Eleições legislativas 2011

Uns preconizam uma luta racial, outros preconizam luta de classes. Seja como for, o ódio a algo é comum, assim como a anciania quase grotesca do discurso: uns são contra os imigrantes e a favor de um nacionalismo de ódio e bacoco, outros é a burguesia, ou seja, a classe-média, a classe social mais importante de um país e aquela que, em Portugal, tem vindo a ser sucessivamente roubada e penalizada. Economicamente, ambos os extremos são anti-capitalistas, mas a extrema-esquerda elimina o privado, transferindo toda a “criação de riqueza” para o público, enquanto que a extrema-direita subjuga o privado, delimitando profundamente a sua liberdade. Como país, tivemos ambos. Tivemos o corporativismo do Estado Novo e o socialismo do imediatamente pós-25 de Abril. Um manteve o país pobre, tendo só sido substancialmente alterado a partir da era de Marcello Caetano, o outro concluiu-se em duas vindas do FMI.

Esta é a primeira vez na história do PSD em que este defende abertamente ideias liberais. É a primeira vez que um partido do poder coloca abertamente em causa o que o Estado tem vindo a fazer, nomeadamente o seu sector empresarial e os mecanismos sociais do Estado. E a política seguida pelo PSD, que por si provoca imediata perda de votos - que tem acontecido -, é algo que merece ser elogiado. Ideologicamente, nunca o PS e o PSD estiveram tão separados. Só o nega quem quem está dependente da crítica ao “bloco central”, que não é apenas um princípio português, é mundial, até porque radicalismos, seja de esquerda ou de direita, é algo que há muito foi expurgado do mundo civilizado. O que pode acontecer é uma coligação, quanto mais, envolvendo um partido radical. Essa alteração ideológica do PSD é tão evidente que vos garanto que a campanha feita contra o PSD, por parte do PCP, BE e PS, que se unirão em torno dessa retórica, será realizada a partir de chavões “liberalismo radical”, “vender o Estado Social”, entre outros. A Segurança Social está falida, e está falida não só por motivos económicos, mas demográficos, e este problema merece uma resposta séria por parte do PSD, que passa por incluir de alguma maneira o privado na equação - nada de novo, nada de aberrante, apenas emular algumas políticas existentes nos países nórdicos, entre muitos outros. A demagogia e ignorância em torno do liberalismo é muita, abunda alegremente, porque surte vantagens partidárias e eleitorais, nos partidos de esquerda e extrema-esquerda. Costuma acontecer um terceiro partido aproximar-se dos dois principais, mas este acaba sempre por não ter a necessária paciência, que se salda num necessário sacrifício de gerações do próprio partido, que anseiam por responsabilidade e participação (e tachos!), e entrar numa coligação servindo de muleta. O partido Liberal-Democrats do Reino United há muito tempo que tem um projecto eleitoral muito interessante, mas acabou por sucumbir às tentações e aliar-se aos Conservadores, o que lhes vai sair caro.

Não entrámos ainda em período eleitoral, pelo que muito pode acontecer (ainda seremos agraciados com inúmeros casos estranhos), mas acho que o PSD vencerá as eleições porque reunirá grande parte do voto dos independentes, aqueles cujo sentido de voto oscila entre o PS e PSD, e porque será também o recipiente do voto da classe média, a classe social que tem sido escravizada pelas necessidades financeiras do Estado e pela mania de defender um “Estado Social” falido, pouco exigente e pouco ou nada criterioso.

Tenho esperança num programa eleitoral do PSD muito interessante, ideologicamente diferente de todos os outros, e virei aqui dar a sentença quando o mesmo sair, em Maio.

O jogo político português foi alterado de forma permanente pelo PS, principalmente por Sócrates, o primeiro político nacional que conscientemente incluiu às agências de comunicação uma importância e primazia inaceitáveis no jogo político, pelo que tudo passa a ser ponderado, porque só assim se explica como é que ele não foi ainda corrido pelo próprio Partido Socialista, tal é a treta, em quantidades colossais, que ele tem alimentado e provocado. O PSD, caso a quebra nas sondagens se mantenha, deveria ponderar correr com o Miguel Relvas, um estratega político que deixa muito a desejar, intelectual e estrategicamente, com clara nota negativa para a última.

O “diz e volta atrás” do Sócrates é, tenho a certeza absoluta, um recorde, principalmente no último ano. Mente a torto e direito. Claro, a culpa é do PSD.

Falta liberalismo em Portugal, mais ainda na cultura e no comportamento, porque existe uma dependência sádica e uma fé inabalável, à custa de impostos e de riqueza criada, no Estado e nas funções deste. A verdade é que o Estado pratica um regime fiscal abusivo tendo em conta o PIB per Capita, onerando altamente a classe média, e nada parece funcionar, porque todos os dias saem notícias relacionadas com a falta de dinheiro aqui, acolá, ali, etc.

Toca a dar mais poder e responsabilidade ao cidadão, ao individuo.

Pois, a mim também me chateia que continuem a votar no bloco central, mas nem todas as mudanças são positivas e as mudanças que eles (PNR) preconizam não trazem nada de positivo, especialmente a nível sociológico. E essa parte para mim, é o suficiente. Tudo o resto perde importância.

Vou votar em branco, se quiser ver palhaços vou ao circo. :lol:

Sem qualquer tipo de ironia eu considero tão condenável votar PNR como votar BE.

Branco :arrow:

PS! :arrow:

Não voto em extremos, se o fizesse seria na esquerda, não voto em branco e tendencialmente opto pelo voto útil, sou de esquerda e identifico-me com o PS (partido)!

Somos dois. :arrow:

:arrow:

Tal como eu. Não percebo como é que a maioria que se revolta contra o PNR aceita de bom grado um voto no BE. São ambos utópicos e extremistas.

És capaz de votar no partido responsável por onde chegámos. És capaz de votar no líder que mentiu compulsivamente.

Eu não consigo expressar a revolta que sinto. O que dizes não faz sentido nenhum. Não tem lógica.

Eles fizeram merda, continuaram a fazer, o seu líder é mentiroso, aldrabão, incapaz de lidar com criticas.

Ou seja, para ti está tudo bem. Vamos lá votar PS, afinal de contas a culpa é dos outros que não estiveram no poder e é assim que a politica em Portugal continua uma bela merda! As pessoas são enrabadas e continuam a apoiá-los.

E isto não é só para ti, é para todos os que votarem PS.

Incrível.

Só a possibilidade do Engenheiro relativo poder voltar a ganhar as eleições da-me vontade de vomitar.

Rui, com todo o respeito pela tua opção, mas falando do que tenho mais conhecimento de causa, quase todas as pessoas da minha geração, que tenho 20 anos, com capacidades acima da média querem ir passar uns anos lá para fora, ou seja, contribuir com as suas capacidades para o desenvolvimento de um país que não o seu, porque não estão para estar a dar metade do seu salário para obras megalómanas como o TGV que irá dar sempre prejuízo crónico e só é útil para os amiguinhos de Madrid. Eu próprio, com muita pena minha, ponho a hipótese de ir para fora. E oiço pessoas mais velhas a dizer que só não vão porque é tarde de mais para ir. As pessoas estão descrentes, sentem-se pouco confiantes, e a reeleição de Sócrates com as suas mentiras e ideias megalómanas só vai piorar isso. Reconheço que ele é um bom político, tem capacidades interessantes, mas só fez porcaria neste governo, e como tal só admitiria a sua inclusão caso fosse aceite a solução que há muito defendo, que passa por um governo com responsabilidades tripartidas pelos 3 partidos com experiência de governo, PS, PSD e CDS, em que cada passo tenha que ser devidamente estudado e justificado a bem da recuperação total e definitiva da economia de Portugal, e aproveitando as pessoas mais " talentosas" de cada partido nas diversas àreas.

Podem não concordar com as soluções que o BE preconiza, mas consideram-nos mesmo assim tão maus quanto um partido que promove o ódio racial e a xenofóbia?

:arrow: :arrow:

é o que vou fazer

E identificas-te com o líder? :shifty:

Um partido não é um clube!

BE, PCP ou branco. Ainda estou indeciso.

Quanto às comparações entre o BE e o PNR (!!!), sem comentários. Estamos a falar de um partido que discrimina, que semeia o ódio, que separa as pessoasa por credo, nacionalidade, etnia. Gente que utiliza símbolos dos mesmos que há 60 anos mataram milhões por essa Europa fora, numa luta racial pela afirmação de uma alegada superioridade que obviamente não existia.

Não se concordar com os ideais de um partido, achá-lo ridículo, é uma coisa (neste caso o que aí li acerca do BE). Compará-los a esse tipo de gente já é outra bem diferente.

Já aqui perguntei mas não responderam.

O voto em branco conta para alguma coisa ou é tipo presidenciais e não serve de nada?

Essa é a tua opinião, respeito mas não concordo, não aceito que coloques palavras na minha boca / teclado que eu não proferi e muito menos aceito entrar numa discussão com termos como “enrabadas”, esse tipo de extremismo não resolve nada nem serve para uma discussão que se quer, no mínimo, civilizada! :idea:

Com algumas facetas e atitudes identifico-me, com outras não, algo perfeitamente natural! :inde:

Um partido é assim tão diferente de um Clube de Futebol? :think:

Olha que não! :wink: