clube com a dimensão como o Sporting, representativo de um terço da população portuguesa, tem de estar preparado para a crítica. Eu estou. Mais: estou também ciente que já errei nalgumas coisas. Tudo o que se fez foi de boa fé, num momento foram entendidas serem as melhores opções para determinado tipo de necessidade, mas que o tempo veio a provar que não foram as mais correctas. A crítica será sempre bem-vinda, em muitos casos motivadora de mais trabalho e melhoria do indivíduo. O que não é positivo ouvir é um conjunto de insinuações, algumas delas a roçar a ofensa à dignidade do indivíduo, e suspeitas atiradas para o ar sem base de fundamentação. [b]R - Refere-se a comentadores, articulistas ou a adeptos anónimos?[/b] CF - Não individualizo. Da mesma forma que fui sensível a esta situação, seguramente quem acompanha o fenómeno também se apercebeu do facto. Não vou sublinhar este ou aquele nome, agora que isso existiu é verdade e teve reflexos, criando uma onda à minha volta onde eu era apontado como responsável por tudo o que menos bom estava a acontecer. Não me eximo das minhas responsabilidades, mas agora também é altura de não me esconder daquilo que corre bem. o que corre mal é da minha responsabilidade, mas o que corre bem também é! [b]R - Não acha que virou costas à equipa num momento difícil?[/b] CF - Há uma coisa que tranquiliza quem trabalha e lida diariamente com este grupo: saber que hoje temos uma liderança forte. Por outro lado, nunca deixei de estar em contacto diário e qualquer decisão que implicava a minha participação foi tomada comigo. Finalmente, todo o grupo aceitou e compreendeu esta minha paragem. No Sporting, quando um dos elementos de uma família passa por um momento menos bom, a solidariedade não é palavra vã. [b]R - Mas a imagem que passou para o exterior funcionou ao contrário...[/b] CF - O que me levou a tomar aquela atitude não teve a ver com uma situação específica. Teve sim a ver com um avolumar de situações que atingiram um patamar que eu tive de perguntar até que ponto seria positiva a minha presença no clube. A pergunta era legítima e a resposta tinha de ser rápida, independentemente do momento coincidir com uma fase menos boa. [b]R - Exigiu novas condições?[/b] CF - A partir do momento em que nos vemos confrontados com uma pergunta e encontramos resposta para ela, já fomos pelo menos capazes de dar um passo em frente. Que fique claro que em nenhuma altura foram equacionados e nem sequer pensados quaisquer tipo de condições e poderes reforçados. [b]R - E em termos de enquadramento, teremos agora um administrador mais resguardado?[/b] CF - Não passa por aí. Mas não posso esconder o seguinte: um dos erros que tenho cometido, à parte de algumas escolhas que fiz para o plantel, foi o excessivo comedimento e contenção verbal perante algumas situações. E é isso que me disponibilizo a explicar, pois assim como houve coisas que não corresponderam às nossas expectativas outras há que correram muito bem. [b]R - Falemos de coisas boas, então[/b] CF - No decurso desta década, o Sporting tem protagonizado uma evolução no seu trajecto. Desde o regresso a patamares competitivos que são apanágio deste clube que teve expressão em sete títulos nacionais, ao regresso a uma final europeia passadas cinco décadas, a consolidação de uma imagem formadora até a uma aura de seriedade em termos negociais reconhecida por qualquer interlocutor. Quando o Sporting está na sua quarta presença na Liga dos Campeões, segunda consecutiva, e sabe que vai defrontar uma Roma com cinco vezes mais recursos financeiros entra em campo ciente desta realidade mas.... está lá! A nossa competitividade em nada nos envergonha. [b]R - É esse mérito que gostava que lhe fosse reconhecido e não é?[/b] CF - Nunca me coloquei em bicos de pés nas conquistas. A política desportiva do Sporting tem sido protagonizada por um conjunto de pessoas do qual eu faço parte. [b]R - Assumido o erro, vamos ter um administrador mais participativo no espaço público?[/b] CF - O futebol é um espectáculo e o palco tem de ser para os artistas, que são os jogadores. Não me vejo naquele registo semanal do "satisfeito por ter ganho". O papel de dirigente é acompanhar, intervir, ser um apoio e dar a cara nos momentos difíceis. Há quem entenda de forma redutora que estar presente é falar muito. [b]R - Ter um treinador como Paulo Bento é confortável?[/b] CF - O Paulo tem forte personalidade. Não se esconde dos assuntos, domina-os e não foge deles, assimilou a realidade e a mística do Sporting. Hoje ele é fundamental na transmissão e assunção desses princípios. É de facto confortável ter um treinador como o Paulo Bento neste e noutras vertentes. [b]R - Mas também existe o reverso da medalha.[/b] CF - Muita da segurança com que o Paulo se expressa parte da genética dele mas reflecte também a confiança que organização lhe transmite. Ele sabe que tem a confiança de todos e que está num clube, onde a instabilidade deste ou daquele resultado não faz com que as areias se movam tanto como se moviam noutras épocas e noutros contextos.

A “eterna” conotação ao FC Porto e como nasceu a paixão pelos leões

«Sou sócio e absorvi a causa sportinguista»

[b]R - Incomoda-o que o vejam como um portista?[/b] CF - Que eu simpatizei com o FC Porto, é inegável. Admirei equipas, admirei a organização. A partir de 1992 por inerência de uma profissão chamada jornalismo o princípio da isenção passou a estar presente na minha conduta profissional. Em Novembro de 99, quando entrei para o Sporting e do qual me fiz sócio - nunca fui de nenhum outro -, absorvi a causa do Sporting, um conjunto de pessoas ensinaram-me o que é a génese e a mística do clube e hoje seguramente ninguém mais vibra com as vitórias e sofre com as derrotas como eu. A questão da conotação é uma das armas de arremesso quando não há outros argumentos. A tese vale o que vale e os exemplos também. Por essa Europa há dezenas de famosos dirigentes que não eram do clube desde pequeninos. Vejam o Beguiristain no Barcelona, o Mijatovic no Real Madrid, o Kenyon no Chelsea, etc. Quem exerce funções deste tipo obviamente tem de estar sujeito à crítica e ao resultado mas a avaliação do desempenho, positiva ou negativa, que seja feita em termos de profissionalismo, empenho e competência. Nada mais. [b]R - Admitia trabalhar com as mesmas funções noutro clube em Portugal?[/b] CF - Estou muito contente com a forma como tenho sido tratado no Sporting. [b]R - Mas na lógica que falou não se poderia estranhar que amanhã estivesse no Benfica.[/b] CF - Nunca foi uma situação colocada nem um projecto no futuro. Repito: estou muito feliz no Sporting, o compromisso com o clube existe e honrá-lo é uma missão. Aliás, numa sondagem publicada no Record, 66 por cento do leitores, seguramente sportinguistas, ficaram agradados com a minha continuidade no Sporting. Ou seja, sinto-me bem fazendo parte da família leonina. [b]R - A sua família no Sporting é Paulo Bento, Pedro Barbosa e Ribeiro Teles?[/b] CF - A família é o Sporting. Em muitos fóruns de análise já constatei grandes críticas à falta de solidariedade entre pessoas do mesmo clube. Hoje em dia, a solidariedade também é criticada! Vamos desmistificar a situação. Tenho, para além de uma relação profissional, uma relação pessoal de amizade com as pessoas que referiu. Não me parece que isso possa ser um pecadilho. Se é verdade que com a maior das facilidades essa relação profissional possa ser desfeita, seguramente que a relação pessoal continuará. [b]R - Uma baixa como eventualmente poderia ser a sua não fragiliza a estrutura? É o que toda essa cumplicidade sugere.[/b] CF - Se eu porventura tivesse saído, a casa não desmoronaria. De modo algum. Nem o Paulo Bento ou o Pedro Barbosa teriam qualquer tipo de obrigação de sair comigo. Quem tem a missão de decidir corre o risco de errar. Antes de eu cá estar, outros compraram e venderam jogadores. Quando eu sair, outros o farão. E, eventualmente, quem vier a seguir até pode fazer o papel melhor que eu.

Encontrar um complemento para Liedson continua a ser prioridade

«Ataque ao mercado depende do Derlei»

[b]R - Concorda que o Sporting não tem um banco à altura do onze?[/b] CF - Concordo com a ideia que há jogadores, alguns chegados esta época, que ainda não expressaram a qualidade que nós lhes reconhecemos e que levou à sua contratação. [b]R - Daí a ideia de um plantel curto.[/b] CF - É uma crítica que eu aceito. Não deixo no entanto de registar que neste momento ainda não comprometemos nenhum dos objectivos que tínhamos no início da época. Mais ainda: aquilo que já acabou, foi ganho - a Supertaça. [b]R - A pouco mais de um mês da reabertura do mercado, já há um diagnóstico feito daquilo que o Sporting precisa para atacar a segunda parte da época?[/b] CF - O Sporting teve dois grande contratempos: as lesões graves do Pedro Silva e do Derlei. Também há uma factualidade evidente: temos tido problemas no complemento de Liedson. Quanto à forma como iremos intervir no mercado em Janeiro, nada está decidido. A recuperação de Derlei é um dado importante nessa equação. [b]R - A presença na Europa (Liga ou UEFA) poderá determinar a acção do Sporting no próximo mercado[/b] CF - A nossa capacidade de investimento foi estipulada no início de época e só se houver um contratempo será alterada. [b]R - Quer dizer que neste momento está reduzida a zero[/b] CF - Exacto. Mas cada caso é um caso e há situações que se deparam aos clubes que se tornam irrecusáveis. Lembro o mandato de Bölöni em que a época não foi planificada com Jardel. Mas a oportunidade surgiu e trabalhámos arduamente nesse sentido para garantir a sua aquisição. Há conjunturas únicas que merecem uma actuação diferente. Este ano, estávamos confortáveis com os quatro avançados que tínhamos. A lesão de um deles coloca um problema e na sua equação é muito importante saber se os timings da recuperação do Derlei podem ser encurtados ou não. [b]R - Quais os mercados que o Sporting pode explorar?[/b] CF - Portugal, Europa do Leste, África e América do Sul. Do investimento que fizemos este ano, parte dele foi aplicado em dois jogadores sub-19: Luiz Paez e Rabiu Ibrahim. As soluções podem vir de qualquer lado, desde que não ponham em causa o controlo orçamental. [b]R - Abel e Tonel são dois bons exemplos de apostas nacionais. Porque é que o Sporting não olha mais para dentro[/b] CF - Os mercados periféricos como a Roménia já fazem melhores propostas a clubes portugueses de média dimensão do que aquelas que o Sporting, no caso, pode fazer. [b]R - A formação é, pois, a melhor saída.[/b] CF - Há uma matriz histórica neste clube que nos diz da capacidade de gerar grandes jogadores (e o Sporting ao longo dos tempos soube detectá-los e trazê-los para os trabalhar em Alvalade). Mas o seu grande mérito tem sido transformar os jogadores que não têm esse dom natural em jogadores de bom nível. Tudo isso é fruto de um modelo organizacional que tem uma componente pedagógica, educacional e desportiva fantástica. Por outro lado, a aproximação entre o universo da formação e o profissional é hoje maior e o aproveitamento desses talentos saídos do "berço" é feito de forma mais efectiva. Há uma confluência de interesses e ideais que leva a que a comunicação entre esses universos seja mais profícua. No meio de tudo isto há quem queira transformar a formação numa arma de arremesso contra o futebol profissional. Conto isto: quando o Izmailov passa de craque na Supertaça para flop no jogo com o Fátima, há logo o comentário de que o Diogo Rosado é que devia estar no plantel principal. Todos os jogadores têm o seu tempo de maturação e há um caminho a percorrer que muitas vezes é incompatível com a passagem imediata dos juniores para os seniores. [b]R - Que expectativas para Paez e Rabiu?[/b] CF - Altas. E além deles temos outros: o ganês Ogusu, os dois irmãos, o guarda-redes Vítor Hugo e o central Vinícius, bem como um sub-17 de nome Renato.

O papel de Pedro Barbosa

«Ele é que vai definir o seu caminho»

[b]R - Qual a função de Pedro Barbosa, vê-o com outras responsabilidades no futuro?[/b] CF - Tem um ano e meio de dirigente e não ocupa o cargo que tem por ter sido ex-capitão do Sporting. Enquanto jogador transmitiu um conjunto de capacidades e atributos profissionais e humanos que sugeriam levar uma grande aposta no fim da sua carreira. Mas será ele a definir o caminho que ele próprio quer seguir. Hoje, ele é quem tem relação directa com o treinador principal, tem a incumbência de acompanhar a equipa nos estágios e estar presente no banco e é o primeiro interlocutor dos capitães e de todos os jogadores. O Pedro tem uma pós-graduação em marketing desportivo e tem outras ideias para se valorizar profissionalmente. Com este enquadramento, tem muito espaço para crescer no Sporting. Só ele no entanto poderá dizer até onde quer ir.

O prémio polémico

«Os custos da transparência»

[b]R - O prémio de 82 mil euros. Aceita o alarido que se fez a propósito dessa recompensa? Quais as razões que o justificam?[/b] CF - Ponto prévio: a transparência tem custos. Quem dá a notícia é a administração da SAD através da publicação do Relatório e Contas. Houve uns ignorantes atrevidos que chegaram a ventilar que esta notícia - divulgada quase todos os dias sob a capa de novidade - resultava de uma fuga de informação para fazer cair o Carlos Freitas! Pena é que da mesma forma que se empolou esta questão não se tenha feito a comparação com as administrações homólogas das remunerações fixas e variáveis. O facto dessa remuneração variável depender de resultados financeiros alcançados ainda me parece mais justificável. O Sporting no ano passado registou 14 milhões de euros de mais-valias que na prática foram 16, pois 2 milhões foram adjudicados a provisões. [b]R - Antes de passar a administrador, era um dos funcionários mal pagos no Sporting?[/b] CF - Não sei. Auferi o que acordei com os responsáveis.

Análise dos reforços um a um

"Muitas vezes julga-se que o Sporting não faz tudo o que seria desejável para manter os seus jogadores. O volume de receitas correntes que o Sporting SAD tem, ronda os 45 milhões de euros, e para o licenciamento na UEFA não pode exceder o 70 por cento. Logo, temos sempre de fazer uma grande ginástica para encaixar as peças para formar o plantel de 24". [b]Stojkovic[/b] "A temporada foi planificada com o Ricardo. Surgiu o interesse do Bétis com um oferta que rondava o dobro daquilo que estávamos preparados para lhe dar. Perante a nossa manifesta incapacidade de acompanhar a proposta do Bétis e à própria vontade expressa pelo jogador, partimos para um substituto. Stojkovic estava entre as opções que tínhamos. Seguimo-lo desde o Euro de sub-21 em Portugal e sabíamos que no último ano tivera uma fase difícil em Nantes e um bom ciclo no Vitesse. Um guarda-redes de 24 anos, com grande margem de progresso e que significaria 50 por cento de investimento do encaixe de Ricardo. Stojkovic é jovem, tem potencial e vai melhorar. Já cometeu erros, como qualquer guarda-redes de top mundial, mas é um jogador que nos deixa descansados para o futuro. Em comparação com outros que passaram pelo Sporting, não está a ter pior arranque do que tiveram Schmeichel e Ricardo. Quanto à questão do castigo, já foi explicada pelo treinador. Teve uma falta a treino mas não houve qualquer sanção disciplinar. Não jogar em Roma foi opção do Paulo Bento". [b]Marían Had[/b] "Uma posição em que também estávamos descansados. Se Caneira nos levantava dúvidas, contávamos com Tello e Ronny. Depois de termos um acordo verbal com o Tello (o processo está entregue ao departamento jurídico), ele optou por ir ganhar três vezes mais do que aquilo que o Sporting poderia pagar para renovar. Anteriormente tínhamos antecipado a rescisão do contrato do Tello e fizemos um novo por 50 por cento do que auferia. Desde que Paulo Bento tomou conta da equipa, entendemos ser justo melhorar de novo o contrato. Mas o Besiktas entrou na corrida e levou-o. Nas conversas com o treinador foi identificada a necessidade de um lateral com maior propensão defensiva do que atacante, até porque o outro lateral que contratámos (Pedro Silva) podia fazer as duas faixas, e com a mais-valia de poder também ser central. Partimos então para o Had, que já acompanhávamos desde o anterior clube (Ruzomberok). Veio por empréstimo de um ano e se quisermos ficar com ele teremos de pagar 2,5 milhões de euros. O rendimento desportivo não tem sido brilhante, mas só no dia em que for chamado com continuidade e a sua produção ficar aquém do desejado é que podemos dizer que foi uma má aposta. Não é o caso". [b]Pedro Silva[/b] "Conhecemo-lo desde a Académica e do Santos e tínhamos dele as melhores indicações. Mas a exemplo de qualquer jogador que venha para o Sporting, não é o passados que lhe vai garantir sucesso. É o que fizer com esta camisola vestida que tem de mostrar a sua competência. O Pedro integrou-se muito bem na família e na forma como reagiu à lesão tem-se revelado um campeão. O infortúnio que sobre ele se abateu vai dar-lhe mais força na hora do regresso. Se deu força também ao Abel? O maior elogio que se pode fazer ao Abel é que sem concorrência directa no lugar tem uma atitude profissional de mil por cento". [b]Derlei[/b] "O custo zero é uma terminologia utilizada para transacções quando não há transferências entre clubes. Tentámo-lo trazer para o Sporting quando estava na União de Leiria. Na altura, João Bartolomeu fez exigências financeiras que não pudemos acompanhar e o Derlei foi para o FC Porto com o Mourinho. Sempre foi apreciado em Alvalade. Entendemos que o menor fulgor que teve no Benfica ficou a dever-se ao tempo que tinha de preparação e à fase em que chegou à Luz. Vinha de longe paragem e aqui estávamos no pico. Quem vem em Janeiro de outro continente ou de outra realidade competitiva, dificilmente vinga. Mas o valor do Derlei estava lá. Não tínhamos dúvidas quanto ao seu estado físico e a verdade é que, até à lesão, ele estava a portar-se como era expectável. A lesão que sofreu foi no joelho no qual nunca tivera problemas. Foi um duro revés para a equipa. Nas horas de infortúnio tem revelado o seu carácter. Tem um ano de contrato, deverá regressar em Março, mas tem sobretudo a nossa confiança que será capaz de voltar a expressar todo o seu valor". [b]Vukcevic[/b] "O Sporting fez um investimento de 50 por cento dos direitos económicos do jogador e tem opção pelos direitos do restante. É um contrato de cinco anos e até ao final da terceira época pode comprar os outros 50 por cento. O investimento envolvido anda na casa dos 33 por cento daquilo que o Saturn pagou pela compra do seu passe ao Partizan. Não nos tem defraudado minimamente. Grande qualidade técnica, carácter, espírito de luta, empolgante. O FC Porto esteve interessado? Esse tipo de "conquistas" não são remuneradoras. Ficamos satisfeitos quando os jogadores têm sucesso, quando se sentem bem em termos sociais e desportivos e sobretudo quando dão alegrias à massa associativa". [b]Izmailov[/b] "É um jogador que está em destaque. Tem muita qualidade. Já foi presença assídua na selecção russa e sabíamos os problemas que estava a ter no Lokomotiv de Moscovo. Aproveitámos essa situação para conseguir por empréstimo um jogador que já tinha estado na órbita de outros clubes europeus por números francamente elevados. Estamos muito satisfeitos e esperamos que este período desportivo se prolongue o máximo possível. Izmailov tem uma cláusula de opção e, a exemplo do que sucedeu com Romagnoli, vamos tentar que os números dessa cláusula baixem. Temos até final de Maio para trabalhar esse dossier". [b]Purovic[/b] "É um jogador que chega ao Sporting, pois foi identificado um tipo de necessidade em termos físicos e de presença na área. Houve a hipótese de Maxi López, mas não foi possível concretizá-la por imperativos fiscais. Purovic estava referenciado desde o Euro de Sub-21. É um jogador com margem de progressão e que, ao contrário de Stojkovic e Vukcevic, teve mais problemas de adaptação, muito por causa da língua. Não fala inglês e só agora "arranha" alguma coisa em português. Não sendo um jogador muito estético - nunca foi tido como tal -, é um jogador que entronca no perfil que procurávamos. Em termos de rendimento, sabemos que tem margem para dar muito mais. Tem tido uma atitude no trabalho muito positiva e com a ajuda de todos vai atingir o patamar que esperamos dele". [b]Gladstone[/b] "Foi chamado às selecções de sub-20, sub-23 e A do Brasil. Foi convocado não apenas com o Dunga, mas também por outros treinadores. Já tinha estado na mira do Sporting noutras ocasiões e desta vez foi possível trazê-lo para Alvalade. Quanto ao facto de ser ou não titular, essa é uma questão técnica em que só conta a opinião de uma pessoa: Paulo Bento. E conta com a minha total solidariedade. Até hoje, Gladstone nunca mostrou desagrado nem vontade em ir embora. Nesta altura, as opções são Polga e Tonel e não há clube no mundo que possa ter apenas dois centrais. Ele faz parte de um lote de 4 opções, mas duas: Veloso e Had. Gladstone saiu ao intervalo dos jogos com Setúbal e Fátima quando o Sporting perdia e as exibições do colectivo não foram famosas. A aquisição do passe ronda os 3 milhões". [b]Celsinho[/b] "Houve um conjunto de oportunidades desportivas e económicas que nos levaram outra vez a bater à porta do Lokomotiv. Mas nos comentários que tenha ouvido a respeito do Celsinho direi que tem havido uma tremenda crueldade. Celsinho saiu do Brasil aos 17 anos por 7 milhões de dólares para o Lokomtiv. Passados dois anos, o Sporting consegue numa operação que ele assine por 5 anos sem qualquer custo de transferência para nós. E sem qualquer outro custo também, se o Celsinho for vendido o Sporting recebe 50 por cento da verba. É ainda um dos ordenado mais baixos do plantel. Se não há tempo para que ele possa expressar o que mostrou na selecção ao lado do Anderson e Ramon, então vamos ser tolerantes para quem? É uma aposta de futuro do Sporting".

Dúvidas

[b]R - É possível segurar Miguel Veloso?[/b] CF - Já temos dito que não sairá por menos de 30 milhões de euros. O Sporting quer manter o Veloso, sabe que ele ainda tem de progredir, pois não é um jogador feito. Também ele entende que não está a desperdiçar o seu tempo no Sporting. Há casos de saídas prematuras que mais tarde chegaram a essa conclusão. Miguel é um rapaz inteligente. Faz jogos sobre jogos e tem vindo a consolidar o seu futebol. Agora, a economia portuguesa não é comparável a outras. [b]R - Até quando Liedson será fiel?[/b] CF - Liedson chegou a Portugal com 25 anos. Depois da saída do Ronaldo e de termos verificado que o dinheiro encaixado não chegava para o "pacote" Nilmar/Daniel Carvalho, optámos por Liedson por 2 milhões de Euros. Foi um caso de adaptação rápida e depois de um golo que marcou ao Malmoe nunca mais saiu da equipa. É um animal de competição. Tendo em conta o seu valor desportivo e financeiro, houve um tempo, que tem a ver com a idade, em que seria mais plausível um investimento do montante que ele justifica. Não há grandes verbas a circular por jogadores de 27/30 anos, excepção feita para Shevchenko. É um bom problema para o Sporting.

Mistérios

[b]R - O eclipse de Paredes[/b] CF - No início da temporada de 2006/07, o Miguel Veloso er um dos quatro centrais. Para o meio-campo, tínhamos Custódio e Paredes. À 2ª jornada do Campeonato, o Sporting jogou com o Nacional e os dois trincos estavam indisponíveis. Paulo Bento, sabedor das capacidades do Miguel, colocou-o naquele lugar. A partir daí, o Paredes teve de lidar com um eucalipto chamado Miguel Veloso que "queimou" tudo à sua volta. Mais do que falar de um flop Paredes, deve falar-se numa afirmação de Miguel Veloso. Se nos remetermos ao desempenho em campo de Paredes, não podemos dizer que tem sido fantástico. Não senhor. Mas se avaliarmos o comportamento profissional do Paredes para todos os seus colegas, nomeadamente para o Miguel Veloso, nada a apontar. Obviamente, Paredes não tem tido o espaço que nós pensávamos que lhe estava destinado, mas num plantel de muita gente nova ter um homem como Paredes é muito importante. Ele continua a ser um dos jogadores mais procurados por outros clubes, e se surgir alguma proposta interessante iremos estudá-la em conjunto. [b]R - O fracasso de Farnerud[/b] CF - Tem tido mais oportunidades do que Paredes. Não foi até ao momento capaz de mostrar no Sporting aquilo que expressou no Mónaco. Nas oportunidades de que desfrutou não teve o desempenho que pode ter. O comportamento e a forma como os jogadores se integram no grupo também é importante, e nesse particular nada há a apontar a Farnerud, mas seremos os primeiros a não estar satisfeitos com o seu rendimento desportivo. [b]R - A estagnação de Yannick[/b] CF - Tem 18 meses de Sporting, tantos quanto Miguel Veloso, que está num plano mais avançado da sua evolução. As qualidades de Yannick são apreciadas por Paulo Bento e consideradas fundamentais: velocidade, grande atitude profissional, maleabilidade táctica. Este ano está a faltar-lhe o golo. Seguramente, há-de lá chegar. É um momento dificil para ele, mas tem condições profissionais e humanas para dar a volta.

O desconhecido homem normal

R - Carlos Freitas é um dos nomes mais polémicos do meio futebolístico mas também é uma das personalidades mais desconhecidas do público. A entrevista que Record hoje publica é a terceira que dá a jornais e ontem até foi a primeira vez que foi a uma estação de televisão para ser entrevistado. "Sou uma pessoa normalíssima e que aprecia isso mesmo", diz Freitas, nascido em Lisboa a 22 de Junho de 1966. Ah, o ano dos Magriços, mas ele reconhece que deu para o "gordiço". Filho único de "uma grande mãe e de um grande pai que têm tido a paciência de me acompanharem e aturarem ao longo destes 41 anos", Carlos Freitas tem um sentimento familiar bem enraizado. Pai de uma filha que concentra todo o amor que o administrador do Sporting e a sua mulher bem gostavam de poder partilhar com os outros dois filhos que perderam. Freitas convive bem consigo próprio. "Tenho a sorte de trabalhar na actividade que era o meu grande hobby". Pelo caminho, ficou o jornalismo apenas porque "sentiu outro apelo". O prazer da escrita, esse mantém-se. O gosto pelo futebol nunca se perderá. O primeiro jogo que viu ao vivo foi no Restelo. Um Belenenses-Farense que logo lhe traz à memória o nome de Rui Paulino, o guarda-redes azul. Um homem normal, que tem Pavarotti no leitor de CD do automóvel, que nesta entrevista ao Record resolveu abrir o livro como nunca antes o tinha feito.

Antes de mais, dmalmeida és o MAIOR! Muito, muito obrigado pelas horas de trabalho! :great:

Ainda não tinha lido a entrevista e só assim foi possível. Se o teu trabalho não merecesse tópico próprio, nada o mereceria.

Em relação à entrevista, acho que o Carlos Freitas esteve bem e elogio-o desde já por finalmente haver disponibilidade da sua parte para nos revelar um pouco do seu mundo e justificar algumas das suas apostas. O Record conduziu bastante bem a entrevista, sendo que alguns dos pontos poderiam ter sido aprofundados.

Fiquei com a sensação de que o nosso fórum é uma referência para algumas personalidades do nosso clube e provavelmente alguns daqueles “visitantes” que por aqui andam, estejam a consultar as nossas opiniões. Afinal de contas, somos nós que consumimos o que eles produzem. Determinadas passagens da entrevista deram a entender a existência dessa “espionagem”. Terei sido só eu a ter essa sensação?!

Sem ser dito nada de absolutamente novo, foi mais uma vez transmitida a ideia de que o fulgor financeiro do Sporting não permite mais do que o que tem sido feito, chegando CF ao ponto de ridicularizar as hipóteses Nilmar/Daniel Carvalho

A propósito desse parágrafo acrescento, será que o que era caro era o pack de brasileiros, ou foi o Ronaldo que foi vendido ao desbarato? O Sporting forma craques, mas não os vende como tal. Há poucos jogadores por quem se pague 15, 20 ou 30 milhões, mas também não vejo mais Clubes a formar jogadores da qualidade dos que têm saído do Sporting nos últimos 5 anos.

Apesar da entrevista não me ter deslumbrado, estou decidido a dar-lhe um voto de confiança e ajudar a afastar este clima tempestuoso que tem pairado sobre Alvalade. Não se trata de querer passá-lo de besta a bestial, mas nesta altura, com a confiança inabalável desta Direcção, qualquer contestação ao seu lugar não passará de simples desestabilização.
No final da época, principalmente em relação à continuidade de Paulo Bento e a algumas políticas da Direcção, a ideia será outra.

Mais uma vez, muito obrigado dmalmeida! Um Sportinguismo desses, não se compra com 13 meses de quotas por ano. :wink:

Dmalmeida, um exclente trabalho que merece todos os elogios. Desde já te digo que aprecio as opiniões que costumas partilhar por cá.

Quanto à entrevista em si, penso que foi muito bem conseguida passando o CF uma imagem de credibilidade e de projecto que apenas o favorecem. Há uma factor que ele destaca de mansinho e que é o resumo perfeito na minha opinião: com o dinheiro que há, haverá alguém que possa fazer manifestamente melhor? Eu tenho as minhas dúvidas. Não quero com isso dizer que estou satisfeito, longe disso, mas acho que devemos reconhecer que um bom trabalho, ainda que não óptimo, merece o nosso crédito.

Olho para a realidade do meu clube como um momento de transição em que todos devemos ser pacientes. A Academia começará agora a dar os seus reais frutos, talvez não com craques do valor do Ronaldo, mas com um número importante de jogadores de segunda linha que podem a baixo custo preencher alguns lugares “secundários” do plantel. Poderemos dessa forma concentrar recursos nas posições chave e essa deve ser a linha de rumo do clube. Sinceramente, penso que precisamos de umas três épocas de sucesso desportivo para catapultar o clube para outros patamares e deve confessar que o jogo com a Roma me mostrou que essa realidade está provavelmente mais próxima do que pensamos. Não se pode é perder a cabeça, e devemos tentar por todos os custos não perder mais que um, no máximo dois, titulares por ano.

Excelente entrevista, desta vez, todas as questões eu tinha foram colocadas. Não fugiu a nenhuma das perguntas e até entrou em detalhes muito interessantes. Cada vez estou mais convencido, que estamos perante um bom profissional que tambem teve o seu periodo de aprendizagem e evolução. A maneira como ele descreveu as aquisições deste ano, só pode deixar dúvidas a mal intencionados. Claro que algumas vão falhar, mas todas tinham (e têm potencial). Alem disso, financeiramente, nenhumas delas é de alto risco. Uma coisa me deixou preocupado na entrevista, há clubes romenos que jáoferecem melhores condições que o Sporting. Se há clubes romenos, então não falta muito para ter os paises do leste ao ataque (bem, os russos e os ucranianos já o fazem de certa maneira). Não entendi muito bem se a diferença Daniel Carvalho/Nilmar para Liedson era muito significativa em termos de investimento. Na altura qualquer um destes jogadores era mais reconhecido que o Liedson. De qualquer maneira a vinda do Liedson foi Bingo. Depreendi desta entrevista que o Farnerud perdeu a margem de manobra e o Paredes não.

bem acab de perder um post gigante e nao vou escrever outra vez, vai por topicos:

  • alguem me sabe dizer onde e que o fulano foi assim tao criticado (alem do forum?), a distancia nao percebo bem isso.

  • noto o assumir de quota parte de responsabilidade no Jardel (vai dar mto que falar por aqui…)

  • noto como o Moura o facto dos clubes Romenos ja terem mas poder que os Portugueses (quo vadis Portugal)

  • noto que ainda nao vi nenhuma questao nem explicacao acerca dos metodos de trabalho do homem, essa sim uma das maiores criticas que lhe foram feitas e que continuam envoltos em misterio e nevoeiro, assim como a questao das relacoes perigosas com certos agentes, tambem ainda envolta em segredo de estado

  • quanto ao facto dos jogadores contratados terem potencial e serem baratos, nada de novo, teem mesmo de ser baratos pq nao ha dinheiro, e era o que mais faltava que ele viesse agora dizer que os jogadores nao tinham potencial, isso tudo e obvio.

Great work Dmalmeida, so tenho 1 coisita a apontar e não leves a mal, detesto o teu avatar! :twisted:

Expresso a minha opinião, mais tarde! :wink:

Acima de tudo o que sempre me suscitou reservas em realação ao CFreitas foram as suas relações com um reduzido numero de empresarios e metodos de trabalho.

Estas entrevistas para mim não me interessam muito embora defenda que devem ser feitas, nem que seja só para conhecermos a voz da pessoa em causa. Não disse nada de mais, até porque já como se disse por aqui foi uma entrevista sem perguntas difíceis e de ficar embaraçado com as questões. Foi apenas discursar na minha opinião, e o que mais me interessou na entrevista foi ele falar dos jogadores, que mesmo assim mantem esperanças quando se vê que por exemplo um Purovic não dá. In my opinion.

Foi pena não ter falado do Paulo Renato.

Bom trabalho, dmalmeida.

Excelente dmalmeida. :clap:

Quanto à entrevista, não consegui ler com a merecida atenção mas gostei de ver o rebater ponto por ponto de quase cada uma das críticas que tem sofrido. Nomeadamente sobre os reforços das duas últimas épocas, o prémio e a questão da simpatia pelos andrades.

Lamento, mas enganas-te, as maiores criticas teem mesmo a ver com metodos de trabalho, capacidades para o lugar, e relacoes perigosas com certos agentes, diz-me onde isso foi aflorado sequer na entrevista…

Dmalmeida, muito bom trabalho e louvo as horas de entrega, estas sim, sem qualquer tipo de remuneração. :clap:

O Paulo Bento acaba de apanhar um balde de água fria, e eu se fosse ele nunca mais falava do Carlos Freitas. É este sentido de profissionalismo e competência que todos nós adoramos em Carlos Freitas. Há coisas que não se dizem, e se o Paulo Bento te defendeu numa primeira instância, o minimo que se exigia era que fizesses o mesmo:

CF - Muita da segurança com que o Paulo se expressa parte da genética dele mas reflecte também a confiança que organização lhe transmite. Ele sabe que tem a confiança de todos e que está num clube, onde a instabilidade deste ou daquele resultado não faz com que as areias se movam tanto como se moviam noutras épocas e noutros contextos.

Na pergunta anterior elogia o trabalho de Paulo Bento acima de tudo pela tal segurança e coragem, mas quando o jornalista lança a questão, do reverso da medalha desvaloriza tudo isso, publicando uma verdade que eu já ando a divulgar há muito tempo de que o Paulo Bento tem incontestávelmente as costas muito quentes. Estão comprovadas as minhas suspeitas de que alguns erros de casting feitos com muita tranquilidade, são fruto da areia que não se mexe em Alvalade.

Houve uns ignorantes atrevidos que chegaram a ventilar que esta notícia - divulgada quase todos os dias sob a capa de novidade - resultava de uma fuga de informação para fazer cair o Carlos Freitas! Pena é que da mesma forma que se empolou esta questão não se tenha feito a comparação com as administrações homólogas das remunerações fixas e variáveis.

A partir da altura em que ele nos chama ignorantes atrevidos, acaba-se o sentimento conduzido pela paixão que lhe incutiram sobre o Sporting. Ser do Sporting não é entender a mistica deste Clube mas tambem respeitar os Sportinguistas, tenham elas esta ou outra opinião. Pessoalmente, nunca me passou pela cabeça que tivesse sido uma fuga de informação e tenho a certeza que não foi por isso que muitos lhe cairam em cima. Foi sim pela tal remuneraçao elevadissima contraprudecente com o seu trabalho no Sporting. É que na época passada ficamos em 4º lugar na Champions, 2ºLugar no Campeonato e Vencedor da Taça de Portugal (sem adversários de peso). É que se essa remuneração de 86 mil euros, se deve ao fruto do seu trabalho, então alguem que me explique quanto ele tem vindo a encher noutros anos?

A crítica será sempre bem-vinda, em muitos casos motivadora de mais trabalho e melhoria do indivíduo. O que não é positivo ouvir é um conjunto de insinuações, algumas delas a roçar a ofensa à dignidade do indivíduo, e suspeitas atiradas para o ar sem base de fundamentação

Podes vender essa a outros Sportinguistas, mas eu não me vou comover. Se a critica é motivadora de mais trabalho, onde é que tens melhorado? Queixas-te de insunuações graves que são atiradas sem base de fundamentação, mas nao fazes questão de levantá-las em nenhuma entrevista, quiçá com medo que o jornalista explore essa questão.

Este tipo de avaliação aos reforços faz-me lembrar os meus testes de Francês no básico, em que ia à procura no texto de uma palavra que tivesse na pergunta e fazia copy-poste. Sem nenhuma avaliação pessoal, sem nenhum detalhe extra sem ser a duraçao de contrato e a clausula a pagar em alguns jogadores, o que me leva a crer que para ti todos sempre foram bons jogadores, todos sempre se portaram muito bem na análise profunda que tu certamente fizeste e que por motivos de ordem social - vide resposta sobre o Paredes - podem mesmo durar um ano até se mostrarem. :o

Mas as perguntas que interessam à cerca do profundo relacionamento com alguns empresários e sobre os meios de prospecção utilizados pelo Carlos Freitas, continuam por responder.

Barbosa, eu sei que sou novo por cá e provavelmente tu conheces melhor a realidade do clube que eu. Nestas coisas podemos ver a questão de mil e uma maneiras, falar de empresários, do valor de X ou Y, enfim… é um sem número de opções. Mas a pergunta mais simples é?

  • Com o dinheiro que há, alguém fazia melhor?

Ele este ano portou-se bem, fui o primeiro a reconhecer isso.

No entanto, o método utilizado foi novamente o mesmo [relações com apenas 1 empresário].

Ele está no Sporting há mais tempo, já comprou muita porcaria com este seu critério de avalição - se é que lhe podemos chamar critério - para além dos dinheiros ao bolso.

De resto, limitei-me a comentar a entrevista. :wink:

Eu não disse que ele tinha rebatido as maiores críticas, mas quase cada uma das que tem sofrido.
Mas dessas que falaste, são quase todas questões (na minha opinião) um bocado subjectivas pelo seguinte:
Métodos de Trabalho - deverá ser do conhecimento público? Pelos resultados, parece que não se perderia nada, mas imaginem o Pinto da Costa a falar dos métodos de trabalho das aquisições dos andrades. Acho que é uma informação que até certo ponto deve permanecer interna ao clube. Mas aceito que isso seja discutível;

Capacidades para o Lugar - ok, essa não é assim tão subjectiva. Deveria ser claro o aspecto existente no seu currículo que justificasse a sua contratação para esse cargo tão importante no clube. No entanto, essa é uma situação que se repete em quase todos os cargos do clube, exceptuando a Academia e as equipas técnicas desportivas.

Relações perigosas com certos agentes - No início desta época fez-se aqui no forum uma relação de agentes envolvidos em cada uma das contratações, e não se viu nomes de “clientes habituais” como seria o caso do Gilmar Veloz. E até onde sei, nunca foi público que ele recebesse dinheiro por fora com as contratações. Mas eu também não leio jornais todos os dias.

Importante este tópico, já que no que me diz respeito, não compro jornais ditos ‘desportivos’ há mais de 2 anos. Não gosto de pagar para ser gozado.
Três breves notas :
1- Freitas tem um discurso articulado !
2- No entanto, canta bem, mas não me alegra.
3- Não entendi a rábula dos ‘dez dias de reflexão’. Estaria à espera de uma ‘vaga de fundo’, de apoio ? O mar continuou calmo …

Se tiver pachorra, próximamente colocarei algumas observações sobre a tese da maturação e o fenómeno do eucalipto de que fala Freitas.

Talvez… alguém a trabalhar com um método, critério e objectividade, pensando unica e exclusivamente nas necessidades da equipa… não?

Ex. porque contratar um purovic se o sporting não jogou, não joga nem nunca jogará com bento num sistema adequado ao jogador, colocando já até de lado os critérios de escolha de qualidade de um cepo daqueles, refiro-me só ao estilo de jogador.
O reinado de Freitas está CHEIO de coisas curiosas como estas, e meter o Jaime Pacheco do sec XXi a dizer que subscreveu as contrataçoes não tranquiliza ninguém, só mesmo quem acredita que o Bento é homem de vistas largas na observação de potenciais reforços.

É pena estas entrevistas serem feitas para passar a mão no pelo e raramente para tocar nas feridas. E as feridas são as relações privilegiadas com alguns empresários; a saída dele há 2 anos levando a base de dados atrás; a protecção que lhe é feita por alguns jornalistas (ah pois, isto não podia ser dito, o bernardo ribeiro é do recanhord).

De resto, ao menos é honesto na avaliação dos jogadores, eu próprio tenho melhor opinião de alguns jogadores do que ele tem.

Já vai um pouco tarde, mas justifica-se: parabéns dmalmeida pela transcrição da entrevista! Excelente!! Acho admirável aquilo que as pessoas são capazes de fazer por uma causa. :clap: :clap: :clap:

Porra se eu tivesse que escrever isso tudo demorava mais de 1 mes… :xock: :xock:
Bom trabalho :slight_smile: