E agora, clamam alguns. Até que enfim, dizem outros. Onde estão as alternativas, pedem outros tantos.
Não posso responder à ultima pergunta, não sei. Sei que uma pessoa que avance sem saber exactamente qual é a situação de todo o Sporting arrisca bastante, muito mais do que aqueles que possuem essa informação… e não a divulgam.
Aqui no fórum, num simples fórum de troca de ideias sem pretensão a mais que isso, desafiam-se colegas foristas, o que é aliás uma tendencia antiga, a “irem para lá fazer melhor”. Afirma-se que os responsáveis por uma decisão pessoal, assumida pelo actual presidente, é a tal minoria de bloqueio que até há poucos meses não tinha expressão.
O presidente, esse, afirma que além das necessidades pessoais não consegue continuar sem que o deixem cumprir a sua vontade para o clube… que este se torne num clube sem sócios, só com adeptos. Não nos deixemos enganar, FSF sai porque acha que não consegue transformar o Sporting Clube de Portugal no Sporting Futebol e Gestão, onde TODAS as decisões serão tomadas na área VIP, longe dos energumenos que o ex presidente, companheiro do actual na gestão calamitosa do clube, achava que não tinham educação e o atacavam demasiado.
A vida de um clube como o Sporting é feita de paixão, é essa a mola fundamental que pode elevar o clube ao mais alto, mas não é suficiente, pois não… para gerir a paixão tem de existir razão.
No caso do Sporting paixão sempre existiu, mas a razão muitas vezes ficava em casa. Em 1995 houve muita gente que entendeu que finalmente estavam reunidas as condições para que à paixão (assolapada adiciono eu) se juntasse finalmente a razão, uma razão inteligente e conhecedora do que era a realidade verde e branca.
Não vale a pena voltar a repisar o que aconteceu, mesmo que ao dia de hoje ainda seja possível escutar e ler gente dizer “querem culpar o FSF e ele nem era responsável”.
Com a razão, nem sempre inteligente como se desejava, mataram a paixão. E o Sporting, clube que em 1995 tinha todas as possibilidades de “voar” (desculpem o termo) alto, estagnou e perdeu pujança. Nem vários títulos quase seguidos na viragem do século foram capazes de relançar o clube, numa época em que na parte final da fase pujante alguns de nós começamos a “tagarelar” por este espaço (nunca senti que tivesse existido um corte, mesmo com a estória conhecida).
Sou sincero e sempre o fui, entrei no fórum a declarar-me absolutamente contra o fenomeno da SAD, ao qual só atribui um aspecto positivo, a transparencia da gestão financeira (e mesmo assim com tudo o que se sabe hoje, mesmo esse é relativo).
Na minha visão de clube em NENHUM momento concebo que a empresa que gere (espero que temporariamente) o futebol não seja controlada e possuída (atenção ao termo, não é nesse sentido) na sua maioria pelo Sporting.
Tenho também muitas dificuldades em lidar com essa coisa muito portuguesa da “culpa morrer solteira”. Deve ser por educação, cresci sempre a obrigar-me a assumir responsabilidades pelos meus actos e a esperar que os outros façam o mesmo.
Destes dois factores nasce a minha repulsa (é mesmo isto, repulsa) pela figura de FSF, porque em meu entender ele por actos e afirmações, está no polo radicalmente oposto ao meu.
Arrumada esta questão, e porque muitos dos meus queridos foristas pedem com veemencia alternativas, embora não me pareça que quem luta diariamente pela subsistencia do seu agregado familiar, com as dificuldades que a muitos tocam, mas que ainda assim despende tanta energia e esforço financeiro a algo que lhe está no sangue, esteja obrigado a tal, não quero de forma nenhuma deixar de corresponder, pelo que passo a fazer um suponhamos:
Suponhamos que aqui o Ruizinho se candidatava e apresentava assim o seu projecto
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Manutenção das premissas importantes de FSF, sobretudo estabilidade na gestão do futebol, apoiando e dando tempo à equipa técnica, mantendo o grupo de trabalho o mais inalterado possível de forma a que não perca competitividade e continuando a aposta (inclusivé reforçando-a) na formação, determinando ainda a não contratação de elementos que não entrem para serem titulares indiscutiveis.
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Baixar o passivo até aos 190 milhões com as receitas previstas da delapidação anterior de patrimonio.
Chegados aqui teria que ir pedir “batatas” a dois grupos. Sportinguistas e Banca. Aos primeiros, força fundamental do clube, pedia intervenção na vida do Sporting e garantia que de nenhuma forma o Sporting alguma vez perderia o controlo da SAD e portanto da sua área desportiva. Dar-lhes-ia o respeito que merecem, que é aquilo que há muitos anos falha, garantiria que em primeiro lugar estará sempre o Sporting e logo a seguir os sportinguistas.
E pediria que se fizessem sócios e fossem ao estádio. Prometeria trabalho na defesa INTRANSIGENTE do clube. Estou convencido tanto da importancia fundamental dos sócios na vida do clube quanto da possibilidade de em vez de se terem 30 mil sócios efectivos (assumi das palavras de FSF que esse era o numero de pagantes efectivos) se podem ter sem utopias 60 mil, o que representaria creio que uma receita adicional anual de 4.5 milhões.
A seguir iria à banca e apresentaria assim as coisas - Meus amigos, mostramos clareza de processos e intenção segura de cumprir as obrigações a que gestões ruinosas nos forçaram. Reduzimos uma passivo de 270 para 190 milhoes. Sabemos que deviamos reduzir para os 150 para vos tranquilizar em absoluto relativamente ao cumprimento total das obrigações, mas estamos confiantes e seguros das potencialidades de algumas das operações da nossa actividade bem assim como da nossa gestão.
Temos uma grande força por trás, baseada na militancia de centenas de milhares de pessoas, que vivem intensamente tudo o que diz respeito ao clube. Iniciámos uma onda verde imparavel e temos a sua adesão. Contamos aumentar receitas provenientes dessa militancia (quotizações e lugares de época) em mais 6 milhões que servirão para concluir o processo de redução de passivo até aos 150 no prazo de 8 anos. Somos uma das grandes escolas de futebol do mundo e poderemos ainda melhorar nesse capitulo. O resultado será uma equipa atractiva e sobretudo competitiva, que será capaz de, em conjugação com a vivencia leonina, manter e aumentar algumas das restantes receitas de forma a não condicionar os restantes pagamentos. Quer seja pela qualidade da formação de forma directa, quer pelos resultados desportivos, seremos certamente capazes de gerar receitas não previsiveis no momento, mas que poderão servir de garantia futura para a satisfação do serviço de divida sem nunca colocar em causa a competitividade do clube.
A seguir as modalidades. Já pela gestão rigorosa dos planteis profissionais de futebol, seria possível arrecadar receitas para manter uma actividade amadora (completamente amadora), de custos controlados, mas que nos honrariam como um dos mais vitoriosos clubes ecleticos do mundo, voltando a ter modalidades que foram cortadas no projecto Roquete.
Depois seria lançado um cartão especifico para o adepto da amadora, com um custo mensal de 5 euros e que permitiria o acesso a todos os jogos das modalidades. Com uma boa gestão e contando com o interesse dos sportinguistas (sócios ou não), poderiamos fazer mais uma receita complementar.
A médio prazo negociaria com grupos hoteleiros internacionais a venda dos terrenos e estruturas da Academia, enquanto que com autarquias da zona de Lisboa negociaria algo semelhante ao que fez o Porto, mantendo o Sporting um local onde trabalhar as suas equipas de futebol durante 3 dias da semana, porque nos outros 2 os trabalhos teriam lugar em Alvalade.
Com as receitas dessa venda (ao momento não tenho ideia de quanto, dada a diversidade de dados sugeridos), negociaria mais uma vez com a banca e pediria em avanço a verba suficiente para construir o pavilhão, enquanto que com a CML negociaria terrenos (caso não fosse possível utilizaria uma maior verba da venda da Academia), prometendo aos bancos (ou banco) um prémio de 15% do valor adiantado, mantendo o restante da venda para abatimento do passivo (já então nos 150).
Estas são ideias base, muito gerais mas que me parecem, embora dedicando-lhes muito trabalho, passíveis de ser alcançadas.
Sublinho o que me parece mais importante, tudo o que seja feito deve respeitar as duas premissas base:
-SAD com controlo total do Sporting (até aos 100%) e recolocação dos sócios (e adeptos) como cerne da actividade do clube.